Teses em Teoria e Pesquisa do Comportamento (Doutorado) - PPGTPC/NTPC
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2334
O Doutorado Acadêmico iniciou-se em 2000 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento (PPGTPC), que integra o Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento (NTPC) da Universidade Federal do Pará (UFPA).
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Navegando Teses em Teoria e Pesquisa do Comportamento (Doutorado) - PPGTPC/NTPC por Assunto "Amazônia"
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Tese Acesso aberto (Open Access) Conhecimento etnozoológico de estudantes de escolas públicas sobre os mamíferos aquáticos que ocorrem na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2015-03-30) RODRIGUES, Angélica Lúcia Figueiredo; SILVA, Maria Luisa da; http://lattes.cnpq.br/2101884291102108Os mamíferos aquáticos são elementos funcionais importantes dos ecossistemas dos quais fazem parte. Ações visando à conservação das espécies não seriam eficientes sem informações acerca da ecologia e biologia, bem como as percepções que as comunidades locais possuem sobre essas espécies. As interações com as populações humanas ocorrem principalmente através de emalhes acidentais durante a pesca, eventos de encalhes ou pelo valor simbólico e mágico-religioso que estes animais representam, e desta forma estas interações podem resultar em percepções positivas ou negativas. Muitos estudos sobre a percepção dos cetáceos (botos e baleias) e sirênios (peixes-boi) foram conduzidos utilizando-se como principais interlocutores os pescadores, mas poucos relatam o que as crianças e jovens em idade escolar conhecem sobre estes animais e como se relacionam com estes. O objetivo desta tese foi investigar quais os conhecimentos etnozoológicos sobre os mamíferos aquáticos entre o público discente em diferentes locais do estado do Pará, na região amazônica e registrar as principais interações entre crianças e jovens com as espécies (botos, baleias e peixes-boi) em vida livre (N=15). Utilizamos para isso métodos quantitativos e qualitativos no campo da etnozoologia entre redações (N=374), entrevistas, questionários e pranchas topográficas (N=241). Os sujeitos da investigação são estudantes de escolas públicas do ensino fundamental II sediadas na região de Abaetetuba e Mocajuba no Baixo rio Tocantins, Ilha de Marajó, Santarém (Rio Tapajós) e região metropolitana de Belém. Os resultados demonstram uma prevalência de respostas afirmativas para o conhecimento das lendas relacionadas aos botos-vermelhos (Inia sp.) (66%, N=89) quando comparadas àquelas referentes aos botos Sotalia sp. (22%, N= 29), peixes-boi (7%, N=9) e baleias (7%, N= 5%). Vale ressaltar que sentimentos de indiferença (30%) juntamente com o medo (32%) foram os mais frequentes nas falas dos discentes. Os alunos possuem conhecimentos prévios etnozoológicos sobre características morfológicas, diversidade, lendas, comportamentos e ameaças à sobrevivência dos mamíferos aquáticos. Em locais onde se vive essencialmente dos recursos pesqueiros os jovens tendem a confirmar tais detalhes e parte dos saberes advém principalmente dos familiares e da mídia televisa. Através da lenda do Boto narrada pelos estudantes nas várias regiões pesquisadas pudemos identificar as variações das narrativas de acordo com os contextos sociais e comportamentos diversos dependendo da presença ou ausência de botos nas regiões pesquisadas. Apesar de uma parcela da amostra fazer parte de área considerada urbana, a crença na lenda do Boto é vastamente difundida, desta forma contribui para que o mito se mantenha vivo no imaginário popular amazônico e comprova que a tradição oral ainda se mantém presente na população urbana. As interações entre os botos e jovens e crianças nos rios próximos às feiras de Santarém e Mocajuba demonstram que os comportamentos mais evidentes são aqueles que envolvem alimentação induzida por parte dos meninos aos cetáceos e comportamento lúdico envolvendo grupo de jovens que nadam com botos-vermelhos nos rios. Percebemos que embora os mamíferos aquáticos que ocorrem na Amazônia sejam pouco conhecidos do ponto de vista biológico ou mesmo temidos por uma parte do público discente, poderão ser bem aceitos pelos estudantes através da articulação entre os saberes populares e científicos em programas conservacionistas. Estes programas devem garantir a manutenção do conhecimento local aliado à manutenção das espécies e do ecossistema do qual fazem parte. O público sensibilizado quanto à importância da manutenção da diversidade biológica e conservação ambiental pode auxiliar na divulgação das informações sobre os mamíferos aquáticos e dessa forma contribuir para a desconstrução gradativa dos valores negativos que permeiam este grupo de animais. Esta pesquisa fornece subsídios para realização de um projeto eficiente de iniciativas de sensibilização e informação para futuros estudos sobre este tema em outros locais de ocorrência de mamíferos aquáticos.Tese Acesso aberto (Open Access) Fragilidade e condições de saúde de idosos ribeirinhos da Amazônia: indicadores epidemiológicos e aspectos subjetivos(Universidade Federal do Pará, 2017-12-12) NASCIMENTO, Rodolfo Gomes do; PINTO, Denise da Silva; http://lattes.cnpq.br/9586650002626739; MAGALHÃES, Celina Maria Colino; http://lattes.cnpq.br/1695449937472051A presente tese teve como proposta compreender as interações entre os indicadores de fragilidade biológica e condições de saúde de idosos em contexto ribeirinho amazônico. Para tanto, foi realizada uma pesquisa de caráter explicativo-correlacional com 108 idosos na região das ilhas do município de Cametá, Pará. Estruturalmente, a tese está organizada em quatro estudos empíricos. O primeiro estudo permitiu compreender as particularidades das rotinas e do modo de vida desses idosos, bem como as condições habitacionais do contexto ribeirinho. A despeito das condições de habitação e saneamento, a maioria das moradias utilizava geradores de energia particular, abastecimento de água misto e não estava conectado à rede de esgoto, além disso, tinha variados bens de consumo. Sobre o grau de satisfação em relação ao ambiente domiciliar, os mesmos denotaram percepções positivas para todos os domínios investigados. Somado a esses dados, percebeu-se que a maioria dos idosos enfaticamente manifestava apego ao contexto ribeirinho amazônico, apontando o desejo de permanência nesses locais. No segundo estudo, referente às características demográficas e socioeconômicas, viu-se que a maioria dos idosos era do sexo masculino, com idades entre 60 a 69 anos, com cor da pele parda, eram casados, com cinco ou mais filhos e com convivência predominante em seus domicílios com cônjuges e descendentes. A maioria era de indivíduos alfabetizados, com ensino fundamental incompleto, com renda pessoal até um salário mínimo e familiar entre um a dois salários mínimos, aposentados e sem trabalho formal, donos das próprias moradias e exercendo chefia no seio familiar. Ainda houve o predomínio entre aqueles que não recebiam auxílio de programas governamentais e de idosos com prática religiosa católica. O terceiro estudo apresenta e discute os aspectos multidimensionais de saúde. Em geral, os dados apontaram para o predomínio de idosos que avaliaram como regular a sua própria saúde e na comparação social lateral houve o predomínio dos que consideraram sua saúde melhor. A maioria relatou excelente nível de suporte social, não apresentava polipatologia, polifarmácia, nem internação recente. As principais comorbidades relatadas foram doenças reumáticas e problemas oftalmológicos e a maioria usava poucos medicamentos. Quanto ao acesso aos serviços de saúde, a maioria relatou que caso houvesse necessidade conseguiriam acessar. Houve o predomínio de idosos com história pregressa de tabagismo, sem o hábito etilista e com uma percepção positiva sobre a prática alimentar. Eram em maioria eutróficos, porém apresentavam fator de risco cardiovascular, não apresentavam indicativo de sarcopenia e eram em maioria normotensos. Além disso, não apresentavam comprometimento cognitivo, indicativo de sintomas depressivos nem histórico recente de quedas. Com relação à capacidade funcional, houve o predomínio daqueles com excelente desempenho para AIVD e ABVD. No quarto e último estudo, discutem-se a fragilidade biológica, operacionalizada pelo fenótipo proposto por Fried et al. (2001) e suas associações com os indicadores multidimensionais. Os resultados apontam para uma baixa prevalência desta síndrome (9,3%) sendo a maioria da amostra classificada como idosos não-frágeis (51,9%), confrontando o que outras pesquisas com idosos urbanos evidenciam. O domínio do fenótipo que mais contribuiu para a determinação da fragilidade foi a “exaustão” (30,6%) e os principais fatores associados foram: idade mais avançada, chefia familiar, trabalho, risco cardiovascular, declínio cognitivo, sintomas depressivos, comorbidades múltiplas. Dado o ineditismo desta tese, os resultados permitem notar que a ação conjunta entre os fatores de natureza biológica, psicológica, social, histórica, ecológica e cultural interagem e influenciam-se reciprocamente conferindo desenvolvimento e uma baixa condição de fragilidade biológica entre os idosos ribeirinhos investigados. Por fim, espera-se que estas evidências motivem a realização de novas pesquisas sobre desenvolvimento/envelhecimento nestes contextos.
