Desenvolvimento neuropsicomotor, linguagem e a qualidade do ambiente ecológico de crianças do município de Belém: Uma compreensão bioecológica

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28-02-2019

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COSTA, Elson Ferreira. Desenvolvimento neuropsicomotor, linguagem e a qualidade do ambiente ecológico de crianças do município de Belém: Uma compreensão bioecológica. Orientador: Lilia Iêda Chaves Cavalcante. 2019. 222 f. Tese (Doutorado em Teoria e Pesquisa do Comportamento) - Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento, Universidade Federal do Pará, Belém, 2019. Disponível em: . Acesso em: .

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Esta tese de doutorado teve como objetivo geral analisar se há relação entre a qualidade dos ambientes ecológicos e o desenvolvimento neuropsicomotor e de linguagem de crianças de uma Unidade de Educação Infantil do município de Belém, a partir de uma compreensão bioecológica. Para tal, foram realizados dois estudos, com características metodológicas semelhantes. O primeiro analisou a relação entre a qualidade de três ambientes ecológicos (família, escola e vizinhança) e o desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) de crianças de uma UEI de Belém, através de um delineamento longitudinal, descritivo, correlacional e com abordagem quantitativa dos dados. A UEI selecionada está localizada no bairro da Batista Campos, Distrito de Belém (DABEL), região central do município. Participaram 70 crianças e um familiar de referência de cada uma delas. Para avaliação do DNPM foi utilizado o Denver II em três tempos, ao longo do ano letivo. Já a coleta dos dados pessoais e contextuais foi feita a partir da aplicação do Questionário de Caracterização da Criança, aplicado aos pais. A qualidade do ambiente familiar foi obtida pelo Inventário de Recursos do Ambiente (RAF) e pelo Índice de Pobreza da Família (IPF). A qualidade do ambiente de vizinhança foi mensurada pelo Instrumento de Qualidade da Vizinhança (IQV) e a qualidade do ambiente escolar pela Escala de Avaliação do Ambiente em Educação de Infância (ECERS-R). A coleta de dados foi realizada no ano letivo de 2016, os resultados mostraram que houve aumento no percentual de crianças com desempenho normal, ao longo das três avaliações pelo Denver II. Os escore do IPF (p=0,005), do RAF (p<0,001) e do IQV (p<0,001) apresentaram associação estatisticamente significativa com a suspeita de atraso no DNPM. A ECERS-R apontou a qualidade do ambiente escolar como básica ou mínima, no entanto não houve associação estatisticamente significativa com o desfecho do Denver II. O modelo de regressão logística indicou que a probabilidade de uma criança apresentar suspeita de atraso no DNPM é 80% menor quando for do sexo feminino (OR=0,20); 57% menor quando os pais são casados (OR=0,27); e 98% menor quanto mais atividades conjuntas os pais desenvolvem com a criança no ambiente familiar (OR=0,01), e ainda é 5,9 vezes maior quanto maior o nível de pobreza da família (OR=5,98). Já o segundo estudo verificou a relação entre a qualidade dos ambientes ecológicos, familiar e vizinhança, e o desenvolvimento da linguagem de crianças da mesma UEI. Este, teve um delineamento transversal, e o total de 64 participantes que foram avaliados pelo Denver II, ASQ-BR e pelos testes de nomeação infantil (TIN) e discriminação fonológica (TDF). A maioria das crianças teve o escore suspeita de atraso pelo Denver II (56,3%) e abaixo do ponto de corte (51,6%) pela ASQ-BR. Em contrapartida obtiveram as classificações média (48,4%) pelo TDF e alta (45,3%) pelo TIN. As variáveis pessoais que demonstraram associação estatisticamente significativas foram sexo (p<0,007), tempo na UEI (p<0,04) e aleitamento materno (p<0,01). As pontuações gerais do RAF (p<0,001) e do IPF (p=0,01) associaram-se ao desfecho. Os dados da regressão logística mostraram que a probabilidade de uma criança apresentar pior desempenho na linguagem é 62% maior quanto menor for a qualificação profissional da mãe (OR=0.39); 2,05 vezes maior quanto menor a escolaridade materna (OR=2.05), 1,97 vezes maior, quanto menor a renda mensal da família (OR=1.97); 4,91 vezes maior quanto menor a discriminação fonológica da criança (OR=4.91); e 4,30 vezes maior quanto menores forem as atividades conjuntas entre pais e filhos (4.31). Os dados foram analisados a partir da Teoria Bioecológica os quais mostram-se coerentes para compreender os resultados das crianças como uma função conjunta do processo, das características da pessoa, da natureza dos três microssistemas investigados e pelo intervalo de tempo da pesquisa. Portando, a alta prevalência de suspeita de atrasos no desenvolvimento das crianças participantes realça a importância da emergência de políticas e ações de estimulação ou monitoramento do desenvolvimento infantil, além de alertar para a presença de fatores de risco que podem interferir na qualidade dos ambientes.

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