Rupturas do tempo, da natureza e da vida: crise climática e reprodução social nas comunidades do Distrito do Mocambo, Parintins (AM)

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07-05-2026

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CATIVO, Cassia Karimi Vieira. Rupturas do tempo, da natureza e da vida: crise climática e reprodução social nas comunidades do Distrito do Mocambo, Parintins (AM). Orientadora: Edna Maria Ramos de Castro. 2026. 258 f. Tese (Doutorado em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido) - Núcleo de Altos Estudos Amazônicos, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18833. Acesso em:.

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A crise climática, compreendida como expressão da ruptura metabólica entre sociedade e natureza produzida pela expansão do modo de produção capitalista, tem se intensificado nas últimas décadas e se manifesta de forma particularmente sensível na Amazônia, onde alterações no regime de chuvas, aumento das temperaturas e secas mais severas evidenciam mudanças nos sistemas naturais, impactando diretamente comunidades que dependem da dinâmica dos rios. Assim, o objetivo central desta pesquisa foi analisar como a crise climática vem reconfigurando os ciclos hidroclimáticos da Amazônia e alterando os referenciais temporais, materiais e simbólicos que estruturam a vida das comunidades ribeirinhas, com foco nas comunidades do Distrito do Mocambo do Arari, no município de Parintins, Amazonas. Para atingir esse objetivo, adotou-se uma abordagem qualiquanti, de caráter crítico e interdisciplinar, que articulou revisão bibliográfica, análise documental e trabalho de campo, incluindo observação direta e entrevistas semiestruturadas com moradores das comunidades ribeirinhas. Os resultados evidenciaram que a crise climática tem provocado alterações significativas nos ciclos das cheias e vazantes, historicamente responsáveis por orientar o calendário produtivo e a organização social dessas populações. Secas mais intensas e prolongadas, associadas à irregularidade das chuvas e à redução do nível dos rios, têm impactado atividades produtivas como a pesca e a agricultura de várzea, além de comprometer a mobilidade e o acesso aos recursos naturais. A pesquisa também revelou que essas transformações afetam não apenas a dimensão material da vida ribeirinha, mas também os referenciais temporais e simbólicos que estruturam a relação das comunidades com o rio e com a natureza, gerando percepções de incerteza diante das mudanças ambientais. Por fim, a crise climática, na Amazônia, ultrapassa a dimensão ambiental, configurando-se como uma crise social, territorial e simbólica que reconfigura modos de vida e saberes tradicionais.

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