Teses em Teoria e Pesquisa do Comportamento (Doutorado) - PPGTPC/NTPC

URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2334

O Doutorado Acadêmico iniciou-se em 2000 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento (PPGTPC), que integra o Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento (NTPC) da Universidade Federal do Pará (UFPA).

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  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Ecologia do Cuidado: Instituições de Longa Permanência para Idosos como Nicho de Desenvolvimento
    (Universidade Federal do Pará, 2019-09-06) LIMA, Jeisiane dos Santos; KHOURY, Hilma Tereza Tôrres; http://lattes.cnpq.br/6775787474973571; MAGALHÃES, Celina Maria Colino de; http://lattes.cnpq.br/1695449937472051; FALCÃO, Deusivania Vieira da Silva; NASCIMENTO, Rodolfo Gomes do; ARAÚJO, Ludgleydson Fernandes de; SANTOS, Maria Izabel Penha de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/4009709433880119; http://lattes.cnpq.br/1897410114807269; http://lattes.cnpq.br/9592128667013030; http://lattes.cnpq.br/5645426555194230; https://orcid.org/0000-0001-6839-4606; https://orcid.org/0000-0002-4619-5646
    O acelerado envelhecimento da população desperta apreensão sobre o futuro, principalmente ao se considerar o reduzido número de profissionais nas áreas de gerontologia e geriatria e as frágeis qualificações existentes nas escolas formativas de cuidadores. O objetivo deste estudo foi investigar a Ecologia do Cuidado em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI’s) da cidade de Belém/PA, utilizando o conceito de Nicho de Desenvolvimento aplicado ao envelhecimento. A tese está organizada em quatro estudos, tendo como contexto as duas ILPI’s públicas da cidade de Belém. Os objetivos específicos englobaram: estudo 1- traçar o perfil sociodemográfico e revelar a percepção sobre idoso, envelhecimento e cuidado; estudo 2- descrever a percepção sobre ambiente físico e social; estudo 3- descrever as crenças e conhecimentos sobre velhice, identificando relações com variáveis sociodemográficas e 4- comparar as práticas de cuidado entre as duas instituições. Participaram 32 cuidadores, sendo 13 da Instituição Pública 1 (IP1) e 19 da IP2. Foi utilizada a abordagem multimétodos, dada a complexidade do objeto de estudo. Foram realizados quatro estudos empíricos caracterizados como transversais, tendo sido empregados os métodos descritivo, observacional e correlacional, com análises quantitativas e qualitativas. Os principais resultados indicaram: 1- No perfil dos cuidadores há predominância de mulheres, jovens e com escolaridade média a alta, sendo que a maioria não possui cursos na área do envelhecimento humano e cuidado; 2- o ambiente físico foi percebido com algumas limitações que dificultam a realização de determinadas atividades; o ambiente social foi avaliado como positivo, principalmente nas interações entre cuidado-cuidador e cuidador-idoso; 3- as crenças sobre velhice indicaram uma compreensão neutra sobre o envelhecimento, isto é, nem positiva nem negativa, entendendo o processo como individual; 4- foram identificadas práticas de cuidado mais positivas do que negativas. Conclui-se que os subsistemas do Nicho de Desenvolvimento do idoso institucionalizado estão em constante interação e podem influenciar a qualidade do desenvolvimento na velhice ao focar no cuidado ao idoso. A compreensão da Ecologia do Cuidado em ILPI’s e o reconhecimento do cuidador enquanto ser ativo no processo de desenvolvimento do idoso pode contribuir para a elaboração de planos de cuidado integrados que atendam as demandas atuais e as que estão por vir.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Efeitos de análogos de punição negativa sobre culturantes
    (Universidade Federal do Pará, 2019-10-07) GUIMARÃES, Thais Maria Monteiro; TOURINHO, Emmanuel Zagury; http://lattes.cnpq.br/5960137946576592; HUNZIKER, Maria Helena Leite; ANDERY, Maria Amalia Pie Abib; CARVALHO, Marilia Pinheiro de; VASCONCELOS NETO, Aécio de Borba; http://lattes.cnpq.br/4360836633189310; http://lattes.cnpq.br/4078839203281287; http://lattes.cnpq.br/3427705550471990; http://lattes.cnpq.br/1327787867439433; https://orcid.org/0000-0003-0030-375X; https://orcid.org/0000-0002-8142-7908; https://orcid.org/0000-0002-0248-9570
    Na Análise Comportamental da Cultura, estudos têm demonstrado dificuldade na manutenção de culturantes que requerem entrelaçamentos de autocontrole ético utilizando reforçamento positivo sob metacontingências concorrentes com contingências operantes. A punição negativa pode ser uma variável a ser testada em configurações experimentais similares àqueles estudos sobre autocontrole ético em metacontingências. A presente pesquisa teve como objetivo geral testar variações da aplicação da punição negativa, contingentes a culturantes impulsivos e a respostas impulsivas, sobre a seleção de culturantes autocontrolados e de respostas de autocontrole ético em situação de concorrência entre contingências operantes e metacontingências. Quatro Estudos foram realizados utilizando o protocolo de pesquisa da Matriz adaptado. Microculturas (MCs) com três participantes desempenharam a tarefa desse protocolo, na qual uma contingência operante previa que escolher linha ímpar produzia consequência individual (CI) imediata de maior magnitude e escolher linha par produzia CI imediata de menor magnitude (contingências operantes que estavam em vigor em todos os delineamentos experimentais dos Estudos). As metacontingências programadas previam que coordenações de maior quantidade de escolhas de linha par (classe de culturantes autocontrolados – Cult Aut) produziam consequências culturais (CCs) sob reforçamento positivo. Outras metacontingências programadas com coordenações de maior emissão de linha ímpar (classe de culturantes impulsivos – Cult Imp) previam a aplicação da variação da punição negativa programada para cada Estudo. Em todos os Estudos, nas condições experimentais ‘A’, as duas classes de culturantes estavam sob reforçamento positivo (qualquer combinação de três linha produzia uma CC) e, nas ‘C’, havia suspensão da CC para qualquer culturante. O Estudo 1, com três MCs e o delineamento ABCABC (punição cultural em ‘B’), demonstrou que a punição cultural auxiliou na seleção e manutenção de culturantes autocontrolados, exceto na MC2. O Estudo 2, com duas MCs e o delineamento ABCADC (punição cultural em ‘B’ e punição cultural associada à punição operante externa em ‘D’), demonstrou que a ocorrência de Cult Aut foi mais sistemática na condição da punição cultural associada à punição operante externa. O Estudo 3, com duas MCs e o delineamento ABCADC (punição cultural em ‘B’ e punição cultural associada à punição operante interna em ‘D’), demonstrou que na MC1, ao contrário da MC2, a punição cultural apresentou maior auxílio na seleção e manutenção de culturantes autocontrolados do que a punição cultural associada à punição operante interna, e houve menor ocorrência de autopunição. O Estudo 4, com delineamentos ABCADC (MC1 e MC2) e ADCABC (MC3 e MC4) (punição cultural associada à punição operante externa em ‘B’ e punição cultural associada à punição operante interna em ‘D’), demonstrou que a punição cultural associada à punição operante interna apresentou auxílio relativamente maior do que a punição cultural associada à punição operante externa sobre a seleção e a manutenção de culturantes autocontrolados e de respostas de autocontrole ético em todas MCs. Houve ocorrência sistemática de autopunição nas condições de punição cultural associada à punição operante interna em todas MCs. No geral, os Estudos demonstraram que o efeito de auxílio da punição negativa foi maior de acordo com a sua manipulação progressiva entre os delineamentos experimentais.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Habilidades sociais e adesão ao tratamento em adolescentes com lúpus eritematoso sistêmico juvenil
    (Universidade Federal do Pará, 2018-04-12) SARDINHA, Ana Paula de Andrade; FERREIRA, Eleonora Arnaud Pereira; http://lattes.cnpq.br/6600933695027723; MORAES, Ana Júlia Pantoja de; NEDER, Patrícia Regina Bastos; CASSEB, Mariene da Silva; MENEZES, Aline Beckmann de Castro; http://lattes.cnpq.br/8148525864806728; http://lattes.cnpq.br/8922509826589120; http://lattes.cnpq.br/2816970980732352; http://lattes.cnpq.br/8107199720875369
    O Lúpus Eritematoso Sistêmico Juvenil (LESJ) é uma doença autoimune caracterizada pela produção de autoanticorpos, formação e deposição de imunocomplexos, inflamação em diversos órgãos e dano tecidual diagnosticada em indivíduos até os 17 anos de idade. É provável que adolescentes acometidos por LESJ passem por vivências que comprometam a aquisição de habilidades sociais (HS) esperadas para essa etapa de vida, comprometendo sua qualidade de vida, uma vez que tais habilidades podem auxiliar na adesão ao tratamento. Esta pesquisa teve por objetivo caracterizar o repertório comportamental correspondente a HS e o nível de adesão ao tratamento em adolescentes com LESJ, por meio de dois estudos. No primeiro, foi realizado um estudo descritivo com delineamento transversal, com o objetivo de caracterizar comportamentos correspondentes a HS e de adesão ao tratamento em adolescentes portadores de LESJ. Participaram nove adolescentes portadores de LESJ atendidos no serviço de reumatologia de um Hospital Universitário (HU) localizado na cidade de Belém-PA. A coleta de dados foi realizada em sete etapas: (a) análise dos prontuários dos pacientes; (b) convite e leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 1 e do Termo de Assentimento 1 aos cuidadores e participantes, respectivamente; (c) acompanhamento da consulta do participante com a médica reumatologista; (d) avaliação médica quanto à atividade da doença; (e) a aplicação do Inventário de Habilidades Sociais para Adolescentes (IHSA), seguida da aplicação do Recordatório 24 horas (R24h); (f) reaplicação do R24h; e (g) entrevista devolutiva. Os resultados indicaram que os participantes possuíam déficits em HS e baixos IATs e correlação significativa entre frequência de habilidades de abordagem afetiva com melhor índice de adesão ao tratamento. No Estudo 2, verificaram-se os efeitos do uso de treino em automonitorização na instalação de comportamentos correspondentes a HS e sua relação com a adesão ao tratamento em adolescentes portadores de LESJ. Participaram quatro adolescentes selecionados dentre os que participaram do Estudo 1. Estas foram distribuídas por ordem de ingresso na pesquisa em duas condições. Na Condição 1, duas participantes foram submetidas ao treino de habilidade sociais (THS). Na Condição 2, duas participantes foram submetidas a consultas de rotina e avaliadas ao início e ao final do estudo. Foram realizadas seis etapas: (a) convite e leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 2 e do Termo de Assentimento 2 aos cuidadores e participantes, respectivamente; (b) aplicação do R24h, levantamento da linha de base dos comportamentos correspondentes à adesão ao tratamento; (c) intervenção com as participantes da Condição 1 a partir da elaboração de hierarquia dos comportamentos que indicaram déficit e do treino em registro de automonitorização, com aplicação de R24h; (d) entrevista para reaplicação do IHAS e do R24h realizada individualmente com as quatro participantes; (e) entrevista devolutiva com a aplicação do roteiro de entrevista final para feedback. Os resultados indicaram que as participantes submetidas ao THS apresentaram fortalecimento e ampliação do repertório de HS e melhores resultados do IAT em relação aos resultados obtidos com as participantes da Condição 2. Discute-se a importância de repertórios socialmente habilidosos na promoção da adesão ao tratamento do LESJ.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Efeitos de instruções e de feedback sobre adesão ao tratamento em adolescentes com diabetes tipo 1
    (Universidade Federal do Pará, 2019-10-25) MOREIRA, Alana dos Anjos; GOMES, Daniela Lopes; http://lattes.cnpq.br/0014255351015569; FERREIRA, Eleonora Arnaud Pereira; http://lattes.cnpq.br/6600933695027723; MALERBI, Fani Eta Korn; CARVALHO, Ana Emília Vita; SILVA, Lúcia Cristina Cavalcante da; FELÍCIO, Karem Miléo; http://lattes.cnpq.br/3830071371442519; http://lattes.cnpq.br/1981562999898097; http://lattes.cnpq.br/8741571562932895; http://lattes.cnpq.br/5289063715182942; https://orcid.org/0000-0002-0514-5597; https://orcid.org/0000-0002-2115-7897; https://orcid.org/0000-0002-0631-9077
    O diabetes mellitus Tipo 1 (DM1) é uma doença metabólica, diagnosticada principalmente na infância e adolescência, caracterizada pela perda da capacidade do pâncreas em produzir insulina, a qual produz um aumento da glicemia levando a complicações agudas e crônicas. O tratamento exige do paciente a emissão diária de um conjunto de comportamentos (como mensurar a glicemia, aplicar insulina, seguir um protocolo alimentar e praticar regularmente atividade física), os quais exigem alto custo de resposta do paciente, demandando o apoio da família e de procedimentos que promovam a adesão. Esta pesquisa foi realizada por meio de dois estudos. Estudo 1: Descritivo com delineamento transversal, investigou a relação entre apoio familiar, conhecimento acerca do diabetes e comportamentos de adesão ao tratamento. Treze adolescentes com DM1 responderam a um Roteiro de entrevista sobre a rotina do tratamento, ao Inventário de apoio familiar ao tratamento e à Escala de conhecimentos sobre diabetes DKN-A. Os testes estatísticos mostraram que houve correlação positiva entre o apoio familiar (p-valor 0,004), o conhecimento a respeito do diabetes (p-valor 0,013) e relatos sobre a emissão de comportamentos de adesão ao tratamento, independentemente do tempo de diagnóstico ou da idade dos participantes. Estudo 2: O objetivo deste estudo foi analisar os efeitos do uso exclusivo de instruções (apresentadas por meio de um tutorial de educação em diabetes via web) e os efeitos do uso combinado de instruções com feedback (a partir do uso do aplicativo Glic para smartphone) sobre o comportamento de adesão ao tratamento em adolescentes com DM1, tendo como condição controle (linha de base) a rotina de um ambulatório de endocrinologia. Participaram cinco adolescentes com DM1 atendidos em um hospital universitário (HU). Os dados foram coletados no HU e na residência do participante. Os instrumentos utilizados foram: Roteiro de Entrevista sobre a rotina de tratamento, Escala de Conhecimentos sobre Diabetes (DKN-A), Protocolo de análise de prontuário, Recordatório 24 horas, Tutorial de Educação em DM1, Aplicativo Glic e Protocolo para avaliação do Glic. Os participantes foram expostos individualmente ao delineamento: A (linha de base), seguido de B (instruções via tutorial), depois C (instrução e feedback via Glic), retornando para B e repetindo C, mais Follow-up. A coleta de dados consistiu em 33 encontros gravados em áudio e com intervalo médio de três dias. Os resultados mostraram que independentemente do tratamento em vigor, se instrução via Tutorial ou se instrução com feedback via aplicativo Glic, nenhum participante apresentou aumento significativo nos índices de adesão ao tratamento em todas as classes de comportamento-alvo analisadas neste estudo. Observou-se que, a depender do tratamento, os resultados mostraram benefícios ou mesmo prejuízos em alguns dos comportamentos alvo. Apesar de os participantes passarem longos períodos expostos a smartphones, verificou-se uma baixa adesão desta tecnologia como um auxiliar no tratamento do diabetes. Recomenda-se a capacitação dos profissionais de saúde para o uso de recursos multimídia e a investigação da relação entre habilidades sociais de enfrentamento e adesão ao tratamento em adolescentes com DM1.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Estudos sobre discriminações envolvendo estímulos auditivos vocais em crianças diagnosticadas com TEA
    (Universidade Federal do Pará, 2020-10-02) MONTEIRO, Patricia Caroline Madeira; BARROS; http://lattes.cnpq.br/7231331062174024; https://orcid.org/0000-0002-1306-384X; BARBOZA, Adriano Alves; MARTINS, Tatiana Evandro Monteiro; DIAS, Katarina Kataoka; SILVA, Álvaro Júnior Melo e; http://lattes.cnpq.br/8437625699565416; http://lattes.cnpq.br/7616890300950792; http://lattes.cnpq.br/8403942546562149; http://lattes.cnpq.br/8960291779730857; http://orcid.org/0000-0003-3042-1677; https://orcid.org/0000-0002-5270-1912
    O estabelecimento de vozes como reforçadores pode favorecer o ensino de discriminações auditivo-visuais com palavras faladas como estímulos auditivos. Considerando a importância do estabelecimento de discriminações auditivo- visuais com estímulos vocais para o desenvolvimento de habilidades sociais e de comunicação, especialmente em indivíduos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), três estudos foram conduzidos com os respectivos objetivos de: 1. Identificar relações entre desempenhos na Assessment of Basic Learning Abilities-Revised (ABLA-R) e exposição a vozes humanas; 2. Verificar a eficácia de um procedimento de pareamento estímulo-estímulo via aplicativo para aumentar a preferência por exposição a vozes nos participantes com menor preferência por vozes no Estudo 1; e 3. Verificar através do paradigma de formação de classes de equivalência se há diferenças na emergência de relações visuais versus auditivo-visuais após treino de relações totalmente visuais versus auditivo-visuais em crianças com Nível 4 no teste ABLA-R. Participaram dos três estudos, respectivamente, seis, três e seis crianças com TEA. Os resultados do primeiro estudo mostram que não houve relação entre exposição a vozes e Nível ABLA-R, sugerindo que estudos futuros investiguem essa hipótese com um número maior de participantes. No Estudo 2, o procedimento de pareamento estímulo-estímulo não produziu aumento significativo na porcentagem de exposição a vozes. No terceiro estudo, cinco participantes demonstraram aprendizagem de relações arbitrárias visuais visuais testadas, mas não as auditivo-visuais sugerindo que, embora o procedimento utilizado seja uma alternativa para o ensino de relações arbitrárias visuais, ainda é necessário o desenvolvimento de procedimentos adequados para superar o desafio de ensinar relações auditivo-visuais em crianças com desenvolvimento severamente atrasado.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Perfil Cognitivo de Crianças Institucionalizadas: Um Estudo Longitudinal
    (Universidade Federal do Pará, 2019-06-03) IMMER, Fabíola Helena Oliveira Brandão da Silva; CAVALCANTE, Lilia Iêda Chaves; http://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651; SILVA, Simone Souza da Costa; http://lattes.cnpq.br/9044423720257634; CASADO, Carla de Cássia Carvalho; CARVALHO, Ana Emília Vita; PONTES, Fernando Augusto Ramos; MIRANDA, Monica Carolina de; http://lattes.cnpq.br/7836418506338392; http://lattes.cnpq.br/1981562999898097; http://lattes.cnpq.br/1225408485576678; http://lattes.cnpq.br/9118075016908696; https://orcid.org/0000-0002-8849-7319; https://orcid.org/0000-0002-2115-7897
    Esta tese investigou o perfil cognitivo de crianças institucionalizadas a partir da análise das características pessoais e dos contextos envolvidos nesse processo, de forma longitudinal, no período compreendido entre dezembro de 2017 a dezembro de 2018. Para responder este objetivo, realizou-se a aplicação de testes psicológicos em 15 crianças institucionalizadas, além de consultas aos seus prontuários institucionais, aplicações de inventários de pesquisa, realização de contatos com profissionais dos serviços de acolhimento e com os guardiães das crianças, bem como registros em diário de campo. Esses procedimentos foram feitos em três momentos de coleta, com um intervalo de seis meses entre cada um deles. Durante este período, onze crianças foram direcionadas para grupos familiares, enquanto quatro delas permaneceram nos serviços de acolhimento institucional. Para a realização das análises dos dados obtidos, efetivou-se a divisão da amostra em dois grupos, tendo como critério o local em que as crianças estavam por ocasião da terceira coleta. Os principais resultados mostraram que as crianças institucionalizadas durante todo o estudo apresentaram escores intelectivos rebaixados e agravamento dos déficits nas funções cognitivas associadas a inteligência. Já as crianças em famílias, apresentaram perfis cognitivos variados, que foram resultantes da interação dos atributos individuais de cada participante com as características do contexto desenvolvimental familiar. Dentre as conclusões alcançadas, apurou-se que as variações no perfil cognitivo das crianças foram relacionadas às suas características pessoais e contextuais, sendo verificadas trajetórias de desenvolvimento que apontaram em diferentes direções. Logo, pode-se afirmar que não apenas a persistência de déficits/prejuízos cognitivos está relacionada às características pessoais e contextuais das crianças, mas também a sua superação. Recomenda-se para a atenuação desses danos que a convivência familiar inclua adultos disponíveis para realização de atividades conjuntas, fornecimento de cuidados personalizados e forte apego emocional. Quanto aos serviços de acolhimento institucional, indica-se a realização de atividades com os acolhidos que possam efetivar o incremento das suas funções cognitivas. Sobre as limitações do estudo, ressalta-se o reduzido número de participantes, que impediu a efetivação de análises estatísticas dos achados quantitativos advindos da aplicação dos testes e a ausência de levantamento de dados com pessoas de referência das participantes antes da institucionalização. Enquanto sugestões para estudos futuros, recomenda-se a efetivação de outras pesquisas longitudinais de avaliação cognitiva com crianças institucionalizadas, com vistas a se estruturar um arcabouço de conhecimentos desta área no contexto brasileiro. Também é indicado aprofundar o entendimento do perfil cognitivo de crianças institucionalizadas que apresentem intercorrências psicopatológicas, para se analisar as repercussões destas patologias e do uso de medicações psicotrópicas na cognição infantil.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Movimentos oculares correlacionados com o efeito de aspecto positivo
    (Universidade Federal do Pará, 2018-03-23) PICANÇO, Carlos Rafael Fernandes; TONNEAU, François Jacques; http://lattes.cnpq.br/2917023797307669; MEIGUINS, Bianchi Serique; HUZIWARA, Edson Massayuki; GALVÃO, Olavo de Faria; MENEZES, Aline Beckmann de Castro; http://lattes.cnpq.br/3032638002357978; http://lattes.cnpq.br/4671775690334406; http://lattes.cnpq.br/7483948147827075; http://lattes.cnpq.br/8107199720875369; https://orcid.org/0000-0001-5872-4827; https://orcid.org/0000-0003-4313-5821; https://orcid.org/0000-0001-9912-3833
    Aspecto-positivo (FP) e aspecto-negativo (FN) são arranjos compostos por estímulos comuns (A) e estímulos distintivos (B). No aspecto-positivo, há reforçamento AB+ e extinção AA-. No aspecto-negativo, há reforçamento AA+ e extinção AB- (FN). O efeito de aspecto positivo ocorre quando as discriminações FP são estabelecidas mais rapidamente do que as discriminações FN. A literatura sobre esse efeito tem documentado automodelagem de respostas de observação sob controle do estímulo distintivo. Contudo, tais respostas tem sido inferidas a partir de resultados de respostas motoras. Conduzimos quatro estudos com o objetivo de replicar o efeito de aspecto distintivo com humanos adultos, mensurando-o por meio do índice discriminativo, da latência e da proporção de observação visual dos estímulos. Primeiramente, um estudo preliminar avaliou e confirmou que um rastreador monocular era suficiente para detectar mudanças na proporção de observação resultantes do efeito do reforçamento (condicionado) intrínseco aos estímulos discriminativos (em tese, componente essencial do efeito de aspecto positivo). Os três outros estudos replicaram o efeito de aspecto positivo, dois com delineamentos de grupo e o último com delineamento intra-sujeito. Os estímulos dos arranjos FP e FN eram observados de maneira regularmente e previsivelmente diferente, com mais observação do estímulo distintivo no primeiro arranjo no Estudo 2 e Estudo 3. Entretanto, mais observação do estímulo distintivo não foi necessária no Estudo 4, no qual o efeito de aspecto positivo foi mais robusto.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Nomeação Bidirecional e Nomeação Bidirecional Incidental: Revisão Sistemática Atualizada e Análise dos Efeitos do Bloqueio e Exigência de Ecoicos no Ensino por Múltiplos Exemplares
    (Universidade Federal do Pará, 2026-03-03) RABELO, David de Lima; SOUZA, Carlos Barbosa Alves de; http://lattes.cnpq.br/1264063598919201; https://orcid.org/0000-0002-4523-6186; GIL, Maria Stella Coutinho de Alcântara Gil; MARIN, Ramon; FAGGIANI, Robson Brino; SOARES, Pedro Felipe dos Reis; http://lattes.cnpq.br/1673770301699940; http://lattes.cnpq.br/3737164625509879; http://lattes.cnpq.br/0744077795796927; http://lattes.cnpq.br/6486322487647409; https://orcid.org/0000-0003-4375-3232; https://orcid.org/0000-0003-1099-3037; http://orcid.org/0000-0002-7154-908X
    A nomeação bidirecional (BiN – o ensino de respostas de ouvinte resulta na emergência de respostas de falante, e vice-versa) e nomeação bidirecional incidental (Inc-BiN – emergência de respostas de ouvinte e falante após exposição incidental ao nome e objeto correspondente) têm sido descritas como repertórios capazes de produzir um ganho acelerado no desenvolvimento verbal, consistindo na integração dos repertórios de falante e ouvinte de forma generalizada. As revisões sistemáticas sobre os trabalhos produzidos sobre BiN e IncBiN têm indicado os procedimentos mais eficientes na indução desses repertórios e as principais lacunas a serem resolvidas. Considerando essa lacunas, dois estudos independentes foram conduzidos nessa tese. O Estudo 1 consistiu em um revisão sistemática atualizada de 66 pesquisas sobre a indução de nomeação. Foram analisados trabalhos presentes em revisões anteriores (Santos & Souza, 2020; Sivaman & Barnes-Holmes, 2023) e em nova uma busca no período de 2022 a 2025, com o objetivo de categorizar e analisar as características dos participantes, as intervenções, testes e resultados, assim como o rigor metodológico e o tamanho do efeito das intervenções. A maioria dos estudos incluiu como participantes crianças autistas com repertório verbal existente. As variáveis independentes mais utilizadas foram o ensino por múltiplos exemplares (MEI), observação do pareamento de estímulos (SPOP) e ensino sequencial de ouvinte e falante. As variáveis dependentes mais comuns foram o desempenho nos testes de matching-to-sample auditivo-visual (AVMTS) e tato intraverbal. Os resultados indicam limitações procedimentais e metodológicas, como contradição entre o tipo de nomeação relatado e aquele efetivamente avaliado, além de força metodológica fraca e tamanhos do efeito mistos. O Estudo 2 avaliou o efeito do ecoico em tarefas de AVMTS durante o MEI na indução de BiN e Inc-BiN, em quatro crianças com TEA. Os pré-testes consistiram em testes de BiN (ensino de tato intraverbal seguido de teste de AVMTS para um conjunto; ensino AVMTS e teste de tato intraverbal para outro conjunto), e Inc-BiN (SPOP para um conjunto seguido dos testes de tato intraverbal e ouvinte). Em uma condição experimental aplicou-se um procedimento para bloquear respostas ecoicas (MEIcb) e em outra condição exigiu-se tais respotas (MEIce), durante tarefas de AVMTS. O procedimento de bloqueio consistiu em a criança contar de um a três, em voz alta, após a apresentação do estímulo auditivo modelo. Em seguida, foram realizados novamente os testes de BiN e IncBiN. Todos os participantes demonstraram emergência de ouvinte após ensino de tato intraverbal (nomeação unidirecional de ouvinte – NUO) nos pré-testes. Os dois participantes do MEIcb demonstraram apenas BiN nos pós-testes. Um participante do MEIce demonstrou BiN e Inc-BiN, e o outro não demonstrou nenhum dos dois repertórios nos pós-testes. Discute-se a relação do ecoico, estabelecimento de atenção compartilhada e função reforçadora de respostas de observação na indução de BiN e Inc-BiN, assim como adaptações no procedimento de bloqueio de ecoico e registro de respostas ecoicas durante todas as etapas do estudo.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Desenvolvimento de Tecnologia Comportamental para Ensinar Habilidades Sociais Educativas a Professores Universitários no Contexto da Inclusão de Pessoas com Deficiência
    (Universidade Federal do Pará, 2025-12-01) ROSA, Larissa Rodrigues; MENEZES, Aline Beckmann de Castro; https://lattes.cnpq.br/8107199720875369; https://orcid.org/0000-0002-3136-3707; BARROS, Romariz da Silva; GOULART, Paulo Roney Kilpp; SOARES, Pollianna Galvão; SARDINHA, Ana Paula de Andrade; https://lattes.cnpq.br/7231331062174024; https://lattes.cnpq.br/7800966999068746; https://lattes.cnpq.br/7198690684341273; https://lattes.cnpq.br/5647500559593317; https://orcid.org/0000-0002-1306-384X; https://orcid.org/0000-0001-5427-8743; https://orcid.org/0000-0001-7579-8852; https://orcid.org/0000-0002-1635-1484
    A formação continuada de professores universitários é crucial, considerando a insuficiência da formação inicial para lidar com demandas interpessoais no âmbito da inclusão de pessoas com deficiência. Um repertório altamente elaborado de habilidades sociais educativas (HSE) tem sido associado a contextos educacionais inclusivos e acolhedores. Considerando as limitações dos treinamentos presenciais, os treinamentos computadorizados tem ganhado destaque devido a sua efetividade no ensino de diversas habilidades. Dessa forma, foi desenvolvido, aplicado e avaliado um treino computadorizado e interativo (ICT) em HSE e inclusão de estudantes universitários com deficiência. A tese compreende quatro estudos independentes, porém interligados entre si. O primeiro estudo é uma revisão sistemática sobre o ICT, no qual foi identificada a sua efetividade para o ensino de habilidades em diferentes níveis de complexidade. Entretanto, em tarefas complexas a proficiência é aprimorada e, em alguns casos atingida, quando componentes presenciais são adicionados. No segundo estudo são apresentadas as análises de entrevistas com estudantes universitários com deficiência. A percepção dos estudantes com deficiência versou sobre o impacto das relações interpessoais estabelecidas com os professores. Relações saudáveis ampliam a rede de apoio dos estudantes e favorece a permanência no curso, ao passo que relações conflituosas dificultam o percurso acadêmico. Os relatos obtidos no segundo estudo embasaram a elaboração dos roteiros do ICT criado, cuja validação por especialistas e estudantes com deficiência é relatada no estudo três. Os resultados apontam a relevância do conteúdo, coerência com a fundamentação teórica proposta, representativo de pessoas com deficiência. Entretanto, as avaliações indicaram a necessidade de mais exemplares de situações referente cada HSE e uma revisão da linguagem. O ICT foi aplicado com um grupo de professores universitários, tendo sido utilizado o Inventário de Habilidades Sociais Educativas para professor (IHSE-prof) como medida pré e pós, sendo relatado no estudo quatro. Os resultados indicam mudanças mais significativas na dimensão apoio socioemocional, sendo coerente com a proposta de intervir no âmbito atitudinal. O uso de medida de autorrelato é uma limitação na generalização dos resultados, entretanto questões logísticas inviabilizaram o uso de medidas observacionais. O ICT parece ser uma alternativa viável para complementar a formação continuada de professores universitários, sendo necessárias mais pesquisas para avaliar sua eficácia por meio de medidas observacionais do desempenho interpessoal docente e da percepção de estudantes com deficiência, a fim de fortalecer as evidências sobre a aplicabilidade dessa tecnologia comportamental no contexto das habilidades sociais de professores universitários.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Conhecimentos e Metas de Socialização Emocional entre Crianças e seus Pais na Floresta Nacional do Tapajós-Pa
    (Universidade Federal do Pará, 2025-04-15) PRIANTE, Priscila Tavares; LAUER-LEITE, Iani Dias; https://lattes.cnpq.br/0389466272108471; https://orcid.org/0000-0001-9063-475X; CAVALCANTE, Lilia Iêda Chaves; https://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651; JIMÉNEZ-BALAM, Deira Patricia; MENDES, Deise Maria Leal Fernandes; NUNES, Laisy de Lima; FONSECA, Bianca Reis; https://lattes.cnpq.br/4355974020322624; https://lattes.cnpq.br/6535650472081606; https://lattes.cnpq.br/7509656126634787; https://orcid.org/0000-0002-3926-1414; https://orcid.org/0000-0003-3487-7284; https://orcid.org/0000-0002-4673-6289; https://orcid.org/0000-0003-0480-616X
    Esta tese é constituída por quatro estudos independentes, que foram realizados de forma articulada para responder ao objetivo geral da pesquisa: Compreender o papel da socialização emocional no desenvolvimento infantil, investigando os (a) conhecimentos e (b) metas de socialização de crianças de 4 a 7 anos, (c) do ponto de vista das próprias crianças e dos seus pais. Além disso, avaliar experimentalmente a relação entre essas (d) metas parentais e o comportamento de ajuda em crianças de comunidades da Floresta Nacional do Tapajós. A pesquisa defende que o desenvolvimento infantil pode ser melhor compreendido ao considerar que os conhecimentos dos pais sobre a expressão emocional dos filhos, assim como as metas e estratégias que assumem nesse processo de socialização, estão diretamente associados à forma como as crianças aprendem a definir, expressar e regular suas emoções dentro do contexto ecocultural onde convivem com sua família e comunidade. Os instrumentos utilizados foram: Questionário de Concepções Parentais sobre a Expressão Emocional em Crianças, Questionário de Metas de Socialização da Emoção, Questionário de Objetivos do desenvolvimento e Tarefas experimentais com foco no comportamento de ajuda espontânea, e formulários para identificação do participante e registro dos dados sociodemográficos Participaram da pesquisa 53 mães (M=32,9 anos, dp= 10,6), 44 pais (M= 34,1 anos, dp=9,6), seus filhos com idades entre 48 e 95 meses (M=70,4 meses, dp= 13,6), e outras 10 crianças (M = 28 meses; dp. = 3.64). Entre os resultados, destacam-se: a) No Estudo 1, as mães atribuem a categoria “estado psicológico ou motivação com projeção para o outro” para alegria, tristeza, raiva, medo e vergonha, exceto orgulho na categoria “não classificável”, atribuído a características positivas (conquistas) e negativas (superioridade). Os pais apresentaram resultados semelhantes, exceto às menções de medo e vergonha geralmente associados à categoria “atribuição de causalidade/origem a si ou ao ambiente”. A alegria apresentou-se como a emoção mais valorizada e a única a apresentar mais de 70% de concordância nas respostas “muito” ou “completamente” sobre seus filhos sentirem determinada emoção. A manifestação das emoções, para a maioria das mães, relaciona-se à “situação ou contexto causador”. Da mesma maneira os pais, apenas a emoção vergonha teve maior prevalência na categoria “manifestação corporal/motora”; b) No que tange às metas de socialização parentais, objeto do Estudo 2, 52,27% (23 mães) e 47,82% (11 pais) valorizaram características de “automaximização”; sobre as condições para o desenvolvimento das metas de socialização emocional desejadas, as maiores frequências foram de 68,96% (20 mães) na categoria “outros”, valorizando sobretudo, os estudos e os pais dividiram-se entre “centradas no cuidador”, 38,77% (19 pais), e “centrada na criança”, 36,73% (18 pais). Eles consideram que, tão importante quando ser modelo e conversar, é que a criança ouça e obedeça aos conselhos ensinados. O papel da atuação parental, para ambos, é o “educar/orientar” de percentual mais expressivo de mães (87,5% - 49 participantes), comparada aos pais (50,3% - 44 participantes). Os resultados referentes aos objetivos do desenvolvimento indicaram maior prevalência de um modelo com características relacionais (M=3,53 dp=0,22), sem desconsiderar as características autônomas, como “desenvolva os seus próprios talentos e interesses”, com 86,5% dos participantes concordando totalmente com essa assertiva; c) No estudo 4, os resultados das expectativas infantis demonstram, de modo geral, a categoria “manifestação corporal” voltada para a emoção alegria, o medo foi relacionado à “atribuição de causa” e as demais emoções pesquisadas em “estado psicológico ou motivação com projeção para o outro”. As expectativas desejadas pelas crianças, quando se tornarem adultas, em mais de 80% dos discursos trouxeram conteúdos sobre as profissões desejadas, se tornarem super-heróis ou ficarem grandes e bonitos. As respostas das crianças mostraram um raciocínio lógico entre as questões, pontuando as condições e atuação parental necessárias para atingirem seus objetivos; d) No estudo 4, das metas parentais e comportamento prossocial das crianças os resultados obtidos com os pais indicaram valorização de metas de socialização emocional com características de autonomia e relacionamento. A independência, as habilidades e os talentos pessoais são valorizados pelos pais, desde que orientados por eles. A autonomia é vista como uma possibilidade de se tornar capaz de ajudar e cuidar do outro. Os resultados das tarefas experimentais demonstraram um alto desempenho tanto na realização quanto no tempo de hesitação das crianças, que variou entre “pouca hesitação” e “imediatamente”. A partir desses dados, percebe-se que o conceito das emoções perpassa as demais concepções, relacionandose objetivos de socialização sobre o que deve ser valorizado e quais devem ser evitados. Assim como nas respostas das crianças, a alegria mostrou-se a emoção mais valorizada, enquanto o orgulho se revelou a mais contraditória. A maioria das crianças não soube conceituá-lo, mas demonstrou curiosidade em saber mais sobre essa emoção. Infere-se que essa dificuldade se deve não somente à complexibilidade do conceito, mas principalmente em virtude de os pais não conversarem com elas sobre essa emoção ou sequer ouvirem essa palavra no cotidiano. Da mesma maneira, as metas parentais, foram, a sua maneira, reproduzidas pelas crianças como desejo de conseguir uma profissão e trabalhar na Flona. O alto desempenho das crianças nas tarefas experimentais ocorreu como o esperado, por estarem sendo socializadas e conviverem em um contexto com maior prevalência de características interdependentes condizente com os valores culturais relacionados ao cuidado e preocupação com a coletividade, especialmente, com os familiares. As limitações desse estudo incluem o quantitativo de participantes, em especial, no quantitativo de crianças, em uma amostra maior, são possíveis análises estatísticas, como associações, cruzamento dos dados com diferentes variáveis sociodemográficas como escolaridade, idade que teve o primeiro filho, entre outras. Dentre as contribuições teóricas, espera-se um retorno à Psicologia do Desenvolvimento e à produção sobre o Modelo Ecocultural de Desenvolvimento, a partir dos resultados de pesquisa realizada em um contexto ribeirinho. Nele são predominantes características culturais não apenas voltadas para a transmissão de conhecimentos entre gerações, mas também reflete objetivos de independência e sucesso acadêmico, principalmente entre as mulheres e mães, que buscam elevar o seu nível de escolaridade. “Estudar”, apesar de não ser especificamente uma característica emocional desejada para os filhos, representa a oportunidade de conseguir um emprego, alcançar a independência financeira e poder amparar e cuidar dos pais no futuro. Inspirada nesta pesquisa sugere-se a realização de novas pesquisas em contextos ecoculturais nos quais as características naturais (estar em terra firme ou área de várzea, por exemplo), ditem conhecimentos e metas de socialização das emoções em diferentes esferas dessa população.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    A influência da personalidade dos pais e dos estilos parentais na perspectiva de futuro dos filhos adolescentes
    (Universidade Federal do Pará, 2025-03-06) COSTA, Niamey Granhen Brandão da; CRUZ, Edson Júnior Silva da; https://lattes.cnpq.br/0227617708373838; https://orcid.org/0000-0003-1884-3172; PEDROSO, Janari da Silva; https://lattes.cnpq.br/4096274367867186; https://orcid.org/0000-0001-7602-834X; MAGALHÃES, Celina Maria Colino; CASADO, Carla de Cássia Carvalho; FREIRE, Sandra Elisa de Assis; OLIVEIRA, Kleber Roberto da Silva Gonçalves de; https://lattes.cnpq.br/1695449937472051; https://lattes.cnpq.br/7836418506338392; https://lattes.cnpq.br/8475952514035497; https://lattes.cnpq.br/4074462763466067; https://orcid.org/0000-0002-1279-179X; https://orcid.org/0000-0002-8849-7319; https://orcid.org/0000-0003-1083-6963; https://orcid.org/0000-0001-6371-3006
    O presente estudo analisou a relação entre a personalidade dos pais, os estilos parentais adotados por eles e a influência destes na personalidade dos filhos e em suas perspectivas de futuro, com o objetivo de compreender como a personalidade dos pais influencia no tipo de estilo parental adotado, assim como no desenvolvimento da personalidade de seus filhos adolescentes e em suas perspectivas de futuro. Trata-se de um estudo transversal, com abordagem quantitativa e qualitativa, realizado com uma amostra de 110 participantes, sendo 55 adolescentes na faixa etária de 15 a 17 anos, devidamente matriculados na Escola de Aplicação da UFPA (EAUFPA), e um de seus genitores, pai ou mãe, totalizando 55 responsáveis, todos residentes em Belém do Pará. A coleta de dados ocorreu em uma sala de aula do ensino médio da EAUFPA, disponibilizada para a pesquisa. Foram utilizados um roteiro de entrevista semiestruturado e dois instrumentos, o Inventário de Estilos Parentais (IEP) e a Bateria Fatorial de Personalidade (BFP), ambos aplicados nos adolescentes e em um dos seus genitores. As análises dos resultados foram embasadas em teorias que discutem os estilos parentais e o desenvolvimento do adolescente a partir de uma visão interacionista. Os resultados evidenciam que os estilos parentais se correlacionam positiva e negativamente com os traços de personalidade analisados e influenciam diretamente na construção da perspectiva de futuro dos adolescentes, seja pelo suporte emocional e moral oferecido, seja pela ausência ou percepção de práticas controladoras. Ressalta-se a importância da implementação de projetos nas escolas que contemplem a orientação e o aprimoramento dos pais acerca das práticas parentais usadas, bem como suas implicações no desenvolvimento da personalidade dos adolescentes e em suas perspectivas de futuro profissional. Diante dessa necessidade, serão produzidos dois materiais instrucionais, sendo um destinado aos pais e outro aos adolescentes. Espera-se que as conclusões das análises possam ampliar a compreensão sobre a relevância da avaliação dos estilos parentais e da personalidade dos pais, além da sua influência na formação da personalidade dos adolescentes e em suas perspectivas de futuro, possibilitando intervenções preventivas nos âmbitos familiar, escolar e social.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Saúde Mental de Estudantes Universitários da Região Norte do Brasil
    (Universidade Federal do Pará, 2025-06-05) FERREIRA, Laiana Soeiro; SILVA, Simone Souza da Costa Silva; https://lattes.cnpq.br/9044423720257634; https://orcid.org/0000-0003-0795-2998; KÄPPLER, Christoph de Oliveira; NASCIMENTO, Rodolfo Gomes; HERNANDEZ, José Augusto Evangelho; https://lattes.cnpq.br/5645426555194230; https://lattes.cnpq.br/3533988543300433; https://orcid.org/0000-0002-3154-3134; https://orcid.org/0000-0002-4619-5646; https://orcid.org/0000-0001-9402-7535
    Ingressar em uma Instituição de Ensino Superior provoca transformações significativas na vida do estudante universitário. A adaptação a esse novo ambiente configura-se como um processo complexo, frequentemente associado a tensões emocionais, desafios acadêmicos e dificuldades de ajustamento. O presente trabalho constitui-se em uma pesquisa quantitativa, de caráter exploratório, descritivo e de corte transversal, composta por revisão sistemática da literatura e pesquisa de campo. A coleta de dados foi realizada virtualmente com estudantes de graduação da Universidade Federal do Pará, uma Instituição pública localizada na Região Norte do Brasil. Foram utilizados os seguintes instrumentos: Inventário Sociodemográfico, Escala de Estresse Percebido -10, Inventário de Ansiedade de Beck, Inventário de Depressão de Beck – primeira versão e Escala de Desesperança de Beck. A tese foi organizada em três estudos. O Estudo 1, intitulado “Caracterização dos Instrumentos de Pesquisa de Saúde Mental de Estudantes Universitários”, realizou um levantamento bibliográfico dos instrumentos utilizados na investigação da saúde mental de estudantes universitários. O Estudo 2, “A Escala de Estresse Percebido -10: evidências de validade e fidedignidade em universitários da Região Norte do Brasil”, buscou evidências psicométricas da versão brasileira da PSS-10 com base nos escores de 283 estudantes da Universidade Federal do Pará. O Estudo 3, “Saúde mental em universitários da Região Norte do Brasil: Um estudo sobre estresse, capacidade de enfrentamento, ansiedade, depressão e desesperança”, teve como objetivo mensurar os níveis de estresse percebido, capacidade de enfrentamento percebida, ansiedade, depressão e desesperança entre esses estudantes, além de identificar padrões de sofrimento mental segundo variáveis sociodemográficas e histórico clínico em saúde mental. Os resultados do Estudo 1 apontaram a escassez de instrumentos desenvolvidos ou adaptados especificamente para o contexto universitário brasileiro, especialmente na Região Norte do Brasil. No Estudo 2, a Escala de Estresse Percebido (PSS-10) apresentou estrutura fatorial bidimensional com bons índices de ajuste, consistência interna satisfatória e correlação positiva significativa com o Inventário de Ansiedade de Beck, fornecendo evidências de validade e fidedignidade para aplicação com estudantes universitários da Região. No Estudo 3, verificou-se que o sofrimento psíquico está presente entre os estudantes, com destaque para o estresse percebido apresentando-se de leve a moderado, ansiedade leve a severa, depressão leve a grave, desesperança leve a moderada, capacidade de enfrentamento percebida leve, além de maior intensidade de sintomas entre mulheres e estudantes que relataram histórico de atendimento psicológico ou psiquiátrico. Os três estudos articulam-se, pois, ao identificar-se na literatura a ausência de instrumentos desenvolvidos, validados e adaptados para o público de estudantes universitários, em especial os da Região Norte do Brasil, propõem-se a a validação da PSS-10 para esse público, sendo esta escala utilizada juntamente com demais Instrumentos para investigar e constar níveis preocupantes de sofrimento psíquico. Os achados reforçam a importância de medidas institucionais que priorizem a saúde mental no ensino superior e da utilização de instrumentos psicométricos sensíveis ao contexto sociocultural dos estudantes, contribuindo para diagnósticos mais precisos e ações preventivas mais eficazes.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Aversividade do Timeout em uma Situação de Escolha
    (Universidade Federal do Pará, 2025-11-04) SILVA, Yslaíne Lopes; SOARES FILHO, Paulo Sérgio Dillon; https://lattes.cnpq.br/8647259688931170; https://orcid.org/0000-0001-8944-764X; CARVALHO NETO, Marcus Bentes de; https://lattes.cnpq.br/7613198431695463; https://orcid.org/0000-0001-9550-409X; HUNZIKER, Maria Helena Leite; GONÇALVES, Fábio Leyser; COSTA, Carlos Eduardo; CORTÉS-PATIÑO, Diana Milena; https://lattes.cnpq.br/4360836633189310; https://lattes.cnpq.br/6100301531146481; https://lattes.cnpq.br/3652671184120969; https://lattes.cnpq.br/6818778734031623; https://orcid.org/0000-0003-0030-375X; https://orcid.org/0000-0003-1304-1963; https://orcid.org/0000-0002-9459-2013; https://orcid.org/0000-0001-5946-7690
    O procedimento de timeout (TO) é classicamente descrito como uma forma de punição negativa, na qual a resposta remove temporariamente o acesso a reforçadores. Apesar do seu amplo uso em contextos aplicados e experimentais, ainda existem lacunas conceituais e empíricas acerca dos mecanismos que sustentam seus efeitos sobre o comportamento. O Estudo 1 desta tese apresentou uma análise teórica do TO à luz de quatro modelos contemporâneos de escolha e valor do reforço: Delay Reduction Theory (DRT), Hyperbolic Value-Added (HVA), Teoria da Informação e SiGN. A discussão evidenciou que o TO não atua apenas pela simples retirada do reforço, mas modifica de maneira sistemática a estrutura temporal das contingências, alterando tanto os atrasos médios ao reforço quanto a quantidade de informação transmitida por estímulos sinalizadores. Assim, o TO pode produzir efeitos que se aproximam de punição, mas também desempenhar uma função discriminativa e moduladora da expectativa de reforço. O Estudo 2 apresentou quatro experimentos empíricos que investigaram os efeitos de diferentes durações e taxas de apresentação do TO em esquemas concorrentes com ratos Wistar. No Experimento 1, manipulou-se a duração do TO (5 s, 20 s e 60 s) em concorrentes VI 20 s - VI 20 s, com diferenças sistemáticas entre as durações na taxa de resposta, mas sem grande impacto na preferência pela opção sem TO. O Experimento 2 testou o TO apresentado em VI (5 s) com diferentes durações (5 s e 20 s), confirmando que a presença do TO diminuiu a taxa de respostas na alternativa associada, mas, novamente, sem efeito claro da duração na alocação da resposta. O Experimento 3, conduzido em cadeias concorrentes, replicou esse padrão, mostrando preferência pela alternativa sem TO, mas sem diferenças robustas entre durações curtas e longas. Por fim, o Experimento 4 variou a taxa de apresentação do TO (em VI 3 s, 5 s e 10 s), demonstrando que quanto maior a frequência de TOs, maior a evasão da opção associada, indicando que a taxa de TO, mais do que sua duração, é a variável crítica para a modulação da escolha. Contudo, a duração do TO se mostrou um fator consistente na alteração da taxa de resposta. De maneira integrada, os dois estudos contribuem para avançar a compreensão do TO em duas frentes complementares. Do ponto de vista teórico, apontam que os modelos de atraso e informação fornecem bases úteis para interpretar os efeitos do TO, mas carecem de refinamento quando aplicados a procedimentos de escolha simples e a manipulações paramétricas do TO. Do ponto de vista empírico, os resultados sugerem que a aversividade do TO não se relaciona linearmente à sua duração, mas sim à sua frequência de ocorrência e ao modo como reorganiza o fluxo temporal de reforços. Esses achados indicam que o TO deve ser compreendido não apenas como uma contingência de supressão, mas também como um evento que altera a estrutura informacional e temporal do ambiente, modulando as escolhas em função do atraso relativo e da previsibilidade de reforços. Essa perspectiva abre caminho para investigações futuras que articulem os efeitos do TO com modelos formais de escolha, explorando a interação entre atraso, sinalização e informação, em busca de uma estrutura conceitual mais abrangente para explicar seus efeitos tanto em contextos experimentais quanto em aplicados.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    O Efeito de Vídeos Educativos sobre as Escolhas Alimentares de Crianças e a Formação de Classes de Equivalência entre Frutas
    (Universidade Federal do Pará, 2025-09-17) SOUZA, Gilvandro Figueiredo; KATO, Olívia Misae; https://lattes.cnpq.br/3612219210222465; https://orcid.org/0000-0003-2296-2369; FIGUEIREDO, Rosana Mendes Éleres de; NEDER, Patrícia Regina Bastos; PAIXÃO, Glenda Miranda da; GOMES, Daniela Lopes; https://lattes.cnpq.br/7046879184175139; https://lattes.cnpq.br/8922509826589120; https://lattes.cnpq.br/4907341979044292; https://lattes.cnpq.br/0014255351015569; https://orcid.org/0000-0002-5262-3467; https://orcid.org/0000-0002-2090-4176; https://orcid.org/0000-0001-9479-2659; https://orcid.org/0000-0002-0092-3396
    Aprender sobre alimentação saudável na infância é essencial para formar hábitos duradouros e prevenir doenças. Para tanto, no Estudo 1 investigou-se o efeito de vídeos educativos nutricionais sobre as escolhas alimentares de 24 crianças de uma escola pública, entre 9 e 11 anos de idade, matriculadas no 4º e 5º anos do ensino fundamental, de ambos os sexos, divididas entre as categorias de peso ideal e acima do ideal. Foi aplicado o Teste de Preferência Alimentar (TPA) para avaliar a 1ª e 2ª escolhas de fotos de frutas, no Pré- teste, Pós-teste 1 e 2 e follow-up com sete, 14 e 28 dias. As crianças foram expostas às condições com vídeos curtos (VCs) e longos (VLs). A Condição 1A foi programada com aplicação do VC (“maçã” 15 s) no Pós-teste 1 e dos VCs (“uva”15 s+ “manga”15 s) no Pós-teste 2. A Condição 1B era o inverso da 1A. Na Condição 2A era aplicado os VLs sobre “maçã” no Pós-teste 1 e “banana” no Pós-teste 2, com duração de 1,41 min cada. A Condição 2B era o inverso da 2A. Os resultados demonstraram que 14 crianças apresentaram aumento no percentual das primeiras e segundas escolhas por fotos de frutas nos pós testes, com desempenho maior para os VLs nas primeiras escolhas e VCs para segundas escolhas. O efeito dos vídeos foi temporário para a maioria das crianças após sete dias. No Estudo 2, investigou-se o efeito da nodalidade na formação de classes de equivalência e a transferência de função entre as fotos das frutas mais e menos preferidas. Seis crianças do Estudo 1 e seis novas crianças participaram desse estudo. As crianças foram submetidas ao ensino das relações condicionais (AB/BC/CD/EC/EB/EA/FD/FC/FB/FA), com quatro nódulos, e testada a formação das relações de equivalência e transferência de função. Os resultados mostraram que 10 das 12 crianças atingiram os critérios para formação de relações de equivalência e nove transferiram a função em ao menos uma fase. O follow-up de sete dias indicou manutenção parcial das relações de equivalência e das escolhas que indicaram transferência de função. Vídeos de educação nutricional e o ensino de discriminações condicionais entre a preferência de fotos de frutas podem promover mudanças imediatas, consistentes e simbólicas para essas escolhas em crianças.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Vivências que Transformam: proposição e evidências de um programa de intervenção com professores para o enfrentamento do abuso sexual contra crianças e adolescentes
    (Universidade Federal do Pará, 2025-04-14) LIMA, Fernanda Monteiro; CAVALCANTE, Lília Iêda Chaves; https://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651; PESSOA, Alex Sandro Gomes; MENEZES, Aline Beckmann de Castro; NUNES, Ana Letícia de Moraes; VELOSO, Milene Maria Xavier; https://lattes.cnpq.br/4333565964821090; https://lattes.cnpq.br/8107199720875369; https://lattes.cnpq.br/7585123276083296; https://lattes.cnpq.br/6105598873866312; https://orcid.org/0000-0002-9271-8575; https://orcid.org/0000-0002-3136-3707; https://orcid.org/0000-0003-3833-843X; https://orcid.org/0000-0002-1035-8968
    Compreende-se o abuso sexual como um fenômeno complexo e multideterminado, sustentado e reproduzido por crenças que o toleram ou o legitimam, bem como por imagens sociais acerca de seus autores e vítimas. Dessa forma, destaca-se que o enfrentamento do abuso sexual passa pela desestabilização dessas crenças e imagens sociais, considerando o papel fundamental do professor e da escola na rede de apoio e proteção a crianças e adolescentes. Nesse sentido, o objetivo desta tese foi desenvolver, aplicar e avaliar os efeitos, a viabilidade e a aceitabilidade de um programa de intervenção voltado para professores sobre crenças relacionadas ao abuso sexual contra crianças e adolescentes, bem como as imagens atribuídas aos autores e às vítimas. Para isso, foram realizados quatro estudos independentes, porém interrelacionados. O primeiro estudo teve o objetivo de analisar as crenças que os professores participantes da pesquisa têm acerca do abuso sexual contra crianças e adolescentes e sua relação com as variáveis pesquisadas. Para isso, realizou-se uma pesquisa descritivo-exploratória com a participação de 105 docentes, com os quais foram utilizados dois instrumentos, formulário de caracterização e a Escala de Crenças sobre o Abuso Sexual contra crianças e adolescentes (ECAS). A análise estatística, por meio do Teste Qui-Quadrado, revelou uma associação significativa entre as variáveis sexo e ter sofrido abuso sexual (𝜒²=0,05), indicando que mulheres têm maior probabilidade de relatar esse tipo de experiência em comparação aos homens. Os resultados indicaram também uma frequência (14%) na posição “nem discordo, nem concordo” demonstrando uma posição de neutralidade no que diz respeito a quem é o autor de agressão. O segundo estudo teve o objetivo de analisar as imagens sociais atribuídas pelos professores da educação básica às crianças e aos adolescentes vítimas de abuso sexual, bem como sobre os autores dessa forma de violência, a partir de instrumento específico sobre as imagens sociais. As frequências das palavras foram: triste (45) à imagem da criança vítima de abuso sexual, agressivo (31) ao adolescente vítima de abuso sexual corroborando com a imagem negativa encontrada nos estudos sobre o adolescente em situação de acolhimento institucional. Quanto ao autor de abuso sexual, a imagem teve o sentido da dissimulação (33), violência (21) e manipulação (19). A partir desses achados, construiu-se o terceiro estudo, cujo objetivo foi de desenvolver um programa de intervenção com professores no sentido de contribuir para o enfrentamento do abuso sexual contra crianças e adolescentes. Elaborou-se assim o programa “Vivências que Transformam”, cuja estrutura detalhada busca fornecer subsídios para que ele possa ser replicado em diferentes contextos escolares e diversas regiões. Por fim, o quarto estudo buscou as evidências sobre os efeitos, a viabilidade e a aceitabilidade do programa, analisando os construtos crenças e imagens sociais por meio de instrumentos aplicados antes e depois da intervenção, além do follow-up, utilizando grupo experimental e grupo controle. Os resultados demonstraram um impacto positivo na percepção dos participantes, sugerindo que as diferenças encontradas no grupo experimental podem ser atribuídas à participação no programa proposto. O Teste Qui-Quadrado demonstrou significância estatística das mudanças nas respostas ao longo do tempo. Destacando-se no grupo experimental uma mudança significativa nas respostas relacionada à primeira assertiva, com o (p=0,007) sobre os abusadores serem pessoas diferentes das pessoas normais, com (30%) dos participantes discordavam totalmente antes da intervenção aumentando para (70%) após, e permanecendo em (65%) no follow-up. Outro resultado que merece ser destacado diz respeito a responsabilização dos adolescentes vítimas, antes da intervenção (63%) discordavam totalmente, após (81%) e no follow-up (92%). Outrossim, os professores demonstraram alta aceitabilidade e adesão, sem registro de desistências a partir do questionário de avaliação de eficácia e satisfação com o programa. Diante desses achados, considera-se que o programa de intervenção proposto por esta tese pode contribuir para a formação de políticas públicas voltadas para a prevenção e o enfrentamento do abuso sexual contra crianças e adolescentes. Ressalta-se que se trata de um programa de baixo custo, passível de aplicação em diferentes contextos, que pode favorecer a construção de um ambiente mais seguro e propício ao desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Intervenções em Segurança Comportamental no Contexto de Trabalho de Cicloentregadores e de Empregados Terceirizados
    (Universidade Federal do Pará, 2025-02-20) QUARESMA, Cezar Romeu de Almeida; RAMOS, Camila Carvalho; https://lattes.cnpq.br/4681656913940932; https://orcid.org/0000-0002-9801-9361; BARROS, Romariz da Silva; https://lattes.cnpq.br/7231331062174024; https://orcid.org/0000-0002-1306-384X; DELABRIDA, Zenith Nara Costa; HUZIWARA, Edson Massayuki; MENEZES, Aline Beckmann de Castro; SILVA, Álvaro Júnior Melo e; https://lattes.cnpq.br/2343748428978209; https://lattes.cnpq.br/4671775690334406; https://lattes.cnpq.br/8107199720875369; https://lattes.cnpq.br/8960291779730857; https://orcid.org/0000-0003-1878-6040; https://orcid.org/0000-0003-4313-5821; https://orcid.org/0000-0002-3136-3707
    A preocupação com a segurança e saúde no trabalho tem motivado inúmeros estudos ao redor do mundo e favorecem o desenvolvimento de estratégias de segurança que possam diminuir os prejuízos econômicos e morbimortalidade entre os trabalhadores. A Behavior Based- Safety (BBS), uma subárea da Organizational Behavior Management (OBM), tem oferecido dados empíricos de delineamentos experimentais bem-sucedidos no contexto do trabalho. Apesar disso, a aplicação dessas estratégias no mercado informal e precarizado ainda é incipiente. Nesta pesquisa objetivou-se investigar os efeitos de intervenções sobre a frequência do uso do capacete de ciclismo, enquanto equipamento de proteção individual – EPI, em duas amostras de participantes: em cicloentregadores de comida plataformizados (Estudo 1) e em empregados terceirizados (Estudo 2) que utilizam a bicicleta para se deslocarem para o trabalho. O delineamento experimental consistiu na implementação de um procedimento de Linha de Base Múltipla que envolvia as etapas de acesso ao capacete e envio de vídeos e banners com feedback (Estudo 1) e a adição de uma terceira etapa com a apresentação contingente de acessórios adicionais de segurança e estética (Estudo 2). O efeito da aplicação de um pacote de intervenção (VI) sobre o uso do capacete (VD) foi avaliado em um delineamento de linha de base múltipla entre os participantes. Resultados mostram que a segurança do trabalhador nesses contextos laborais pode ser promovida pela exigência que as empresas forneçam o EPI, acompanhada por programas de estimulação do uso a serem implementadas presencialmente ou por meio das próprias plataformas digitais. Os dados mostram diferenças interindividuais entre os participantes quanto à efetividade de intervenção nos dois estudos e apontam para a necessidade de maiores estudos na área com mais participantes.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Crianças Refugiadas e Migrantes: acolhimento, rotinas e brincadeiras em Santarém – PA
    (Universidade Federal do Pará, 2025-04-16) SILVA, Andréa Imbiriba da; CAVALCANTE, Lília Iêda Chaves; https://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651; KAPPLER, Stella Rabello; ALMEIDA, Sara Guerra Carvalho de; COSTA, Amanda Cristina Ribeiro; MAGALHÃES, Celina Maria Colino; https://lattes.cnpq.br/0929888063044256; https://lattes.cnpq.br/5664801952871192; https://lattes.cnpq.br/9334603555223473; https://lattes.cnpq.br/1695449937472051; https://orcid.org/0000-0002-5903-9845; https://orcid.org/0000-0003-4125-4886; https://orcid.org/0000-0003-1765-2972; https://orcid.org/0000-0002-1279-179X
    Esta pesquisa utilizou a Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano de Bronfenbrenner e o Modelo Bioecológico para analisar quentões ambientais e as interações sociais no desenvolvimento infantil em uma instituição de acolhimento voltada para o atendimento a essa população. Essa abordagem permite compreender fatores como as políticas públicas, cultura local e interações com cuidadores e familiares influenciam a adaptação e o bem-estar das crianças refugiadas e migrantes. A pesquisa investiga as especificidades do acolhimento institucional de crianças migrantes e refugiadas na Região Oeste do Pará, com foco na iniciativa de Santarém-PA. A tese compreende cinco estudos independentes, mas interligados, que seguem uma abordagem teórico- metodológica orientada pela teoria bioecológica. O objetivo central da tese é compreender como a instituição se configura como um contexto ecológico de desenvolvimento, proporcionando cuidado, educação e proteção por meio de suas rotinas e brincadeiras. Esse acolhimento ocorre em um cenário no qual essas crianças e suas famílias buscam melhores condições de vida no Brasil, após deixarem para trás seus países de origem, lares, familiares e redes de apoio. O primeiro estudo realiza uma revisão integrativa da literatura para mapear como os serviços de acolhimento para migrantes e refugiados se organizam em diferentes partes do mundo, incluindo o Brasil. Os resultados demostram que existem diferentes formas de conduzir esse acolhimento. A análise temática da literatura mostra a existência de duas formas: primária e secundária. A primária abrange questões emergenciais como triagem, primeiros socorros, providência de documentação e espera pelo encaminhamento para a próxima fase. Já a segunda refere-se à efetivação do acolhimento em uma instituição ou casa destinada a esse público. O segundo estudo priorizou a investigação das condições físicas e sociais da instituição pesquisada, avaliando seu papel como ambiente de desenvolvimento infantil. Os resultados evidenciam fragilidades estruturais, especialmente na divisão dos dormitórios destinados às famílias. As acomodações não possuem divisórias fixas, sendo separadas por materiais improvisados, como tecidos e lonas plásticas. A ausência de uma infraestrutura adequada pode comprometer a privacidade, segurança e conforto das famílias, além de gerar impactos emocionais para as crianças refugiadas, que já enfrentam dificuldades de adaptação. Esses achados indicam a necessidade de investimentos na infraestrutura do acolhimento, garantindo condições dignas para essa população. O terceiro estudo traçou um perfil biopsicossocial das crianças e famílias acolhidas nesta instituição, fornecendo um panorama detalhado dessa população. A análise estatística, realizada por meio do software R, revelou padrões significativos. Os resultados indicam que a maioria dos acolhidos é venezuelana, com destaque para a etnia indígena Warao (36% mulheres e 34% homens). Adicionalmente, 67% dos homens e 62% das mulheres possuem protocolo de refúgio ativo, 41% dos homens e 32% das mulheres estão desempregados, evidenciando desafios para inserção no mercado de trabalho. Ademais, 15% dos homens e 15% das mulheres não possuem formação acadêmica, dificultando ainda mais a inserção profissional. Apenas 5,5% das crianças participam de programas de ambientação escolar, e 15% estão matriculadasno ensino fundamental, indicando barreiras ao acesso educacional. Esses dados reforçam a vulnerabilidade social e econômica dessa população, destacando a necessidade de políticas públicas que garantam inclusão educacional, qualificação profissional e integração socioeconômica. O quarto estudo analisou a rotina das crianças no acolhimento, identificando padrões de atividades e interações ao longo do dia. Os dados indicam que 95% das atividades ocorrem dentro da instituição pela manhã e 100% à noite (p < 0,001), o que sugere interação limitada com a comunidade externa. A companhia dos pais é reduzida à convivência nos finais de semana (2,2% a 6,4%, p< 0,001), enquanto a presença de parentes próximos aumenta à noite (72%). O brincar ocorre principalmente à tarde (38% nos finais de semana, 21% durante a semana, p < 0,001), mas está ausente no turno da noite. Embora a previsibilidade da rotina possa proporcionar estabilidade emocional, a falta de interações sociais diversificadas afeta negativamente o desenvolvimento infantil. Esses achados reforçam a importância de estimular a participação das crianças em atividades externas e ampliar sua interação com a comunidade local. O quinto estudo investiga as brincadeiras das crianças migrantes e refugiadas, explorando seu papel no desenvolvimento infantil. A análise de 64 registros de brincadeiras revelou que 78% delas envolveram interação com outra criança, enquanto 22% foram realizadas de forma solitária. Além disso, 56% das interações ocorreram entre meninas e 44% entre meninos. No que se refere à faixa etária, 82% das interações foram entre crianças da mesma faixa etária (coetâneas), enquanto 18% envolveram crianças de idades diferentes (não coetâneas). Esses resultados indicam que as crianças buscam ativamente socialização por meio do brincar, mas a presença significativa de brincadeiras solitárias sugere que algumas enfrentam dificuldades de adaptação ou socialização. Outrossim, a falta de espaços com diferentes estímulos físicos e sociais pode limitar a aquisição de habilidades essenciais para o desenvolvimento infantil. A pesquisa evidencia que o acolhimento de crianças migrantes e refugiadas ainda enfrenta desafios estruturais, sociais e políticos, comprometendo o desenvolvimento pleno dessa população. A referência à Teoria Bioecológica do Desenvolvimento Humano permitiu compreender como diferentes níveis do ambiente impactam a experiência do acolhimento como um contexto de desenvolvimento da criança migrante e refugiada.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Ensino de Mandos para Autistas: Revisão Sistemática e Análise da Relação com Nomeação Bidirecional e Incidental após Ensino Intensivo de Tato
    (Universidade Federal do Pará, 2025-06-30) MARTINS, Jade Cristine Trindade; SOUZA, Carlos Barbosa Alves de; http://lattes.cnpq.br/1264063598919201
    A Análise do Comportamento Aplicada tem buscado promover tecnologia de ensino de comportamento verbal, sendo o mando o operante mais estudado. O comportamento verbal pode estar ausente ou pouco desenvolvido no repertório de pessoas autistas, especialmente quando considerada a aprendizagem em ambiente natural. O treino de mando promove a comunicação funcional e reduz comportamentos interferentes, conforme as crescentes pesquisas sobre o tema. Apesar de pouco estudada, a emergência de mando generalizado pode estar relacionada ao estabelecimento da integração dos repertórios de ouvinte e falante, caracterizada como a relação comportamental bidirecional de nomeação. Considerando algumas lacunas nas revisões de ensino de mando e nas investigações sobre a emergência de mandos e sua relação com a integração ouvinte-falante, dois estudos independentes foram delineados. O Estudo 1 contém uma revisão sistemática de 176 pesquisas sobre ensino de mando para pessoas autistas, publicadas até 2020, buscando categorizar e relacionar perfis de participantes, componentes das intervenções e resultados. A maioria dos estudos foi conduzida em escolas, continha participantes até 10 anos e com repertório verbal pré-existente. As variáveis independentes (VIs) mais utilizadas foram reforçamento diferencial e ajuda para emissão da resposta, manipulação da operação motivadora, e treino de comunicação funcional. A variável dependente mais frequente foi mando por item. Estudos sobre a emergência de mandos sem treino direto foram escassos. Foram catalogados os tipos de procedimento de indução de mando, sendo a apresentação do reforçador o mais utilizado. A maioria dos estudos foi, pelo menos, parcialmente eficaz para aquisição dos mandos. Sugere-se análise mais detalhada da relação dos perfis de participantes e a efetividade das VIs. O Estudo 2 investigou os efeitos do ensino intensivo de tato (Intensive Tact Instruction – ITI) sobre a indução de mandos, nomeação bidirecional (NB- o ensino de resposta de ouvinte resulta na emergência de respostas de falante, e vice-versa) e nomeação bidirecional incidental (NBI – a exposição incidental aos nomes de objetos/eventos resulta na emergência de respostas de ouvinte e tato para os mesmos), buscando analisar possíveis relações entre esses repertórios. O ITI envolveu 100 tentativas de ensino por sessão, para três conjuntos de estímulos de cinco categorias, incluindo também imagens de itens de preferência. Os mandos e repertórios de NB e NBI foram testados antes e após o ensino ITI com cada conjunto. Todos os participantes apresentaram mandos, dois participantes apresentaram NB e NBI, e um apresentou NB e o componente de ouvinte da NBI. Discute-se a relação entre esses repertórios e a necessidade de estudos mais minuciosos sobre o tema.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Avaliação de um sistema on-line de instrução personalizado na aprendizagem conceitual e procedimental de professores da educação especial
    (Universidade Federal do Pará, 2025-01-30) COSTA, Malena Russelakis Carneiro; SOUZA, Carlos Barbosa Alves de; http://lattes.cnpq.br/1264063598919201
    Procedimentos analítico-comportamentais têm sido apontados como efetivos para a capacitação de professores que atuam na educação especial. A maioria, no entanto, é implementada de forma presencial e individual, o que implica pior custo-benefício quando comparado a treinamentos on-line. O presente estudo avaliou a eficácia de um Sistema On-line de Instrução Personalizado (SOIP) para ensinar conhecimentos declarativos sobre diagnóstico do autismo, conceitos básicos de Análise do Comportamento, e implementação de três procedimentos analíticocomportamentais (Avaliação de Preferências Múltipla sem Reposição, Análise Funcional Sintética e Treino de Comunicação Funcional) para trinta e cinco professores da educação especial. Todos os professores completaram os módulos do SOIP, organizados de forma sequencial e individualizada, incluindo vídeo-instrução, material escrito e feedback escrito e computadorizado. A progressão entre os módulos dependia do cumprimento de critérios mínimos de desempenho em pós-testes de aprendizagem. Nove participantes foram submetidos a testes de generalização para verificar a aplicação prática dos conhecimentos procedimentais em ensaios simulados com confederados. Esses testes envolveram a implementação dos três procedimentos analítico-comportamentais aprendidos, avaliando a precisão de respostas corretas. Os resultados indicaram que o SOIP foi efetivo para o ensino de conhecimentos declarativos. No entanto, no teste de generalização, nenhum participante atingiu critério para implementar os procedimentos de forma independente, exigindo treinamento adicional com feedback. Este estudo contribui para o desenvolvimento de metodologias eficientes e acessíveis de capacitação de professores, destacando a importância de combinar sistemas de ensino on-line com estratégias presenciais para maximizar a aprendizagem e a aplicação prática de repertórios analítico-comportamentais na educação especial.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Treinamento de pessoas no desenvolvimento de habilidades de intervenção analítico-comportamental ao TEA
    (Universidade Federal do Pará, 2024-12-16) CASTRO, Ravi Moreira Lima de; MARTINS, Tatiana Evandro Monteiro; http://lattes.cnpq.br/7616890300950792; https://orcid.org/0000-0002-5270-1912; BARROS, Romariz da Silva; http://lattes.cnpq.br/7231331062174024; https://orcid.org/0000-0002-1306-384X
    O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado por déficits persistentes de comunicação e interação social, além de padrões repetitivos e restritos de comportamento, interesses ou atividades. O refinamento das ferramentas de diagnóstico para TEA tem gerado um consequente aumento da prevalência dos casos. Isso tem gerado uma crescente necessidade de mão de obra qualificada para atender esse público. Todavia, a demanda vem excedendo o número de profissionais qualificados no mercado e, consequentemente, deixando pessoas sem assistência de qualidade. É necessário estudar a eficiência de métodos (presenciais ou remotos) de treinamento de profissionais e familiares para atender pessoas com TEA. Um primeiro passo é identificar a diversidade de formatos de treino que vêm sendo utilizados. Em seguida, é necessário identificar a eficiência desses procedimentos de treino e mapear os repertórios ensinados. A presente tese de doutorado visou mapear a variedade de procedimentos de treinamento que vêm sendo pesquisados (e, portanto, para os quais há evidências empíricas de eficácia) para formação de profissionais e pais na atuação em intervenções baseadas em ABA para pessoas com diagnóstico de TEA (Estudo 1). Além disso, um estudo experimental foi realizado para avaliar a eficiência de um modelo de ensino remoto, o Interactive Computer Training (ICT), investigando uma competência ainda pouco explorada por esse tipo de ensino, a realização de Avaliação Funcional Descritiva (Estudo 2). O Estudo 1 compilou e analisou a literatura voltada para treinamento de profissionais e pais e/ou cuidadores para aplicarem intervenções analíticocomportamentais aplicadas ao TEA. Os achados apontaram que todas as modalidades analisadas (e.g., presencial, híbrido, remoto e manuais) têm sido eficazes para o ensino de procedimentos com evidências baseadas em ABA. Todavia, o ensino na modalidade remota e via manuais tem obtido os melhores resultados. Já o ensino através de tecnologias remotas tem alcançado os melhor eficiência. O Estudo 1 apontou que, assim como o ensino por manuais, o ICT ainda carece de mais investigações sobre repertórios relevantes para a clínica analítico-comportamental aplicada ao TEA. Assim, o Estudo 2 voltou-se para expandir a análise do ICT como método de treinamento para o repertório de Avaliação Funcional Descritiva. Participaram do estudo quatro estudantes de graduação em psicologia e uma profissional da odontologia. De modo geral, os dados apontaram a eficácia do ICT no ensino do repertório-alvo, tendo todas as participantes atingido o critério de aprendizado ao final do estudo. Duas das quatro participantes necessitaram de feedback adicional para alcançar esse critério. Esse dado reforça os achados de estudos anteriores, apontando que o ensino via ICT é eficiente, mas que esse método não retira a necessidade da supervisão do analista do comportamento no treinamento, visto que a supervisão de profissional é fundamental para avaliar o repertório aprendido na formação, além de fornecer suporte no treinamento do aprendiz quando necessário.