Teses em Teoria e Pesquisa do Comportamento (Doutorado) - PPGTPC/NTPC

URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2334

O Doutorado Acadêmico iniciou-se em 2000 e pertence ao Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento (PPGTPC), que integra o Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento (NTPC) da Universidade Federal do Pará (UFPA).

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  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Forças de Caráter e Reincidência Penitenciária: um estudo na perspectiva da psicologia positiva
    (Universidade Federal do Pará, 2026-09-01) MACHADO, Marcos Antonio Santos; GOUVEIA JUNIOR, Amauri; http://lattes.cnpq.br/1417327467050274; https://orcid.org/0000-0003-1710-9662; DIAS, Edgar Toschi; PEDROSO, Janari da Silva; CRUZ, Edson Júnior Silva da; FREITAS JUNIOR, Lauro Francisco da Silva; http://lattes.cnpq.br/0811672026179794; http://lattes.cnpq.br/4096274367867186; http://lattes.cnpq.br/0227617708373838; http://lattes.cnpq.br/8724610611913393; https://orcid.org/0000-0002-5226-2956; http://orcid.org/0000-0001-7602-834X
    A reincidência infracional envolve fatores individuais, familiares, sociais e institucionais. Este estudo examinou relações entre forças de caráter, características sociodemográficas, trajetória infracional e reincidência em adolescentes e jovens internados. Adotou-se abordagem mista, exploratória e transversal, com 46 participantes (idade média = 16,02 anos), dos quais 76,1% eram reincidentes. Analisaram-se dados sociodemográficos e infracionais, escores da Escala de Forças de Caráter Ampliada (EFC-A) e entrevistas semiestruturadas. Aplicaram-se comparações grupais, regressões logísticas e análise lexical pelo IRAMUTEQ. Nenhuma força, virtude ou variável sociodemográfica e infracional associou-se significativamente à reincidência. Justiça apresentou sinal exploratório, não mantido após ajuste para comparações múltiplas. A análise qualitativa classificou 554 segmentos em quatro campos: dinâmica infracional e violência patrimonial; drogas, rua e socialização infracional; projeto de vida, autopercepção e reinserção; e suporte familiar, visitas e aconselhamento. O histórico de reiteração e as narrativas mostraram a coexistência de vulnerabilidades, recursos subjetivos, vínculos e expectativas de reorganização; o estudo não acompanhou novas ocorrências após a internação. Na amostra, tipo de ato, características individuais e forças de caráter não discriminaram de modo estável os grupos definidos pelo histórico de reiteração. As forças constituem recursos a desenvolver, não marcadores de risco ou proteção. Defende-se intervenção socioeducativa integrada, articulando responsabilização, cuidado relacionado ao uso de substâncias, vínculos, escolarização, qualificação profissional e projetos futuros.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Percepções de homens gays brasileiros acerca da homofobia internalizada e qualidade de vida
    (Universidade Federal do Pará, 2026-08-28) GOMES, Hiago Veras; ARAÚJO, Ludgleydson Fernandes de; http://lattes.cnpq.br/1897410114807269; PEDROSO, Janari da Silva; http://lattes.cnpq.br/4096274367867186; http://orcid.org/0000-0001-7602-834X; MOREIRA, Maria Adelaide Silva Paredes; GONÇALVES, Marina Pereira; GOUVEIA JUNIOR, Amauri; FREIRE, Sandra Elisa de Assis; MOYANO, Nieves; MAGALHÃES, Celina Maria Colino de; http://lattes.cnpq.br/8309785701371089; http://lattes.cnpq.br/3902132745229931; http://lattes.cnpq.br/1417327467050274; http://lattes.cnpq.br/8475952514035497; .; http://lattes.cnpq.br/1695449937472051; https://orcid.org/0000-0001-9460-9172; https://orcid.org/0000-0002-6344-7059; https://orcid.org/0000-0003-1710-9662; https://orcid.org/0000-0003-1083-6963; https://orcid.org/0000-0002-5416-9464
    Esta tese investiga a homofobia internalizada (HI) e sua relação com a qualidade de vida (QV) em homens gays brasileiros, em um delineamento transversal com grupos etários vinculados a diferentes momentos do curso de vida. Ancorada na Teoria do Estresse de Minoria, parte-se do entendimento de que a HI não constitui um fenômeno psicológico estático ou homogêneo, mas dinâmico, contextual e multinível, cujas repercussões variam conforme a etapa de vida e as condições socioeconômicas. Adotou-se um percurso multimétodo progressivo, estruturado em quatro estudos complementares. O Estudo 1, uma revisão metaetnográfica com 11 estudos, identificou dois eixos organizadores da HI, um proximal (saúde mental, autoimagem, revelação da orientação sexual, status sorológico) e um distal (estigma, discriminação, contexto socioeconômico), evidenciando que maiores índices de HI se associam consistentemente a pior QV na literatura. O Estudo 2, com 136 participantes, revelou que a experiência da homofobia muda de forma ao longo da vida: no Grupo 1 (18-29 anos) associa-se a medo e restrição de espaços públicos; no Grupo 2 (30-49 anos), a rejeição familiar e barreiras profissionais; e no Grupo 3 (50 anos ou mais), a isolamento e invisibilidade social. O Estudo 3 mostrou que a própria concepção de QV é geracionalmente situada, organizando-se em cinco dimensões (saúde, relações sociais, lazer, segurança, autonomia) que assumem prioridades distintas conforme a faixa etária. O Estudo 4, com 138 participantes, testou essas relações empiricamente: a HI associou-se negativamente aos domínios psicológico e de relações sociais da QV, sem associação significativa com os domínios físico e ambiental, mesmo após controle sociodemográfico. A renda emergiu como moderadora com efeito duplo: atenua o impacto da opressão social, mas intensifica o efeito do estigma internalizado, contrariando a premissa de que maior renda protege contra o preconceito internalizado. A integração desses achados fundamenta. um modelo de três níveis interdependentes (individual, relacional e estrutural) influenciados pelo curso de vida, ampliando sem romper a Teoria do Estresse de Minoria. Conclui-se que a HI constitui fator psicossocial crítico e dinâmico para a QV de homens gays brasileiros, com expressões geracionalmente distintas que demandam respostas articuladas em níveis clínico, comunitário e de políticas públicas.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Ensino de discriminação de sílabas e emergência da leitura recombinativa em crianças com transtorno de aprendizagem e treinamento de cuidadores
    (Universidade Federal do Pará, 2023-03-22) OLIVEIRA, Julio Cezar Pereira de; KATO, Olivia Misae; http://lattes.cnpq.br/3612219210222465; FEIO, Leila do Socorro Rodrigues; COSTA, Andrea Lilian Marques da; GOULART, Paulo Roney Kilpp; SOUZA, Ruth Daisy Capistrano de; http://lattes.cnpq.br/0312002933984435; http://lattes.cnpq.br/3397209187174021; http://lattes.cnpq.br/7800966999068746; http://lattes.cnpq.br/1938685418183005
    Leitura recombinativa consiste na emergência da leitura de palavras formadas pela recombinação de sílabas e letras de ensino. O ensino explícito de discriminação de sílabas tem gerado a emergência imediata da leitura recombinativa de novas sílabas e de palavras. O treinamento de cuidadores tem sido bastante utilizado na intervenção de pessoas com diferentes tipos de demanda comportamental e com escassez de estudos sobre o treinamento para a aplicação de procedimentos de ensino de repertórios básicos de leitura. Foram realizados dois Estudos e o objetivo do Estudo 1 foi aplicar em crianças com transtorno de aprendizagem (TDAH) um procedimento de ensino de leitura que tem demonstrado eficiência no estabelecimento de leitura textual de sílabas de ensino e recombinadas como pré-requisitos para a leitura textual e com compreensão de palavras em indivíduos cegos e visonormais. Os participantes foram três crianças de nove a 11 anos de idade matriculadas em escolas públicas de Belém - PA. O procedimento geral consistiu em pré-teste, três etapas contendo fases de ensino de discriminações condicionais e testes de leitura textual de sílabas, leitura textual e com compreensão de palavras, cópia e ditado. Os resultados demonstraram a apresentação de 100% na discriminação e leitura textual de todas as sílabas após reexposições e revisões das fases de ensino na Etapa I e emergência parcial dos desempenhos testados na Fase 2. O objetivo do Estudo 2 foi programar e implementar um treinamento para cuidadores aplicarem o delineamento do Estudo 1 em crianças com transtorno de aprendizagem. Participou uma cuidadora de 40 anos de idade e a filha de oito anos de idade matriculada em uma escola públicas de Belém – PA. O procedimento de treinamento consistiu em três fases formadas por ensino e teste teórico da aplicação do procedimento, role playing e aplicação parcial do procedimento na criança. Os resultados apresentaram aprendizagem dos pré-requisitos básicos para a aplicação de um procedimento de ensino de leitura.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Coparentalidade e Auto-eficácia de Cuidadores de Crianças com Paralisia Cerebral
    (Universidade Federal do Pará, 2017-04-28) SOUZA, Priscilla Bellard Mendes de; SILVA, Simone Souza da Costa; http://lattes.cnpq.br/9044423720257634; RIBEIRO, Maysa Ferreira Martins; CAVALCANTE, Lilia Iêda Chaves; PINTO, Denise da Silva; PONTES, Fernando Augusto Ramos; http://lattes.cnpq.br/6305488604604741; http://lattes.cnpq.br/4743726124254735; http://lattes.cnpq.br/9586650002626739; http://lattes.cnpq.br/1225408485576678; https://orcid.org/0000-0002-7871-6987; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651
    o pesquisas em forma de artigos científicos, sendo um estudo de Revisão Sistemática de Literatura (RSL), e três empíricas. No primeiro, foi desenvolvida uma RSL com o objetivo de descrever os instrumentos existentes de coparentalidade, assim como traçar o perfil dos contextos familiares mais investigados pelos mesmos. Os resultados mostraram que as pesquisas ora desenvolvidas, investigaram a coparentalidade exclusivamente através de uma abordagem quantitativa, e que os instrumentos disponíveis estavam estruturados em forma de escalas. Foi possível através deste estudo eleger o instrumento de coparentalidade viável a ser utilizada nas pesquisas empíricas que seriam posteriormente desenvolvidas. Quanto aos contextos investigados, foi possível perceber que as famílias nucleares foram os contextos mais pesquisados. Estes dados deram base para fomentar os objetivos a serem contemplados nos demais estudos. O segundo e terceiro estudos contaram com a participação de 84 cuidadores principais de crianças com PC atendidos em um Centro de Referência em desenvolvimento infantil de Belém-Pará-Brasil. A coleta de dados ocorreu na sala de espera do Centro nos dias em que as crianças possuíam atendimentos agendados. Os dados foram analisados através da Técnica de Análise de Correspondência. O objetivo do segundo estudo foi descrever e analisar as relações coparentais dos cuidadores a partir de suas características sociodemográficas, observando possíveis correlações entre as variáveis, sendo utilizadas três medidas: Coparenting Questionnaire (CQ), o Inventário Sociodemográfico (ISD) e o Sistema de Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS). A análise dos dados mostrou cuidadores com baixo nível de coparentalidade, associado ao gênero e idade das crianças, ao fato destas não frequentarem a escola, e níveis mais elevados de comprometimento motor. Da mesma forma, constatou-se que o estado civil e a religião dos cuidadores, a renda e a estrutura familiar, influenciaram suas relações coparentais. Através da utilização dos instrumentos supracitados, acrescidos de uma Escala de Auto-eficácia, o terceiro estudo foi desenvolvido com o objetivo de descrever e analisar, além das relações coparentais, o nível de auto-eficácia parental dos participantes, mostrando os comportamentos nos quais os cuidadores se sentem mais auto-eficazes. Os dados mostraram além do baixo nível de coparentalidade, baixo nível de auto-eficácia. Quanto aos aspectos para os quais se mostraram auto-eficazes, os relacionados à rotina de cuidados aos filhos foram os principais. Dentre os que se mostraram menos auto-eficazes estiveram aos aspectos clínicos infantis, como a ocorrência de convulsões. Não foram encontradas associações estatisticamente significativas entre os escores gerais de coparentalidade e a autoeficácia. O quarto estudo consiste em uma pesquisa de natureza mista quanti-qualitativa, constituida por duas fases, sendo que na primeira participaram 84 cuidadores e na segunda, nove díades coparentais. A coleta de dados deu-se através da aplicação do CQ na primeira fase, e de entrevistas semiabertas realizadas na residência dos cuidadores, objetivando-se analisar a percepção dos mesmos sobre suas relações coparentais, sendo suas falas analisadas a partir da análise de conteúdo. A técnica de Análise dos Componentes Principais foi aplicada aos dados proveniente do CQ. Através de três níveis propostos de coparentalidade (positiva, média e negativa), percebeu-se que duas díades apresentaram coparentalidade positiva, cujo fator principal foi a cooperação na divisão de cuidados aos filhos com PC. Cinco díades foram classificadas com média coparentalidade, sendo observada a presença de cooperação e conflitos nas díades. Duas díades apresentaram coparentalidade negativa, associada à existência de conflito coparental e conjugal, e total insatisfação materna. Os dados mostraram a carência de estudos na área (estudo 1), percebeu-se que contexto de vulnerabilidade socioeconômica e a baixa qualidade na relação conjugal está associada ao baixo nível de coparentalidade dos cuidadores (estudo 2 e 4), da mesma forma que se percebeu cuidadores com baixa auto-eficácia parental quando deparados com uma situação extrema como o enfrentamento de uma convulsão (estudo 3). Ao fim desta Tese, espera-se que os dados aqui mostrados contribuam para o esclarecimento acerca das relações coparentais, assim como a auto-eficácia parental.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Qualidade de vida de idosos residentes em contextos urbanos e rurais: análise comparativa
    (Universidade Federal do Pará, 2020-02-20) ROCHA, Manuela Lima Carvalho da; NASCIMENTO, Rodolfo Gomes do; http://lattes.cnpq.br/5645426555194230; https://orcid.org/0000-0002-4619-5646; MAGALHÃES, Celina Maria Colino de; http://lattes.cnpq.br/1695449937472051; PEDROSO, Janari da Silva; CARVALHO, Paula Danielle Palheta; BUCHER-MALUSCHKE, Julia Sursis Nobre Ferro; KHOURY, Hilma Tereza Tôrres; http://lattes.cnpq.br/4096274367867186; http://lattes.cnpq.br/7146153074492605; http://lattes.cnpq.br/9459333264901017; http://lattes.cnpq.br/6775787474973571; http://orcid.org/0000-0001-7602-834X
    O objetivo foi analisar a qualidade de vida de idosos residentes em contextos urbanos e rurais do município de Belém-PA. Foram elaborados quatro estudos com delineamento transversal e quase experimental com abordagem quantitativa dos dados. Participaram do estudo idosos a partir de 65 anos de idade, residentes em Belém no contexto urbano e rural, ausência de déficit cognitivo e suspeita de sintomas depressivos. Para a coleta dos dados foram utilizados os instrumentos: Questionário de caracterização dos participantes; Escala de Depressão Geriátrica - GDS 15; Exame Cognitivo de Addenbrooke - versão revisada – ACE-R; Questionário das condições habitacionais; Roteiro da Rotina Semanal; e Versão brasileira do questionário de qualidade de vida - SF36. Foi aplicado o programa SPSS versão 25.0 para tabulação e análise dos dados por meio dos Testes Quiquadrado, G e T de Student. Verificou-se na revisão sistemática da literatura que a cognição está associada à qualidade de vida principalmente quando relacionada às disfunções cognitivas em idosos. No contexto urbano, 67,3% dos idosos estão na faixa etária de 65 a 74 anos (p=0,01); são predominantemente do sexo feminino (p=0,006); a maioria possui o Ensino Fundamental Incompleto (p=0,01); e renda familiar mensal de três a quatro salários mínimos (p=0,005); 51,5% realizavam atividade de lazer. Além disso, 84,53% tinham casas de alvenaria (p=0,01); 57,7% aparelho de som (p=0,005); 67% máquina de lavar (p=0,000); 89,6% ventilador (p=0,04); 87,1% batedora de açaí (p=0,001); e 12,3% telefone rural (p=0,000). No contexto rural, 5,5% fazem uso de gerador (p = 0,03); da rede pública para o abastecimento de água encanada (49,4%), coleta do lixo (49,4%1) e rede de esgoto (59,2%). Verificou-se que as atividades mais citadas durante a semana nos turnos manhã e tarde foram Atividades de Vida Diária, Atividade Instrumental de Vida Diária, Lazer, e Descanso e Sono. A melhor média (82,7) da qualidade de vida foi Saúde Mental. Contudo, idosos belenenses que residem em contextos urbano e rural não possuem diferenciações significativas no que se refere aos domínios da qualidade de vida, porém algumas variáveis como aspectos demográficos, socioeconômicos, hábitos de vida, condições de saúde, condições habitacionais e rotina, demonstraram diferenças. Espera-se que os resultados aqui obtidos possam futuramente contribuir para a implementação de ações que visem melhorar aspectos ligados ao envelhecimento e, consequentemente, para pesquisas científicas.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Videomodelação como ferramenta para treino de profissionais e ensino a crianças com Transtorno do Espectro Autista
    (Universidade Federal do Pará, 2020-05-20) GUIMARÃES, Mariane Sarmento da Silva; BARROS, Romariz da Silva; http://lattes.cnpq.br/7231331062174024; https://orcid.org/0000-0002-1306-384X; COSTA, Thiago Dias; BARBOZA, Adriano Alves; MAGALHÃES, Priscila Giselli Silva; PAIXÃO, Glenda Miranda da; http://lattes.cnpq.br/1248194912228326; http://lattes.cnpq.br/8437625699565416; http://lattes.cnpq.br/4403223855512240; http://lattes.cnpq.br/4907341979044292; https://orcid.org/0000-0002-5443-5232; http://orcid.org/0000-0003-3042-1677
    A literatura analítico-comportamental aplicada à intervenção ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) aponta a necessidade de aumento da eficiência de ferramentas de ensino que permitam intervenções menos onerosas e de maior alcance. A ampliação da abrangência é necessária tanto em relação às pessoas diagnosticadas, quanto ao treinamento de profissionais. Uma alternativa possível para o aumento da eficiência do ensino é a videomodelação (VM). Os dois experimentos apresentados nesta tese objetivaram analisar os efeitos da VM, apresentando possibilidades de uso como ferramenta de ensino de diferentes repertórios para diferentes perfis de participantes. O Estudo 1 investigou os efeitos do treino de videomonitoramento na aprendizagem de habilidades da vida diária de crianças com TEA via VM. Os resultados mostraram que ambos os participantes adquiriram o repertório de monitoramento e que este aprendizado possivelmente contribuiu para a aprendizagem via VM, além de demonstrarem retenção e generalização para outras habilidades. O Estudo 2 avaliou a eficácia e eficiência de um pacote de ensino (composto por instrução escrita, VM e role-play com feedback) para treinar profissionais a implementar tentativas discretas (DTT) no ensino de habilidades para crianças com TEA, e avaliou o impacto deste treino na aprendizagem das crianças. Os resultados mostram que o procedimento utilizado foi eficaz para treinar os profissionais e que as crianças mantiveram habilidades já adquiridas e aprenderam novas habilidades nas sessões implementadas por esses profissionais. A presente tese adiciona dados empíricos sobre o uso da VM como ferramenta de ensino de diferentes habilidades para aprendizes com perfis variados.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Investigações com Crianças e Adolescentes em Acolhimento Institucional: Pressupostos Teóricos Interdisciplinares e Metodologias Participativas
    (Universidade Federal do Pará, 2021-07-01) COSTA, Amanda Cristina Ribeiro da; CAVALCANTE, Lilia Iêda Chaves; http://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651; SANTANA, Juliana Prates; MACIEL, Carlos Alberto Batista; CRUZ, Dalízia Amaral; PONTES, Fernando Augusto Ramos; http://lattes.cnpq.br/5039427427945450; http://lattes.cnpq.br/1050426471077266; http://lattes.cnpq.br/2028692502085786; http://lattes.cnpq.br/1225408485576678
    Esta tese realizou investigações com crianças e adolescentes em acolhimento institucional, utilizando um quadro teórico interdisciplinar e metodologia participativa, com destaque para técnicas que acessam a oralidade e a criatividade. Foram realizados quatro estudos independentes com relação estreita entre si e que trazem aspectos teórico metodológicos acerca da pesquisa empírica realizada com crianças e adolescentes em serviços de acolhimento. O primeiro estudo é um ensaio sobre a interdisciplinaridade como possibilidade de articulação entre diversos saberes em torno de uma temática, neste caso, a criança em desenvolvimento e a infância como categoria social, a partir da interlocução com as disciplinas Sociologia da Infância e a Psicologia do Desenvolvimento. O segundo estudo faz uma análise de publicações sobre a utilização da metodologia participativa em investigações com crianças e adolescentes em diferentes contextos, mas especialmente no acolhimento institucional. O terceiro estudo, empírico, descreve o uso de metodologias participativas que acessam a oralidade de crianças e adolescentes que estão vivendo em instituições de acolhimento. O quarto estudo relatou o processo de co-construção de uma metodologia participativa que empregou em seu procedimento uma ferramenta chamada ‘Livro da Minha Vida’ com apelo à criatividade para captar dados e produzir percepções dos participantes acerca de suas trajetórias de vida antes, durante e após o acolhimento institucional. Participaram deste trabalho 16 crianças e adolescentes que estavam acolhidos à época da pesquisa em duas instituições de acolhimento no estado do Pará, nos municípios de Belém e Barcarena. Os resultados apontam que nos estudos com crianças, torna-se importante reconhecer os fenômenos a partir de uma perspectiva de totalidade e com uma visão interdisciplinar dos elementos que a constituem, evitando visões fragmentadas que dificultam a leitura de uma realidade baseada em determinações sócio-históricas. Esta proposição permite uma aproximação entre a Sociologia da Infância (SI) e a Psicologia do Desenvolvimento (PD)na perspectiva da articulação entre os conhecimentos produzidos sobrea infância e a criança. O material empírico da pesquisa e sua discussão em termos teóricos na tese sugerem que os estudos que utilizam metodologias participativas, a partir de um referencial da SI e da PD, possibilitam o agenciamento das crianças nas pesquisas, o que significa reconhecê-las como criadoras e pertencentes a uma cultura e protagonistas no processo de tomada de decisões. Por meio da utilização de técnicas participativas que acessam a oralidade (grupo de discussão com estímulo visual do uso de fantoches e entrevistas de caráter dialógico e participativo), foi possível apresentar os pontos de vista das crianças, bem como seus sentimentos e formas de ver o mundo externo e os serviços de acolhimento estruturantes dos seus contextos de desenvolvimento. Conclui-se que essas técnicas, quando amparadas por um diálogo interdisciplinar e uma metodologia participativa, mostram-se úteis para intervenções com crianças e adolescentes que vivem nos espaços de acolhimento, captando suas vozes e opiniões, sendo respeitados em sua diversidade. Assim, mais estudos nessa direção precisam ser realizados para apoiar o desenvolvimento e a aplicação de metodologias participativas que contribuam para a garantia do direito da criança e do adolescente à participação.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Conhecimentos e metas de socialização da emoção de mães e pais em contextos rural e urbano
    (Universidade Federal do Pará, 2021-05-15) FONSECA, Bianca Reis; CAVALCANTE, Lilia Iêda Chaves; http://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651; CARVALHO, Rafael Vera Cruz de; MENDES, Deise Maria Leal Fernandes; KÖSTER, Moritz; MAGALHÃES, Celina Maria Colino de; http://lattes.cnpq.br/9555656309742134; http://lattes.cnpq.br/4355974020322624; http://lattes.cnpq.br/9305811042348693; http://lattes.cnpq.br/1695449937472051; https://orcid.org/0000-0002-4591-7993
    Esta pesquisa investigou os conhecimentos e as metas de socialização de mães e pais acerca do desenvolvimento emocional de crianças, com até 36 meses, e suas variações nos diferentes contextos pesquisados (rural e urbano). Para tanto, a pesquisa compreendeu quatro estudos com seus respectivos objetivos: 1) Descreveu os conhecimentos e as expectativas de mães acerca da capacidade infantil de expressar emoções e discutir sua importância no desenvolvimento de crianças de que vivem em um contexto rural no estado do Pará; 2) Analisou as metas e as estratégias de socialização de mães e pais em relação ao desenvolvimento emocional de seus filhos residentes em um contexto rural do estado do Pará; 3) Comparou as metas de socialização emocional entre mães e pais residentes em vilas agrícolas localizadas no distrito de Apeú (Castanhal – PA) e os que vivem na capital do estado do Pará (Belém – PA); 4) Comparou as metas de socialização entre mães e pais residentes em três contextos brasileiros – não urbano (Apeú-PA) e urbano (Belém-PA), ambos na região Norte do país, e urbano da região Sudeste (Rio de Janeiro-RJ). Entre os resultados obtidos, destacam-se: 1) No primeiro estudo, participaram 60 díades constituídas por mães com idades entre 13 e 39 anos, e seus filhos, independente do sexo, com média de idade de 16,18 meses (dp = 8). Verificou-se que a maioria das mães definiu alegria, tristeza, raiva e medo de forma condizente com a categoria ‘Estado psicológico ou motivacional com projeção para o outro’. O resultado do teste Friedman indicou diferença significativa entre a importância atribuída pelas mães as diferentes emoções (χ²5=159,28; p<0,05), sendo a alegria a emoção mais valorizada que as demais. Adicionalmente, foi aplicado o teste U de Mann Whitney para avaliar a associação entre as variáveis. Apenas para a manifestação da alegria foi encontrada associação com a escolaridade materna (U= 314,00; p < 0,05), onde mães com escolaridade inferior ao ensino médio completo consideraram mais importante que crianças na idade de seus filhos possam manifestar esta emoção, em comparação com mães de ensino superior ou acima; 2) No segundo estudo participaram 32 pais, sendo 17 mães (M=25,5 anos; dp=7) e 15 pais (M=33,4; dp=7,4). Ao cruzar os dados sociodemográficos e as metas de socialização da emoção, constatou-se que as metas relacionadas à ‘Automaximização’ e ‘Emotividade’ foram mais citadas por mães e pais na faixa etária ‘até 18 anos’, de ’20 a 29 anos’ e de ‘40 a 48 anos’, bem como os que tinham nível médio. Os dados qualitativos indicam que a felicidade do filho foi enfatizada e atrelada pelos pais à autoconfiança na manifestação e na vivência de suas emoções e sentimentos, além de destacarem a capacidade de virem a desenvolver de modo saudável suas capacidades emocionais como indivíduo autônomo. Com relação às condições necessárias para o desenvolvimento das características emocionais desejadas, notou-se um maior número de respostas relacionadas à categoria ‘Centradas no cuidador (mãe e/ou pai)’. A atuação parental prevalente foi a de ‘Educar/orientar’ para o desenvolvimento das metas emocionais que estabeleceram. 3) Do terceiro estudo participaram 68 pais e mães, sendo 32 residentes em contexto rural (vilas agrícolas do Apeú-PA) e 36 em urbano (na capital do estado do Pará, Belém-PA). Quanto às metas de socialização da emoção, os resultados do teste Qui-quadrado de Independência revelaram que a categoria ‘Automaximização’ (p = 0,0061, gl = 1) tem relação estatisticamente significante com os contextos estudados, sugerindo que a ênfase nas metas de ‘Automaximização’ depende do contexto em que os pais residem. Quanto ao resultado do cálculo da razão de chance a partir do teste de Mantel-Haenszel (p = 0,0143), constatou-se que as metas enfatizadas pelos pais e mães, que fazem referência à categoria ‘Automaximização’, possuem 4,822 vezes mais chances de serem citadas pelos participantes residentes em Belém do que pelos que vivem nas vilas agrícolas, com intervalo de confiança de 95% entre 1,490 e 15,611. Outro ponto que merece destaque é que grande parte das mães e pais, tanto de Belém quanto das vilas agrícolas, também citou metas relacionadas à categoria: ‘Emotividade’. Quanto às condições necessárias para o desenvolvimento das características emocionais desejadas constatou-se que independente do contexto, rural ou urbano, os participantes, na mesma proporção, enfatizam que as práticas de cuidado devem estar ‘Centradas no cuidador (mãe e/ou pai)’ com a finalidade de que suas metas de socialização da emoção sejam cumpridas, a partir da disciplina, do aconselhamento e/ou de exemplos diários. 4) Por fim, no quarto estudo, participaram 188 pais e mães, sendo 36 residentes em contexto urbano (Belém-PA), 32 em vilas agrícolas na área rural (Apeú-PA), ambos localizados na região Norte do país, e mais 120 residentes em contexto urbano do Sudeste do país (Rio de Janeiro-RJ). Os resultados sobre as metas de socialização emocional maternas e paternas, a partir da aplicação do teste Qui-quadrado de Independência, constatou-se que a categoria ‘Automaximização’ tem relação estatisticamente significante (p = 0,0210, gl = 2) com os contextos analisados. Desse modo, o resultado sugere que a ênfase na categoria ‘Automaximização’ depende do contexto em que os pais residem. No que se refere ao cálculo das razões de chance de serem mencionadas as categorias de metas de socialização da emoção entre o contexto urbano (Belém – região norte do país) versus urbano (Rio de Janeiro – região sudeste), observou-se através do teste de Mantel-Haenszel (p = 0,0336), que a categoria ‘Automaximização’ tem 3,218 vezes mais chances de ser citada pelos pais e mães residentes em Belém do que pelos participantes do Rio de Janeiro, com intervalo de confiança de 95% entre 1,164 e 8,898 vezes. Quanto à meta ‘Emotividade’, observou-se resultado estatisticamente significante (p = 0,0067, gl = 2) indicando haver relação entre esta meta e os contextos pesquisados. Em complemento a este resultado, foram calculadas as razões de chance de serem mencionadas, pelos participantes, as categorias de metas de socialização da emoção para o contexto não urbano (Apeú-PA) e urbano (Rio de Janeiro-RJ). Dessa maneira, verificou-se, pelo nível descritivo do teste de Mantel-Haenszel (p = 0,0045), que a categoria ‘Emotividade’ tem 3,444 vezes mais chances de ser citada pelas mães e pais das vilas agrícolas do que entre aqueles residentes no Rio de Janeiro, com intervalo de confiança de 95% entre 1,525 e 7,779 vezes. No que se refere as condições necessárias para o desenvolvimento das características emocionais desejadas verificou-se que independente do contexto, rural ou urbano, os participantes enfatizam, proporcionalmente, que as práticas de cuidado devem estar ‘Centradas no cuidador (mãe e/ou pai)’ com a finalidade de que suas metas de socialização da emoção sejam cumpridas. No que se refere ao papel parental para o desenvolvimento de características emocionais desejadas, constatou-se que independente do contexto, as mães e os pais enfatizam a importância de servir de modelo ou oferecer modelos com o objetivo de disciplinar, aconselhar, conversar, ensinar por demonstração, participação, explicações verbais ou medidas disciplinares. Os quatro estudos juntos permitiram concluir que o desenvolvimento emocional está associado às características particulares dos contextos ecossociais (rural e urbano). Dessa forma, tais contribuições podem auxiliar no desenvolvimento de intervenções culturalmente adaptadas, destinadas, por exemplo, a aumentar a compreensão dos pais sobre as emoções e sua consciência emocional.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Efeitos de treinamentos baseados em vídeos na implementação de ensino de habilidades básicas de comunicação e interação a crianças com Transtorno do Espectro Autista
    (Universidade Federal do Pará, 2021-04-05) NOGUEIRA, Claudia Bueno; BARROS, Romariz da Silva; http://lattes.cnpq.br/7231331062174024; https://orcid.org/0000-0002-1306-384X; RIBEIRO, Daniela Mendonça; MARTINS, Tatiana Evandro Monteiro; FAGGIANI, Robson Brino; SILVA, Álvaro Júnior Melo e; http://lattes.cnpq.br/9137388590869969; http://lattes.cnpq.br/7616890300950792; http://lattes.cnpq.br/0744077795796927; http://lattes.cnpq.br/8960291779730857; https://orcid.org/0000-0003-4146-5122; https://orcid.org/0000-0002-5270-1912
    Existem muitos desafios para a capacitação de pais e profissionais para contribuírem na intervenção a pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O uso de recursos assíncronos (como vídeo instrucional, videomodelação, videomonitoramento com checklist e feedback por vídeo) são uma alternativa promissora nessa direção. Esse trabalho objetiva avaliar a efetividade dos treinamentos baseados em vídeos na implementação de ensino de habilidades básicas de comunicação e interação a crianças com TEA. Foram realizados três estudos nos quais participaram um total de três pais, três cuidadoras, seis estagiários e quatro crianças com idades entre 20 a 30 meses com TEA. Os adultos foram expostos a vídeos sobre técnicas naturalísticas de ensino de pareamento social. No primeiro estudo, foram apresentados dois vídeos instrucionais e avaliados os seus efeitos no desempenho dos adultos com as crianças. No segundo estudo, foi acrescentado ao pacote de treinamento, uma fase com vídeo monitoramento via checklist instrucional e feedback por video. Os participantes avaliaram vídeos-modelo com base em um checklist e, uma vez que atingiam integridade no monitoramento, avaliava-se os efeitos do monitoramento na implementação das técnicas de ensino. No terceiro estudo, avaliaram se os efeitos da implementação fidedigna das estratégias de pareamento social sobre o desempenho de Iniciação de Atenção Conjunta e Engajamento Conjunto da criança. De forma geral, os estudos mostraram que a combinação de vídeos instrucionais, com vídeos-modelo, vídeo monitoramento por checklist e feedback do monitoramento pode ser efetiva no ensino de habilidades a profissionais bem como a pais e cuidadores de crianças com TEA.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Concepções e metas de socialização de emoções entre mães e pais mayas do México e análises comparativas com participantes de agrovilas do Brasil
    (Universidade Federal do Pará, 2021-12-20) BALAM, Deira Patricia Jimenez; CAVALCANTE, Lilia Iêda Chaves; http://lattes.cnpq.br/4743726124254735; https://orcid.org/0000-0003-3154-0651; FONSECA, Bianca Reis; LEÓN, Maria Teresita Del Niño Jesus Castillo; KÖSTER, Moritz; MENDES, Deise Maria Leal Fernandes; LAUER-LEITE, Iani Dias; http://lattes.cnpq.br/7509656126634787; http://lattes.cnpq.br/3316895740963376; http://lattes.cnpq.br/9305811042348693; http://lattes.cnpq.br/4355974020322624; http://lattes.cnpq.br/0389466272108471; https://orcid.org/0000-0003-0480-616X
    Nesta pesquisa identificaram-se metas de socialização da emoção e concepções locais sobre a expressão emocional de crianças de mães e pais mayas do sul do México, além de análises comparativas com participantes de agrovilas do norte do Brasil. A pesquisa considerou como abordagem teórica o modelo ecocultural, sendo composta por três estudos, por meio dos quais quais foram alcançados os seguintes objetivos: 1) Identificaram-se as concepções locais sobre as emoções dos adultos e a expressão das emoções das crianças entre mães e pais mayas de X-Hazil Sur, Quintana Roo, México; 2) Descreveram-se as metas de socialização que expressam objetivos relacionados ao desenvolvimento emocional da criança entre mães e pais mayas com filhos até 36 meses que vivem na comunidade maya de X-Hazil Sur; 3) Compararam-se as metas de socialização que expressam objetivos relacionados ao desenvolvimento emocional da criança entre mães e pais com filhos de até 36 meses nos dois contextos pesquisados (México e Brasil). Os principais resultados destacam: 1) No primeiro estudo, participaram 30 mães, com média de idade de 28,1 anos (DP=7,72) e 20 pais com 30,95 anos (DP=7,15), possuindo filhos com média de idade de 29,74 meses, residentes de XHazil Sur, México. Foram abordadas emoções como alegria, tristeza, medo, raiva, orgulho e vergonha: mães e pais foram convidados a descrever seus significados, causas e expressão, respectivamente. Depois, identificaram-se as concepções parentais sobre a manifestação e valoração da expressão das emoções nas crianças. Sobre a expressão das emoções salientaram que, na maioria dasvezes, esta tem uma função comunicativa, permitindo aos pais saber como se sentem suas crianças e como conhecê-las melhor. Especificamente, foram mencionadas 16 formas de manifestar a alegria, sendo importante a expressão desta emoção, por permitir aos pais saberem se as crianças estão bem e se esta bem-estar nelas. A tristeza foi relacionada com 12 diferentes formas para manifestá-la, ainda que tenha sido considerado pouco importante expressá-la, mesmo que isso comunique aos pais se suas crianças se sentem bem. Foram identificadas 10 formas de manifestar o medo, tida como uma emoção que deve ser expressada , pois as crianças têm que senti-lo para evitar perigos e conduzirem-se sozinhas em seu entorno. Quanto à raiva, foram identificadas 12 maneiras de manifestá-la, sendo esta uma emoção valorada negativamente, cuja expressão não deve ser incentivada, apesar de ajudar os pais e as mães a conhecerem aos filhos, pois permite saber as preferências deles. O orgulho foi classificado em positivo (quatro formas de expressar) e negativo (cinco formas de expressar), mas também é apontado como uma emoção pouco experimentada pelas crianças, por serem elas ainda jovens demais; tal emoção gera bem-estar porque destaca as conquistas obtidas pelas crianças e ajuda os pais conhecerem seus filhos. Entretanto, o orgulho negativo não é bom expressá-lo, pois promove a arrogância, o que é considerado ruim para esses participantes. A vergonha foi relacionada a oito formas de expressá-la, o que contribui para a regulação do comportamento dos filhos e as ajuda a evitarem perigos, todavia, um motivo para não expressá-la é que esta emoção pode limitar às crianças, inibindo-as. Em geral, a expressão das emoções tem que ser equilibrada, nem muito nem pouco, sendo responsabilidade da criança fazer a sua regulação, além de se constituírem em elementos que promovem autonomia e relacionamentos. Também foram identificados o na’at, tuukul, k’ajal iik e óol, noções mayas relacionadas com o desenvolvimento emocional. 2) No segundo estudo participaram as mesmas mães e pais do primeiro estudo. Foram identificadas as metas de socialização das emoções, destacando-se as categorias de ‘automaximização’ e o ‘autocontrole’, reforçando que no primeiro caso, as mães e os pais mayas desejam que seus filhos sejam emocionalmente autoconfiantes e independentes quando adultos, que sejam alegres e que saibam expressar-se. Quanto às metas de ‘autocontrole’, as mães e os pais gostariam que seus filhos, quando adultos, tivessem desenvida a capacidade de regulação emocional, sendo importante o controle em geral das emoções, com ênfase para a raiva. O controle das emoções se relaciona com a busca de equilibro, noção importante no modelo cultural maya. Em menor medida foram mencionadas as metas relacionadas com a ‘emotividade’ e ‘expectativas sociais’. Também se abordaram as condições para o desenvolvimento das metas de socialização, destacando-se aquelas centradas no cuidador (aconselhamento, disciplina, por exemplo) e as centradas na criança (por meio do brincar, sendo responsáveis). De maneira específica, na atuação parental para que as metas sejam cumpridas, destacam-se as categorias ‘educar/orientar’ e ‘manter relações de proximidade’, sendo o primeiro caracterizado pelo conselho, dar exemplo, ambiente familiar tranquilo, fala emocional, e o segundo relacionada com oferecer carinho, apoio e cuidados às crianças. 3) No terceiro estudo, a amostra foi composta por 82 participantes, sendo 30 mães com média de idade de 28,1 anos (DP=7,72) e 20 pais com média de idade de 30,95 (DP=7,15), residentes em X-Hazil, México, cujos dados foram comparados aos de 17 mães com média de idade de 25,5 anos (DP=7), e 15 pais com média de idade de 33,4 anos (DP=7,4), que vivem no Apeú, Brasil. Quanto às metas de socialização pesquisadas, o Teste Qui-quadrado revelou que as categorias de metas de ‘automaximização’ (p= 0,0001), ‘autocontrole’ (p= <0,0001), ‘emotividade’ (p= 0,0436) e ‘outras’ (p= 0,0002), com um grau de libertade, têm relação estatisticamente significante (a=0,05), sugerindo que estas dependem do contexto tendo as mães e os pais mayas de X-Hazil mais chance de citar estas metas, com exceção da categoria ‘emotividade’. Ao abordar as condições necessárias para que as metas sejam cumpridas não foi observada associação estatisticamente significante entre as duas amostras. Porém, ao explorar as evocações feitas, verificou-se que, em ambos contextos, as condições ‘centradas no cuidador’ se apresentam de forma similar, mas, no caso dos participantes de Apeú, salientaram mais as condições ‘centradas no contexto’, quanto que entre os pais e mães de X-Hazil predominou a categoria ‘centrada na criança’. Com respeito ao papel de atuação parental para orientar o cumprimento das metas, os resultados indicam não ser estatisticamente significante a relação entre as amostras pesquisadas. Contudo, pode-se observar que as mães e os pais mães do Apeú apresentam um número maior de evocações associadas à categoria ‘educar/orientar’, e ainda um ligeiro predomínio entre os mayas de ‘manter relações de proximidade’, e de forma similar, em ambos contextos, ‘prover de condições materiais’. De maneira complementar, para identificar os modelos culturais relacional e autônomo entre as amostras, foi aplicada uma escala de objetivos de desenvolvimento infantil. Observou-se pelo Teste T de Student que a diferença das médias em relação aos objetivos ‘Relacional’ (p= 0,7393) e ‘Autônomo’ (p= 0,3356), não são estatisticamente significantes. Ou seja, não se apresentou a prevalência de algum modelo cultural prototípico. Em conjunto, os três estudos permitiram evidenciar a relação entre as concepções sobre a expressão emocional, as metas parentais de socialização e aspectos constituintes dos contextos pesquisados, onde os modelos de autonomia e o relacionamento fizeram-se presentes nas concepções locais, considerando-se seus elementos ecológicos e culturais. A presente pesquisa contribui para compreender como se apresentam as dimensões de autonomia e relacionamento em contextos culturais não ocidentais, além de explorar estes elementos em amostras com modelos culturais similares em geral, mas com diferenças segundo as concepções e noções culturais locais. Pautas temáticas, metodológicas e teóricas precisam ser apresentadas apresentadas para pesquisas futuras, que explicitem a atualidade de modelos sensíveis à perspectiva ecocultural do desenvolvimento humano desde a infância.