Policiais que choram em silêncio: sofrimento psíquico, trabalho policial e políticas de cuidado na Polícia Civil em Belém do Pará e Região Metropolitana

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FARIAS, Alessandro Sobral. Policiais que choram em silêncio: sofrimento psíquico, trabalho policial e políticas de cuidado na Polícia Civil em Belém do Pará e Região Metropolitana. Orientadora: Andrea Bittencourt Pires Chaves. 2026. 157 f. Tese (Doutorado em Sociologia e Antropologia) - Instituto de Filosofia de Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18277. Acesso em:.

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O trabalho policial é marcado por exposição contínua à violência, pressão institucional e exigências operacionais intensas, configurando um contexto propício ao sofrimento psíquico. No âmbito da Polícia Civil em Belém (PA), essas condições são atravessadas por dinâmicas organizacionais e culturais que tendem a naturalizar o sofrimento e dificultar sua expressão. Nesse cenário, o adoecimento psíquico é compreendido como fenômeno socialmente produzido, inscrito nas formas de organização do trabalho e nos mecanismos institucionais de regulação da experiência profissional. Este estudo analisa a política de atendimento psicossocial da Polícia Civil do Pará, com foco na atuação da Diretoria de Atendimento ao Servidor (DAS/PCPA), examinando seus alcances, limites e efeitos na saúde mental dos trabalhadores. Adota-se abordagem quali-quantitativa, combinando análise documental, enquete com 234 policiais civis e entrevistas em profundidade com 13 participantes em processo de adoecimento. A análise baseia-se na triangulação metodológica, articulando estatísticas descritivas e análise de conteúdo. Os resultados indicam que a intensificação das demandas laborais, os regimes prolongados de plantão, a responsabilização jurídica individualizada e uma cultura organizacional orientada pela valorização da invulnerabilidade produzem condições estruturais de sofrimento. Observa-se que o medo da estigmatização e, especialmente, da suspensão do porte de arma — elemento central da identidade profissional — atua como barreira ao acesso aos serviços de saúde mental. A possibilidade de “entregar a arma” emerge como ameaça simbólica ao pertencimento institucional, contribuindo para o adiamento da busca por cuidado. Os afastamentos por transtornos mentais são recorrentes, embora atravessados por fragilidades nos mecanismos de acompanhamento e reintegração. A atuação da DAS/PCPA é reconhecida como relevante, porém limitada por centralização geográfica e baixa articulação institucional. Conclui-se que o sofrimento psíquico no trabalho policial é institucionalmente produzido e culturalmente silenciado. O estudo contribui para a Sociologia do Trabalho e da Saúde ao evidenciar que a gestão da força policial implica a gestão da vulnerabilidade, apontando para a necessidade de políticas públicas que enfrentem o estigma e incorporem a saúde mental como dimensão estratégica da segurança pública.

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Brasil

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