Teses em Ciências Ambientais (Doutorado) - PPGCA/IG

URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/9341

Navegar

Submissões Recentes

Agora exibindo 1 - 20 de 78
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Níveis de resiliência ecológica de quelônios continentais da Amazônia Legal
    (Universidade Federal do Pará, 2024-12-23) GUIMARÃES, Lívia Isadora de Almeida; SILVA, José Francisco Berrêdo Reis da; http://lattes.cnpq.br/1338038101910673; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0002-8590-2462; TOLEDO, Peter Mann de; http://lattes.cnpq.br/3990234183124986
    Quelônios continentais, sobretudo amazônicos, estão entre os grupos que mais demandam pesquisas atualizadas e estudos integrados, seja no âmbito sistemático ou ecológico, cujos conhecimentos auxiliem em sua preservação, assim como serviços ecossistêmicos e ambientais desempenhados. Diante disso, o presente trabalho visa análises de níveis de resiliência climática de espécies continentais da Amazônia Legal, via correlação/interdisciplinaridade entre modelos climáticos e de pressão antrópica com proxies geoquímicos, mais especificamente isótopos de carbono e nitrogênio, com resultados que viabilizem interpretações mais precisas sobre refúgios climáticos e isotópicos (isoscapes), além de informações complementares relacionadas as cadeias tróficas. Até então, modelos climáticos foram desenvolvidos, com simulações referentes as Trajetórias Representativas de Concentração ou RCPs (Representative Concentration Pathways) e Trajetórias Econômicas Compartilhadas ou SSPs (Shared Socioeconomic Pathways) para dez espécies quelônias, dado o seu número suficiente de observações e coordenadas registradas: Chelus fimbriata; Mesoclemmys gibba; Phrynops geoffroanus; Platemys platycephala; Podocnemis expansa; Podocnemis unifilis; Rhinoclemmys punctularia; Kinosternon scorpioides, Chelonioidis carbonaria e Chelonoidis denticulata. Tais coordenadas foram intercruzadas com quatro variáveis ambientais da plataforma digital Worldclim, selecionadas pelo nível de influência sobre a distribuição das espécies, reportado na literatura, assim como reduzida intercorrelação. Tais procedimentos foram executados no software Rstudio, através do pacote Biomod2, que reúne um conjunto de algoritmos cuja matemática permitiu o desenvolvimento de rasters com informações de adequabilidade climática das espécies. Até então, P. expansa, P. unifilis e sobretudo Ch. denticulata, são consideradas as mais ameaçadas de redução populacional, enquanto Ph. geoffroannus e K. scorpioides mostram-se, até então, com menor vulnerabilidade climática. Parâmetro este que tende a se manter em circunstâncias futuras, mesmo com a interferência antrópica na região. As demais espécies também apresentam níveis de vulnerabilidade, porém mais reduzidos em relação a P. unifilis e Ch. denticulata. Pela comparação das projeções realizadas com assinaturas isotópicas de nitrogênio e carbono, oriundas de tecido ósseo dos cascos de espécimes depositados no Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas (INPA, Manaus/AM) e Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG, Belém/PA), com os modelos climáticos e de influência antrópica, tendem a reforçar medidas de preservação das espécies e seus nichos, como estratégia à manutenção da biodiversidade regional.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Economia de PFNM na Resex Guariba Roosevelt no noroeste Mato-Grossense
    (Universidade Federal do Pará, 2024-12-18) SANTOS, Alessandra Maria Filippin Passos; CATTANIO, Jpsé Henrique; http://lattes.cnpq.br/1518769773387350; https://orcid.org/0000-0001-8335-9593
    A Amazônia brasileira apresenta serviços ecossistêmicos relevantes para todo o planeta, como o sequestro de carbono, regulação do clima, manutenção da biodiversidade e ciclos hidrológicos. Porém, todos esses benefícios vêm sendo ameaçados, principalmente pelas pressões ambientais, pela conversão de florestas e atividades econômicas ilegais. O Brasil vem buscando medidas para sanar tais questões, através da criação de áreas protegidas, como as Unidades de Conservação. Dentre essas áreas, destacam-se as Reservas Extrativistas (RESEX), que são áreas de uso sustentável e morada de comunidades tradicionais, como os extrativistas. Nesse sentido, essa tese visa demonstrar as atividades extrativistas realizadas na RESEX Guariba Roosevelt, localizada no estado de Mato Grosso, sendo a única RESEX do estado em meio às pressões ambientais. Os extrativistas têm como principal fonte de renda a exploração dos produtos florestais não madeireiros (PFNM) e a manutenção da floresta é uma garantia de seus modos de vida tradicionais. Para atender aos objetivos do estudo, foi empregada uma metodologia interdisciplinar de levantamento bibliográfico nas principais bases de dados acadêmicos científicos, além de uma pesquisa de campo na RESEX, com questionários semiestruturados. Os resultados demonstraram o perfil socioeconômico dos extrativistas, em que a maioria tem 40 anos ou mais, apontando a saída dos jovens em busca de outras oportunidades, fator que impacta na produção dos PFNM, além de identificar os principais PFNM produzidos na RESEX e aqueles que apresentam potencial de exploração, mas não são comercializados por falta de logística, treinamento e mão-de-obra. Foi utilizada também uma metodologia de uso e cobertura do solo (sensoriamento remoto) em formato raster do MapBiomas para realizar o levantamento de erosão e desmatamento evitado na RESEX, bem como a erosão total e o estoque de carbono total presentes, evidenciando os valores evitados pela presença da RESEX, bem como seu potencial em relação ao mercado de carbono. Por último, foram analisadas as percepções dos extrativistas em relação às mudanças climáticas, de biodiversidade e à saída dos jovens da RESEX, demonstrando que os jovens saem da RESEX em busca de emprego, outras oportunidades de estudo e que, apesar da RESEX oferecer melhorias em infraestrutura, perderam o interesse na atividade extrativista.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Vulnerabilidade ambiental e impacto na produção de sedimentos da bacia hidrográfica do rio Itacaiúnas (BHRI) - Província Mineral de Carajás, Sudeste da Amazônia
    (Universidade Federal do Pará, 2022-06-30) SILVA, Marcio Sousa da; SOUZA FILHO, Pedro Walfir Martins e; http://lattes.cnpq.br/3282736820907252; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0003-0252-808X; ROCHA, Edson José Paulino da; http://lattes.cnpq.br/2313369423727020
    O desenvolvimento de estudos na área de vulnerabilidade ambiental em um contexto regional e em particular na Amazônia requer um esforço humano, logístico e econômico grandioso, que quando incorporadas a tecnologias atuais de aquisição e processamento de dados (remotos e in situ) e parcerias público-privado, torna possível tais pesquisas. Esse quadro foi o que possibilitou o desenvolvimento dessa tese na Bacia Hidrográfica do Rio Itacaiúnas (BHRI), que possui em torno de 42.000 km² e está localizada na área denominada “arco do desmatamento da Amazônia”. Área de muitos conflitos sócio-econômico-ambientais relacionados ao desenvolvimento da região e diferentes usos e ocupações do território. Dentro desse contexto desenvolvemos essa pesquisa que teve como principal objetivo avaliar de que forma a vulnerabilidade ambiental se relaciona com a atual produção de sedimentos em suspensão na BHRI. Primeiramente, foram definidas e identificadas as áreas de maior ou menor vulnerabilidade, tendo como marco temporal o ano de 2019, através de metodologias reconhecidas e desenvolvidas para esse tipo de estudo na região amazônica. Usando rotinas de geoprocessamento no software ArcGIS 10.8.1, foram construídos cinco mapas temáticos e de vulnerabilidade ambiental (geologia, geomorfologia, solos, uso e ocupação e clima) e por fim usando a álgebra de mapas o mapa de vulnerabilidade ambiental da BHRI foi produzido. Os resultados mostraram que a BHRI está medianamente estável/vulnerável em uma área de 28.058 km² de extensão (68% da bacia), moderadamente estável em 8.961 km² de extensão (com de 22% da bacia) e moderadamente vulnerável em 4.314 km² (10% da bacia). Em paralelo, foi realizado o estudo da produção de sedimentos na BHRI, a partir dos dados adquiridos pelo projeto de monitoramento hidrometeorológico realizado pelo Instituto Tecnológico Vale – ITV. O monitoramento foi realizado em 16 seções hidrossedimentológicas de controle distribuídas nas seis principais sub-bacias que compõem a BHRI, com quatro campanhas anuais (enchente, cheia, vazante e seca) ocorridas entre 2015 e 2019, e objetivou a construção e comparação das curvas-chave de sedimentos e produção de sedimentos entre essas diferentes sub-bacias, dados esses já publicados na Revista Brasileira de Recursos Hídricos (RBRH) em 2021. Por fim, buscando responder a hipótese desse estudo, realizamos análises comparativas da relação das vulnerabilidades ambientais encontradas com a produção de sedimentos identificando e demostrando quais áreas, quais fatores ambientais e quanto de sedimentos é produzido nas diferentes sub-bacias da BHRI. Os resultados obtidos permitiram obter uma visão integrada e compartimentada da vulnerabilidade e produção de sedimentos da BHRI e sim, confirmar que as atividades minerais legais em curso dentro de áreas protegidas de florestas, não geram impactos significativos em sua vulnerabilidade e nem na sua produção de sedimentos. Por sua vez, as atividades relacionadas ao uso e ocupação do território em áreas não protegidas, promoveram uma intensa substituição da floresta por pastagens, gerando as áreas de maior vulnerabilidade ambiental e estão diretamente associadas aos maiores “inputs” de sedimentos na BHRI.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Soluções baseadas na resiliência da natureza: modelo sustentável resiliente aplicado aos resíduos sólidos urbanos
    (Universidade Federal do Pará, 2023-07-10) ROSALES MENDONZA, Ronaldo; LIMA, Aline Maria Meiguins de; http://lattes.cnpq.br/6572852379381594; https://orcid.org/0000-0002-0594-0187
    A destinação final dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) é um dos grandes problemas mundiais de poluição do meio ambiente, cresce na medida em que cresce a população mundial exponencialmente relacionado com o acesso aos serviços públicos. A inspiração nasce da característica resiliente da natureza, nesse poder transformador dos materiais no estado de decomposição em novos produtos e serviços ecossistêmicos, e considerando o desenvolvimento da política, na normativa e a vontade dos atores, se propõe o modelo de Aproveitamento dos Materiais Contidos nos Resíduos Sólidos nas Cidades. A cenarização de aplicação do modelo feita na Região Metropolitana de Belém do Pará/Brasil no período 1990-2020 e projetada até 2050, aplicando a estatística multivariável aos dados e informações do IBGE e IPEA. Os resultados mostram que mais do 95% dos materiais com destino ao lixão, acabam permanecendo nas ruas, nos canais, nos rios, no mar e outros destinos ilegais, poderiam se recuperar para criar uma circularidade de uso e consumo, impactando favoravelmente a sociedade, a economia e a natureza. A abordagem e feito pelo terceiro método de pesquisa científica (abdutivo) usado pelo Aristóteles, Platão e Hermógenes, consiste em que o objeto estudo e sometido à análise dos dados qualitativo e quantitativo desde todas as óticas possíveis, ou pelo menos, pelas mais exequíveis das ciências positivas, duras e sociais, usando de maneira operativa resultados indutivos e dedutivos para gerar um possível bem universal que incentiva novas pesquisas e perguntas a resolver. Diante a premissa de que o poder aquisitivo é o principal motor de produção dos resíduos, foi testada a afirmação mediante a análise quantitativo e qualitativo, a base de dados numéricos da OECD da administração e tratamento dos resíduos ordinários no período 1960-2050 e do Banco Mundial, especificamente, da família de indicadores do Desenvolvimento Sustentável no período 1990-2020 foi processada usando o software de IBM-SPSS Statistics, no caso dos dados textuais correspondem a 2074 resumos de artigos acessos pela base de dados SCOPUS no período 1996-2020, processados pelo software IRaMuTeQ. Foi determinado o índice ajustado dos Resíduos Ordinários (RO) com o valor de 0,93 kg equivalente a metros cúbicos por pessoa por dia para a produção de lixo tratado e administrado pelos municípios, ele facilita a imediatez no cálculo para qualquer cidade, região, país e o mundo. Assim mesmo, foi identificado o acesso ao serviço de aparelho celular como o indicador numérico que pode explicar o desenvolvimento da humanidade e sua relação com a produção de resíduos, concordando com o resultado da análise de textos que apresentam a tecnologia de comunicação como o fator de desenvolvimento humano e geração dos resíduos. Unindo os resultados é possível lê: o que as tecnologias de comunicação representadas pelo aparelho celular podem explicar o desenvolvimento da humanidade em consequência a geração dos resíduos e vice-versa. A correlação entre os resíduos sólidos urbanos, os catadores e os Objetivos de Desenvolvimentos Sustentável têm um indicador comum que pode ser usado no monitoramento e seguimento das propostas, soluções e ações que acrescentam as possibilidades e oportunidades da melhoria contínua da população com alto grau de vulnerabilidade e a administração adequada dos materiais contidos nos resíduos, especialmente, os sólidos, o indicador é o emprego verde, o mesmo, facilita o controle da avaliação e valorização de toda a cadeia de valor. O modelo é construído a partir do padrão das práticas adequadas de ARSU no mundo, e a inserção dos produtos no mercado impactando assim a dinâmica social-econômicaambiental, por enquanto, recomendasse realizar as gestões políticas, legais, e administrativas para seu financiamento e implementação para resolver assim o problema transgeracional dos resíduos na Região Metropolitana de Belém e outros municípios servindo de exemplo ao mundo.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Produtividade de citrus na Amazônia Oriental: relações com o clima atual, risco socioambiental relativo aos eventos extremos e modelagem dos impactos das mudanças climáticas futuras
    (Universidade Federal do Pará, 2023-05-31) DIAS, Thaiane Soeiro da Silva; RUIVO, Maria de Lourdes Pinheiro; http://lattes.cnpq.br/9419564604488031; HTTPS://ORCID.ORG/0000-0002-6222-5534; SOUZA, Everaldo Barreiros de; http://lattes.cnpq.br/6257794694839685; https://orcid.org/0000-0001-6045-0984
    No contexto da fronteira agrícola dentro do território amazônico, a produção dos citrus (limão e laranja) tem se destacado em termos socioeconômicos e ambientais. Nesta tese, três diferentes abordagens científicas foram desenvolvidas para elucidar: i) as relações entre a produtividade de citrus e os padrões de variabilidade climática (precipitação e temperatura do ar) e desmatamento sobre a Amazônia oriental durante as últimas décadas; ii) o risco socioambiental da produtividade de Citrus em decorrência dos eventos extremos de precipitação da Amazônia oriental; e iii) os impactos dos diferentes cenários futuros de mudanças climáticas na distribuição das áreas potenciais de ocorrência da espécie Citrus sinensis sobre a Amazônia Legal Brasileira. Os resultados mostraram evidências de que fatores naturais (variabilidade climática e eventos extremos de precipitação) e fatores antrópicos (desmatamento) influenciam diretamente a produtividade dos cítricos em diversas áreas da Amazônia oriental. Além disso, as projeções indicam que as mudanças climáticas podem impactar negativamente a distribuição das principais áreas de ocorrência da espécie Citrus ao longo da Amazônia legal Brasileira.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    O papel de espécies arbóreas e fatores edáficos na variação espacial do sistema serapilheira em uma floresta de terra firme na Amazônia: conhecimento e perspectivas para a conservação
    (Universidade Federal do Pará, 2020-11-13) QUEIROZ, Maria Elisa Ferreira de; LAVELLE, Patrick; http://lattes.cnpq.br/5850683517396587; VASCONCELOS, Steel Silva; http://lattes.cnpq.br/0719395243841543; https://orcid.org/0000-0003-2364-8822
    A floresta ombrófila densa, também conhecida como floresta pluvial tropical, é uma formação que apresenta grande complexidade na composição, distribuição e densidade de espécies e ocupa boa parte da Amazônia brasileira. Na região, as diferenças entre comunidades de plantas e animais formam um mosaico dividido em oito áreas ou centros de endemismo, separadas pelos principais rios, com biota e relações evolutivas próprias, sendo três delas (Belém, Xingu e Tapajós) totalmente brasileiras. O centro de endemismo Belém é o mais ameaçado pelo desmatamento e investigações locais de pequena escala são fundamentais para se compreender os efeitos deste distúrbio sobre o funcionamento da floresta. A decomposição da serapilheira é um dos fatores chave deste funcionamento e ocorre em uma sequência hierárquica de processos de interação mediados por fatores climáticos (temperatura e umidade), propriedades físicas do solo, limitações químicas relacionadas às fontes de recursos e a regulação biológica (micro e macroorganismos). Nesta pesquisa, descobriu-se que sensíveis mudanças na estrutura de uma floresta primária ameaçada pelo crescimento urbano, causadas pela intensidade da dinâmica natural de sucessão, alteraram a morfologia do sistema serapilheira, uma vez que a competição dos organismos por nutrientes depauperou o solo durante a regeneração de áreas afetadas por queda de árvores. Desta forma, as condições físico-químicas do solo florestal se tornaram um filtro seletivo de espécies arbóreas e os fatores majoritários na hierarquia de decomposição, uma vez que a temperatura e umidade tiveram pouca variação no sistema. Na sequência, folhas de espécies arbóreas específicas do sistema serapilheira, que formaram uma estrutura mais fina, determinaram a diversidade de fungos saprotróficos positivamente relacionados a melhor qualidade destas folhas e do solo. Inversamente, onde a morfologia de serapilheira foi mais espessa e estruturada, houve um aumento na diversidade da macrofauna de transformadores de serapilheira, em detrimento das populações de minhocas, que preferiram folhas e solo de maior qualidade. As interações solo-planta-decompositores são indicadoras da velocidade de decomposição em sistemas serapilheira, com consequente formação de mosaicos de manchas de serapilheira com dinâmicas distintas de decomposição. Assim, locais onde funcionamento da serapilheira foi classificado como Mesomull ou Oligomull foram caracterizados por manter solos com alto teor de carbono disponível e boa capacidade de troca catiônica. Sistemas de serapilheira do tipo Mull são sensíveis a variações na qualidade de solo e atividade de minhocas. Isso explicou a mudança para o sistema serapilheira do tipo Dysmull nas áreas com folhas grandes, caracterizado por baixa disponibilidade de nutrientes, conforme se confirmou nos solos destes locais, embora um funcionamento lento possa indicar um estado conservativo de matéria orgânica. A metodologia se mostrou favorável para prever mudanças em diferentes escalas que possam afetar a restauração de florestas.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Percepção ambiental sobre mudanças climáticas em comunidades costeiras na Amazônia, ameaças ao bem-estar e sobrevivência local: um estudo na Reserva Extrativista Marinha de Soure, Pará, Brasil
    (Universidade Federal do Pará, 2023-08-04) ASSIS, Davison Marcio Silva de; MARTINS, Ana Cláudia Caldeira Tavares; http://lattes.cnpq.br/6547250062275801; https://orcid.org/0000-0003-4972-036X; GODOY, Bruno Spacek; http://lattes.cnpq.br/4036516695601666; https://orcid.org/0000-0001-9751-9885
    As mudanças climáticas, fenômeno global que tem produzido sérias consequências aos ecossistemas, vêm afetando em larga escala a natureza e as populações humanas que vivem e dependem dos seus bens e serviços, e as áreas costeiras por estarem mais expostas os efeitos desse fenômeno vêm sendo impactadas a taxas sem precedentes. A diminuição nos benefícios prestados por essas áreas afeta diretamente o modo de vida das populações humanas ali estabelecidas, as quais construíram uma relação de dependência com a natureza e seus recursos. A Reserva Extrativista Marinha de Soure, localizada na costa da Amazônia Oriental, caracterizase por compreender uma área composta por três comunidades tradicionais que apresentam um modo de vida pautado na relação sustentável e de subsistência com a natureza. Apesar de inseridas em uma Unidade de Conservação e apresentarem práticas sustentáveis, os efeitos das mudanças climáticas podem figurar sérias ameaças. Neste contexto, este trabalho, que se caracteriza como uma pesquisa interdisciplinar, levantou percepções sobre as mudanças climáticas e buscou compreender à luz dessas percepções, como os moradores associam alterações no fluxo de bens e serviços ecossistêmicos costeiros a este fenômeno. As percepções levantas revelam o alto nível de concordância para a ocorrência das mudanças climáticas. Embora as comunidades apresentem práticas sustentáveis de uso e manejo com dos recursos, as percepções apontam que os efeitos globais das mudanças climáticas podem ser sentidos em escala local, afetando a provisão dos recursos da natureza. As percepções são moldadas, pela idade, tempo de residência e pelo grau de dependência dos bens e serviços do ecossistema costeiro, resultando que as pessoas com a idade mais avançada, residentes a mais tempos nas comunidades, com maior dependência dos recursos, são as que apresentam as maiores percepções. Essas variáveis que explicam os níveis de percepções encontrados, reforçam que sua construção possui base nos saberes tradicionais, os quais são fruto da intensa relação da natureza e seus recursos, resguardando a história, a cultura e identidade dos povos locais.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Análise da dinâmica da transição do regime de fogo na Amazônia brasileira
    (Universidade Federal do Pará, 2023-06-21) TAVARES, Paulo Amador; FERREIRA, Joice Nunes; http://lattes.cnpq.br/1679725851734904; https://orcid.org/0000-0002-4008-2341; BARLOW, Bernard Josiah; http://lattes.cnpq.br/8559847571278134
    O bioma Amazônico tem passado por mudanças significativas de formas de uso e ocupação do solo, sendo impactado também pelas mudanças climáticas globais. Em consequência, a ocorrência de queimadas e incêndios florestais tem se tornado mais recorrente na Amazônia. Assim, é importante conhecer como ocorre o regime do fogo nessa região e suas interações com o uso do solo e o clima. Por essas razões, este estudo analisa a transição do fogo na Amazônia brasileira. No Capítulo 1, foi investigado como ocorre a transição do fogo ao longo do tempo na Amazônia brasileira, considerando as mudanças no uso da terra e cobertura florestal. Foram coletados dados anuais de ocorrência de fogo, cobertura florestal, taxas de desmatamento e áreas de cultivo de soja. Utilizando modelos lineares mistos generalizados e modelos lineares, foram realizadas análises estatísticas para identificar os principais fatores que influenciam essa transição. Foi constatado que há um processo de transição do fogo na floresta, sendo que um modelo quadrático melhor predisse o comportamento da ocorrência de incêndios. Além disso, observou-se que o pico de ocorrência de incêndios está se deslocando para paisagens mais florestadas ao longo do tempo. As taxas de desmatamento e a expansão das áreas de cultivo mostraram-se relacionadas com essa transição, sendo que o desmatamento teve maior impacto na ocorrência de queimadas e a expansão das áreas de cultivo foi mais relevante para prever a transição para áreas mais florestadas. No Capítulo 2, foram investigadas as diferentes trajetórias de fogo nas paisagens florestais da Amazônia brasileira. Utilizando Análise de Trajetórias Latentes (LTA) e modelos lineares mistos generalizados, foram identificadas trajetórias latentes que representam diferentes padrões de ocupação do solo ao longo do tempo. Duas trajetórias latentes principais foram destacadas: a trajetória "Consolidada", caracterizada por um histórico mais antigo de desmatamento, e a trajetória "Transição", que apresentou um padrão mais recente de ocupação do solo. A cobertura florestal e o desmatamento foram as principais variáveis preditoras das queimadas florestais nas duas trajetórias, seguidas pelo déficit hídrico. A expansão da soja não mostrou ser significativa para nenhuma das trajetórias. Foi observado um aumento nas áreas de floresta queimada a partir de 2015 em ambas as trajetórias. Em conjunto, os resultados destacam a relação da transição do fogo na Floresta Amazônica brasileira com as mudanças no uso da terra e cobertura florestal. Essas descobertas ressaltam a necessidade do desenvolvimento políticas públicas que aumentem a cobertura florestal, por meio de iniciativas como a restauração florestal, e reduzam o desmatamento na região amazônica para garantir a conservação da biodiversidade e dos estoques de carbono.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Conservação do Jaborandi (Pilocarpus microphyllusStapf Ex Wardleworth) no Norte do Brasil: diversidade genética e impactos das mudanças climáticas futuras
    (Universidade Federal do Pará, 2023-05-31) CORRÊA, Waléria Pereira Monteiro; CALDEIRA JUNIOR, Cecílio Frois; http://lattes.cnpq.br/4071467514868919; https://orcid.org/0000-0003-4762-3515; SOUZA, Everaldo Barreiros de; http://lattes.cnpq.br/6257794694839685; https://orcid.org/0000-0001-6045-0984
    O jaborandi (Pilocarpus microphyllus Stapf Ex Wardleworth) é uma planta medicinal encontrada no norte/nordeste do Brasil. Nas últimas décadas, a exploração extrativista desordenada, o avanço da agropecuária e de outras atividades que resultam no desmatamento, bem como as mudanças climáticas em curso, tem induzido impactos diretos e indiretos na sobrevivência desta espécie vegetal. O jaborandi é uma fonte natural de pilocarpina, um alcalóide utilizado na indústria farmacêutica para o tratamento de glaucoma e xerostomia. Assim sendo, a espécie tem um grande interesse socioambiental pois o extrativismo das suas folhas tem gerado renda para inúmeras famílias, além de contribuir para a conservação da espécie na região. A fim de contribuir com estratégias de conservação e sobrevivência da espécie a longo prazo, esse estudo avaliou a estrutura e diversidade genética da espécie P. microphyllus em uma Unidade de Conservação (UC) no sudeste do Pará (FLONA Carajás), bem como foi desenvolvido um estudo de modelagem ambiental para analisar os impactos das mudanças climáticas na distribuição geográfica de ocorrência do jaborandi, a fim de delinear áreas adequadas mediante aos cenários climáticos futuros. Os resultados do estudo genético demonstraram a formação de 04 populações com elevada diversidade e estrutura ecológica, mesmo com extrativismo contínuo dentro da FLONA de Carajás, indicando que a exploração tem ocorrido de forma sustentável na região. No estudo de modelagem, as projeções indicaram impactos das mudanças climáticas na distribuição de P. microphyllus com redução nas áreas adequadas nos biomas de Cerrado e Caatinga (Maranhão e Piauí) e expansão das espécies nas áreas protegidas de cobertura florestal do bioma Amazônia no sudeste do estado do Pará. Os resultados deste estudo contribuem para o entendimento da diversidade na FLONA de Carajás e reforçam a necessidade de planos de manejo e conservação de P. microphyllus em áreas prioritárias, onde a espécie encontra condições climáticas favoráveis nos cenários futuros. Medidas de conservação in situ e ex situ para essa espécie são essenciais, visto que, o extrativismo das folhas contribui como fonte de renda para as comunidades locais.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Mudanças de uso e cobertura da terra e as perspectivas da abordagem nexus água, alimento e ecossistemas em bacias hidrográficas costeiras do Nordeste Paraense, Amazônia Oriental
    (Universidade Federal do Pará, 2024-02-23) DUTRA, Vitor Abner Borges; TOLEDO, Peter Mann de Toledo; http://lattes.cnpq.br/3990234183124986; LIMA, Aline Maria Meiguins; http://lattes.cnpq.br/6572852379381594; https://orcid.org/0000-0002-0594-0187
    A Amazônia vem ganhando cada vez mais os holofotes globais, apesar de sofrer cronicamente a massiva destruição dos seus ecossistemas. Nesse contexto, esta tese se debruçou sobre a pergunta “em que medida as mudanças de uso e cobertura da terra poderão modificar as paisagens das bacias hidrográficas na Amazônia Oriental até 2030 e como essas alterações implicam no alcance das metas ambientais de promoção do desenvolvimento sustentável?”. Assim, foram elaborados três artigos científicos, onde os dois primeiros trataram das alterações espaço-temporais da região no passado recente e futuro próximo, e o terceiro concebeu uma abordagem Nexus integrada de indicadores de água, alimento e ecossistemas, alinhados às políticas ambientais vigentes. No primeiro artigo, avaliou-se a dinâmica das paisagens de três bacias hidrográficas entre 1985 e 2019. Os resultados revelaram uma significativa conversão de floresta para pastagem de aproximadamente 1.000 km², com aumento de fragmentos florestais de 2547 para 6604, ressaltando a importância de medidas de conservação e recuperação da vegetação para a manutenção dos ecossistemas locais. No segundo artigo, foram realizadas simulações de cenários futuros de cobertura da terra para a região, com ênfase ao desmatamento e às suas emissões de gases de efeito estufa, sob três cenários hipotéticos. Os resultados indicaram que, independentemente do cenário, a região poderá enfrentar um aumento expressivo de desmatamento e emissões até 2030, com variação de desmatamento de 90 mil hectares a 125 mil hectares, e respectivas emissões de gases de efeito estufa entre 3,67% e 5,09% do total de emissões do estado do Pará, destacando a urgência de efetivação de políticas de conservação e recuperação da vegetação nativa. No terceiro artigo, explorou-se a interconexão de indicadores de água, alimento e ecossistemas, sob o pano de fundo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 e do Plano Estadual Amazônia Agora. Identificaram-se desafios, como baixa conformidade ambiental e elevada pressão sobre recursos hídricos e florestais. Porém, também foram identificadas oportunidades de melhorias, como o incentivo à adoção de SAFs, à recuperação de APPs hídricas e ao uso de culturas pujantes da bioeconomia amazônica, pois podem se desdobrar em melhorias socioeconômicas e ambientais na região. Em resumo, os estudos demonstraram a complexidade das mudanças ambientais na Amazônia Oriental e a importância de uma abordagem integrada para enfrentar os desafios prementes. Para uma experiência exitosa, as ações devem ser coordenadas entre governos, comunidades locais e demais partes interessadas, de modo a garantir a conservação dos ecossistemas locais e o bem-estar das atuais e futuras gerações. análise espaço-temporal; ecossistemas amazônicos; dinâmicas socioambientais; modelagem ambiental; políticas públicas.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Impacto das queimadas em área de floresta no sul da Amazônia: uma reflexão ensaística sobre a precificação de carbono
    (Universidade Federal do Pará, 2023-10-16) SILVA, Simone Nazaré Rodrigues da; VITORINO, Maria Isabel; http://lattes.cnpq.br/4813399912998401; https://orcid.org/0000-0003-3253-5301
    Florestas tropicais são importantes reguladoras climáticas globais. Elas estocam quantidades notáveis de carbono em sua biomassa viva e mantém uma delicada relação biosfera-atmosfera. A ciclagem de carbono na Amazônia tem sido muito estudada devido às alterações promovidas nas concentrações de CO2 num nível global, no solo, na água e principalmente na atmosfera. Esta pesquisa visa contribuir identificando perturbações de ordem antrópica (queima de biomassa florestal) e suas influências na troca líquida de CO2 em área de floresta semidecídua, localizada no sul da bacia Amazônica. Medidas micrometeorológicas em situ, localizadas a 50 km NE de Sinop-MT, foram utilizadas para estimar o potencial de absorção de CO2 sob condições poluídas (AOD ≫ 0.10) e não poluídas (AOD ≤ 0.10). Limitações, incertezas, fragilidades e ótimos fisiológicos determinados e usados como subsídios-chave para abordagens concernentes à precificação de carbono no Brasil. Dados remotos orbitais pelo sensor MODIS (AODm) e à superfície pelo sistema AERONET 2.0 (AODa) são usados para uma visão regional dos impactos das queimadas sobre o fluxo de radiação solar. Uma longa série de medidas AODa, entre 1999-2017, é usada na determinação de um modelo de irradiância solar de céu-claro. Reduções e aumentos no %NEE para determinadas cargas de poluição (AOD), irradiância relativa fe ângulo solar zenital (SZA) foram observados. Os resultados mostraram uma diminuição de 40 % em f consistente com expressivo aumento das cargas de poluição (AODa) de 0,10 para 5,0 à 500 nm. Foi observado também um aumento médio de 35-70 % no fluxo NEE para níveis de poluição AODa acima de 1,25. Este resultado foi atribuído ao aumento de 40-60 % na fração difusa da radiação solar (P AR(D)f ) em relação à fração direta (SWi), devido ao impacto dos Aerossóis Orgânicos emitidos durante a queima de biomassa (BBOA). Foi observado também redução e aumento estatisticamente significante sobre variáveis biofísicas, tais como temperatura do dossel foliar (LCT ) e Déficit de Pressão do Vapor (V PD), respectivamente. Um aumento médio de ∼ 3.0 ◦C e redução de 10-15 % na LCT e Tair foi encontrado sob condições de céu densamente esfumaçado (AODa ≫ 0.10). Estes resultados são úteis na obtenção de novos coeficientes de calibração e novas parametrizações físicas de processos pobremente representados nos sistemas numéricos vigentes, como as respostas fotossintéticas de florestas semideciduais à ciclagem de carbono regional na Amazônia. Estes achados, norteiam também políticas públicas de preservação do ecótono Cerrado-Floresta Amazônica e outros ecossistemas pantropicais. Um texto ensaístico foi elaborado para destacar as fragilidades e inviabilidades de ações políticas destinadas à precificação do carbono e serviços ecossistérmicos, como o sequestro de CO2. Para tal, analisa-se a lei 2.187/2009 (Política Nacional de Mudança do Clima) e o projeto de lei PL-528A/2021 (Regulação do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões). Como resultado, refutam-se as leis supracitadas e discutem-se suas inviabilidades, apontando soluções factíveis para novas formas de exploração, na contramão desta lógica mercantil que negligencia as peculiaridades e resiliências dos ecossistemas Amazônicos. Tudo isso apoiada na ideia de exploração dos recursos naturais como meio único para o desenvolvimento e progresso econômico, ocultando assim a atual e crise ecológica em que vivemos.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Análise da dinâmica da transição do regime de fogo na Amazônia brasileira
    (Universidade Federal do Pará, 2023-06-21) TAVARES, Paulo Amador; FERREIRA, Joice Nunes; http://lattes.cnpq.br/1679725851734904; BARLOW, Bernard Josiah; http://lattes.cnpq.br/8559847571278134
    O bioma Amazônico tem passado por mudanças significativas de formas de uso e ocupação do solo, sendo impactado também pelas mudanças climáticas globais. Em consequência, a ocorrência de queimadas e incêndios florestais tem se tornado mais recorrente na Amazônia. Assim, é importante conhecer como ocorre o regime do fogo nessa região e suas interações com o uso do solo e o clima. Por essas razões, este estudo analisa a transição do fogo na Amazônia brasileira. No Capítulo 1, foi investigado como ocorre a transição do fogo ao longo do tempo na Amazônia brasileira, considerando as mudanças no uso da terra e cobertura florestal. Foram coletados dados anuais de ocorrência de fogo, cobertura florestal, taxas de desmatamento e áreas de cultivo de soja. Utilizando modelos lineares mistos generalizados e modelos lineares, foram realizadas análises estatísticas para identificar os principais fatores que influenciam essa transição. Foi constatado que há um processo de transição do fogo na floresta, sendo que um modelo quadrático melhor predisse o comportamento da ocorrência de incêndios. Além disso, observou-se que o pico de ocorrência de incêndios está se deslocando para paisagens mais florestadas ao longo do tempo. As taxas de desmatamento e a expansão das áreas de cultivo mostraram-se relacionadas com essa transição, sendo que o desmatamento teve maior impacto na ocorrência de queimadas e a expansão das áreas de cultivo foi mais relevante para prever a transição para áreas mais florestadas. No Capítulo 2, foram investigadas as diferentes trajetórias de fogo nas paisagens florestais da Amazônia brasileira. Utilizando Análise de Trajetórias Latentes (LTA) e modelos lineares mistos generalizados, foram identificadas trajetórias latentes que representam diferentes padrões de ocupação do solo ao longo do tempo. Duas trajetórias latentes principais foram destacadas: a trajetória "Consolidada", caracterizada por um histórico mais antigo de desmatamento, e a trajetória "Transição", que apresentou um padrão mais recente de ocupação do solo. A cobertura florestal e o desmatamento foram as principais variáveis preditoras das queimadas florestais nas duas trajetórias, seguidas pelo déficit hídrico. A expansão da soja não mostrou ser significativa para nenhuma das trajetórias. Foi observado um aumento nas áreas de floresta queimada a partir de 2015 em ambas as trajetórias. Em conjunto, os resultados destacam a relação da transição do fogo na Floresta Amazônica brasileira com as mudanças no uso da terra e cobertura florestal. Essas descobertas ressaltam a necessidade do desenvolvimento políticas públicas que aumentem a cobertura florestal, por meio de iniciativas como a restauração florestal, e reduzam o desmatamento na região amazônica para garantir a conservação da biodiversidade e dos estoques de carbono.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Dinâmica dos fluxos de dióxido de carbono e metano em área de várzea e terra firme do estuário Amazônico
    (Universidade Federal do Pará, 2022-04-29) FLORES ARONI, Mario; JARDIM, Mário Augusto Gonçalves; http://lattes.cnpq.br/9596100367613471; https://orcid.org/0000-0003-1575-1248; CATTANIO, José Henrique; http://lattes.cnpq.br/1518769773387350; https://orcid.org/0000-0001-8335-9593
    Os ecossistemas terrestres são importantes para a troca de gases de efeito estufa (GEE) entre a superfície e a atmosfera. O objetivo desta pesquisa foi investigar a dinâmica anual dos fluxos de dióxido de carbono (FCO2) e metano (FCH4), em diferentes ambientes, em relação àcomposição florística e as variáveis ambientais em uma área de várzea do estuário Amazônico. Foi comparado também o fluxo dos gases de efeito estufa (GEE) simultaneamente no ambiente terrestre e aquático em um ciclo de maré durante alguns dias no ano. Este estudo abrangeu também uma comparação sazonal dos fluxos de GEE em açaí plantado em área de terra firme em comparação com uma área de açaí manejado na várzea do estuário amazônico. O estudo em área de várzea foi realizado na Área de Proteção Ambiental da Ilha do Combú (APA Combú), em Belém, Pará (Brasil), entre 2019 e 2021. O estudo em terra firme foi conduzido em Santa Maria do Pará. A metodologia para medir os FCO2 e FCH4 do solo e da água consistiu no uso de câmara dinâmica fechada e câmaras flutuantes, respectivamente. Os estuários amazônicos apresentam variabilidade topográfica refletida na altura do lençol freático, o qual influencia a dinâmica de FCO2 e FCH4 do solo. Da mesma forma que o aumento da temperatura do solo favoreceu as emissões de CO2. Por conseguinte, um possível aumento médio das temperaturas médias globais poderia favorecer a maiores fluxos de GEE no estuário amazônico. A influência das marés no igarapé tem impactos fortes nos FCO2 e FCH4 na água, que desempenham um papel fundamental no ciclo de carbono pela troca de CO2 e CH4 água-atmosfera. Os solos de várzea com dominância de plantações de açaí são fonte de CO2 e CH4. Contudo, o avanço do plantio de açaizais em terra firme é positivo pelo benefício ambiental (sumidouro de CH4).
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Resiliência urbana na zona costeira da Amazônia: uma análise de indicadores para a cidade de Belém, Pará
    (Universidade Federal do Pará, 2023-08-22) LIMA, Yasmin Emanuelle Santos Pereira de; PIMENTEL, Márcia Aparecida da Silva; http://lattes.cnpq.br/3994635795557609; https://orcid.org/0000-0001-9893-9777
    O rápido crescimento populacional em ambientes urbanos é a causa raiz de muitos desafios de resiliência, onde as cidades concentram a grande parte da população com vulnerabilidade social e expostas a perturbações relacionadas ao clima. A mudança climática é um desafio global, há uma crescente preocupação internacional sobre como lidar com as implicações das mudanças climáticas nas áreas urbanas. Esta Tese tem como objetivo analisar a resiliência urbana da cidade de Belém, Pará, região amazônica, Norte do Brasil, a partir de uma ferramenta multidimensional, o Índice de Resiliência da Cidade – IRC, gerando subsídios para a gestão do planejamento urbano. Foi feito o levantamento e análise de conteúdo contemplando os conceitos envolvidos no objeto desta pesquisa. Adaptação do IRC através da aplicação do Método Delphi, com entrevistas com especialistas voltados para o tema. Aplicação do IRC na cidade de Belém-PA, com dados secundários. Como resultado, foi apresentado o problema teórico da pesquisa; obteve-se quatro Dimensões para o IRC, ‘Saúde e Bem-Estar’, 'Economia e Sociedade’, ‘Infraestrutura e Ecossistemas’, ‘Liderança e Estratégia’, com um total de 38 indicadores, que permitem avaliar os aspectos da resiliência de cidades. O IRC foi operacionalizado em uma planilha Excel, e aplicado na Cidade de Belém-PA e gerou o IRC no valor “Bom”. Como conclusão, foram definidos quatro dimensões e 38 indicadores para gerar o IRC e em Belém-PA o IRC foi considerado “Moderado”, porém, de fato, os desafios em trabalhar com a temática da resiliência urbana ainda são muitos, e vão além da esfera conceitual. Apesar de ainda não existir consenso por parte dos especialistas estudiosos da área, sobre a definição do seu real significado, o maior desafio está na sua operacionalização. O processo de construção de sistemas de indicadores de resiliência é complexo e possui barreiras como, por exemplo, a falta de dados para construir indicadores para avaliar alguns aspectos relevantes. Um exemplo de tais indicadores, e que podem ser incluídos em futuras avaliações da cidade de Belém-PA, são aqueles voltados para medir a infraestrutura e ecossistemas.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Efetividade das políticas públicas de comando e controle em áreas embargadas por desmatamento ilegal na Amazônia
    (Universidade Federal do Pará, 2022-01-31) SILVA, Verissimo Cesar Sousa da; VIEIRA, Ima Célia Guimarães; http://lattes.cnpq.br/3761418169454490; https://orcid.org/0000-0003-1233-318X; ADAMI, Marcos; http://lattes.cnpq.br/7484071887086439; https://orcid.org/0000-0003-4247-4477
    O ritmo do desmatamento na Amazônia brasileira começou a diminuir de forma impressionante em meados dos anos 2000, reduzindo para 4.571 km² em 2012, porém esse desmatamento teve uma tendência de aumento a partir de 2013, registrando um valor de 5.891 km² e alcançando, em 2021, uma área de 13.235 km². Embora vários procedimentos tenham sido empregados para coibir o desmatamento ilegal, a política pública que predomina são as ações de fiscalização ambiental de comando e controle. Um grande fator que potencializa a sensação de descaso quanto aos atos lesivos ao meio ambiente é o total desrespeito das áreas desmatadas que foram embargadas e que continuam a executar atividades. Assim, o objetivo deste trabalho foi analisar a situação de 1.289 polígonos de áreas embargadas por desmatamento ilegal na Amazônia no período de 2008 a 2017 e saber os fatores determinantes que implicaram no (des)cuprimentos dos embargos. Também foi aplicado um modelo de regressão com o intuito de identificar quais as variáveis apresentaram maiores relações com o (des)cumprimento dos embargos. Para isso, foram utilizadas técnicas de sensoriamento remoto para identificar os diferentes usos e cobertura do solo (agricultura, pasto e regeneração) nos polígonos embargados. Como resultados, foram identificados que, dos 1.289 embargos analisados, 1.025 (69,2% do total da área) encontravam-se convertidos para pastagem em 2019, para agricultura foram encontrados 95 embargos equivalentes a 17,7% de toda a área de embargos. Isso significa que 86,9% da área estão desrespeitando a legislação de embargos. A variáveis que mostraram significativas em relação ao descumprimento foram Tamanhos do Imóveis e Presença de CAR, enquanto que as variáveis que mantiveram relação com cumprimento dos embargos foram Embargos Municipais, Elevação e Municípios Prioritários. Conclui-se que, apesar haver ações de fiscalização e monitoramento, ainda é muito tímido alcançar o verdadeiro objetivo que não restringe apenas autuar e embargar áreas, mas sim, a formulação de ações que desenvolvam sistemas integrados e monitoramento para acompanhar essas áreas, a fim de verificar se estão sendo cumpridas as leis ambientais.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Impactos socioambientais atuais e de mudanças futuras na hidroclimatologia da bacia do rio Tapajós na Amazônia
    (Universidade Federal do Pará, 2023-06-09) SODRÉ, Vânia dos Santos Franco; SOUZA, Everaldo Barreiros de; http://lattes.cnpq.br/6257794694839685; https://orcid.org/0000-0001-6045-0984; LIMA, Aline Maria Meiguins de; http://lattes.cnpq.br/6572852379381594; https://orcid.org/0000-0002-0594-0187
    A intensificação do uso e cobertura do solo vem aumentando os problemas ambientais e climáticos nas sub-bacias amazônicas, especialmente na bacia do rio Tapajós que tem importância, não somente para o regional, mas para todo o país quanto a questão econômica e socioambiental. Esta pesquisa avaliou a crescente pressão imposta à bacia do rio Tapajós a partir do uso não sustentável dos recursos hídricos, do desmatamento nas variáveis meteorológicas e a hidroclimatologia futura da bacia para os próximos 30 e 60 anos. Na questão hídrica, foram observados significativos impactos ambientais causados ao meio ambiente no Alto e Médio Tapajós, onde foram identificados usos não sustentáveis dos recursos hídricos dos variados setores da economia, com destaque ao aumento do número de indústrias e hidrelétricas. De modo inverso, na região do Baixo Tapajós ainda há significativas porções de cobertura vegetal conservada, as quais são essenciais para o favorecimento da evapotranspiração e, consequentemente, formação de nuvens, porém um aumento do uso não sustentável dos recursos hídricos foi observado na região. Na relação entre o desmatamento e o clima, notou-se a existência de correlações entre as taxas de desmatamento e variações positivas da temperatura na região do Médio Baixo Tapajós. Todavia não foram observadas variações significativas da precipitação, mas há uma leve tendência negativa (redução), corroborando com os estudos de anomalia e tendência. Na hidroclimatologia futura, os resultados demostraram que os impactos futuros das mudanças climáticas nas medidas de precipitação e de cota, tanto para um clima mais próximo (2021-2050), como para um clima do final do século (2051-2080), levando em consideração os cenários moderado e pessimista. Notou-se ainda que haverá alterações na frequência dos extremos máximos e mínimos de precipitação e cota, principalmente nas regiões do Médio Baixo Tapajós, sendo mais sensível às essas mudanças na estação de Itaituba.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Dinâmica da cobertura florestal a partir de análises realizadas em áreas de extração seletiva de madeira no Estado do Pará
    (Universidade Federal do Pará, 2023-09-29) ROCHA, Nívia Cristina Vieira; GALBRAITH, David; http://lattes.cnpq.br/2145475131329843; ADAMI, Marcos; http://lattes.cnpq.br/7484071887086439; https://orcid.org/0000-0003-4247-4477
    A exploração seletiva de madeira na região amazônica é uma atividade que possui relevância nos aspectos sociais, econômicos e ambientais. Em muitos dos casos esta é uma atividade considerada de baixo impacto ambiental nas florestas quando comparada ao desmatamento. Esta pesquisa avaliou a abertura do dossel em áreas de floresta explorada com impacto reduzido na Amazônia Oriental ao longo de diferentes anos. Nestas áreas foi realizado um monitoramento detalhado usando tanto imagens hemisféricas como imagens orbitais para avaliar a persistência dos impactos ao longo do tempo. As fotografias hemisféricas foram utilizadas para medir a abertura do dossel e fornecer uma avaliação de alta resolução das áreas exploradas. Este estudo também utilizou imagens obtidas pelos satélites Landsat, Sentinel e Planet. Nestas imagens orbitais foi aplicado o Modelo Linear de Mistura Espectral e realce para detectar impactos na abertura do dossel causados pela exploração seletiva de madeira. As imagens hemisféricas revelaram que mesmo 17 anos após o término da exploração madeireira, os impactos causados pela exploração seletiva ainda foram identificados. Já as imagens orbitais permitiram identificar a exploração em diferentes intervalos de tempo de acordo com a resolução de cada uma delas. A partir dos resultados, este estudo destaca a importância do uso combinado de imagens hemisféricas e imagens de satélite para monitorar os efeitos da exploração seletiva de madeira ao longo do tempo na Amazônia. Isso permite uma compreensão mais abrangente da dinâmica florestal, a persistência dos impactos e a importância do monitoramento contínuo das áreas de exploração para avaliar os efeitos em longo prazo e adotar estratégias de manejo sustentável.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Análise de tendências de variáveis hidroclimáticas na bacia hidrográfica Araguaia-Tocantins e suas implicações na agricultura irrigada
    (Universidade Federal do Pará, 2019-02-28) SALAME, Camil Wadih; BARBOSA, Joaquim Carlos; SOUZA, Everaldo Barreiros de; http://lattes.cnpq.br/6257794694839685; https://orcid.org/0000-0001-6045-0984
    A Bacia Hidrográfica Araguaia-Tocantins (BHAT) é a mais intensa em áreas de drenagem dentro do território brasileiro, com processos de uso e ocupação cada vez mais crescentes em termos das demandas do agronegócio e exploração mineral. Nesta pesquisa realizou-se um estudo estatístico sobre as tendências hidroclimáticas (precipitação e vazão) na BHAT e suas relações com a agricultura irrigada. O mapeamento hidroclimático baseado na análise de agrupamento identificou quatro regiões homogêneas dentro do BHAT, duas ao norte com predominância de altos valores de chuva/vazão e alta disponibilidade hídrica e duas regiões se estendendo ao longo da bacia, com valores mais baixos de chuva e vazão e menor disponibilidade hídrica. O regime chuvoso da BHTA ocorre entre dezembro e março e o regime seco entre maio e setembro. Os meses de outubro/novembro e abril são os de transição com variações pronunciadas no ciclo sazonal. O estudo geoestatístico de provisões chuva/vazão revelou que os resultados usando o modelo de Box-Jenkings é relativamente melhor quando comparado ao modelo de Redes Neurais Artificiais. A abordagem integrada das variações hidroclimáticas com os dados agropecuários dentro da BHTA revelaram um padrão significante de tendências negativas de precipitação e vazões coincidentes espacialmente nas regiões de intensa produtividade de milho e soja e de rebanho bovino. Um resultado relevante foi deteção de correlação espacial significativa entre o número de pivos centrais em regiões com baixa disponibilidade hídrica, os quais favorecem a produtividade das culturas temporárias.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    O papel de espécies arbóreas e fatores edáficos na variação espacial do sistema serapilheira em uma floresta de terra firme na Amazônia: conhecimento e perspectivas para a conservação
    (Universidade Federal do Pará, 2020-11-13) QUEIROZ, Maria Elisa Ferreira de; LAVELLE, Patrick; http://lattes.cnpq.br/5850683517396587; VASCONCELOS, Steel Silva; http://lattes.cnpq.br/0719395243841543; https://orcid.org/0000-0003-2364-8822
    A floresta ombrófila densa, também conhecida como floresta pluvial tropical, é uma formação que apresenta grande complexidade na composição, distribuição e densidade de espécies e ocupa boa parte da Amazônia brasileira. Na região, as diferenças entre comunidades de plantas e animais formam um mosaico dividido em oito áreas ou centros de endemismo, separadas pelos principais rios, com biota e relações evolutivas próprias, sendo três delas (Belém, Xingu e Tapajós) totalmente brasileiras. O centro de endemismo Belém é o mais ameaçado pelo desmatamento e investigações locais de pequena escala são fundamentais para se compreender os efeitos deste distúrbio sobre o funcionamento da floresta. A decomposição da serapilheira é um dos fatores chave deste funcionamento e ocorre em uma sequência hierárquica de processos de interação mediados por fatores climáticos (temperatura e umidade), propriedades físicas do solo, limitações químicas relacionadas às fontes de recursos e a regulação biológica (micro e macroorganismos). Nesta pesquisa, descobriu-se que sensíveis mudanças na estrutura de uma floresta primária ameaçada pelo crescimento urbano, causadas pela intensidade da dinâmica natural de sucessão, alteraram a morfologia do sistema serapilheira, uma vez que a competição dos organismos por nutrientes depauperou o solo durante a regeneração de áreas afetadas por queda de árvores. Desta forma, as condições físico-químicas do solo florestal se tornaram um filtro seletivo de espécies arbóreas e os fatores majoritários na hierarquia de decomposição, uma vez que a temperatura e umidade tiveram pouca variação no sistema. Na sequência, folhas de espécies arbóreas específicas do sistema serapilheira, que formaram uma estrutura mais fina, determinaram a diversidade de fungos saprotróficos positivamente relacionados a melhor qualidade destas folhas e do solo. Inversamente, onde a morfologia de serapilheira foi mais espessa e estruturada, houve um aumento na diversidade da macrofauna de transformadores de serapilheira, em detrimento das populações de minhocas, que preferiram folhas e solo de maior qualidade. As interações solo-planta-decompositores são indicadoras da velocidade de decomposição em sistemas serapilheira, com consequente formação de mosaicos de manchas de serapilheira com dinâmicas distintas de decomposição. Assim, locais onde funcionamento da serapilheira foi classificado como Mesomull ou Oligomull foram caracterizados por manter solos com alto teor de carbono disponível e boa capacidade de troca catiônica. Sistemas de serapilheira do tipo Mull são sensíveis a variações na qualidade de solo e atividade de minhocas. Isso explicou a mudança para o sistema serapilheira do tipo Dysmull nas áreas com folhas grandes, caracterizado por baixa disponibilidade de nutrientes, conforme se confirmou nos solos destes locais, embora um funcionamento lento possa indicar um estado conservativo de matéria orgânica. A metodologia se mostrou favorável para prever mudanças em diferentes escalas que possam afetar a restauração de florestas.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Vulnerabilidade ambiental e impacto na produção de sedimentos da bacia hidrográfica do rio Itacaiúnas (BHRI): província Mineral de Carajás, sudeste da Amazônia
    (Universidade Federal do Pará, 2022-06-30) SILVA, Marcio Sousa da; SOUZA FILHO, Pedro Walfir Martins e; http://lattes.cnpq.br/3282736820907252; https://orcid.org/0000-0003-0252-808X; ROCHA, Edson José Paulino da; http://lattes.cnpq.br/2313369423727020
    O desenvolvimento de estudos na área de vulnerabilidade ambiental em um contexto regional e em particular na Amazônia requer um esforço humano, logístico e econômico grandioso, que quando incorporadas a tecnologias atuais de aquisição e processamento de dados (remotos e in situ) e parcerias público-privado, torna possível tais pesquisas. Esse quadro foi o que possibilitou o desenvolvimento dessa tese na Bacia Hidrográfica do Rio Itacaiúnas (BHRI), que possui em torno de 42.000 km² e está localizada na área denominada “arco do desmatamento da Amazônia”. Área de muitos conflitos sócio-econômico-ambientais relacionados ao desenvolvimento da região e diferentes usos e ocupações do território. Dentro desse contexto desenvolvemos essa pesquisa que teve como principal objetivo avaliar de que forma a vulnerabilidade ambiental se relaciona com a atual produção de sedimentos em suspensão na BHRI. Primeiramente, foram definidas e identificadas as áreas de maior ou menor vulnerabilidade, tendo como marco temporal o ano de 2019, através de metodologias reconhecidas e desenvolvidas para esse tipo de estudo na região amazônica. Usando rotinas de geoprocessamento no software ArcGIS 10.8.1, foram construídos cinco mapas temáticos e de vulnerabilidade ambiental (geologia, geomorfologia, solos, uso e ocupação e clima) e por fim usando a álgebra de mapas o mapa de vulnerabilidade ambiental da BHRI foi produzido. Os resultados mostraram que a BHRI está medianamente estável/vulnerável em uma área de 28.058 km² de extensão (68% da bacia), moderadamente estável em 8.961 km² de extensão (com de 22% da bacia) e moderadamente vulnerável em 4.314 km² (10% da bacia). Em paralelo, foi realizado o estudo da produção de sedimentos na BHRI, a partir dos dados adquiridos pelo projeto de monitoramento hidrometeorológico realizado pelo Instituto Tecnológico Vale – ITV. O monitoramento foi realizado em 16 seções hidrossedimentológicas de controle distribuídas nas seis principais sub-bacias que compõem a BHRI, com quatro campanhas anuais (enchente, cheia, vazante e seca) ocorridas entre 2015 e 2019, e objetivou a construção e comparação das curvas-chave de sedimentos e produção de sedimentos entre essas diferentes sub-bacias, dados esses já publicados na Revista Brasileira de Recursos Hídricos (RBRH) em 2021. Por fim, buscando responder a hipótese desse estudo, realizamos análises comparativas da relação das vulnerabilidades ambientais encontradas com a produção de sedimentos identificando e demostrando quais áreas, quais fatores ambientais e quanto de sedimentos é produzido nas diferentes sub-bacias da BHRI. Os resultados obtidos permitiram obter uma visão integrada e compartimentada da vulnerabilidade e produção de sedimentos da BHRI e sim, confirmar que as atividades minerais legais em curso dentro de áreas protegidas de florestas, não geram impactos significativos em sua vulnerabilidade e nem na sua produção de sedimentos. Por sua vez, as atividades relacionadas ao uso e ocupação do território em áreas não protegidas, promoveram uma intensa substituição da floresta por pastagens, gerando as áreas de maior vulnerabilidade ambiental e estão diretamente associadas aos maiores “inputs” de sedimentos na BHRI.