O projeto coletivo de cooperativas camponesas no nordeste paraense: princípios e graus de cooperativismo camponês

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31-03-2026

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ROCHA, André Carlos de Oliveira. O projeto coletivo de cooperativas camponesas no nordeste paraense: princípios e graus de cooperativismo camponês. Orientador: William Santos de Assis. Coorientador: Philippe Jean Louis Sablayrolles. 2026. 149 f. Tese (Doutorado em Agriculturas Amazônicas) - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Núcleo de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: . Acesso em:.

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Define-se cooperação como processo social de ajuda mútua que, ao ser formalizada por estatuto e amparo legal, constitui-se em cooperativa. Esta pesquisa enfrentou o desafio teórico de compreender como organizações cooperativas, não inerentes ao campesinato, desenvolvem-se quando formadas por base social camponesa. Considerando a luta por autonomia e a centralidade da unidade familiar, questiona-se: como cooperativas camponesas no Pará materializam e mantêm o caráter camponês de seu projeto coletivo? O objetivo geral foi analisar como cooperativas do nordeste paraense, por meio de governança, estratégias comerciais e sociais, contribuem para essa materialização. Com abordagem qualitativa e natureza aplicada, realizou-se estudo exploratório seguido de estudos de caso com três cooperativas. A pesquisa-ação coletou dados por meio de entrevistas semiestruturadas com sócios, dirigentes e famílias, observação participante e pesquisa documental. A análise fundamentou-se na técnica de conteúdo de Bardin (1977). Os resultados indicam que o cooperativismo camponês apresenta especificidades em relação ao cooperativismo empresarial. As cooperativas diferenciam-se por produtos comercializados, manejo dos agroecossistemas e preocupação com agroecologia. Estratégias comerciais, sociais e estrutura de governança revelaram-se elementos fundamentais para análise. A D'IRITUIA mantém o caráter camponês por meio de reuniões mensais participativas, comercialização diversificada (mercados convencional, institucional e feiras) e estratégias sociais como grupos de certificação orgânica participativa, que fortalecem práticas agroecológicas e sistemas agroflorestais, além da participação em conselhos municipais. A CART materializa o projeto coletivo mesmo com governança centralizada, atendendo sócios via mercados institucionais (terra firme) e convencionais (cadeias de oleaginosas e açaí, para várzea). Realiza assembleias com quase 90% de presença e diretores com forte espírito comunitário. Estratégias sociais incluem mecanização agrícola, doação de sementes, construção de casas de farinha comunitárias e participação em conselhos municipais, mantendo relação com o sindicato rural. A COOMAR destaca-se pela governança participativa com três assembleias anuais e reuniões mensais do conselho administrativo. Sua "cantina solidária" comercializa produtos dos sócios e oferece insumos a preços acessíveis. Inova com compra obrigatória de sete produtos agrícolas dos associados, independentemente de estoque. Na cadeia do murumuru, reparte parte do valor com fornecedores e mantém máquinas nas comunidades. Estratégias sociais incluem fundos solidários e trabalhistas, inserção de jovens, divisão de sobras e participação na Rede Bragantina e na Escola ECRAMA. A manutenção do projeto coletivo depende essencialmente da governança, que deve garantir a representação dos interesses camponeses. Os princípios orientadores são: base social camponesa; governança adaptada à realidade local; estratégias comerciais diversificadas para autonomia relativa; estratégias sociais para sócios e comunidade; e caráter camponês do projeto coletivo. A pesquisa propõe o conceito de "graus de cooperativismo camponês" para analisar organizações a partir dessas dimensões. Conclui-se que as cooperativas camponesas evoluem respondendo às pressões do mercado capitalista, mas constroem estratégias alinhadas às necessidades de sua base. O caráter camponês viabiliza-se por governança que gera estabilidade e autonomia. As estratégias comerciais abarcam múltiplos mercados, exigindo cuidado com dependência de canais específicos. As estratégias sociais incluem participação política em conselhos. Diferenciar cooperativas camponesas é fundamental para assessoria técnica, políticas públicas específicas e revisão do marco regulatório, considerando que a lógica camponesa se opõe à lógica empresarial do agronegócio.

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País

Brasil

Instituição(ões)

Universidade Federal do Pará
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

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UFPA
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