A docência a partir das margens: tensionamentos, assimetrias e contribuições das mulheres racialmente subalternizadas no ensino de jornalismo na Amazônia

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15-05-2026

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AMORIM, Janaina Lopes de. A docência a partir das margens: tensionamentos, assimetrias e contribuições das mulheres racialmente subalternizadas no ensino de jornalismo na Amazônia. Orientadora: Rosaly de Seixas Brito. 2026. 174 f. Tese (Doutorado em Comunicação, Cultura e Amazônia) - Instituto de Letras e Comunicação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18624. Acesso em:.

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A pesquisa em que se ancora esta tese de doutorado tem como objetivo geral compreender como as desigualdades sociais, de gênero e de raça, atravessam as experiências das mulheres pretas e pardas no exercício da docência em jornalismo na Amazônia. O protagonismo das mulheres na academia se dá não apenas em termos numéricos, como também na qualidade de sua produção científica. Nas universidades federais fora dos grandes centros urbanos do país, as pesquisadoras em jornalismo são líderes em produções acadêmicas qualificadas (Cajazeira, 2019). A despeito disso, há uma notável escassez de estudos que abordem especificamente a atuação de mulheres na docência, considerando especialmente as interseccionalidades de gênero e raça. A tese aqui apresentada pretende contribuir para romper com este silenciamento estrutural, ocasionado por uma estrutura que deslegitima essas temáticas, ao considerá-las desimportantes ou ao elegê-las como assuntos restritos a outros espaços que não a ciência. A pesquisa parte também da urgência de se pensar em um projeto feminista de ciência que evidencie a experiência histórica e cultural e os saberes das mulheres das margens (Rago, 2019), reconhecendo-as como sujeitas em comunicação (França, 2006), que participam ativamente do processo de produção do conhecimento, ainda que confrontadas pelos padrões hegemônicos de sua validação. Parte, ainda, da indagação: como as assimetrias de gênero, raça e classe atravessam e repercutem na trajetória de mulheres na docência em jornalismo na Amazônia? Baseia-se na perspectiva de mulheres racialmente subalternizadas, em especial pretas e pardas, que atuam na docência na área de jornalismo na Região Amazônica, buscando apreender como as subjetividades individuais e as experiências coletivas se entrelaçam nas suas narrativas e como se dá o processo de autorreconhecimento e de reconhecimento entre elas. Do ponto de vista teórico-metodológico, a interseccionalidade constitui um recurso analítico central, já que não é possível entender a experiência das docentes que compõem esta pesquisa senão pela articulação de múltiplas formas específicas de opressão que se imbricam em seu cotidiano. Ademais, partimos da perspectiva da epistemologia feminista negra e das margens (Rago, 2019; Collins, 2000; Kilomba, 2019). Como ferramenta de coleta de dados de campo, foram utilizados formulários eletrônicos para informações socioeconômicas e entrevistas semiestruturadas para os dados de natureza qualitativa. Constata-se que a docência em jornalismo na Amazônia Oriental é estruturada por processos de significação que produzem assimetrias de gênero e raça, manifestadas em violências cotidianas como o silenciamento e a deslegitimação. As professoras são tratadas como se fossem inadequadas para o espaço acadêmico, com rótulos como o de“emocionais demais”, em um ambiente onde há uma valorização da razão (heterossexual e branca). São questionadas sobre suas competências e são tratadas com hostilidades quando ocupam cargos de gestão. No entanto, a docência é estruturada por racismo e sexismo, mas também por movimentos de reparação e transformação epistemológica. Em resposta, a atuação dessas mulheres tem ampliado repertórios teórico-metodológicos ao tensionar o padrão epistêmico eurocentrado. A pesquisa produz conhecimento situado a partir da perspectiva de professoras de jornalismo da Amazônia, tornando visíveis as estratégias pedagógicas por elas adotadas, que contribuem significativamente para reconfigurar o ambiente universitário e enriquecer o campo. Ao chamar a atenção para tais perspectivas, esta pesquisa pretende contribuir para as discussões em torno da comunicação, de gênero e de resistências no ensino superior de jornalismo.

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