“Eu sei que muitos pensam que sou doida, mas só não ouço": representações sociais de discentes surdos/surdas na escola e nos processos comunicativos de si em Belém

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12-12-2024

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PINTO, Carla Georgia Travassos Teixeira. “Eu sei que muitos pensam que sou doida, mas só não ouço": representações sociais de discentes surdos/surdas na escola e nos processos comunicativos de si em Belém. Orientadora: Alda Cristina Silva da Costa. 2024. 220 f. Tese (Doutorado em Comunicação) - Instituto de Letras e Comunicação, Universidade Federal do Pará, Belém, 2024. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18758. Acesso em:.

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Esta tese, inserida na Linha de Pesquisa Comunicação, Cultura e Socialidades na Amazônia, tem como foco investigar as representações sociais da surdez, com o objetivo de compreender como os discentes surdos da rede pública de ensino de Belém constroem as representações de si e da escola. A questão central que orienta a pesquisa é: Quais são as representações sociais dos discentes surdos sobre a escola e as implicações no processo comunicativo sobre si? A base teórica e metodológica do estudo está ancorada na Teoria das Representações Sociais (TRS), de Moscovici (2015) e Jodelet (1998), articulada com os estudos da comunicação e da cultura surda (Sodré, 1984; Sacks, 2010; Strobel, 2008; Perlin, 2003; Skliar, 2013). O fenômeno investigado é compreendido como parte do processo social que envolve a comunicação e o discurso nas diversas instâncias de interação social e cultural, nas instituições, nas práticas sociais e nas comunicações interpessoais e coletivas. As representações sociais emergem dessas interações, marcadas pelas subjetividades dos/das sujeitos/sujeitas envolvidos, sendo construídas pelos discentes surdos (sujeito), a partir de sua relação com a surdez (objeto). A pesquisa é de natureza qualitativa, com metodologia de pesquisa de campo, que inclui observação direta e entrevistas em profundidade com inspiração narrativa, utilizando-se a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) na comunicação com os/as interlocutores. O estudo foi realizado no Centro de Referência em Inclusão Educacional Gabriel Lima Mendes (CRIE) e na Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof. Gabriel Lage da Silva. Participaram cinco discentes surdos, com idades entre 10 e 17 anos, matriculados na rede municipal de ensino, além de uma professora regente e uma técnica do CRIE, ambas funcionárias públicas concursadas. Os resultados indicam que as representações sociais dos/das discentes surdos, sobre si mesmos e a escola, são influenciadas por discursos e falas preconceituosas, relacionadas à surdez, presentes no ambiente escolar e para além dele. Essas representações estão ancoradas em processos de segregação e exclusão, de modo a refletir imagens sustentadas pelo senso comum e caracterizadas por conflitos, falta de comunicação e obscurantismo. Esses fatores impactam a autocompreensão dos discentes surdos e sua percepção sobre a escola. No entanto, o estudo revela que, apesar das experiências discriminatórias, a escola é vista, pelos discentes, como importante espaço de socialização e comunicação. Eles mantêm a esperança em um futuro melhor, ao superar desafios diários, com perspectivas e planos futuros, demonstrando que, mesmo diante das representações negativas, a escola continua a se revelar um espaço de crítica e de desenvolvimento da consciência de si.

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