Natural-mente ativa: a contribuição de atividades físicas em espaços naturais para a cognição, saúde mental e cultura de inovação e sustentabilidade universitária

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25-06-2025

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COSTA, Vitor Oliveira da. Natural-mente ativa: a contribuição de atividades físicas em espaços naturais para a cognição, saúde mental e cultura de inovação e sustentabilidade universitária. Orientador: João Bento Torres Neto. 2025. 190 f. Tese (Doutorado em Educação em Ciências e Matemática) - Instituto de Educação Matemática e Científica, Universidade Federal do Pará, Belém, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18849. Acesso em:.

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Em um cenário universitário marcado por altos níveis de estresse, baixa atividade física e crescentes demandas cognitivas, a busca por intervenções físicas simples e eficazes torna-se prioridade. Este estudo experimental teve como objetivo explorar como breves caminhadas em ambientes naturais impactam agudamente a atenção sustentada, a flexibilidade cognitiva e o bem-estar mental de universitárias. Participaram 21 universitárias (17,71 ± 2,16 anos), com baixa prática de atividade física e boa saúde geral. O delineamento foi ensaio clínico controlado, randomizado, com delineamento cruzado (crossover) parcial, de medidas repetidas intraindivíduo, com washout de uma semana entre sessões, e duração de 15 minutos por intervenção. As participantes foram avaliadas com testes neuropsicológicos (Trail Making Test - TMT-A e TMT-B), escalas psicométricas (como escala de humor [BRUMS] e de ansiedade estado [IDATE-E]), além de medidas perceptivas de esforço, prazer e restauração percebida. Os dados foram analisados por modelos lineares mistos, ajustados para consumo máximo de oxigênio (VO₂), índice de massa corporal (IMC), nível de atividade física habitual e dia do experimento. Os achados revelaram que a atenção sustentada (TMT-A) melhorou significativamente após a caminhada nos ambientes natural (p < 0.001) e construído (p = 0.003), mas não na condição controle. A flexibilidade cognitiva (TMT-B) melhorou apenas no ambiente natural (p < 0.001), apontando para um efeito restaurador exclusivo. O custo de alternância (diferença de tempo entre TMT-B – TMT-A, indicando o esforço extra que a pessoa precisa para alternar a atenção entre duas tarefas diferentes, refletindo sua flexibilidade cognitiva e controle executivo) indicou interação significativa Intervenção × Tempo (p = 0.009), sugerindo maior eficiência executiva, com tendência de melhoria no grupo natural (p = 0.06). A precisão (erros) permaneceu estável entre as condições. Do ponto de vista emocional, observou-se redução significativa da ansiedade estado no ambiente natural em comparação à sala de aula (p = 0.03). Embora vigor, tensão, confusão e outros estados afetivos não tenham ariado significativamente, o ambiente natural foi percebido como mais prazeroso e cognitivamente restaurador, o que pode influenciar a adesão futura à prática. Estes resultados dialogam com os quatro artigos que estruturam a tese: o Artigo 1, que apresenta uma revisão sistemática sobre os impactos do exercício verde na cognição; os Artigos 2 e 3, que discutem os efeitos e as possibilidades institucionais de integração de espaços naturais à vida acadêmica; e o Artigo 4, que sintetizará os achados do estudo experimental, conectando-os a uma proposta de inovação pedagógica e sustentabilidade universitária. Conclui-se que breves caminhadas em ambientes naturais são capazes de promover ganhos imediatos e significativos na atenção, flexibilidade cognitiva e estados ansiosos, representando uma intervenção viável, de baixo custo e alto impacto no contexto universitário. Os achados reforçam o papel dos espaços verdes como estratégias eficazes de promoção da saúde e da aprendizagem no ensino superior, com forte alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), ODS 4 (Educação de Qualidade), ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), ODS 13 (Ação Contra a Mudança Global do Clima) e ODS 15 (Vida Terrestre). Integrar ambientes naturais ao cotidiano acadêmico é, portanto, mais do que recomendável — é uma resposta baseada em evidência para instituições comprometidas com o futuro da educação, da saúde e da sustentabilidade.

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Universidade Federal do Pará

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