Teses em Ciências Ambientais (Doutorado) - PPGCA/IG
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Navegando Teses em Ciências Ambientais (Doutorado) - PPGCA/IG por Linha de Pesquisa "ECOSSISTEMAS AMAZÔNICOS E DINÂMICAS SOCIOAMBIENTAIS"
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Tese Acesso aberto (Open Access) Análise da dinâmica da transição do regime de fogo na Amazônia brasileira(Universidade Federal do Pará, 2023-06-21) TAVARES, Paulo Amador; FERREIRA, Joice Nunes; http://lattes.cnpq.br/1679725851734904; https://orcid.org/0000-0002-4008-2341; BARLOW, Bernard Josiah; http://lattes.cnpq.br/8559847571278134O bioma Amazônico tem passado por mudanças significativas de formas de uso e ocupação do solo, sendo impactado também pelas mudanças climáticas globais. Em consequência, a ocorrência de queimadas e incêndios florestais tem se tornado mais recorrente na Amazônia. Assim, é importante conhecer como ocorre o regime do fogo nessa região e suas interações com o uso do solo e o clima. Por essas razões, este estudo analisa a transição do fogo na Amazônia brasileira. No Capítulo 1, foi investigado como ocorre a transição do fogo ao longo do tempo na Amazônia brasileira, considerando as mudanças no uso da terra e cobertura florestal. Foram coletados dados anuais de ocorrência de fogo, cobertura florestal, taxas de desmatamento e áreas de cultivo de soja. Utilizando modelos lineares mistos generalizados e modelos lineares, foram realizadas análises estatísticas para identificar os principais fatores que influenciam essa transição. Foi constatado que há um processo de transição do fogo na floresta, sendo que um modelo quadrático melhor predisse o comportamento da ocorrência de incêndios. Além disso, observou-se que o pico de ocorrência de incêndios está se deslocando para paisagens mais florestadas ao longo do tempo. As taxas de desmatamento e a expansão das áreas de cultivo mostraram-se relacionadas com essa transição, sendo que o desmatamento teve maior impacto na ocorrência de queimadas e a expansão das áreas de cultivo foi mais relevante para prever a transição para áreas mais florestadas. No Capítulo 2, foram investigadas as diferentes trajetórias de fogo nas paisagens florestais da Amazônia brasileira. Utilizando Análise de Trajetórias Latentes (LTA) e modelos lineares mistos generalizados, foram identificadas trajetórias latentes que representam diferentes padrões de ocupação do solo ao longo do tempo. Duas trajetórias latentes principais foram destacadas: a trajetória "Consolidada", caracterizada por um histórico mais antigo de desmatamento, e a trajetória "Transição", que apresentou um padrão mais recente de ocupação do solo. A cobertura florestal e o desmatamento foram as principais variáveis preditoras das queimadas florestais nas duas trajetórias, seguidas pelo déficit hídrico. A expansão da soja não mostrou ser significativa para nenhuma das trajetórias. Foi observado um aumento nas áreas de floresta queimada a partir de 2015 em ambas as trajetórias. Em conjunto, os resultados destacam a relação da transição do fogo na Floresta Amazônica brasileira com as mudanças no uso da terra e cobertura florestal. Essas descobertas ressaltam a necessidade do desenvolvimento políticas públicas que aumentem a cobertura florestal, por meio de iniciativas como a restauração florestal, e reduzam o desmatamento na região amazônica para garantir a conservação da biodiversidade e dos estoques de carbono.Tese Acesso aberto (Open Access) Análise da dinâmica da transição do regime de fogo na Amazônia brasileira(Universidade Federal do Pará, 2023-06-21) TAVARES, Paulo Amador; FERREIRA, Joice Nunes; http://lattes.cnpq.br/1679725851734904; BARLOW, Bernard Josiah; http://lattes.cnpq.br/8559847571278134O bioma Amazônico tem passado por mudanças significativas de formas de uso e ocupação do solo, sendo impactado também pelas mudanças climáticas globais. Em consequência, a ocorrência de queimadas e incêndios florestais tem se tornado mais recorrente na Amazônia. Assim, é importante conhecer como ocorre o regime do fogo nessa região e suas interações com o uso do solo e o clima. Por essas razões, este estudo analisa a transição do fogo na Amazônia brasileira. No Capítulo 1, foi investigado como ocorre a transição do fogo ao longo do tempo na Amazônia brasileira, considerando as mudanças no uso da terra e cobertura florestal. Foram coletados dados anuais de ocorrência de fogo, cobertura florestal, taxas de desmatamento e áreas de cultivo de soja. Utilizando modelos lineares mistos generalizados e modelos lineares, foram realizadas análises estatísticas para identificar os principais fatores que influenciam essa transição. Foi constatado que há um processo de transição do fogo na floresta, sendo que um modelo quadrático melhor predisse o comportamento da ocorrência de incêndios. Além disso, observou-se que o pico de ocorrência de incêndios está se deslocando para paisagens mais florestadas ao longo do tempo. As taxas de desmatamento e a expansão das áreas de cultivo mostraram-se relacionadas com essa transição, sendo que o desmatamento teve maior impacto na ocorrência de queimadas e a expansão das áreas de cultivo foi mais relevante para prever a transição para áreas mais florestadas. No Capítulo 2, foram investigadas as diferentes trajetórias de fogo nas paisagens florestais da Amazônia brasileira. Utilizando Análise de Trajetórias Latentes (LTA) e modelos lineares mistos generalizados, foram identificadas trajetórias latentes que representam diferentes padrões de ocupação do solo ao longo do tempo. Duas trajetórias latentes principais foram destacadas: a trajetória "Consolidada", caracterizada por um histórico mais antigo de desmatamento, e a trajetória "Transição", que apresentou um padrão mais recente de ocupação do solo. A cobertura florestal e o desmatamento foram as principais variáveis preditoras das queimadas florestais nas duas trajetórias, seguidas pelo déficit hídrico. A expansão da soja não mostrou ser significativa para nenhuma das trajetórias. Foi observado um aumento nas áreas de floresta queimada a partir de 2015 em ambas as trajetórias. Em conjunto, os resultados destacam a relação da transição do fogo na Floresta Amazônica brasileira com as mudanças no uso da terra e cobertura florestal. Essas descobertas ressaltam a necessidade do desenvolvimento políticas públicas que aumentem a cobertura florestal, por meio de iniciativas como a restauração florestal, e reduzam o desmatamento na região amazônica para garantir a conservação da biodiversidade e dos estoques de carbono.Tese Acesso aberto (Open Access) Análise e modelagem do dendezeiro (Elaeis guineenses Jacq.) no nordeste do Pará e implicações para o planejamento de territórios sustentáveis(Universidade Federal do Pará, 2016-01-29) LAMEIRA, Wanja Janayna de Miranda; TOLEDO, Peter Mann de; http://lattes.cnpq.br/3990234183124986; VIEIRA, Ima Célia Guimarães; http://lattes.cnpq.br/3761418169454490A política nacional dos biocombustíveis se propõe a mitigar os processos de mudanças climáticas mediante a redução das emissões de CO2, usufruir do mercado de Carbono, reduzir o desmatamento e promover a inclusão social, principalmente na área rural. Na Amazônia esta mobilização é pela palma de óleo (dendezeiro) por apresentar as melhores condições edafoclimáticas para esta cultura e dispor de uma grande quantidade de áreas consideradas “degradadas”, prioritárias para a implantação desta atividade. Assim, o objetivo deste estudo foi analisar as condições de desenvolvimento do polo do dendezeiro no Pará, mediante o uso de indicadores de sustentabilidade, o apoio do Geoprocessamento e a formulação de modelos de mudanças de uso da terra, com vistas a auxiliar no planejamento de territórios sustentáveis. Trata-se de uma pesquisa interdisciplinar que utilizou metodologias complementares para abordar as dimensões ambientais e sociais da sustentabilidade do território. Os resultados mostram que: (i) há diferenças nos índices de desenvolvimento nos municípios de Acará, Cametá, Concórdia do Pará, Igarapé-Açu, Moju, Tailândia e Tomé-Açu, no polo do dendê do Estado do Pará, os quais, sem possuir dinamismo suficiente, permanecem na condição de cidades locais; (ii) houve, de 2008 a 2013, um aumento de aproximadamente 82% (de 80.272 ha para 146.611 ha) das áreas de dendezeiros, sendo a localização preferencial destes monocultivos às imediações da região metropolitana de Belém e nos municípios de Moju, Tailândia, Acará e Tomé-Açu; (iii) os trinta e sete municípios do polo do dendê apresentam condições de desenvolvimento entre o regular e o estágio crítico e que, nesta etapa do programa do biodiesel, mais de 60% das empresas ligadas a dendeicultura foram implantadas em áreas com boas condições socioeconômicas, parecendo uma contradição já que uma das metas do programa é reduzir as desigualdades no meio rural (capitalizar a agricultura familiar); (iv) haverá um aumento de cerca de 2.110 km² de dendezeiros em 2025, não chegando a preocupar posto que não representa 5% do polo do dendê, mas a questão a ser levantada é onde ocorrerão as mudanças e em que condições. Esse conjunto de resultados é útil para o planejamento territorial a partir de um amplo debate sobre o desenvolvimento sustentável em todos os aspectos (social, econômico e ambiental). Territórios Sustentáveis para a dendeicultura pressupõem um conjunto de ações gerenciadas de forma integrada, capazes de favorecer a expansão de tais cultivos na região, sem comprometer a conservação da biodiversidade, os processos ecológicos e a melhoria nas condições socioeconômicas. Para que a expansão da palma de óleo seja conduzida para um cenário de sustentabilidade, deve ser criado um ambiente institucional favorável à melhor governança, possibilitando identificar as fragilidades e potencialidades de cada região como estratégia para solucionar os descompassos do desenvolvimento existentes no polo do dendê. Pelo observado até o momento, parece que ainda é necessário percorrer um longo caminho para que a expansão sustentável do dendezeiro ocorra no Estado do Pará.Tese Acesso aberto (Open Access) Avaliação do processo de cobertura da terra no entorno de usinas hidrelétricas na Amazônia brasileira: a evolução da UHE de Tucuruí(Universidade Federal do Pará, 2018-05-16) MONTOYA, Andrés Danilo Velástegui; LIMA, Aline Maria Meiguins de; http://lattes.cnpq.br/6572852379381594A análise dos impactos ambientais produzidos pela construção de megaprojetos na Amazônia, vem sendo o campo de estudo de várias pesquisas. Neste trabalho, o objeto de estudo foi a hidrelétrica de Tucuruí, construída no estado do Pará. Por tratar-se de uma região estratégica para a expansão da capacidade produtora de energia hidrelétrica do Brasil, tem sido foco de diversas abordagens de análise que visam subsidiar a melhor caracterização de cenários futuros. Foi discutido o modelo de mudança de cobertura da terra nas áreas ribeirinhas e no entorno dos reservatórios, motivados pela modificação da dinâmica dos ecossistemas naturais. Este fenômeno é causado pelos extensos reservatórios e aspectos migratórios, em uma situação já consolidada. Foi realizado o mapeamento e análise multitemporal de imagens do satélite Landsat, de datas representativas às diferentes etapas de construção, inauguração, ampliação e cenário atual da usina hidrelétrica. Buscou-se, também, verificar se o aumento das áreas antropizadas nos municípios afetados diretamente pelo reservatório, têm papel compensatório nas melhoras das condições socioeconômicas na região. Tem-se, de fato, que essas regiões absorvem os custos sociais, econômicos e ambientais associados à construção e operação das usinas, enquanto que os benefícios energéticos são distribuídos às demais regiões do país. Espera-se, deste modo, contribuir com uma avaliação crítica dos novos planejamentos hidrelétricos, prevendo os possíveis impactos ambientais e sociais do empreendimento, dado o histórico de eventos já observados na UHE de Tucuruí. E para o debate sobre elementos que induzam a “desenvolvimento regional”, subsidiando, assim, a gestão pública, o setor privado e à comunidade acadêmica, no que tange à formulação e implementação de ações voltadas à melhoria da qualidade de vida destas localidades.Tese Acesso aberto (Open Access) Caracterização estrutural e ambiental de bosques de mangue da costa paraense, como subsídios à conservação e qualidade de vida(Universidade Federal do Pará, 2016-09-02) CARVALHO, Elena Almeida de; JARDIM, Mário Augusto Gonçalves; http://lattes.cnpq.br/9596100367613471O ecossistema manguezal, está entre os mais produtivos do planeta e, no Brasil, ocorre ao longo de quase todo o litoral, do Amapá a Santa Catarina. Nesta pesquisa, o objetivo geral foi verificar as condições ambientais em três bosques de mangue da costa paraense, visando identificar padrões ambientais que demonstrem seu estado de conservação e a relação com a qualidade de vida das comunidades. Os objetivos específicos foram: caracterizar a composição florística e a estrutura dos manguezais; determinar as inter-relações solo-vegetação; determinar as formas de uso e as percepções ambientais das populações humanas com os manguezais; e, realizar uma análise interdisciplinar e sistêmica das características florísticas, edáficas e sociais em manguezais. As áreas escolhidas foram nos municípios de Soure (Ilha do Marajó), Salinópolis e Maracanã (Ilha de Algodoal). Utilizou-se metodologia padronizada e adequada a cada tema tratado. Quanto à composição florística, as espécies foram compatíveis ao que indica a literatura para esta região e às condições ambientais reinantes. Os bosques apresentaram alto grau de desenvolvimento estrutural, sendo que em Soure foram registrados os maiores valores. Os parâmetros do solo traduziram bem uma parcela do cenário ambiental local e regional a que estão submetidos esses manguezais, e mostraram grande influência na composição, distribuição e abundância das espécies vegetais presentes. As comunidades humanas apresentaram diversidade de usos dos manguezais, tendo sido em Salinópolis os registros de maior variedade. A percepção ambiental acerca da conservação desse ecossistema, revelou-se diferente entre as comunidades, sendo que, na Ilha de Algodoal, ocorreram os registros que mostraram menor grau de relação tradicional com o mesmo. A análise interdisciplinar, envolvendo componentes físicos, biológicos e antrópicos, indicaram manguezais bem conservados em seus atributos naturais, porém, revelaram um grau de ameaça que advém de visões somente economicistas para o desenvolvimento regional. Adverte-se para a necessidade de ações ligadas a pesquisas científicas específicas, para detectar o grau de ameaça a que este ecossistema, e outros da zona costeira, estão submetidos, além de políticas públicas, educação ambiental, organização, fiscalização e prática do que estabelece a legislação para unidades de conservação e para manguezais, visando a manutenção desses ecossistemas, e melhoria da qualidade de vida das comunidades locais.Tese Acesso aberto (Open Access) Castanhal nativo da Floresta Nacional do Tapajós: atributos edáficos, produção de serapilheira e perfil socioeconômico dos extrativistas(Universidade Federal do Pará, 2017-08-07) GUERREIRO, Quêzia Leandro de Moura; RUIVO, Maria de Lourdes Pinheiro; http://lattes.cnpq.br/9419564604488031A semente castanha-do-brasil possui alto valor alimentar e é considerada um dos principais produtos extrativistas da pauta de exportação da região norte do Brasil. O estudo dos aspectos ecológicos e biológicos da castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa) tem sido objetivo de muitos trabalhos, porém é incipiente a quantidade de pesquisas que abordam as variáveis sociais e ambientais dessa relacionadas a espécie. Neste contexto, a presente tese buscou avaliar os atributos edáficos que mais influenciam no desenvolvimento vegetal e a produção de serapilheira em área de castanhal nativo da Floresta Nacional do Tapajós (FLONA do Tapajós) além de estudar os fatores socioeconômicos e as práticas de manejo, coleta e a produção dos extrativistas de castanha-do-brasil que residem próximo dessa área. A apresentação dos resultados obtidos foi exposta em três capítulos: o primeiro capítulo compreende uma análise geoestatística dos fatores físico-químicos do solo; o segundo apresenta uma estimativa da produção de serapilheira em relação à média mensal da temperatura máxima e os totais mensais de precipitação e insolação e o terceiro demonstra uma análise dos aspectos econômicos, sociais e das práticas de manejo dos coletores de castanha-do-brasil que atuam na FLONA do Tapajós. As amostragens de campo foram realizadas em uma parcela permanente de 300 m x 300 m do projeto MapCast, instalada no km 84 da FLONA do Tapajós. As coletas de amostras de solo para as análises físico-químicas seguiram as recomendações descritas no “Manual de laboratório: solo, água, nutrição vegetal, nutrição animal e alimentos” da Embrapa, bem como os procedimentos para as determinações analíticas. Para a coleta da serapilheira foram utilizados 12 recipientes em formato circular e o material depositado era recolhido a cada 30 dias e separado em classes (Folhas, Flores e frutos, Madeira, Miscelânia). Os dados socioeconômicos, de produção e a forma de extração das castanhas-do-brasil foram obtidos por meio de entrevista estruturada realizada com 24 extrativistas da região. Por meio da Krigagem Simples pode-se estimar a concentração dos nutrientes estudados para toda a área da grade amostral. O adensamento de castanheiras-do-brasil foi identificado nas áreas com maiores valores de silte e argila e menores valores para as variáveis macroporosidade, pH, fósforo, zinco e cobre. A produção de folhas variou entre 169,9 a 965,6 kg ha-1 mês-1, a de madeira entre 26,7 e 501,3 kg ha-1 mês-1 e a de flores e frutos entre 0,6 e 19,6 kg ha-1 mês-1. As classes madeira e flores e frutos não apresentaram variação significativa (p>0,05) e nem correlação significativa com nenhuma variável meteorológica. As três variáveis ambientais analisadas explicam 40,7% da variabilidade temporal da produção de serapilheira. Ao todo foram contabilizados 39 extrativistas de castanha-do-brasil. A maioria desses possui baixo nível de escolaridade e é contemplada pelo Programa Bolsa Família. A produção variou significativamente entre as safras 2013/2014, 2014/2015 e 2015/2016 e as práticas de extração são tradicionais. A Análise Geoestatística permitiu o conhecimento da atual distribuição espacial dos atributos físico-químicos do solo na área estudada, a qual servirá como base de comparação para futuras avaliações no mesmo local e também para ajudar a compreender aspectos ambientais em áreas com aglomerações de castanheira-do-brasil. As variáveis ambientais temperatura e insolação influenciam na produção de folhas e na produção total de serapilheira em área de castanhal nativo. As práticas de manejo dos castanhais e de coleta e beneficiamento das sementes aplicadas pelos extrativistas das comunidades estudadas não apresentam nenhuma inovação em relação às práticas tradicionais e rudimentares já informadas na literatura. A variação entre as safras foi influenciada pela a redução de chuvas (ocasionadas por um evento de El Niño instalado em 2015) e pelas frequentes queimadas, conforme a percepção dos entrevistados.Tese Acesso aberto (Open Access) Colonização micorrízica e disponibilidade de fósforo no solo em sistemas agroflorestais com palma de óleo na Amazônia.(Universidade Federal do Pará, 2020-01-20) MAIA, Rodrigo da Silva; VASCONCELOS, Steel Silva; http://lattes.cnpq.br/0719395243841543; https://orcid.org/0000-0003-2364-8822O fósforo (P) é considerado o nutriente mais oneroso e limitante para a produção agrícola nos trópicos, devido às limitações das reservas fosfáticas e ao fenômeno de adsorção no qual o P fica retido no solo e indisponível a planta. Na região Amazônia a produção agrícola pode ser limitada em até 90% pela deficiência do P e nas últimas décadas a introdução de monocutivos nessa região, como o cultivo da palma de óleo (Elaeis guineensis) no estado do Pará, tem provocado alterações no uso do solo, afetando a disponibilidade de nutrientes e a dinâmica socioambiental. Nesse contexto, a inserção da palma de óleo a um modelo de manejo do solo alternativo e conservacionistas como o Sistema Agroflorestal (SAF), pode ajudar a reduzir a dependência do P importado, garantir maior aproveitamento de P no solo através de fontes orgânicas e ampliar a absorção desse nutriente pela planta através da simbiose com Fungos Micorrízicos Arbusculares (FMAs). No entanto existe pouca informação sobre a contribuição dos SAFs para a disponibilidade de P e para a colonização micorrízica em cultivos perenes como a palma de óleo nos agrossistemas tropicais, especialmente na Amazônia. O objetivo deste estudo foi avaliar as frações lábeis e moderadamente lábeis de P (orgânico e inorgânico) no solo e a colonização micorrízica arbuscular na palma de óleo plantada em sistemas agroflorestais biodiversos e monocultivos na Amazônia brasileira. As frações de P foram determinadas através do método sequencial de extração descrito por Hedley e a colonização micorrízica foi avaliada pelo método da ampliação das intersecções. A colonização micorrízica foi de modo geral 3,5 vezes maior na palma de óleo cultivada nos SAFs em relação ao monocultivo e os SAFs não diferiram do monocultivo no fornecimento de P lábil e apresentam maior pool de P moderadamente lábil no solo. Os resultados do estudo mostraram que a adoção de SAFs no cultivo de palma de óleo na Amazônia é uma prática promissora para aumentar a colonização micorrízica nessa espécie e representa um tipo de manejo vantajoso para o fornecimento de P disponível e para a manutenção de reservas de P no solo em relação ao monocultivo.Tese Acesso aberto (Open Access) Economia de PFNM na Resex Guariba Roosevelt no noroeste Mato-Grossense(Universidade Federal do Pará, 2024-12-18) SANTOS, Alessandra Maria Filippin Passos; CATTANIO, Jpsé Henrique; http://lattes.cnpq.br/1518769773387350; https://orcid.org/0000-0001-8335-9593A Amazônia brasileira apresenta serviços ecossistêmicos relevantes para todo o planeta, como o sequestro de carbono, regulação do clima, manutenção da biodiversidade e ciclos hidrológicos. Porém, todos esses benefícios vêm sendo ameaçados, principalmente pelas pressões ambientais, pela conversão de florestas e atividades econômicas ilegais. O Brasil vem buscando medidas para sanar tais questões, através da criação de áreas protegidas, como as Unidades de Conservação. Dentre essas áreas, destacam-se as Reservas Extrativistas (RESEX), que são áreas de uso sustentável e morada de comunidades tradicionais, como os extrativistas. Nesse sentido, essa tese visa demonstrar as atividades extrativistas realizadas na RESEX Guariba Roosevelt, localizada no estado de Mato Grosso, sendo a única RESEX do estado em meio às pressões ambientais. Os extrativistas têm como principal fonte de renda a exploração dos produtos florestais não madeireiros (PFNM) e a manutenção da floresta é uma garantia de seus modos de vida tradicionais. Para atender aos objetivos do estudo, foi empregada uma metodologia interdisciplinar de levantamento bibliográfico nas principais bases de dados acadêmicos científicos, além de uma pesquisa de campo na RESEX, com questionários semiestruturados. Os resultados demonstraram o perfil socioeconômico dos extrativistas, em que a maioria tem 40 anos ou mais, apontando a saída dos jovens em busca de outras oportunidades, fator que impacta na produção dos PFNM, além de identificar os principais PFNM produzidos na RESEX e aqueles que apresentam potencial de exploração, mas não são comercializados por falta de logística, treinamento e mão-de-obra. Foi utilizada também uma metodologia de uso e cobertura do solo (sensoriamento remoto) em formato raster do MapBiomas para realizar o levantamento de erosão e desmatamento evitado na RESEX, bem como a erosão total e o estoque de carbono total presentes, evidenciando os valores evitados pela presença da RESEX, bem como seu potencial em relação ao mercado de carbono. Por último, foram analisadas as percepções dos extrativistas em relação às mudanças climáticas, de biodiversidade e à saída dos jovens da RESEX, demonstrando que os jovens saem da RESEX em busca de emprego, outras oportunidades de estudo e que, apesar da RESEX oferecer melhorias em infraestrutura, perderam o interesse na atividade extrativista.Tese Acesso aberto (Open Access) Os efeitos das políticas públicas de desenvolvimento socioeconômico na zona costeira do nordeste paraense: expansão rodoviária, urbanização e atividade turística(Universidade Federal do Pará, 2017-10-27) ALMEIDA, Adrielson Furtado; JARDIM, Mário Augusto Gonçalves; http://lattes.cnpq.br/9596100367613471O modelo desenvolvimentista do governo brasileiro a partir da década de 1960 promoveu na zona costeira do nordeste do estado do Pará a expansão rodoviária, urbanização, circulação de capital e o desenvolvimento de novos mercados, como turismo. Este trabalho objetivou analisar as mudanças na relação entre os aspectos ambientais, econômicos e sociais resultantes das politicas públicas de desenvolvimento socioeconômico nas praias do Crispim (Marapanim), Atalaia (Salinópolis) e Ajuruteua (Bragança), a partir de 1960. Especificamente buscou-se: a) Identificar as principais mudanças ocorridas na relação entre os aspectos ambientais, econômicos e sociais resultantes das políticas públicas de desenvolvimento socioeconômico a partir de 1960; b) avaliar os indicadores socioeconômico, ambientais, urbano e turístico nas praias do Crispim (Marapanim), Atalaia (Salinópolis) e Ajuruteua (Bragança) e, c) avaliar a atuação da comunidade local no processo de consolidação das políticas para o desenvolvimento socioeconômico e, garantia dos padrões ambientais. Utilizou-se metodologia padronizada e adequada a cada tema tratado. As principais mudanças foram a perda da vegetação de restinga e dunas para a instalação de comércios e segunda residências (ambiental), substituição dos espaços de pesca para a urbanização (social) e, a substituição das atividades pesca tradicional para atividade turística (econômico). Quanto aos indicadores, às três áreas em estudo apresentam IDH-M médio. As principais ameaças e impactos, que afetam o estado do meio ambiente e exigem respostas por parte das políticas públicas, identificados pela Matriz PEIR foram: uso excessivo e contaminação do lençol freático, ausência de serviços públicos e poluição do solo, ocupação das APP e erosão costeira. Analisando qualitativamente os indicadores turísticos (ICT), a praia do Atalaia apresentou maior competitividade turística em relação as outras praias estudadas. A atuação da comunidade local apresenta certa mobilização, apesar de haver conflito e divergências de interesse que dificulta a atuação dos próprios comunitários, na qual a sua ausência causa o mau direcionamento das políticas públicas. O uso e ocupação inadequado do espaço são os principais causadores das situações problemáticas atuais, identificados pela pesquisa survey e análise dos indicadores de desenvolvimento socioeconômico, urbano e turístico. Torna-se fundamental a atuação da comunidade local nas políticas públicas, junto com gestores públicos e privados, para que juntos planejem e gerenciem um cenário futuro diferente para qual se caminha a realidade.Tese Acesso aberto (Open Access) Estimativa do fluxo de metano e dióxido de carbono em áreas de manguezais do município de São Caetano de Odivelas - PA.(Universidade Federal do Pará, 2019-12-03) MARTINÉZ CASTELLÓN, Saúl Edgardo; SILVA, José Francisco Berrêdo Reis da; http://lattes.cnpq.br/1338038101910673; ROLLNIC, Marcelo; http://lattes.cnpq.br/6585442266149471; CATTANIO, José Henrique; http://lattes.cnpq.br/1518769773387350Os manguezais são considerados ecossistemas tanto ambientais e como socioeconomicamente produtivos, dado pela contribuição na mitigação das mudanças climáticas, como a captura e armazenamento do CO2 na biomassa aérea e subterrânea. As áreas de mangue são importantes contribuidores dos gases de efeito de estufa (GEE). Este estudo investiga os fluxos de Metano (FCH4) e de Dióxido de Carbono (FCO2) em floresta de mangue nas interfaces solo-atmosfera (Ilha da Macaca), e água-atmosfera (Estuário Mojuim). As medições incluíram uma escala temporal (período seco: julho a dezembro 2017 e chuvoso: janeiro a junho 2018) e espacial (topografia alta: 2,5 m e baixa: 2,0 m), e em diferentes ambientes aquáticos. Os fluxos foram medidos através do método de câmaras dinâmicas associadas a um analisador de gás infravermelho. Adicionalmente, foram registrados parâmetros: A) ambientais, como temperatura do ar, umidade relativa do ar, velocidade do vento, B) físicos e químicos da água, como a temperatura, oxigênio dissolvido e pH; C) físicos e químicos do solo, como a temperatura, umidade, matéria orgânica, pH, carbono e nitrogênio total, relação C/N, carbono orgânico, carbono microbiano, nitrogênio microbiano. O FCH4 médio no solo variou de 0,1874 g m-2 d-1 a 0,0711 g m-2 d-1 entre época seca e chuvosa respectivamente. O FCO2 médios no solo variou de 6,3607, a 7,0542g m-2 d-1 entre época chuvosa e seca respectivamente. Os FCH4 variaram de 0,2360 g m-2 d-1 a 0,0271 g m-2 d-1 para a topografia baixa e alta, respectivamente. Os FCO2 variaram de 5,4383 a 7,079 g m-2 d-1 para topografia baixa e alta, respectivamente. Com isto os fluxos foram maiores para CO2 na época seca e FCH4 foram menores na estação chuvosa. Os fluxos de FCH4 no ecossistema aquático variaram entre época seca e chuvosa de 0,039 a 0,050 g m-2 d-1 respectivamente. O FCO2 entre época seca e chuvosa variou de 10,474g m-2 d-1 a 28,985, g m-2 d-1, respectivamente. Os FCO2 mostraram diferenças significativas (p < 0,05) entre a época seca e chuvosa, podendo estar influenciado pela entrada de água salubre na maré enchente e a entrada de água doce do rio Mojuim na vazante. Neste estudo foi observado que os maiores fluxos de FCH4 e FCO2 ocorrem na época chuvosa, e variação mínima do FCO2 no solo.Tese Acesso aberto (Open Access) Impacto das queimadas em área de floresta no sul da Amazônia: uma reflexão ensaística sobre a precificação de carbono(Universidade Federal do Pará, 2023-10-16) SILVA, Simone Nazaré Rodrigues da; VITORINO, Maria Isabel; http://lattes.cnpq.br/4813399912998401; https://orcid.org/0000-0003-3253-5301Florestas tropicais são importantes reguladoras climáticas globais. Elas estocam quantidades notáveis de carbono em sua biomassa viva e mantém uma delicada relação biosfera-atmosfera. A ciclagem de carbono na Amazônia tem sido muito estudada devido às alterações promovidas nas concentrações de CO2 num nível global, no solo, na água e principalmente na atmosfera. Esta pesquisa visa contribuir identificando perturbações de ordem antrópica (queima de biomassa florestal) e suas influências na troca líquida de CO2 em área de floresta semidecídua, localizada no sul da bacia Amazônica. Medidas micrometeorológicas em situ, localizadas a 50 km NE de Sinop-MT, foram utilizadas para estimar o potencial de absorção de CO2 sob condições poluídas (AOD ≫ 0.10) e não poluídas (AOD ≤ 0.10). Limitações, incertezas, fragilidades e ótimos fisiológicos determinados e usados como subsídios-chave para abordagens concernentes à precificação de carbono no Brasil. Dados remotos orbitais pelo sensor MODIS (AODm) e à superfície pelo sistema AERONET 2.0 (AODa) são usados para uma visão regional dos impactos das queimadas sobre o fluxo de radiação solar. Uma longa série de medidas AODa, entre 1999-2017, é usada na determinação de um modelo de irradiância solar de céu-claro. Reduções e aumentos no %NEE para determinadas cargas de poluição (AOD), irradiância relativa fe ângulo solar zenital (SZA) foram observados. Os resultados mostraram uma diminuição de 40 % em f consistente com expressivo aumento das cargas de poluição (AODa) de 0,10 para 5,0 à 500 nm. Foi observado também um aumento médio de 35-70 % no fluxo NEE para níveis de poluição AODa acima de 1,25. Este resultado foi atribuído ao aumento de 40-60 % na fração difusa da radiação solar (P AR(D)f ) em relação à fração direta (SWi), devido ao impacto dos Aerossóis Orgânicos emitidos durante a queima de biomassa (BBOA). Foi observado também redução e aumento estatisticamente significante sobre variáveis biofísicas, tais como temperatura do dossel foliar (LCT ) e Déficit de Pressão do Vapor (V PD), respectivamente. Um aumento médio de ∼ 3.0 ◦C e redução de 10-15 % na LCT e Tair foi encontrado sob condições de céu densamente esfumaçado (AODa ≫ 0.10). Estes resultados são úteis na obtenção de novos coeficientes de calibração e novas parametrizações físicas de processos pobremente representados nos sistemas numéricos vigentes, como as respostas fotossintéticas de florestas semideciduais à ciclagem de carbono regional na Amazônia. Estes achados, norteiam também políticas públicas de preservação do ecótono Cerrado-Floresta Amazônica e outros ecossistemas pantropicais. Um texto ensaístico foi elaborado para destacar as fragilidades e inviabilidades de ações políticas destinadas à precificação do carbono e serviços ecossistérmicos, como o sequestro de CO2. Para tal, analisa-se a lei 2.187/2009 (Política Nacional de Mudança do Clima) e o projeto de lei PL-528A/2021 (Regulação do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões). Como resultado, refutam-se as leis supracitadas e discutem-se suas inviabilidades, apontando soluções factíveis para novas formas de exploração, na contramão desta lógica mercantil que negligencia as peculiaridades e resiliências dos ecossistemas Amazônicos. Tudo isso apoiada na ideia de exploração dos recursos naturais como meio único para o desenvolvimento e progresso econômico, ocultando assim a atual e crise ecológica em que vivemos.Tese Acesso aberto (Open Access) Impactos das mudanças climáticas e do desflorestamento sobre a flora arbórea da Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2018-11-30) GOMES, Vitor Hugo Freitas; STEGGE, Hans ter; http://lattes.cnpq.br/7778964226916459; VIEIRA, Ima Célia Guimarães; http://lattes.cnpq.br/3761418169454490A Amazônia detém uma incrível biodiversidade, moldada ao longo de milhões de anos. Nos últimos milênios o clima na região se tornou mais úmido, aumentando a disponibilidade de habitat adequado para espécies florestais e influenciando suas distribuições e a expansão da floresta neste período. Todavia, as influências humanas sobre o clima e o uso da terra têm promovido a redução do habitat de muitas espécies na região, e projeções apresentam uma intensificação no futuro, com impactos potencialmente negativos para a riqueza e distribuição da biodiversidade amazônica. Além disso, existem diversas lacunas de conhecimento sobre como o clima e o uso da terra tem moldado e moldarão a floresta Amazônica, e a ampla variedade de métodos disponíveis para tal análise abrem espaços para questionamentos sobre as melhores práticas metodológicas para estudar uma área tão grande e diversa como a Amazônia. Entender a origem, manutenção e perda da biodiversidade tem uma profunda importância para vida humana futura. Esta tese aborda algumas das lacunas de conhecimento sobre estes tópicos, comparando métodos de estimativa de riqueza e distribuição de espécies na floresta Amazônica em diferentes escalas temporais. Este estudo é uma pesquisa interdisciplinar que relaciona aspectos de diferentes áreas científicas para o entendimento das consequências das duas principais ameaças à biodiversidade amazônica, atribuídas às mudanças climáticas e ao desflorestamento. O estudo contou com uma cooperação entre o Naturalis Biodiversity Center – Holanda e o Museu Paraense Emílio Goeldi MPEG, por meio de uma bolsa de Doutorado Sanduíche no Exterior – SWE (Processo CNPq 203102/2015-0). Além disso, o estudo se insere no projeto INCT Biodiversidade e Uso da Terra na Amazônia (Processo CNPq 574008/2008-0), coordenado pelo MPEG, dedicado ao estudo da biodiversidade e da paisagem amazônica, visando o entendimento das consequências ambientais e sociais de diferentes usos da terra, fornecendo bases científicas para práticas econômicas sustentáveis e apoio a políticas públicas para a Amazônia.Tese Acesso aberto (Open Access) Indicadores ambientais para funcionalidade ecológica em florestas secundárias de diferentes idades na Amazônia Oriental(Universidade Federal do Pará, 2016-06-17) MEDEIROS, Priscila Sanjuan de; FERREIRA, Leandro Valle; http://lattes.cnpq.br/8103998556619871Atualmente as florestas secundárias ocupam cerca 25% da região amazônica, e vem recebendo destaque pelos serviços ecossistêmicos que elas fornecem. Além do papel no sequestro de carbono e na proteção do solo e de mananciais, as florestas secundárias podem abrigar uma enorme diversidade. No entanto, são necessárias políticas públicas direcionadas para a manutenção do processo de sucessão dessas florestas, para que as mesmas possam contribuir com a manutenção da biodiversidade e prestação de serviços ambientais. O objetivo do trabalho foi avaliar a funcionalidade ecológica de florestas secundárias de diferentes idades, usando como indicadores dessa dinâmica sucessional a vegetação, o banco de sementes, a macrofauna do solo e os fungos micorrízicos arbusculares (FMA). O estudo foi desenvolvido em áreas de floresta primária e florestas secundárias de terra firme de diferentes idades na Floresta Nacional de Caxiuanã, no estado do Pará. Aplicou-se o método de cronossequência, que é a metodologia mais usada para estudos de sucessão. Foram selecionadas 40 áreas, com tamanho médio de 0,75 hectares, sendo três áreas de floresta primária e 37 de floresta secundária (capoeira). O tempo de abandono destas áreas variou entre 1 e 40 anos e todas apresentam histórico de uso semelhante. Em cada área foi implantada uma parcela permanente onde os indivíduos vegetais foram amostrados (sub-bosque e estrato florestal) e onde foram realizadas as coletas de solo para a avaliação do banco de sementes e da densidade de fungos micorrízicos arbusculares. Nestas parcelas também foi aplicada a metodologia do Programa “Tropical Soil Biology and Fertility” (TSBF) para a amostragem da macrofauna do solo e das minhocas. Foram realizadas seis campanhas, três no período seco e três no período chuvoso. Foram coletados dados de umidade do solo, abertura de dossel, estoque de serapilheira, peso seco de raízes finas e variáveis físico-químicas do solo (K, P, Na, Ca, Mg, Al, N, pH, Areia grossa, Areia fina, Silte e argila total). Para uma melhor compressão das relações entre as variáveis bióticas e abióticas os dados foram analisados e discutidos em uma abordagem contínua e outra categórica, classificando as áreas em quatro grupos de acordo com idade da floresta secundária (etapa 1- 0 a 10 anos; etapa 2- 10 a 25; etapa 3- 26 a 40; etapa 4- floresta primária). Variáveis da vegetação, bem como as formas de vida presentes no banco de sementes apresentaram forte relação com a idade da floresta secundária. O uso da macrofauna como bioindicador demonstrou ser uma excelente estratégia para o monitoramento das florestas secundárias, possibilitando a conservação destes habitats e o manejo correto de seus recursos. Já a densidade e a biomassa de minhocas apresentaram fraca relação com o processo sucessional. Os fungos micorrízicos arbusculares mostraram-se bons indicadores na separação entre floresta primária e secundária. Com isso, temos variáveis ambientais da vegetação, do banco de semente e da macrofauna do solo que apresentam potencial para serem usadas em um índice de qualidade das funções ecossistêmicas em florestas secundárias de terra firme.Tese Acesso aberto (Open Access) Índices de desenvolvimento sustentável aplicados à Amazônia Legal como subsídios a políticas de combate ao desmatamento(Universidade Federal do Pará, 2017-11-30) VALE, Francinelli de Angeli Francisco do; VIERA, Ima Célia Guimarães; http://lattes.cnpq.br/3761418169454490; TOLEDO, Peter Mann de; http://lattes.cnpq.br/3990234183124986O histórico de uso e ocupação das terras na Amazônia Legal, o desmatamento intensivo na região do Arco do Desmatamento e a grande preocupação atual com o desenvolvimento sustentável têm levado à adoção de medidas que avaliam os níveis de sustentabilidade atuais em escalas local e regional. Além disso, tais ações conseguem verificar historicamente a relação desses níveis com as políticas públicas adotadas que preconizam mudanças sociais, econômicas, institucionais e/ou ambientais. O uso de indicadores de sustentabilidade tem sido visto como instrumento que contribuem para tornar o conceito de sustentabilidade mais objetivo, ao mesmo tempo em que tem se mostrado útil para as etapas de planejamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas em diversas áreas. Neste trabalho, foram adotadas três metodologias diferentes (Índice de Desenvolvimento Sustentável (IDS), Barômetro da Sustentabilidade (BS) e uma nova proposta denominada de Índice Municipal de Combate ao Desmatamento (IMCD) com os objetivos de analisar o nível de sustentabilidade dos estados da Amazônia Legal, dos municípios prioritários e monitorados do estado do Pará, que estão integrados nas ações do plano federal (Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia – PPCDAm) e estadual (Programa Municípios Verdes) no controle e combate do desmatamento. Com o uso desses sistemas de indicadores foi possível avaliar os estados e municípios da Amazônia em relação à sustentabilidade. Os resultados indicam que apenas o estado de Roraima foi classificado com desempenho aceitável do IDS, enquanto o Maranhão apresentou nível crítico e os outros estados se mantiveram na faixa de alerta; para os municípios segundo o BS apenas Altamira e Novo Progresso se mantiveram na classe de sustentabilidade intermediária para os dois anos analisados, porém houve avanço na coibição do desmatamento comparando o ano de 2000 para 2010. Quanto ao IMCD, destaca-se Paragominas com alto valor e o único a cumpri todas as metas do PMV e PPCDAm, enquanto Concórdia do Pará, Garrafão do Norte e Aurora do Pará tiveram desempenho crítico, não sendo eficazes na incorporação de instrumentos de gestão ambiental no controle do desmatamento. As ferramentas utilizadas foram eficazes e de fácil utilização para a avaliação da sustentabilidade. Portanto, recomenda-se que este tipo de análise seja desenvolvido com regularidade para que se possa acompanhar o desempenho dos estados e municípios da Amazônia legal.Tese Acesso aberto (Open Access) O Lago Grande do Curuai: história fundiária, usos da terra e relações de poder numa área de transição várzea-terra firme na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2016-12-07) FOLHES, Ricardo Theophilo; TOURNEAU, François-Michel Le; SANTOS JÚNIOR, Roberto Araújo de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/9355107718329833O objetivo geral desta pesquisa foi compreender como fatores de ordem social e ambiental influenciaram o povoamento, a apropriação e o uso conjugado dos recursos naturais em uma região de transição entre os ecossistemas de várzea e de terra firme na Amazônia brasileira. Adotei uma abordagem histórica e etnográfica para examinar como relações de poder e práticas sociais mediaram a articulação da vida social ao regime de cheias e vazantes. A área eleita para a realização da pesquisa foi a região do Lago Grande, localizada no município de Santarém-PA. Questionei se seria possível, na atualidade, enxergar nas relações entre os segmentos sociais que coabitam a região do Lago Grande continuidades e rupturas com as relações de poder herdadas do período colonial e como tais relações poderiam estar intervindo na circulação humana entre os dois ecossistemas. Conclui-se que as várzeas ainda são controladas por segmentos das elites locais, formadas por proprietários de terras e gado. Estes fundaram seu poder no período colonial e lentamente comandaram o processo de ampliação dos sistemas de uso da terra para os interiores da terra firme. Desde 1950, a principal atividade econômica a impulsionar esta expansão tem sido a pecuária, por meio da prática da transumância. Entre os diversos fatores que sustentam a circulação sazonal entre a várzea e a terra firme pela população local, a transumância recebeu atenção especial da pesquisa. Três instituições comandam a atividade pecuária e logo sustentam a transumância: as ―sociedades‖, as permissões e os arrendamentos. As ―sociedades‖ entre grandes e pequenos criadores sustentam o crescimento da pecuária, atividade que muito mais do que uma simples poupança é sinônimo de prestígio e oportunidade de acesso regular a várzea. A criação de um projeto de assentamento agroextrativista em 2005, o PAE Lago Grande, anexou apenas a faixa de terra firme da região do Lago Grande, deixando as várzeas de fora. Por fim, considera-se que a circulação realizada entre as populações regionais entre os dois ecossistemas, de maneira geral, e a transumância, em particular, não vem sendo levada em consideração nas políticas de ordenamento territorial na Amazônia.Tese Acesso aberto (Open Access) Mudanças de uso da terra em paisagens agrícolas com palma de óleo (Elaeis guineensis Jacq.) e implicações para a biodiversidade arbórea na Amazônia Oriental(Universidade Federal do Pará, 2015-09-30) ALMEIDA, Arlete Silva de; VIEIRA, Ima Célia Guimarães; http://lattes.cnpq.br/3761418169454490A expansão da palma de óleo na Amazônia está associada a uma série de políticas públicas, e tem provocado mudanças econômicas e ecológicas na região, desafiando a sociedade brasileira a monitorar o seu cultivo em larga escala e estabelecer as bases sustentáveis de sua expansão na região. Os municípios do "polo do dendê" no Pará, como Moju, intensificaram o cultivo dessa palmeira e sofreram intensas alterações nos seus ecossistemas naturais. Além disso, a sua expansão vem desafiando o paradigma da sustentabilidade, a partir de conflitos socioambientais e substituição da agricultura de subsistência pela palma. Pouco se sabe sobre as consequências que uma monocultura em grande escala poderá causar no ambiente amazônico. Para acompanhar essa nova dinâmica produtiva com palma de óleo, são necessários estudos interdisciplinares que contribuam para identificar as mudanças socioambientais associadas à nova frente agrícola com dendezeiro. Neste contexto, este estudo tem como objetivo geral analisar os conflitos, as mudanças, e as trajetórias de usos da terra, assim como o valor de conservação da biodiversidade das plantações de dendezeiro e de outros usos da terra predominantes na região de Moju, no leste do Pará. O trabalho está organizado em cinco capítulos. O primeiro trata da contextualização da pesquisa e os próximos capítulos (quatro) estão pautados nos seguintes objetivos específicos: a) analisar os conflitos de uso da terra em Áreas de Preservação Permanente - APPs, de acordo com o Código Florestal Brasileiro de 2012; b) mapear e quantificar os tipos de cobertura e uso da terra em 2013 em três recortes espaciais da região (Ubá, Arauaí e Mamorana), onde a implantação do cultivo da palma de óleo está presente; c) capturar a variabilidade espaço-temporal nas mudanças de trajetórias na paisagem dessa região, de 1991 a2013, e identificar o efeito das mudanças no uso da terra na estrutura da paisagem e d) investigar a variação na riqueza de espécies de árvores e estoque de carbono entre diferentes coberturas vegetais e usos da terra predominantes nessa região. Para o estudo dos conflitos em APPs no município de Moju, foram utilizadas 29 imagens multiespectrais de alta resolução do satélite RapidEye de 2010. Os resultados mostram que a área destinada legalmente à preservação permanente (APP) em Moju é de 47.357,06 ha, que representa 5,21% da área municipal. As APPs com vegetação natural representam 68,60% do município e cerca de 28% dessas APPs tem uso em desacordo com a legislação vigente. Há predominância de pastagem em 15,6% das APPs e apenas 0,63% das APPs é ocupada com palma de óleo. De acordo com o Código Florestal brasileiro de 2012, 60,69% das APPs não sofrerão recomposição. Para a análise da cobertura vegetal e usos da terra em 2013, nas três áreas selecionadas (Ubá, Arauaí e Mamorana) usou-se imagens do satélite Landsat-8 ano de 2013, e a classificação foi realizada através do método árvore de decisão. O desempenho geral da classificação foi de 0,87% (Ìndice Kappa). Os resultados apontam maior extensão de florestas primárias em Mamorana, área no início da implementação do cultivo da palma de óleo, e a agropecuária como uso da terra mais expressivo nas três áreas analisadas. Em relação às análises das mudanças e trajetórias de cobertura e uso da terra e os efeitos na estrutura da paisagem, foram utilizadas para classificação, imagens do satélite Landsat TM-5 para os anos de 1991, 1995, 2001, 2005 e 2010, e Landsat-8 para o ano de 2013, com o uso do método árvore de decisão, através dos programas ImgToos, ENVI e ArcGis. A análise da estrutura da paisagem foi realizada através das métricas de paisagem usando o programa Fragstats v. 3.3. A classificação obteve desempenho geral de 0,87% para o índice Kappa. No período de 1991 a 2013 a conversão da floresta primária para outros usos ocorreu em uma proporção de 47,82%, enquanto a floresta degradada (17%) e a palma de óleo (11%) apresentaram o maior aumento de ocupação em 2013. Ressalte-se que a transição de floresta primária para a palma de óleo foi de 20% nos 22 anos em estudo, o que ocasionou um PD (índice de densidade de fragmentos) com valores consideráveis, alcançando um patamar de 0,3 a 4,5 (n° de manchas/100 ha). Essas conversões definem a intensidade de fragmentação da floresta primária. Quanto aos padrões da biodiversidade e estoque de carbono em florestas e nos diferentes usos da terra, incluindo a palma de óleo, foi realizado o levantamento florístico para árvores maiores ou iguais a 2 cm de DAP em cada tipo de cobertura/uso analisado. Em toda a amostragem (8,55 ha) foram registrados 5.770 indivíduos arbóreos, distribuídos em 425 espécies e 74 famílias. A floresta primária apresentou estoque de carbono superior a 80 Mg/ha, enquanto que palma de óleo, pastagem e florestas secundárias apresentaram valores inferiores a 50 Mg/ha, observando que a palma de óleo retém comunidades empobrecidas de árvores, sendo sua composição de espécies inferior à pastagem, enquanto que o estoque de carbono é superior. Nos 22 anos avaliados neste estudo ficou evidenciado que a cobertura de floresta primária alcançou valores menores que 30%, o que caracteriza perda de cobertura em patamares críticos para a conservação.Tese Acesso aberto (Open Access) Mudanças de uso e cobertura da terra e as perspectivas da abordagem nexus água, alimento e ecossistemas em bacias hidrográficas costeiras do Nordeste Paraense, Amazônia Oriental(Universidade Federal do Pará, 2024-02-23) DUTRA, Vitor Abner Borges; TOLEDO, Peter Mann de Toledo; http://lattes.cnpq.br/3990234183124986; LIMA, Aline Maria Meiguins; http://lattes.cnpq.br/6572852379381594; https://orcid.org/0000-0002-0594-0187A Amazônia vem ganhando cada vez mais os holofotes globais, apesar de sofrer cronicamente a massiva destruição dos seus ecossistemas. Nesse contexto, esta tese se debruçou sobre a pergunta “em que medida as mudanças de uso e cobertura da terra poderão modificar as paisagens das bacias hidrográficas na Amazônia Oriental até 2030 e como essas alterações implicam no alcance das metas ambientais de promoção do desenvolvimento sustentável?”. Assim, foram elaborados três artigos científicos, onde os dois primeiros trataram das alterações espaço-temporais da região no passado recente e futuro próximo, e o terceiro concebeu uma abordagem Nexus integrada de indicadores de água, alimento e ecossistemas, alinhados às políticas ambientais vigentes. No primeiro artigo, avaliou-se a dinâmica das paisagens de três bacias hidrográficas entre 1985 e 2019. Os resultados revelaram uma significativa conversão de floresta para pastagem de aproximadamente 1.000 km², com aumento de fragmentos florestais de 2547 para 6604, ressaltando a importância de medidas de conservação e recuperação da vegetação para a manutenção dos ecossistemas locais. No segundo artigo, foram realizadas simulações de cenários futuros de cobertura da terra para a região, com ênfase ao desmatamento e às suas emissões de gases de efeito estufa, sob três cenários hipotéticos. Os resultados indicaram que, independentemente do cenário, a região poderá enfrentar um aumento expressivo de desmatamento e emissões até 2030, com variação de desmatamento de 90 mil hectares a 125 mil hectares, e respectivas emissões de gases de efeito estufa entre 3,67% e 5,09% do total de emissões do estado do Pará, destacando a urgência de efetivação de políticas de conservação e recuperação da vegetação nativa. No terceiro artigo, explorou-se a interconexão de indicadores de água, alimento e ecossistemas, sob o pano de fundo dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 e do Plano Estadual Amazônia Agora. Identificaram-se desafios, como baixa conformidade ambiental e elevada pressão sobre recursos hídricos e florestais. Porém, também foram identificadas oportunidades de melhorias, como o incentivo à adoção de SAFs, à recuperação de APPs hídricas e ao uso de culturas pujantes da bioeconomia amazônica, pois podem se desdobrar em melhorias socioeconômicas e ambientais na região. Em resumo, os estudos demonstraram a complexidade das mudanças ambientais na Amazônia Oriental e a importância de uma abordagem integrada para enfrentar os desafios prementes. Para uma experiência exitosa, as ações devem ser coordenadas entre governos, comunidades locais e demais partes interessadas, de modo a garantir a conservação dos ecossistemas locais e o bem-estar das atuais e futuras gerações. análise espaço-temporal; ecossistemas amazônicos; dinâmicas socioambientais; modelagem ambiental; políticas públicas.Tese Acesso aberto (Open Access) O papel de espécies arbóreas e fatores edáficos na variação espacial do sistema serapilheira em uma floresta de terra firme na Amazônia: conhecimento e perspectivas para a conservação(Universidade Federal do Pará, 2020-11-13) QUEIROZ, Maria Elisa Ferreira de; LAVELLE, Patrick; http://lattes.cnpq.br/5850683517396587; VASCONCELOS, Steel Silva; http://lattes.cnpq.br/0719395243841543; https://orcid.org/0000-0003-2364-8822A floresta ombrófila densa, também conhecida como floresta pluvial tropical, é uma formação que apresenta grande complexidade na composição, distribuição e densidade de espécies e ocupa boa parte da Amazônia brasileira. Na região, as diferenças entre comunidades de plantas e animais formam um mosaico dividido em oito áreas ou centros de endemismo, separadas pelos principais rios, com biota e relações evolutivas próprias, sendo três delas (Belém, Xingu e Tapajós) totalmente brasileiras. O centro de endemismo Belém é o mais ameaçado pelo desmatamento e investigações locais de pequena escala são fundamentais para se compreender os efeitos deste distúrbio sobre o funcionamento da floresta. A decomposição da serapilheira é um dos fatores chave deste funcionamento e ocorre em uma sequência hierárquica de processos de interação mediados por fatores climáticos (temperatura e umidade), propriedades físicas do solo, limitações químicas relacionadas às fontes de recursos e a regulação biológica (micro e macroorganismos). Nesta pesquisa, descobriu-se que sensíveis mudanças na estrutura de uma floresta primária ameaçada pelo crescimento urbano, causadas pela intensidade da dinâmica natural de sucessão, alteraram a morfologia do sistema serapilheira, uma vez que a competição dos organismos por nutrientes depauperou o solo durante a regeneração de áreas afetadas por queda de árvores. Desta forma, as condições físico-químicas do solo florestal se tornaram um filtro seletivo de espécies arbóreas e os fatores majoritários na hierarquia de decomposição, uma vez que a temperatura e umidade tiveram pouca variação no sistema. Na sequência, folhas de espécies arbóreas específicas do sistema serapilheira, que formaram uma estrutura mais fina, determinaram a diversidade de fungos saprotróficos positivamente relacionados a melhor qualidade destas folhas e do solo. Inversamente, onde a morfologia de serapilheira foi mais espessa e estruturada, houve um aumento na diversidade da macrofauna de transformadores de serapilheira, em detrimento das populações de minhocas, que preferiram folhas e solo de maior qualidade. As interações solo-planta-decompositores são indicadoras da velocidade de decomposição em sistemas serapilheira, com consequente formação de mosaicos de manchas de serapilheira com dinâmicas distintas de decomposição. Assim, locais onde funcionamento da serapilheira foi classificado como Mesomull ou Oligomull foram caracterizados por manter solos com alto teor de carbono disponível e boa capacidade de troca catiônica. Sistemas de serapilheira do tipo Mull são sensíveis a variações na qualidade de solo e atividade de minhocas. Isso explicou a mudança para o sistema serapilheira do tipo Dysmull nas áreas com folhas grandes, caracterizado por baixa disponibilidade de nutrientes, conforme se confirmou nos solos destes locais, embora um funcionamento lento possa indicar um estado conservativo de matéria orgânica. A metodologia se mostrou favorável para prever mudanças em diferentes escalas que possam afetar a restauração de florestas.Tese Acesso aberto (Open Access) Percepção ambiental sobre mudanças climáticas em comunidades costeiras na Amazônia, ameaças ao bem-estar e sobrevivência local: um estudo na Reserva Extrativista Marinha de Soure, Pará, Brasil(Universidade Federal do Pará, 2023-08-04) ASSIS, Davison Marcio Silva de; MARTINS, Ana Cláudia Caldeira Tavares; http://lattes.cnpq.br/6547250062275801; https://orcid.org/0000-0003-4972-036X; GODOY, Bruno Spacek; http://lattes.cnpq.br/4036516695601666; https://orcid.org/0000-0001-9751-9885As mudanças climáticas, fenômeno global que tem produzido sérias consequências aos ecossistemas, vêm afetando em larga escala a natureza e as populações humanas que vivem e dependem dos seus bens e serviços, e as áreas costeiras por estarem mais expostas os efeitos desse fenômeno vêm sendo impactadas a taxas sem precedentes. A diminuição nos benefícios prestados por essas áreas afeta diretamente o modo de vida das populações humanas ali estabelecidas, as quais construíram uma relação de dependência com a natureza e seus recursos. A Reserva Extrativista Marinha de Soure, localizada na costa da Amazônia Oriental, caracterizase por compreender uma área composta por três comunidades tradicionais que apresentam um modo de vida pautado na relação sustentável e de subsistência com a natureza. Apesar de inseridas em uma Unidade de Conservação e apresentarem práticas sustentáveis, os efeitos das mudanças climáticas podem figurar sérias ameaças. Neste contexto, este trabalho, que se caracteriza como uma pesquisa interdisciplinar, levantou percepções sobre as mudanças climáticas e buscou compreender à luz dessas percepções, como os moradores associam alterações no fluxo de bens e serviços ecossistêmicos costeiros a este fenômeno. As percepções levantas revelam o alto nível de concordância para a ocorrência das mudanças climáticas. Embora as comunidades apresentem práticas sustentáveis de uso e manejo com dos recursos, as percepções apontam que os efeitos globais das mudanças climáticas podem ser sentidos em escala local, afetando a provisão dos recursos da natureza. As percepções são moldadas, pela idade, tempo de residência e pelo grau de dependência dos bens e serviços do ecossistema costeiro, resultando que as pessoas com a idade mais avançada, residentes a mais tempos nas comunidades, com maior dependência dos recursos, são as que apresentam as maiores percepções. Essas variáveis que explicam os níveis de percepções encontrados, reforçam que sua construção possui base nos saberes tradicionais, os quais são fruto da intensa relação da natureza e seus recursos, resguardando a história, a cultura e identidade dos povos locais.Tese Acesso aberto (Open Access) Soluções baseadas na resiliência da natureza: modelo sustentável resiliente aplicado aos resíduos sólidos urbanos(Universidade Federal do Pará, 2023-07-10) ROSALES MENDONZA, Ronaldo; LIMA, Aline Maria Meiguins de; http://lattes.cnpq.br/6572852379381594; https://orcid.org/0000-0002-0594-0187A destinação final dos Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) é um dos grandes problemas mundiais de poluição do meio ambiente, cresce na medida em que cresce a população mundial exponencialmente relacionado com o acesso aos serviços públicos. A inspiração nasce da característica resiliente da natureza, nesse poder transformador dos materiais no estado de decomposição em novos produtos e serviços ecossistêmicos, e considerando o desenvolvimento da política, na normativa e a vontade dos atores, se propõe o modelo de Aproveitamento dos Materiais Contidos nos Resíduos Sólidos nas Cidades. A cenarização de aplicação do modelo feita na Região Metropolitana de Belém do Pará/Brasil no período 1990-2020 e projetada até 2050, aplicando a estatística multivariável aos dados e informações do IBGE e IPEA. Os resultados mostram que mais do 95% dos materiais com destino ao lixão, acabam permanecendo nas ruas, nos canais, nos rios, no mar e outros destinos ilegais, poderiam se recuperar para criar uma circularidade de uso e consumo, impactando favoravelmente a sociedade, a economia e a natureza. A abordagem e feito pelo terceiro método de pesquisa científica (abdutivo) usado pelo Aristóteles, Platão e Hermógenes, consiste em que o objeto estudo e sometido à análise dos dados qualitativo e quantitativo desde todas as óticas possíveis, ou pelo menos, pelas mais exequíveis das ciências positivas, duras e sociais, usando de maneira operativa resultados indutivos e dedutivos para gerar um possível bem universal que incentiva novas pesquisas e perguntas a resolver. Diante a premissa de que o poder aquisitivo é o principal motor de produção dos resíduos, foi testada a afirmação mediante a análise quantitativo e qualitativo, a base de dados numéricos da OECD da administração e tratamento dos resíduos ordinários no período 1960-2050 e do Banco Mundial, especificamente, da família de indicadores do Desenvolvimento Sustentável no período 1990-2020 foi processada usando o software de IBM-SPSS Statistics, no caso dos dados textuais correspondem a 2074 resumos de artigos acessos pela base de dados SCOPUS no período 1996-2020, processados pelo software IRaMuTeQ. Foi determinado o índice ajustado dos Resíduos Ordinários (RO) com o valor de 0,93 kg equivalente a metros cúbicos por pessoa por dia para a produção de lixo tratado e administrado pelos municípios, ele facilita a imediatez no cálculo para qualquer cidade, região, país e o mundo. Assim mesmo, foi identificado o acesso ao serviço de aparelho celular como o indicador numérico que pode explicar o desenvolvimento da humanidade e sua relação com a produção de resíduos, concordando com o resultado da análise de textos que apresentam a tecnologia de comunicação como o fator de desenvolvimento humano e geração dos resíduos. Unindo os resultados é possível lê: o que as tecnologias de comunicação representadas pelo aparelho celular podem explicar o desenvolvimento da humanidade em consequência a geração dos resíduos e vice-versa. A correlação entre os resíduos sólidos urbanos, os catadores e os Objetivos de Desenvolvimentos Sustentável têm um indicador comum que pode ser usado no monitoramento e seguimento das propostas, soluções e ações que acrescentam as possibilidades e oportunidades da melhoria contínua da população com alto grau de vulnerabilidade e a administração adequada dos materiais contidos nos resíduos, especialmente, os sólidos, o indicador é o emprego verde, o mesmo, facilita o controle da avaliação e valorização de toda a cadeia de valor. O modelo é construído a partir do padrão das práticas adequadas de ARSU no mundo, e a inserção dos produtos no mercado impactando assim a dinâmica social-econômicaambiental, por enquanto, recomendasse realizar as gestões políticas, legais, e administrativas para seu financiamento e implementação para resolver assim o problema transgeracional dos resíduos na Região Metropolitana de Belém e outros municípios servindo de exemplo ao mundo.
