Conhecimentos e metas de socialização da emoção de mães e pais em contextos rural e urbano

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15-05-2021

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Fonseca, Bianca Reis. Conhecimentos e metas de socialização da emoção de mães e pais em contextos rural e urbano. Orientador: Lilia Iêda Chaves Cavalcante. 2021. 183 f. Tese (Doutorado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2021. Disponível em: . Acesso em:.

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Esta pesquisa investigou os conhecimentos e as metas de socialização de mães e pais acerca do desenvolvimento emocional de crianças, com até 36 meses, e suas variações nos diferentes contextos pesquisados (rural e urbano). Para tanto, a pesquisa compreendeu quatro estudos com seus respectivos objetivos: 1) Descreveu os conhecimentos e as expectativas de mães acerca da capacidade infantil de expressar emoções e discutir sua importância no desenvolvimento de crianças de que vivem em um contexto rural no estado do Pará; 2) Analisou as metas e as estratégias de socialização de mães e pais em relação ao desenvolvimento emocional de seus filhos residentes em um contexto rural do estado do Pará; 3) Comparou as metas de socialização emocional entre mães e pais residentes em vilas agrícolas localizadas no distrito de Apeú (Castanhal – PA) e os que vivem na capital do estado do Pará (Belém – PA); 4) Comparou as metas de socialização entre mães e pais residentes em três contextos brasileiros – não urbano (Apeú-PA) e urbano (Belém-PA), ambos na região Norte do país, e urbano da região Sudeste (Rio de Janeiro-RJ). Entre os resultados obtidos, destacam-se: 1) No primeiro estudo, participaram 60 díades constituídas por mães com idades entre 13 e 39 anos, e seus filhos, independente do sexo, com média de idade de 16,18 meses (dp = 8). Verificou-se que a maioria das mães definiu alegria, tristeza, raiva e medo de forma condizente com a categoria ‘Estado psicológico ou motivacional com projeção para o outro’. O resultado do teste Friedman indicou diferença significativa entre a importância atribuída pelas mães as diferentes emoções (χ²5=159,28; p<0,05), sendo a alegria a emoção mais valorizada que as demais. Adicionalmente, foi aplicado o teste U de Mann Whitney para avaliar a associação entre as variáveis. Apenas para a manifestação da alegria foi encontrada associação com a escolaridade materna (U= 314,00; p < 0,05), onde mães com escolaridade inferior ao ensino médio completo consideraram mais importante que crianças na idade de seus filhos possam manifestar esta emoção, em comparação com mães de ensino superior ou acima; 2) No segundo estudo participaram 32 pais, sendo 17 mães (M=25,5 anos; dp=7) e 15 pais (M=33,4; dp=7,4). Ao cruzar os dados sociodemográficos e as metas de socialização da emoção, constatou-se que as metas relacionadas à ‘Automaximização’ e ‘Emotividade’ foram mais citadas por mães e pais na faixa etária ‘até 18 anos’, de ’20 a 29 anos’ e de ‘40 a 48 anos’, bem como os que tinham nível médio. Os dados qualitativos indicam que a felicidade do filho foi enfatizada e atrelada pelos pais à autoconfiança na manifestação e na vivência de suas emoções e sentimentos, além de destacarem a capacidade de virem a desenvolver de modo saudável suas capacidades emocionais como indivíduo autônomo. Com relação às condições necessárias para o desenvolvimento das características emocionais desejadas, notou-se um maior número de respostas relacionadas à categoria ‘Centradas no cuidador (mãe e/ou pai)’. A atuação parental prevalente foi a de ‘Educar/orientar’ para o desenvolvimento das metas emocionais que estabeleceram. 3) Do terceiro estudo participaram 68 pais e mães, sendo 32 residentes em contexto rural (vilas agrícolas do Apeú-PA) e 36 em urbano (na capital do estado do Pará, Belém-PA). Quanto às metas de socialização da emoção, os resultados do teste Qui-quadrado de Independência revelaram que a categoria ‘Automaximização’ (p = 0,0061, gl = 1) tem relação estatisticamente significante com os contextos estudados, sugerindo que a ênfase nas metas de ‘Automaximização’ depende do contexto em que os pais residem. Quanto ao resultado do cálculo da razão de chance a partir do teste de Mantel-Haenszel (p = 0,0143), constatou-se que as metas enfatizadas pelos pais e mães, que fazem referência à categoria ‘Automaximização’, possuem 4,822 vezes mais chances de serem citadas pelos participantes residentes em Belém do que pelos que vivem nas vilas agrícolas, com intervalo de confiança de 95% entre 1,490 e 15,611. Outro ponto que merece destaque é que grande parte das mães e pais, tanto de Belém quanto das vilas agrícolas, também citou metas relacionadas à categoria: ‘Emotividade’. Quanto às condições necessárias para o desenvolvimento das características emocionais desejadas constatou-se que independente do contexto, rural ou urbano, os participantes, na mesma proporção, enfatizam que as práticas de cuidado devem estar ‘Centradas no cuidador (mãe e/ou pai)’ com a finalidade de que suas metas de socialização da emoção sejam cumpridas, a partir da disciplina, do aconselhamento e/ou de exemplos diários. 4) Por fim, no quarto estudo, participaram 188 pais e mães, sendo 36 residentes em contexto urbano (Belém-PA), 32 em vilas agrícolas na área rural (Apeú-PA), ambos localizados na região Norte do país, e mais 120 residentes em contexto urbano do Sudeste do país (Rio de Janeiro-RJ). Os resultados sobre as metas de socialização emocional maternas e paternas, a partir da aplicação do teste Qui-quadrado de Independência, constatou-se que a categoria ‘Automaximização’ tem relação estatisticamente significante (p = 0,0210, gl = 2) com os contextos analisados. Desse modo, o resultado sugere que a ênfase na categoria ‘Automaximização’ depende do contexto em que os pais residem. No que se refere ao cálculo das razões de chance de serem mencionadas as categorias de metas de socialização da emoção entre o contexto urbano (Belém – região norte do país) versus urbano (Rio de Janeiro – região sudeste), observou-se através do teste de Mantel-Haenszel (p = 0,0336), que a categoria ‘Automaximização’ tem 3,218 vezes mais chances de ser citada pelos pais e mães residentes em Belém do que pelos participantes do Rio de Janeiro, com intervalo de confiança de 95% entre 1,164 e 8,898 vezes. Quanto à meta ‘Emotividade’, observou-se resultado estatisticamente significante (p = 0,0067, gl = 2) indicando haver relação entre esta meta e os contextos pesquisados. Em complemento a este resultado, foram calculadas as razões de chance de serem mencionadas, pelos participantes, as categorias de metas de socialização da emoção para o contexto não urbano (Apeú-PA) e urbano (Rio de Janeiro-RJ). Dessa maneira, verificou-se, pelo nível descritivo do teste de Mantel-Haenszel (p = 0,0045), que a categoria ‘Emotividade’ tem 3,444 vezes mais chances de ser citada pelas mães e pais das vilas agrícolas do que entre aqueles residentes no Rio de Janeiro, com intervalo de confiança de 95% entre 1,525 e 7,779 vezes. No que se refere as condições necessárias para o desenvolvimento das características emocionais desejadas verificou-se que independente do contexto, rural ou urbano, os participantes enfatizam, proporcionalmente, que as práticas de cuidado devem estar ‘Centradas no cuidador (mãe e/ou pai)’ com a finalidade de que suas metas de socialização da emoção sejam cumpridas. No que se refere ao papel parental para o desenvolvimento de características emocionais desejadas, constatou-se que independente do contexto, as mães e os pais enfatizam a importância de servir de modelo ou oferecer modelos com o objetivo de disciplinar, aconselhar, conversar, ensinar por demonstração, participação, explicações verbais ou medidas disciplinares. Os quatro estudos juntos permitiram concluir que o desenvolvimento emocional está associado às características particulares dos contextos ecossociais (rural e urbano). Dessa forma, tais contribuições podem auxiliar no desenvolvimento de intervenções culturalmente adaptadas, destinadas, por exemplo, a aumentar a compreensão dos pais sobre as emoções e sua consciência emocional.

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