Teses em História (Doutorado) - PPHIST/IFCH
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/6869
O Doutorado Acadêmico iniciou-se em 2010 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em História (PPHIST) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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Navegando Teses em História (Doutorado) - PPHIST/IFCH por Linha de Pesquisa "ARTE, CULTURA, RELIGIÃO E LINGUAGENS"
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Tese Acesso aberto (Open Access) Arte, Belém, do abstracionismo à visualidade Amazônica (1957-1985): transições movediças e tensões globais(Universidade Federal do Pará, 2019-04-30) COSTA, Gil Vieira; FIGUEIREDO, Aldrin Moura de; http://lattes.cnpq.br/4671233730699231Esta pesquisa trata das artes visuais no campo artístico especializado em Belém, especialmente no período compreendido entre 1957 e 1985. Esse período marca, na cidade, o contato e a absorção de valores e práticas das correntes artísticas internacionalistas, como o abstracionismo modernista, as vanguardas pós-modernas e a chamada arte contemporânea. O modo como o campo local estabeleceu relações de abertura e fechamento a essas correntes é estudado a partir das teorias da colonialidade. Habitualmente, as décadas de 1960 e 1970 são vistas como o momento em que a arte contemporânea se estabeleceu mundialmente, por isso essa tese pode ser entendida como uma narrativa de ‘história da arte contemporânea’. Em Belém, a consolidação desse paradigma artístico foi vivenciada a partir de transições movediças – lentas, descontínuas e vacilantes – em que houve uma evidente disputa entre valores globais e práticas locais. As tensões entre ‘global’ e ‘local’, na arte produzida na cidade nesse período, condicionaram o surgimento de projetos artísticos importantes e ainda pouco conhecidos e debatidos. Para muitos desses projetos, as ideias e imagens de Amazônia eram componentes fundamentais – tema que pode acrescentar novas informações e abordagens ao debate sobre ‘arte brasileira’ naquelas décadas.Tese Acesso aberto (Open Access) Correndo o risco: Belém do Pará na charge de Biratan Porto no ocaso da ditadura (1978-1985)(Universidade Federal do Pará, 2024-08-26) OLIVEIRA, Walter Pinto de; FIGUEIREDO, Aldrin Moura de; http://lattes.cnpq.br/4671233730699231Em quais condições a ditadura civil-militar entregou Belém do Pará ao período de redemocratização? Como a sociedade civil reagiu à violência e à exclusão das políticas ditatoriais? Estas duas indagações perpassam este estudo que tem por objetivo depreender a situação da então principal capital da Amazônia nos sete últimos anos do governo militar, período chamado de abertura, mas que, apesar de sugerir abrandamento político, carregou consigo sinais do autoritarismo que caracterizou os 21 anos de duração do regime. A partir das charges do cartunista Biratan Porto este estudo se propõe responder àquelas questões, conforme as ferramentas metodológicas da História Social da Arte. Passados quarenta anos dos acontecimentos, o humor crítico do artista oferece uma leitura alternativa ao noticiário da imprensa, então comprometida com a ditadura. Na tecitura analítica que faz daquele período, a charge de Biratan projeta uma perspectiva singular sobre resistência popular e sugere a substituição de um clientelismo autoritário por um outro, democrático, mas ainda assim, clientelismo.Tese Acesso aberto (Open Access) Da névoa flamenga à claridade tropical: percursos e pinceis de Georges Wambach na Amazônia em tempos de guerra e paz (1935 – 1965)(Universidade Federal do Pará, 2023-11-23) ALMEIDA, Tunai Rehm Costa de; FIGUEIREDO, Aldrin Moura de; http://lattes.cnpq.br/4671233730699231Esta tese tem como finalidade compreender a posição que Wambach ocupou no disputado cenário artístico brasileiro e pensar vida e carreira quando de sua passagem em solo brasileiro, destacando sua estada em Belém. O recorte no tempo adotado se inicia com a chegada do artista no país, em 1935, até o ano de seu falecimento em 1965. Utilizando as imagens como principal documentação, em especial os quadros pintados pelo artista, o trabalho leva em consideração as motivações do pintor, mas também daqueles que as financiaram. Com o apoio da literatura e dos jornais da época, além da documentação do poder público, há o acompanhamento da recepção dos trabalhos de Georges Wambach, de seus jogos de interesses, de suas relações e das tensões desenvolvidas ao longo de sua trajetória no Brasil e, em especial, na Amazônia.Tese Acesso aberto (Open Access) Do Grão-Pará à Amazônia: a invenção da região amazônica frente à centralização do Império brasileiro(Universidade Federal do Pará, 2023-07-27) SANTOS, Roberg Januário dos; SANJAD, Nelson Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/9110037947248805; https://orcid.org/0000-0002-6372-1185Esta tese de doutorado aborda a emergência da Amazônia como um recorte regional na nação brasileira durante a segunda metade do século XIX, sendo delineada, em grande medida, no campo político, sem perder de vista o intercâmbio de ideias, imagens e práticas à época relacionadas à economia local. Esta tese de doutorado se baseia nas contribuições teóricas da História dos Conceitos, implicando pensar na desnaturalização dos nomes e nos significados que eles assumem ao longo do tempo. Compôs o corpus documental desta tese uma gama de fontes históricas, merecendo destaque para os anais do Parlamento brasileiro. Este trabalho contribui para a compreensão da história do Brasil a partir da diferenciação regional e das relações de força entre o Império/Governo Central e as elites políticas ditas regionais, sobretudo as amazônicas. A partir do Segundo Reinado, intensificou-se o movimento para que as elites da Corte assumissem considerável peso político e econômico no cenário brasileiro, acompanhadas, por sua vez, pelas elites políticas baianas e pernambucanas, acarretando uma maior acentuação da diferenciação regional no país. Por outro lado, nas províncias banhadas pelo rio Amazonas, a economia da borracha ampliava-se em um contexto de reorganização política das elites após a Cabanagem. O cenário político e econômico criou a ambiência para que as elites amazônicas gestassem um regionalismo político em prol de seus interesses, de maneira a canalizar a percepção de “atraso” da região para a falta de atenção do Governo Central e de alcançar maior influência na política nacional, tida pelas províncias do Norte, inclusive as amazônicas, como dominada pelos interesses das províncias do Sul. Defendemos que esse movimento, perceptível a partir da década de 1870, acarretou novas configurações regionais e incentivou a construção de uma identidade política, expressa, principalmente, na substituição do nome pelo qual a região era identificada até então – Grão-Pará – por um novo nome: Amazônia. O argumento principal desta tese é o de que o regionalismo político das províncias banhadas pelo rio Amazonas, frente à centralização administrativa do Império brasileiro e em diálogo com as ideias da época, contribuiu decisivamente para a emergência da Amazônia como região diferenciada em termos territoriais, políticos e culturais.Tese Acesso aberto (Open Access) Entre a nação e a região: os Institutos Históricos e Geográficos do Pará e do Amazonas na escrita da História do Brasil, a partir da Amazônia (1917-1953)(Universidade Federal do Pará, 2023-12-15) BARROS, Lucilvana Ferreira dos Santos; RICCI, Magda Maria de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4368326880097299; FIGUEIREDO, Aldrin Moura de; http://lattes.cnpq.br/4671233730699231Esta tese de doutorado busca analisar a atuação dos Institutos Históricos e Geográficos do Pará e Amazonas e de seus membros na construção do campo historiográfico da Amazônia e sua integração à História do Brasil no contexto de 1917 a 1953, com vistas a compreender as intenções, estratégias e o contexto histórico em que esse campo funcionou, sobretudo na relação região e nação. Investigamos, a partir das revistas dos Institutos Históricos, estatutos, atas, cartas, correspondências, artigos de jornais, relatórios e os anais dos Congressos de História Nacional realizados pelo IHGB, obras, capítulos e artigos, a atuação dos institutos históricos e seus historiadores na construção do campo historiográfico regional. Teórico-metodologicamente, esta tese se baseia na teoria dos campos de Pierre Bourdieu, especialmente o conceito de Campo Intelectual e sua articulação com o Campo do Poder. A leitura inicial dos documentos e o aparato teórico e metodológico nos possibilitaram compreender a construção de um regionalismo histórico, disseminado por meio das publicações, do envio e recebimento de correspondências, participações em eventos, entre outros mecanismos, que privilegiavam acontecimentos, personagens e narrativas da história da Amazônia, especialmente as origens da região, as efemérides locais, regionais e nacionais, a biografia de nomes considerados exemplares, a economia amazônica, a história das cidades e dos estados, a cultura e a terra da Amazônia, dentre outros. A argumentação principal desta tese volta-se para demonstrar que a partir da formação de um campo historiográfico regional não ocorreu um processo de fechamento desse campo em torno da história da Amazônia, mas sim um processo de escrita da História do Brasil a partir da Amazônia. Assim, esta tese busca demonstrar que a História do Brasil não foi escrita unicamente sobre os desígnios do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), mas foi também escrita a partir dos espaços regionais a partir da zona de contato entre a instituição matriz e suas congêneres, sobretudo em função das lutas de representações e negociações da intricada relação entre região e nação, vista a partir da historiografia.Tese Acesso aberto (Open Access) Entre o TIbre e o Amazonas: a romanização serpenteia a igreja de Manaus (1916-1958)(Universidade Federal do Pará, 2023-09-11) SOARES, Elisângela Socorro Maciel; NEVES, Fernando Arthur de Freitas; http://lattes.cnpq.br/1491729914353266A tese intitulada “Entre o Tibre e o Amazonas: a romanização serpenteia a Igreja de Manaus (1916-1958)” apresenta um resgate histórico da trajetória da Diocese/Arquidiocese de Manaus, partindo da inquietação da relação Igreja/Estado, das ações do Episcopado e do Laicato durante a segunda e a terceira fases do processo de romanização, projeto que ganhou mais força durante o Papado dos Pios, aqui enfatizado nos governos de Pio XI (1922-1939) e Pio XII (1939-1958). As ações romanizantes são aqui visualizadas, em três capítulos, na administração do Episcopado dirigente da Igreja de Manaus, nas suas três fases diocesanas, sendo a primeira apresentada de forma introdutória, e na primeira fase arquidiocesana: Dom José Lourenço da Costa Aguiar (1894-1905) e Dom Frederico Benício de Sousa Costa (1907-1913), a primeira Fase do Episcopado; Dom João Irineu Joffily e Dom Frei Basílio Manuel Olímpio Pereira (1926 -1941), a segunda Fase do Episcopado; Dom João da Mata Andrade e Amaral (1941-1948) e Dom Alberto Gaudêncio Ramos (1949-1952), a terceira Fase do Episcopado; sendo este último elevado a Arcebispo pela mesma bula de elevação de Manaus a Arquidiocese, em 1952, constituindo a primeira fase arquidiocesana, até o início de 1958. O último capítulo, traz a outra face eclesiástica da Diocese/Arquidiocese, em consonância com o Episcopado e com as diretrizes da Santa Sé, o laicato, que assume um protagonismo diferenciado nesse período recortado pela tese, e, que no casso da Igreja de Manaus, foi dado visibilidade, para as duas de maior atuação: a Pia União das Filhas de Maria, com liderança expressiva de 1913 até a década de 1930; e a Ação Católica, que assumiu a liderança das associações católicas desta década em diante, e com seus setores atingindo diversas instâncias da sociedade. Assim, as duas faces eclesiais que compõem a Igreja de Manaus, são apresentadas historicamente, dentro do recorte, da problematização e do contexto trazidos por esta tese.Tese Acesso aberto (Open Access) Jazzes e Banguês: um estudo sobre a música e a sociedade do Baixo Tocantins (1940 – 1970)(Universidade Federal do Pará, 2025-01-17) SINIMBÚ, Renato Pinheiro; COSTA, Antonio Maurício Dias da; http://lattes.cnpq.br/2563255308649361; https://orcid.org/0000-0002-0223-9264A pesquisa tem como objetivo explorar a interação entre música, cultura e sociedade na região do Baixo Tocantins, Pará, entre 1940 e 1970. Para isso, focaliza duas formações musicais locais: os Jazzes, com influência cosmopolita e ligada à modernidade, e os Banguês, marcados pela tradição rural e comunitária. O estudo busca demonstrar como essas práticas musicais coexistiam e dialogavam em um contexto de transformações sociais e econômicas, incluindo o advento do rádio. Os Jazzes, originados em influências norte-americanas, representavam o entretenimento moderno e eram associados às elites locais. Já os Banguês incorporavam instrumentos e ritmos artesanais, relacionados às festividades religiosas e à tradição afrodescendente. Contudo, apesar de possuírem características contrastantes, ambos contribuíram para a construção de uma identidade musical única, refletindo tensões entre modernidade e tradição. Utilizando a história oral, análise documental e comparativa, esta tese também busca discutir o papel da música na formação de hierarquias sociais, nos espaços de lazer e na inclusão de músicos negros na sociedade local. Por último, enfatiza que a música foi um elo entre o rural e urbano capaz de promover negociações culturais e transformações identitárias que caracterizaram a história social da região.Tese Acesso aberto (Open Access) O lápis endiabrado: adrelino cotta e a caricatura em Belém do Pará nos anos 20(Universidade Federal do Pará, 2018-11-29) CASTRO, Raimundo Nonato de; FIGUEIREDO, Aldrin Moura de; http://lattes.cnpq.br/4671233730699231A cidade de Belém, dos anos de 1920, carregava no imaginário da sua população a ideia de que a urbs era marcada por seus aspectos “modernos”. E o palco ideal para reforçar esse imaginário foi as páginas dos periódicos e semanários que circularam na capital do Pará nas primeiras décadas do século XX. Justamente neste cenário que a figura de Andrelino Cotta conseguiu construir, com as suas análises, imagens que foram capazes de questionar a maneira como a Belém “moderna” era vista diante dos diversos problemas vividos na capital paraense. Com as representações caricaturais, por exemplo, os periódicos tinham as armas capazes de conduzir as interpretações no processo de formação simbólica, criando estereótipos, os quais buscavam representar a cidade. Nos jornais e revistas construíram representações as mais diversas, como as de caráter humorísticas que eram marcadas pelos aspectos breves, concisos, trucados, rápidos e revertidos de significados, demonstrando certa familiaridade. Nesse aspecto de disputa ideológica, os intelectuais, mostraram-se atuantes no circuito editorial, em especial, os humoristas destacaram-se por construir pelo lápis a produção artística recheada de dupla interpretação.Tese Acesso aberto (Open Access) O meio-tom do sensível: criação, crítica e relações artísticas na pintura de Manoel Santiago (1920-1938)(Universidade Federal do Pará, 2023-12-07) SILVA NETO, João Augusto da; FIGUEIREDO, Aldrin Moura de; http://lattes.cnpq.br/4671233730699231A tese discute a arte do pintor amazonense Manoel Santiago e a crítica artística sobre suas obras. A abordagem pretendida está diretamente ligada aos desdobramentos teórico-metodológicos referentes às experiências de críticos e artistas, bem como as suas diferentes demandas, apropriações e entendimentos sobre a arte. Nesses termos, é feita uma análise das condições de criação artística de Santiago a partir de seu entendimento sobre arte e de suas interações sociais e artísticas durante sua atuação no Rio de Janeiro entre os anos 1920 e 1938. Ao longo de sua trajetória artística, Manoel Santiago moldou percepções a seu respeito, estabelecendo certa individualidade artística. Em vista disso, destaco a posição que o pintor assumiu no cenário artístico, enfatizando suas escolhas e práticas artísticas como estratégias deliberadas para afirmar-se como artista, aliciando o gosto por suas pinturas. Várias críticas publicadas em jornais, livros e revistas são analisadas com o objetivo de compreender as interações do pintor e a percepção sobre suas obras, com destaque para a relação entre sensibilidade e os usos da cor. É defendida a tese de que a ideia sobre arte e o processo de criação artística de Santiago se desenvolveu a partir de interesses e relações dentro dos mundos da arte, nos quais tanto o próprio pintor quanto os críticos colaboraram para construir determinada imagem e reputação artística.Tese Acesso aberto (Open Access) Pela margem da cidade: lazer, sociabilidades e controle social no subúrbio belenense em meados do século XX(Universidade Federal do Pará, 2024-02-23) GOMES, Elielton Benedito Castro; COSTA, Antonio Maurício Dias da; http://lattes.cnpq.br/2563255308649361; https://orcid.org/0000-0002-0223-9264Esta é uma pesquisa situada no campo da história social da Amazônia. Seu foco são as experiências de lazer e sociabilidade dos moradores de bairros suburbanos de Belém do Pará, em meados do século XX, especificamente nos bairros do Guamá, da Condor e do Jurunas, os três contíguos e localizados à margem do rio Guamá. Além das práticas e percepções dos moradores no campo do lazer e da sociabilidade, destacam-se também as ações de agentes de segurança pública dedicados ao controle e à repressão aos modos pelos quais os habitantes fruíam e participavam dos eventos de lazer e entretenimento por eles promovidos. As fontes históricas consultadas foram recortes jornalísticos – disponíveis para pesquisa em bibliotecas e arquivos públicos de Belém –, crônicas e romances de caráter memorialístico que produzem versões sobre a cidade do passado, bem como relatos orais de homens e mulheres que viveram na capital paraense em meados do século XX e experimentaram nesse período, aos seus modos, no quadro urbanístico e no contexto sociocultural, a efervescência da vida urbana em festas de santo, cabarés, terreiros juninos, agremiações carnavalescas, casas de festas dançantes, dentre outros.Tese Acesso aberto (Open Access) A preservação ancestral: a mobilização indígena pelo patrimônio arqueológico(Universidade Federal do Pará, 2023-08-31) ANDRADE, André Luis dos Santos; ARENZ, Karl Heinz; http://lattes.cnpq.br/0770998951374481O objetivo dessa tese é mostrar como a luta contemporânea dos povos indígenas pelo patrimônio arqueológico, está diretamente relacionada a exclusão histórica que os mesmos vivenciaram no processo de formação do Brasil. Para tanto partimos da análise das ações das etnias Apiaká, Munduruku e Kayabi, que entre os anos de 2010 e 2019 reivindicavam o direito à posse de doze urnas funerárias dos seus ancestrais, que foram retiradas do seu local sagrado por conta da construção da hidrelétrica Teles Pires e ficaram guardadas no Museu de Alta Floresta (MT). Sua disputa pelo direto às urnas está no escopo de uma luta mais ampla: o direito a seu modo de preservar o patrimônio arqueológico. Dessa maneira, em diferentes manifestos e entrevistas, indígenas questionam como foi e é pensada a preservação do patrimônio cultural no Brasil. Por isso, esse estudo também investiga como, a partir da criação SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico Artístico Nacional), em 1937, são estabelecidos marcos temporais e conceituais acerca da origem da política de preservação e do patrimônio cultural. No recorte proposto pelo primeiro diretor do SPHAN, Rodrigo Melo Franco de Andrade, a genuinidade do Brasil estaria na arte barroca e na arquitetura colonial, pois seriam produções de uma civilização com “superioridade técnica”. Esse entendimento, contudo, não era consenso entre os intelectuais que davam relevância ao patrimônio arqueológico. No âmbito dessa disputa subjacente em torno das hierarquias do patrimônio, construíram-se silenciamentos historiográficos, em relação à importância dos Museus, e sociais, na exclusão dos indígenas no processo de formação das coleções arqueológicas e etnográficas que materializavam a narrativa nacional. Não obstante, ao analisarmos as reivindicações de povos indígenas pela devolução de urnas arqueológicas, notamos que os Museus ou iniciativas de musealização não oficiais, como o Centro de Preservação da Arte e Ciência Indígena, que existiu em Alter do Chão, na década de 1990, buscam, desde meados do século XX, novas formas de atuar junto à sociedade, nas quais práticas racistas e etnocêntricas perdem espaço para novas perspectivas teóricas, como a decolonial e mesmo a indígena. Nesses termos, os povos originários fazem questão de estabelecer uma distinção em relação ao patrimônio cultural do não indígena: o patrimônio dos povos originários mantém uma relação viva com a natureza e a ancestralidade.
