Quando os fios se esgarçam: memórias e identidades nos processos de desintrusão de famílias agricultoras em Garrafão do Norte (PA)

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10-07-2025

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SILVA, Maria Rosângela da Silva e. Quando os fios se esgarçam: memórias e identidades nos processos de desintrusão de famílias agricultoras em Garrafão do Norte (PA). Orientadora: Myrian Sá Leitão Barboza; Coorientadora: Violeta Refkalefsky Loureiro. 2025. 104 f. Dissertação (Mestrado em Estudos Antrópicos na Amazônia) - Campus Universitário de Castanhal, Universidade Federal do Pará, Castanhal, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/17991. Acesso em:.

DOI

O objetivo central desta dissertação foi investigar os conflitos territoriais ocorridos na área da Vila Tauari, no município de Garrafão do Norte (PA), buscando compreender as percepções dos colonos/agricultores sobre o processo de desintrusão e seus desdobramentos. A pesquisa buscou dar visibilidade às experiências e memórias desses sujeitos, historicamente marginalizados e frequentemente silenciados pela narrativa oficial, destacando os impactos sociais, culturais e territoriais decorrentes da perda da terra e da ruptura dos laços comunitários O método adotado foi qualitativo, apoiado em referenciais da memória, da escrevivência e da história oral. A investigação articulou documentos históricos, análises acadêmicas e relatos de vida dos agricultores da Vila Tauari, compreendendo o território não apenas como espaço físico, mas como eixo simbólico e identitário. As narrativas coletadas foram tratadas como ferramentas analíticas, permitindo resgatar vozes invisibilizadas e compreender as tensões que atravessam o processo de desterritorialização. Os resultados evidenciam que os conflitos entre colonos e indígenas não derivam de rivalidades diretas, mas da omissão e contradição do Estado, que incentivou a ocupação da área por migrantes, mas não garantiu condições de permanência digna nem alternativas justas no processo de retirada. A análise revelou a centralidade da terra como espaço de memória e pertencimento, destacando como a desintrusão provocou não apenas deslocamento físico, mas também fragmentação identitária e comunitária. Ao mesmo tempo, emergiram formas de resistência, reorganização territorial e estratégias de sobrevivência, que reafirmam a resiliência camponesa. Nas considerações finais, a pesquisa aponta que a desintrusão, embora necessária para garantir os direitos territoriais indígenas, foi conduzida de maneira desorganizada e desigual, desrespeitando agricultores pobres e agravando vulnerabilidades. Ressalta-se a importância de políticas públicas que integrem justiça social e territorial, capazes de assegurar tanto a proteção dos povos originários quanto a dignidade dos agricultores. O estudo contribui, assim, para a reflexão crítica sobre a desterritorialização na Amazônia, reforçando o papel da memória coletiva como resistência e como instrumento de construção de direitos.

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