Teses em Comunicação, Cultura e Amazônia (Doutorado) - PPGCOM/ILC
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Tese Acesso aberto (Open Access) A docência a partir das margens: tensionamentos, assimetrias e contribuições das mulheres racialmente subalternizadas no ensino de jornalismo na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2026-05-15) AMORIM, Janaina Lopes de; BUENO, Thaísa Cristina; http://lattes.cnpq.br/4123207392983951; https://orcid.org/0000-0002-7048-3920; BRITO, Rosaly de Seixas; http://lattes.cnpq.br/4471773526594200; COSTA, Vânia Maria Torres; CAL, Danila Gentil Rodriguez; GUIMARÃES, Jacqueline Tatiane da Silva; VIEIRA, Ivânia Maria Carneiro; http://lattes.cnpq.br/7517564393392394; http://lattes.cnpq.br/4593992869253877; http://lattes.cnpq.br/0016401443592564; http://lattes.cnpq.br/1719336988574799; https://orcid.org/0000-0002-0493-8763; https://orcid.org/0000-0003-3243-8368; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000A pesquisa em que se ancora esta tese de doutorado tem como objetivo geral compreender como as desigualdades sociais, de gênero e de raça, atravessam as experiências das mulheres pretas e pardas no exercício da docência em jornalismo na Amazônia. O protagonismo das mulheres na academia se dá não apenas em termos numéricos, como também na qualidade de sua produção científica. Nas universidades federais fora dos grandes centros urbanos do país, as pesquisadoras em jornalismo são líderes em produções acadêmicas qualificadas (Cajazeira, 2019). A despeito disso, há uma notável escassez de estudos que abordem especificamente a atuação de mulheres na docência, considerando especialmente as interseccionalidades de gênero e raça. A tese aqui apresentada pretende contribuir para romper com este silenciamento estrutural, ocasionado por uma estrutura que deslegitima essas temáticas, ao considerá-las desimportantes ou ao elegê-las como assuntos restritos a outros espaços que não a ciência. A pesquisa parte também da urgência de se pensar em um projeto feminista de ciência que evidencie a experiência histórica e cultural e os saberes das mulheres das margens (Rago, 2019), reconhecendo-as como sujeitas em comunicação (França, 2006), que participam ativamente do processo de produção do conhecimento, ainda que confrontadas pelos padrões hegemônicos de sua validação. Parte, ainda, da indagação: como as assimetrias de gênero, raça e classe atravessam e repercutem na trajetória de mulheres na docência em jornalismo na Amazônia? Baseia-se na perspectiva de mulheres racialmente subalternizadas, em especial pretas e pardas, que atuam na docência na área de jornalismo na Região Amazônica, buscando apreender como as subjetividades individuais e as experiências coletivas se entrelaçam nas suas narrativas e como se dá o processo de autorreconhecimento e de reconhecimento entre elas. Do ponto de vista teórico-metodológico, a interseccionalidade constitui um recurso analítico central, já que não é possível entender a experiência das docentes que compõem esta pesquisa senão pela articulação de múltiplas formas específicas de opressão que se imbricam em seu cotidiano. Ademais, partimos da perspectiva da epistemologia feminista negra e das margens (Rago, 2019; Collins, 2000; Kilomba, 2019). Como ferramenta de coleta de dados de campo, foram utilizados formulários eletrônicos para informações socioeconômicas e entrevistas semiestruturadas para os dados de natureza qualitativa. Constata-se que a docência em jornalismo na Amazônia Oriental é estruturada por processos de significação que produzem assimetrias de gênero e raça, manifestadas em violências cotidianas como o silenciamento e a deslegitimação. As professoras são tratadas como se fossem inadequadas para o espaço acadêmico, com rótulos como o de“emocionais demais”, em um ambiente onde há uma valorização da razão (heterossexual e branca). São questionadas sobre suas competências e são tratadas com hostilidades quando ocupam cargos de gestão. No entanto, a docência é estruturada por racismo e sexismo, mas também por movimentos de reparação e transformação epistemológica. Em resposta, a atuação dessas mulheres tem ampliado repertórios teórico-metodológicos ao tensionar o padrão epistêmico eurocentrado. A pesquisa produz conhecimento situado a partir da perspectiva de professoras de jornalismo da Amazônia, tornando visíveis as estratégias pedagógicas por elas adotadas, que contribuem significativamente para reconfigurar o ambiente universitário e enriquecer o campo. Ao chamar a atenção para tais perspectivas, esta pesquisa pretende contribuir para as discussões em torno da comunicação, de gênero e de resistências no ensino superior de jornalismo.Tese Acesso aberto (Open Access) As tramas invisíveis da comunicação científica: arranjos institucionais, protagonistas da prática científica e configurações relacionais da ciência nos Boletins do Museu Paraense Emílio Goeldi(Universidade Federal do Pará, 2026-03-30) PAIVA, Rodrigo Oliveira de; SEIXAS, Netília Silva dos Anjos; http://lattes.cnpq.br/2301685130625189; SEIXAS, Netília Silva dos Anjos; STEINBRENNER, Rosane Maria Albino; COSTA, Verônica Soares da; GHENO, Ediane Maria; OLIVEIRA, Hamilton Vieira de; http://lattes.cnpq.br/2301685130625189; http://lattes.cnpq.br/1508467019000744; http://lattes.cnpq.br/0736324254088408; http://lattes.cnpq.br/1255827954595186; http://lattes.cnpq.br/3172995771315859; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0003-4321-7245; https://orcid.org/0000-0002-1324-0535; https://orcid.org/0000-0003-2743-4557; https://orcid.org/0000-0002-6439-0058Esta tese investiga os processos comunicacionais que estruturam a produção e a circulação do conhecimento científico em periódicos institucionais amazônicos, tendo como objeto empírico os Boletins de Ciências Naturais e de Ciências Humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi. Inserido no campo da comunicação científica e dos estudos sociais da ciência, o estudo parte do reconhecimento histórico, científico e simbólico do Museu Goeldi e de seus Boletins como instâncias de mediação, legitimação e visibilidade da ciência produzida na Amazônia. O problema de pesquisa consiste em responder a seguinte questão: como os arranjos institucionais, os protagonistas da prática científica e as configurações relacionais da ciência se manifestam na comunicação científica dos Boletins do Museu Paraense Emílio Goeldi e se revelam nas tramas invisíveis que permeiam a ciência produzida na Amazônia? Portanto, busca-se revelar as dinâmicas frequentemente invisibilizadas por análises centradas exclusivamente em indicadores métricos. O objetivo geral é analisar os processos comunicacionais que atravessam a produção e a circulação do conhecimento científico nos Boletins do Museu Paraense Emílio Goeldi, tendo como objetivos específicos mapear as instituições associadas às publicações, caracterizar os padrões de autoria e coautoria e sistematizar e correlacionar as palavras-chave das publicações. A pesquisa adota uma abordagem metodológica mista, de natureza descritiva, combinando técnicas bibliométricas e cientométricas. O corpus compreende os artigos publicados entre 2016 e 2024 nas duas séries do Boletim. O período de análise foi escolhido porque, a partir de 2016, as publicações passaram a ser em formato digital, ampliando o alcance, a visibilidade e possibilitando novas análises sobre o impacto das publicações. Os resultados evidenciaram padrões de autoria, colaboração institucional e recorrência temática, indicando a centralidade de determinadas instituições e a inserção dos Boletins em redes científicas nacionais e internacionais. A análise e a discussão dos resultados demonstraram que esses padrões expressam arranjos institucionais, estratégias editoriais e relações simbólicas que configuram a comunicação científica em um contexto marcado por assimetrias centro–periferia, evidenciando o papel dos Boletins como espaços de articulação entre saberes regionais e universais. Conclui se que a comunicação científica, nesse contexto, deve ser compreendida como prática relacional e cultural, contribuindo para a afirmação epistemológica da ciência amazônica e para o debate sobre produção científica em contextos periféricos.Tese Acesso aberto (Open Access) O cárcere e o relato de si: abjeção e normas regulatórias na experiência de mulheres sobreviventes ao centro de reeducação feminino(Universidade Federal do Pará, 2014-10-02) FONSECA, Nathália de Sousa; LAGE, Leandro Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/2396184188116499; https://orcid.org/0000-0002-6814-9640Neste trabalho, investigamos para compreender como se tecem relações entre normas regulatórias, os sistemas interseccionais de desigualdades e a abjeção que foram verbalizadas por nossas interlocutoras, em seus relatos de si, ao investigar a experiência de mulheres que já foram encarceradas. Os relatos de si são a materialização da violência ética - que pode ser subjetiva - na vida das interlocutoras da pesquisa. Essa forma de violência é afetada pelas normas regulatórias, pela interseccionalidade e pela abjeção – que se configuram como gramáticas morais que são mobilizadas para organizar a inteligibilidade antes do presídio e dentro dele. Por meio deste problema, buscamos compreender a tessitura da relação entre normas regulatórias, sistemas interseccionais de desigualdades e abjeção através de relatos de si de mulheres que já foram internas no Centro de Reeducação Feminino (Belém-PA). Para isso, nos propomos a investigar se ou de que forma o movimento de relatar-se a si mesma das mulheres concernidas é marcado por negação de humanidade, imposição de normas generificadas e por práticas atravessadas por marcadores sociais de diferenças (gênero, raça, classe e sexualidade), ou mesmo seu questionamento. Metodologicamente, os conceitos centrais que animam o trabalho são utilizados como as categorias analíticas, e se mostraram profícuos na análise. Dentre os resultados, temos a imposição da cena de interpelação que versa sobre o momento da prisão como primeiro relato de si das interlocutoras, a “mulher a não ser” na compreensão de como as normas regulatórias de gênero configuram que mulheres são mulheres encarceradas, a intersecção que se desdobra na “patente” de riqueza e os privilégios que se entrelaçam com ela; operante nos sistemas interseccionais e na abjeção temos a realidade de mulheres que foram encarceradas a partir da condição de estarem em situação de rua, a essas, a abjeção interpela de modo que são negadas ao estatuto do sujeito, enquadradas como sujas, e mesmo nos sistemas interseccionais de desigualdades refletem o outro lado da “patente”, desprovidas de respeito entre as mulheres encarceradasTese Acesso aberto (Open Access) O cinema de luta dos Mêbengôkre-Kayapó: as múltiplas dimensões de resistência nos filmes e práticas de produção do Coletivo Beture(Universidade Federal do Pará, 2024-08-30) GOMES, Angela Nelly dos Santos; LAGE, Leandro Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/2396184188116499; https://orcid.org/0000-0002-6814-9640Esta pesquisa analisa o cinema produzido por cineastas indígenas Mebêngôkre-Kayapó a partir dos filmes e práticas de produção do Coletivo Beture, que reúne cineastas dessa etnia no estado do Pará. O objetivo é compreender de que modo o cinema do Coletivo Beture MebêngôkreKayapó expressa dimensões ou sentidos de resistência a partir de suas obras e práticas de produção fílmicas, em relação com as lutas sociopolíticas ou culturais da etnia. Para compreender como o cinema é apropriado e transformado em aliado nessas lutas, e em quais dimensões isso ocorre ou se expressa, examinamos as obras do Coletivo Beture representativas de sua produção; observamos e analisamos a prática de produção do grupo visando entender como se relacionam aos processos de resistência do povo Mebêngôkre; quais são as motivações e finalidades do fazer cinematográfico e como o Coletivo Beture se apropria das técnicas, tecnologias e linguagem cinematográfica ou audiovisual e as adapta a seus objetivos de acordo com a sua cosmovisão. É uma pesquisa qualitativa desenvolvida através de análise fílmica e pesquisa de campo com entrevistas abertas e participação observante. O aporte teórico é interdisciplinar na medida em que alia aos estudos fílmicos e da imagem a crítica latinoamericana na perspectiva dos estudos decoloniais, assim como conceitos afins aos estudos indígenas advindos da antropologia, sociologia e geografia, que possuem convergência com o tema em análise, a fim de compreender os sentidos de resistência que se expressam, constituem ou que atravessam o cinema Mebêngôkre. A pesquisa destaca a complexidade do cinema Mebêngôkre e do Coletivo Beture, que nasce e se desenvolve de forma imbricada às questões sociopolíticas e culturais da etnia e dos povos originários como um todo. Concluímos que o cinema do Coletivo Beture é um cinema de luta e reexistência, uma prática de resistência multifacetada, pois surge e se expande de forma intrínseca às lutas por direitos em vários sentidos, pela preservação e demarcação de territórios, pela afirmação como produtor de suas imagens, narrativas e memórias, e apresentação de seus modos de ver e estar no mundo. Um cinema que é também operador de mediações na complexa inter-relação étnica e intercultural com a sociedade indígena e não indígena, e com isso transcende a produção de imagens enquanto forma de expressão artística.Tese Acesso aberto (Open Access) Comunicação cinestésica e negociação regulada: o corpo negro no Traslado para Ananindeua e Marituba(Universidade Federal do Pará, 2026-03-26) FERREIRA, Gabriel da Mota; CASTRO, Marina Ramos Neves de; http://lattes.cnpq.br/6636359546031674; https://orcid.org/0000-0002-3065-270X; CASTRO, Marina Ramos Neves de; PANTOJA, Vanda Maria Leite; COSTA, Alda Cristina Silva da; GONTIJO, Fabiano de Souza; CASTRO, Fábio Fonseca de; http://lattes.cnpq.br/6636359546031674; http://lattes.cnpq.br/0726443231355944; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630; http://lattes.cnpq.br/7539767705260462; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; https://orcid.org/0000-0002-3065-270X; https://orcid.org/0000-0002-4741-2155; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415Esta tese analisa a procissão do Traslado de Nossa Senhora de Nazaré para Ananindeua e Marituba como um campo de batalha comunicacional, onde a apropriação popular ocorre prioritariamente por vias cinestésicas, corporais e sensoriais. Partindo do questionamento sobre como a dimensão comunicacional do rito modula sentidos de identidade e território para um corpo negro e periférico, o trabalho propõe o conceito de comunicação cinestésica. Esta categoria é definida como uma inteligibilidade corporal que emerge do movimento e produz pertencimento à revelia da mediação discursiva oficial. Metodologicamente, a pesquisa assume a autoetnografia sensorial e a microetnografia como arquiteturas epistemológicas que fogem ao lugar-comum, utilizando o corpo do pesquisador como operador metodológico central e instrumento de conhecimento. O campo, realizado entre 2022 e 2024, revela que a vivência do rito não é uma harmonia mística, mas uma negociação altamente regulada. O corpo negro, atravessado por opacidades e ruídos, habita uma ambiguidade numinosa: entre o fascínio da ocupação coletiva e o medo tratado como fenômeno estatal, racializado e historicamente produzido. A análise das cenas etnográficas e da cultura material demonstra que a periferia atua como centro simbólico e produtor de resistências. Conclui-se que a ambiguidade é a categoriachave para compreender essa comunicação. O trabalho oferece uma contribuição original ao campo ao provar que o sentido no asfalto é produzido na fricção entre a soberania do intelecto e o confinamento simbólico imposto pela vigilância institucional.Tese Acesso aberto (Open Access) Comunicação, neoconservadorismo e reconhecimento: tensões, contradições e disputas acerca das noções de família no Brasil em ambientes de visibilidade ampliada(Universidade Federal do Pará, 2023-09-29) SEREJO, Elias Santos; LAGE, Danila Gentil Rodriguez Cal; http://lattes.cnpq.br/4593992869253877; https://orcid.org/0000-0003-3243-8368As crises democráticas e as rupturas políticas marcadas pelo golpe de 2016, que polarizaram o debate público no Brasil, nos mostraram que as noções de família têm pautado as discussões contemporâneas, sobretudo quando tensionadas a partir dos avanços das lutas por reconhecimento encampadas pelas populações LGBTQIA+ e das mulheres, por meio do debate feminista de gênero. Em diferentes espaços, pudemos assistir à mobilização do conceito de família tradicional, ou nuclear, como recurso de enfrentamento às mudanças sociais oriundas da visibilidade de outras relações e formas de ser e viver. Ao mesmo tempo, também vislumbramos em arenas de debates a afirmação de que, como um constructo histórico-social, a entidade familiar é mutável e diversa. Nesse contexto, nos perguntamos: quais argumentos são postos na esfera pública para defender uma ou outra forma de lidar com o tema? E os media como atuam nesse contexto? Essas perguntas instigaram esta pesquisa. Nosso objetivo geral neste trabalho é compreender como as noções de família pautam o debate político contemporâneo a partir das tensões oriundas da atuação de movimentos sociais e dos sentidos produzidos acerca da categoria família nos media. Especificamente queremos: a) Identificar quais sentidos/noções sobre família emergem em diferentes contextos comunicacionais; b) Investigar quais argumentos sobre família emergem em diferentes contextos comunicacionais a partir da tensão ocasionada pelas relações entre pessoas LGBTQIA+; c) Identificar quais marcos contemporâneos são determinantes para o debate sobre famílias na agenda política; d) Entender qual noção de política ou de democracia que subjaz os discursos sobre famílias e quais elementos/características/aspectos da entidade familiar estão em disputa; f) Compreender como os movimentos sociais de espectros políticos distintos (conservadores e progressistas) constroem suas agendas políticas acerca da categoria família. Para isso, nos debruçamos sobre um arcabouço teórico a fim de compreender os elementos que levaram à ascensão da extrema direita em democracias ocidentais, a conveniente parceria entre neoconservadores e cristãos fundamentalistas, sobretudo evangélicos, e a força do neoliberalismo operando como racionalidade nas relações sociais; o papel dos media na inserção de temáticas para discussão na esfera pública e como os movimentos sociais se apropriam de ambientes de visibilidade ampliada para reverberar suas pautas. O corpus de análise consiste em textos publicados nos portais de notícias O Globo e Estadão; e o conteúdo de sites de organizações progressistas (Abrafh e Aliança LGBTI+) e conservadores (Instituto Plínio Corrêa Oliveira e Movimento em Defesa da Família). Para responder nossas questões, desenvolvemos uma Análise de Conteúdo com suporte tecnológico do software Iramuteq, que nos auxiliou na sistematização dos dados. Para cada dimensão estabelecemos temáticas elaboradas a partir da Classificação Hierárquica Descendente (CHD) oriunda do Método de Reinert, produzido pelo software. A tematização nos permitiu compreender os argumentos sobre famílias disponibilizados que versam sobre a defesa de uma estrutura rígida, que contribui com a manutenção da tradicionalidade e uma noção ampliada de família. A família é percebida como uma entidade central na sociedade e nas discussões contemporâneas, especialmente em momentos de crise política. A relação entre tradição e família é complexa, onde a tradição pode reforçar a família, mas também pode limitar seu entendimento e aceitação de novas formas de família. Existe uma tensão entre as visões tradicionais da família e as lutas por reconhecimento, especialmente das populações LGBTQIA+. A "família tradicional" é frequentemente contraposta às mudanças sociais e à visibilidade de outras formas de relacionamentos.Tese Desconhecido Das raízes às redes: interfaces entre comunicação e educação em práticas de jovens indígenas da Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2026-04-10) SEREJO-SANTOS, Hericley; COSTA, Vânia Maria Torres; http://lattes.cnpq.br/7517564393392394; https://orcid.org/0000-0002-0493-8763; COSTA, Alda Cristina Silva da; BRITO, Rosaly de Seixas; MORAIS, Vângela Maria Isidoro de; CORDEIRO, Leonardo Zenha; ALENCAR, Breno Rodrigo de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630; http://lattes.cnpq.br/4471773526594200; http://lattes.cnpq.br/3445758357722488; http://lattes.cnpq.br/2632651097546086; http://lattes.cnpq.br/4896717603786046; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0001-8952-7834; https://orcid.org/0000-0003-2474-8112A partir do compulsório isolamento social para prevenção à Covid-19, os povos indígenas da Amazônia intensificaram a apropriação de linguagens e de técnicas comunicacionais para informar, denunciar e reivindicar direitos por meio de plataformas digitais. A juventude esteve à frente desse movimento e motivou a criação da Rede de Jovens Comunicadores Indígenas da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), em 2021. As oficinas remotas que deram origem à Rede foram realizadas com base em “conceitos da Educomunicação”, conforme a própria Coiab declarou em seu site, o que atraiu os questionamentos centrais desta pesquisa. Nosso objetivo é discutir e compreender a interface entre Educação e Comunicação, indígenas e não indígenas, a partir da apropriação de linguagens e de técnicas comunicacionais por jovens da referida Rede da Coiab. Para isso, buscamos identificar as práticas realizadas por esses jovens; analisar materiais midiáticos elaborados por eles e elas, estabelecendo relação com suas especificidades sociais, históricas, políticas e culturais; e compreender a relação dessa interface com a busca por poder de voz. A base teórico-metodológica desta tese articula a Teoria das Mediações (Martín-Barbero, 1997; Orozco Gómez, 2014; Consani, 2008) à Narratologia (Ricoeur, 1987; Motta, 2013), juntamente com a análise empírica do poder de voz (Motta, 2012; 2013), e à noção de processualidade da teoria tentativa da Comunicação (Braga, 2017), tendo como plano de fundo as discussões sobre colonialidade (Quijano, 2005; Mignolo, 2017). Empiricamente, as narrativas indígenas se constituem como materialidades observáveis da investigação, acessadas por meio de entrevistas narrativas (Jovchelovitch; Bauer, 2008) com os jovens comunicadores indígenas Jakukrei Gavião (Pará), Luene Karipuna (Amapá), Alana Manchineri (Acre) e Anderson Arapaço (Amazonas), e com as lideranças Alcebias Sapará, vice-coordenador da Coiab, Concita Sompré, presidente da Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa), e Madson Gavião, liderança de comunicação na Aldeia Gavião Kyikatêjê. Complementamos a apreensão dos sentidos sobre essas narrativas com a análise de quatro materiais midiáticos elaborados pelos jovens da Rede: os podcasts “Amazônia Indígena” e “Vozes Indígenas da Amazônia”, a animação “Grandes Guerreiros e Guerreiras” e o vídeo “Autoridades do Clima”. A compreensão desse corpo-narrativo foi organizada a partir de três marcadores temporais (“Antes”, “Durante” e “Depois” da realização das oficinas da Rede), estruturados com base na definição de Temas Geradores (Silva, 2004; Scaladrin, 2020), de perspectiva freiriana. Os resultados de nossas reflexões nos levaram a caracterizar as práticas protagonizadas por esses jovens como intercontextuais, reforçando tanto o seu caráter intercultural quanto de interface entre múltiplos contextos, e como práticas de poder de voz, pelas contribuições à efetivação dos aldeamentos digital e político realizados junto com o movimento indígena. O entendimento dessas práticas nos permitiu ainda estabelecer uma conexão entre as noções de processualidade na comunicação e nas mediações com a educomunicatividade. Partindo de uma perspectiva decolonial referenciada, reconhecemos as significativas transformações que ocorrem na apropriação e ressignificação de pressupostos do paradigma educomunicativo, descentralizando-nos de enrijecidas delimitações teóricas e nos fazendo voltar a práticas intercontextuais imersas em multimediações, o que aponta para uma rica fonte de aprendizados para a compreensão de fenômenos comunicacionais de interface, como são as práticas da Rede de Jovens Comunicadores Indígenas da Coiab.Tese Desconhecido Entrelaces da resistência: comunicação e práticas emancipatórias de mulheres negras trançadeiras da Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2023-06-13) SOUSA, Raissa Lennon Nascimento; AMORIM, Célia Regina Trindade Chagas; http://lattes.cnpq.br/9650931755253248A pesquisa tem enfoque nas práticas emancipatórias de mulheres negras trançadeiras que vivem na Amazônia paraense (Belém/Pará). Compreendemos a atividade trancista como experiência comunicativa de resistência, autonomia econômica e superação das opressões que atingem mulheres negras amazônidas. O trançado, para negras e negros, não é apenas uma questão de estética ou vaidade, representa um encontro com a ancestralidade africana e com a afirmação de uma identidade que é relegada historicamente em uma sociedade racista. Para Nilma Lino Gomes (2019), o cabelo e o corpo podem ser considerados expressões da identidade negra brasileira, uma vez que são símbolos de relações de violência e de desigualdades étnico-raciais. O objetivo deste trabalho é entender, à luz da comunicação e das ciências sociais, os atravessamentos que as mulheres trançadeiras vivem no referente a questões como racismo, identidade negra, colonialidade, ancestralidade, territorialidade e resistência. Entendemos que a cultura do trançado na Amazônia possibilita formas singulares de comunicação divergentes da lógica do sistema patriarcal branco capitalista e colonialista. Como caminhos metodológicos com inspiração em Kilomba (2019), utilizamos uma investigação centrada nos sujeitos, por meio de entrevistas não diretivas (em profundidade) com mulheres negras trancistas, que trabalham em Belém do Pará. A partir dos relatos extraídos desse diálogo, entrelaçamos uma epistemologia descolonial e afrodiaspórica, no qual as narrativas das mulheres é que nos mostram os caminhos da pesquisa. Somos amparados pela noção da organização do vínculo e do “comum” de Muniz Sodré (2014), na teoria crítica de Paulo Freire (2018), nas reflexões de raça e gênero de Grada Kilomba (2019), bell hooks (2017) e Nilma Lino Gomes (2019), e na perspectiva da negritude na Amazônia de Zélia Amador de Deus (2019) e Vicente Salles (1971), entre outros. As práticas emancipatórias das mulheres trançadeiras acontecem por meio da superação das dificuldades econômicas, na solidariedade, na valorização de uma identidade racial negra, feminista e amazônida e, sobretudo, na relação comunicativa de ancestralidade negra promovida pelo trançado.Tese Desconhecido Espetáculos Culturais Amazônicos: a festa como resistência e experiência estética(Universidade Federal do Pará, 2023-03-24) LIMA, Nair Santos; AMARAL FILHO, Otacílio; http://lattes.cnpq.br/2605877670235703; https://orcid.org/0000-0001-5467-8528A tese trata das festas da cultura amazônica com ênfase nos espetáculos culturais, as quais, ao longo do tempo, vêm sendo ressignificadas, a partir de seus lugares de tradição. A visibilidade desses eventos ocorre por meio da midiatização, processo auferido pelos meios tecnológicos de comunicação e potencializados por um modelo de globalização, que os naturaliza como produto mercadológico. Na condução da pesquisa evidenciou-se a diferença entre “festas amazônicas”, que são as manifestações culturais no âmbito do território brasileiro (Amazônia Legal), e “festas da cultura amazônica” – culminando com os “espetáculos culturais amazônicos”, que são aquelas constituídas da experiência estética do imaginário dessas populações e, portanto, próprias da cultura ribeirinha ou cabocla. Percebeu-se, ainda que o termo “caboclo” tem se reconfigurado desde que os saberes desses povos revelou uma importância ímpar no contexto cultural e inseridos nos espaços acadêmicos das várias ciências, consubstanciando-se, sobretudo, na ideia de uma cultura amazônica específica, de características intrínsecas do ser amazônico, como também da compreensão de pesquisadores amazônicos sobre o tema. O lócus de enunciação ocorre nas cidades de Juruti e Santarém, no estado do Pará e na cidade de Parintins, no Amazonas, cujo corpus de análise são: a festa das tribos, a festa do Sairé, e o festival folclórico de Parintins. A pesquisa bibliográfica foi o procedimento que conduziu todas as fases desse estudo e a análise do fenômeno se fundamenta teórica e metodologicamente na conversão semiótica – atividade mental de natureza simbólica produzida pelo pensamento humano e que atua na produção de novos sentidos. O corpus tem por base três documentários contemplados pela lei Aldir Blanc referentes às três festas, porém, outros audiovisuais sobre o ambiente das festas postados no YouTube, e selecionados por critério de relevância, representatividade e participação dos organizadores e/ou “fazedores da festa” serviram de apoio para a análise. Sob essa perspectiva, compreende-se que os espetáculos culturais amazônicos são meios de expressividade e resistência de uma cultura que opera como forma de comunicação, e que por meio da plataforma YouTube e linguagens da comunicação digital ou midiatizada, transpõe-se o local, ganha visibilidade, lucro e produz novos sentidos, quer sejam pelo restabelecimento dos vínculos de pertencimento com a cultura local ou dos modos de festejar e do estar-juntos.Tese Acesso aberto (Open Access) Estratégias discursivas e relações de poder na Imprensa de Vigia, Pará, no século XIX: O Liberal da Vigia, O Espelho e Cidade da Vigia(Universidade Federal do Pará, 2023-11-02) SANTA BRÍGIDA, Jessé Andrade; SEIXAS, Netília Silva dos Anjos; http://lattes.cnpq.br/2301685130625189Esta pesquisa se concentra na análise da expansão da imprensa na região amazônica durante o século XIX, com destaque para a cidade de Vigia, no Pará. Os jornais O Liberal da Vigia, O Espelho e Cidade da Vigia servem como objetos empíricos para investigação. A pesquisa formulou o problema central de como esses periódicos se tornaram espaços de circulação das relações de poder na cidade de Vigia durante o século XIX, por meio das estratégias discursivas que adotavam em suas apresentações aos leitores. Os objetivos gerais incluíram a identificação das estratégias discursivas e ideais políticos e sociais promovidos pelos jornais de Vigia, a análise do papel desses periódicos na instalação e manutenção da imprensa na cidade, a investigação da circulação de discursos na cidade e a avaliação da importância dos jornais como meios de comunicação e sujeitos discursivos. A metodologia utilizada envolveu a análise de discurso de vertente francesa, dos periódicos, com ênfase na identificação das estratégias discursivas relacionadas à apresentação editorial e aos sentidos políticos e sociais propostos pelos jornais nas 83 edições disponíveis em acervos. Além disso, a pesquisa utilizou análise documental e bibliográfica para contextualizar o período estudado e a relevância dos periódicos da época. Os resultados revelaram que os jornais eram simples, frequentemente com entre duas e cinco colunas de texto, com diagramação criativa, considerando as limitações de recursos. O conteúdo dos periódicos variava, com destaque para a pauta política nos jornais O Liberal da Vigia e O Espelho, alinhados ao Partido Liberal, que enfatizavam questões de educação e letramento. O Cidade da Vigia, ligado ao Partido Republicano, apresentava conteúdo administrativo devido ao número limitado de edições disponíveis, mas ainda refletia posturas políticas importantes. As estratégias discursivas adotadas pelos impressos estavam associadas à política e à religião, refletindo a relação dos habitantes de Vigia com questões católicas e propondo a ideia de civilidade que não ignorava a religião como parte fundamental da identidade do grupo social. O Espelho utilizava uma estratégia peculiar, alternando textos em prosa e verso para elevar o debate político para o campo das ideias, enquanto O Liberal da Vigia e o Cidade da Vigia destacava sua filiação a partidos políticos como meio de legitimar suas propostas. Embora não tenhamos encontrado uma defesa unificada da imprensa como instituição na cidade, os jornais desempenharam papéis importantes na circulação de discursos políticos e sociais, contribuindo para a consolidação do poder político na cidade. Os resultados indicam a necessidade de preservação e estudo desses periódicos, destacando seu papel na história da Amazônia e do Brasil. Essa pesquisa representa um primeiro passo para futuros estudos sobre jornais em outras cidades paraenses nos séculos XIX e XX.
