Concepções e metas de socialização de emoções entre mães e pais mayas do México e análises comparativas com participantes de agrovilas do Brasil

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20-12-2021

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Balam, Deira Patricia Jimenez. Concepções e metas de socialização de emoções entre mães e pais mayas do México e análises comparativas com participantes de agrovilas do Brasil. Orientador: Lilia Iêda Chaves Cavalcante. 2021. 251 f. Tese (Doutorado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2021. Disponível em: . Acesso em:.

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Nesta pesquisa identificaram-se metas de socialização da emoção e concepções locais sobre a expressão emocional de crianças de mães e pais mayas do sul do México, além de análises comparativas com participantes de agrovilas do norte do Brasil. A pesquisa considerou como abordagem teórica o modelo ecocultural, sendo composta por três estudos, por meio dos quais quais foram alcançados os seguintes objetivos: 1) Identificaram-se as concepções locais sobre as emoções dos adultos e a expressão das emoções das crianças entre mães e pais mayas de X-Hazil Sur, Quintana Roo, México; 2) Descreveram-se as metas de socialização que expressam objetivos relacionados ao desenvolvimento emocional da criança entre mães e pais mayas com filhos até 36 meses que vivem na comunidade maya de X-Hazil Sur; 3) Compararam-se as metas de socialização que expressam objetivos relacionados ao desenvolvimento emocional da criança entre mães e pais com filhos de até 36 meses nos dois contextos pesquisados (México e Brasil). Os principais resultados destacam: 1) No primeiro estudo, participaram 30 mães, com média de idade de 28,1 anos (DP=7,72) e 20 pais com 30,95 anos (DP=7,15), possuindo filhos com média de idade de 29,74 meses, residentes de XHazil Sur, México. Foram abordadas emoções como alegria, tristeza, medo, raiva, orgulho e vergonha: mães e pais foram convidados a descrever seus significados, causas e expressão, respectivamente. Depois, identificaram-se as concepções parentais sobre a manifestação e valoração da expressão das emoções nas crianças. Sobre a expressão das emoções salientaram que, na maioria dasvezes, esta tem uma função comunicativa, permitindo aos pais saber como se sentem suas crianças e como conhecê-las melhor. Especificamente, foram mencionadas 16 formas de manifestar a alegria, sendo importante a expressão desta emoção, por permitir aos pais saberem se as crianças estão bem e se esta bem-estar nelas. A tristeza foi relacionada com 12 diferentes formas para manifestá-la, ainda que tenha sido considerado pouco importante expressá-la, mesmo que isso comunique aos pais se suas crianças se sentem bem. Foram identificadas 10 formas de manifestar o medo, tida como uma emoção que deve ser expressada , pois as crianças têm que senti-lo para evitar perigos e conduzirem-se sozinhas em seu entorno. Quanto à raiva, foram identificadas 12 maneiras de manifestá-la, sendo esta uma emoção valorada negativamente, cuja expressão não deve ser incentivada, apesar de ajudar os pais e as mães a conhecerem aos filhos, pois permite saber as preferências deles. O orgulho foi classificado em positivo (quatro formas de expressar) e negativo (cinco formas de expressar), mas também é apontado como uma emoção pouco experimentada pelas crianças, por serem elas ainda jovens demais; tal emoção gera bem-estar porque destaca as conquistas obtidas pelas crianças e ajuda os pais conhecerem seus filhos. Entretanto, o orgulho negativo não é bom expressá-lo, pois promove a arrogância, o que é considerado ruim para esses participantes. A vergonha foi relacionada a oito formas de expressá-la, o que contribui para a regulação do comportamento dos filhos e as ajuda a evitarem perigos, todavia, um motivo para não expressá-la é que esta emoção pode limitar às crianças, inibindo-as. Em geral, a expressão das emoções tem que ser equilibrada, nem muito nem pouco, sendo responsabilidade da criança fazer a sua regulação, além de se constituírem em elementos que promovem autonomia e relacionamentos. Também foram identificados o na’at, tuukul, k’ajal iik e óol, noções mayas relacionadas com o desenvolvimento emocional. 2) No segundo estudo participaram as mesmas mães e pais do primeiro estudo. Foram identificadas as metas de socialização das emoções, destacando-se as categorias de ‘automaximização’ e o ‘autocontrole’, reforçando que no primeiro caso, as mães e os pais mayas desejam que seus filhos sejam emocionalmente autoconfiantes e independentes quando adultos, que sejam alegres e que saibam expressar-se. Quanto às metas de ‘autocontrole’, as mães e os pais gostariam que seus filhos, quando adultos, tivessem desenvida a capacidade de regulação emocional, sendo importante o controle em geral das emoções, com ênfase para a raiva. O controle das emoções se relaciona com a busca de equilibro, noção importante no modelo cultural maya. Em menor medida foram mencionadas as metas relacionadas com a ‘emotividade’ e ‘expectativas sociais’. Também se abordaram as condições para o desenvolvimento das metas de socialização, destacando-se aquelas centradas no cuidador (aconselhamento, disciplina, por exemplo) e as centradas na criança (por meio do brincar, sendo responsáveis). De maneira específica, na atuação parental para que as metas sejam cumpridas, destacam-se as categorias ‘educar/orientar’ e ‘manter relações de proximidade’, sendo o primeiro caracterizado pelo conselho, dar exemplo, ambiente familiar tranquilo, fala emocional, e o segundo relacionada com oferecer carinho, apoio e cuidados às crianças. 3) No terceiro estudo, a amostra foi composta por 82 participantes, sendo 30 mães com média de idade de 28,1 anos (DP=7,72) e 20 pais com média de idade de 30,95 (DP=7,15), residentes em X-Hazil, México, cujos dados foram comparados aos de 17 mães com média de idade de 25,5 anos (DP=7), e 15 pais com média de idade de 33,4 anos (DP=7,4), que vivem no Apeú, Brasil. Quanto às metas de socialização pesquisadas, o Teste Qui-quadrado revelou que as categorias de metas de ‘automaximização’ (p= 0,0001), ‘autocontrole’ (p= <0,0001), ‘emotividade’ (p= 0,0436) e ‘outras’ (p= 0,0002), com um grau de libertade, têm relação estatisticamente significante (a=0,05), sugerindo que estas dependem do contexto tendo as mães e os pais mayas de X-Hazil mais chance de citar estas metas, com exceção da categoria ‘emotividade’. Ao abordar as condições necessárias para que as metas sejam cumpridas não foi observada associação estatisticamente significante entre as duas amostras. Porém, ao explorar as evocações feitas, verificou-se que, em ambos contextos, as condições ‘centradas no cuidador’ se apresentam de forma similar, mas, no caso dos participantes de Apeú, salientaram mais as condições ‘centradas no contexto’, quanto que entre os pais e mães de X-Hazil predominou a categoria ‘centrada na criança’. Com respeito ao papel de atuação parental para orientar o cumprimento das metas, os resultados indicam não ser estatisticamente significante a relação entre as amostras pesquisadas. Contudo, pode-se observar que as mães e os pais mães do Apeú apresentam um número maior de evocações associadas à categoria ‘educar/orientar’, e ainda um ligeiro predomínio entre os mayas de ‘manter relações de proximidade’, e de forma similar, em ambos contextos, ‘prover de condições materiais’. De maneira complementar, para identificar os modelos culturais relacional e autônomo entre as amostras, foi aplicada uma escala de objetivos de desenvolvimento infantil. Observou-se pelo Teste T de Student que a diferença das médias em relação aos objetivos ‘Relacional’ (p= 0,7393) e ‘Autônomo’ (p= 0,3356), não são estatisticamente significantes. Ou seja, não se apresentou a prevalência de algum modelo cultural prototípico. Em conjunto, os três estudos permitiram evidenciar a relação entre as concepções sobre a expressão emocional, as metas parentais de socialização e aspectos constituintes dos contextos pesquisados, onde os modelos de autonomia e o relacionamento fizeram-se presentes nas concepções locais, considerando-se seus elementos ecológicos e culturais. A presente pesquisa contribui para compreender como se apresentam as dimensões de autonomia e relacionamento em contextos culturais não ocidentais, além de explorar estes elementos em amostras com modelos culturais similares em geral, mas com diferenças segundo as concepções e noções culturais locais. Pautas temáticas, metodológicas e teóricas precisam ser apresentadas apresentadas para pesquisas futuras, que explicitem a atualidade de modelos sensíveis à perspectiva ecocultural do desenvolvimento humano desde a infância.

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