Bio-etnografias do cuidar: vozes, memórias e ambientes das artesãs do cuidado em universos multissituados da Amazônia paraense

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22-05-2026

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SANTOS, Leonardo Silveira. Bio-etnografias do cuidar: vozes, memórias e ambientes das artesãs do cuidado em universos multissituados da Amazônia paraense. Orientador: Manoel Ribeiro de Moraes Júnior. 2026. 508 f. Tese (Doutorado em Geografia) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Pará, Belém, 2026. Disponível em: https://repositorio.ufpa.br/handle/2011/18298. Acesso em:.

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Esta tese analisa, a partir de abordagens bioetnográficas, as práticas de cuidado, cura e proteção tecidas por mulheres, as “artesãs do cuidado”, em múltiplos contextos da Amazônia paraense. O estudo aborda como esses saberes emergem de modos de vida ancestrais e tradicionais, profundamente conectados às dimensões ambientais, simbólicas e socioculturais. Metodologicamente, a pesquisa multissituada articula narrativas biográficas, técnicas etnográficas e o diálogo com coletivos da Terra Indígena Sororó, da ilha do Combu e da ilha de Itapuá, partindo do entendimento de que o fazer biográfico também se constrói de forma coletiva. Os resultados indicam que as práticas dessas artesãs configuram ecossistemas dinâmicos e vivos de conhecimento, marcados pela criatividade, pela bricolagem e pela incorporação de entes, em um processo aqui compreendido como “antropofagia do cuidado”. Tais práticas evidenciam sistemas locais de saúde nos quais o cuidado, entendido como um conjunto integrado de ações de cura e proteção, se realiza de forma relacional, articulando corpo, território, memória, crenças e religiosidades. A pesquisa demonstra, ainda, as tensões entre esses saberes e as políticas públicas de saúde, sobretudo em razão das dificuldades de diálogo com a biomedicina promovida pelo Estado diante das especificidades socioculturais locais, o que pode resultar em processos de deslegitimação e colonialidade. Desse modo, esta tese apresenta as artesãs do cuidado como protagonistas das práticas de saúde na Amazônia, evidenciando a necessidade de reconhecimento, valorização e construção de diálogos entre seus saberes e as políticas públicas, em direção a uma abordagem mais plural, sensível e intercultural da saúde coletiva.

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Brasil

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