Teses em Comunicação, Cultura e Amazônia (Doutorado) - PPGCOM/ILC
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/15151
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Tese Acesso aberto (Open Access) As tramas invisíveis da comunicação científica: arranjos institucionais, protagonistas da prática científica e configurações relacionais da ciência nos Boletins do Museu Paraense Emílio Goeldi(Universidade Federal do Pará, 2026-03-30) PAIVA, Rodrigo Oliveira de; SEIXAS, Netília Silva dos Anjos; http://lattes.cnpq.br/2301685130625189; SEIXAS, Netília Silva dos Anjos; STEINBRENNER, Rosane Maria Albino; COSTA, Verônica Soares da; GHENO, Ediane Maria; OLIVEIRA, Hamilton Vieira de; http://lattes.cnpq.br/2301685130625189; http://lattes.cnpq.br/1508467019000744; http://lattes.cnpq.br/0736324254088408; http://lattes.cnpq.br/1255827954595186; http://lattes.cnpq.br/3172995771315859; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0003-4321-7245; https://orcid.org/0000-0002-1324-0535; https://orcid.org/0000-0003-2743-4557; https://orcid.org/0000-0002-6439-0058Esta tese investiga os processos comunicacionais que estruturam a produção e a circulação do conhecimento científico em periódicos institucionais amazônicos, tendo como objeto empírico os Boletins de Ciências Naturais e de Ciências Humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi. Inserido no campo da comunicação científica e dos estudos sociais da ciência, o estudo parte do reconhecimento histórico, científico e simbólico do Museu Goeldi e de seus Boletins como instâncias de mediação, legitimação e visibilidade da ciência produzida na Amazônia. O problema de pesquisa consiste em responder a seguinte questão: como os arranjos institucionais, os protagonistas da prática científica e as configurações relacionais da ciência se manifestam na comunicação científica dos Boletins do Museu Paraense Emílio Goeldi e se revelam nas tramas invisíveis que permeiam a ciência produzida na Amazônia? Portanto, busca-se revelar as dinâmicas frequentemente invisibilizadas por análises centradas exclusivamente em indicadores métricos. O objetivo geral é analisar os processos comunicacionais que atravessam a produção e a circulação do conhecimento científico nos Boletins do Museu Paraense Emílio Goeldi, tendo como objetivos específicos mapear as instituições associadas às publicações, caracterizar os padrões de autoria e coautoria e sistematizar e correlacionar as palavras-chave das publicações. A pesquisa adota uma abordagem metodológica mista, de natureza descritiva, combinando técnicas bibliométricas e cientométricas. O corpus compreende os artigos publicados entre 2016 e 2024 nas duas séries do Boletim. O período de análise foi escolhido porque, a partir de 2016, as publicações passaram a ser em formato digital, ampliando o alcance, a visibilidade e possibilitando novas análises sobre o impacto das publicações. Os resultados evidenciaram padrões de autoria, colaboração institucional e recorrência temática, indicando a centralidade de determinadas instituições e a inserção dos Boletins em redes científicas nacionais e internacionais. A análise e a discussão dos resultados demonstraram que esses padrões expressam arranjos institucionais, estratégias editoriais e relações simbólicas que configuram a comunicação científica em um contexto marcado por assimetrias centro–periferia, evidenciando o papel dos Boletins como espaços de articulação entre saberes regionais e universais. Conclui se que a comunicação científica, nesse contexto, deve ser compreendida como prática relacional e cultural, contribuindo para a afirmação epistemológica da ciência amazônica e para o debate sobre produção científica em contextos periféricos.Tese Acesso aberto (Open Access) Comunicação cinestésica e negociação regulada: o corpo negro no Traslado para Ananindeua e Marituba(Universidade Federal do Pará, 2026-03-26) FERREIRA, Gabriel da Mota; CASTRO, Marina Ramos Neves de; http://lattes.cnpq.br/6636359546031674; https://orcid.org/0000-0002-3065-270X; CASTRO, Marina Ramos Neves de; PANTOJA, Vanda Maria Leite; COSTA, Alda Cristina Silva da; GONTIJO, Fabiano de Souza; CASTRO, Fábio Fonseca de; http://lattes.cnpq.br/6636359546031674; http://lattes.cnpq.br/0726443231355944; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630; http://lattes.cnpq.br/7539767705260462; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; https://orcid.org/0000-0002-3065-270X; https://orcid.org/0000-0002-4741-2155; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415Esta tese analisa a procissão do Traslado de Nossa Senhora de Nazaré para Ananindeua e Marituba como um campo de batalha comunicacional, onde a apropriação popular ocorre prioritariamente por vias cinestésicas, corporais e sensoriais. Partindo do questionamento sobre como a dimensão comunicacional do rito modula sentidos de identidade e território para um corpo negro e periférico, o trabalho propõe o conceito de comunicação cinestésica. Esta categoria é definida como uma inteligibilidade corporal que emerge do movimento e produz pertencimento à revelia da mediação discursiva oficial. Metodologicamente, a pesquisa assume a autoetnografia sensorial e a microetnografia como arquiteturas epistemológicas que fogem ao lugar-comum, utilizando o corpo do pesquisador como operador metodológico central e instrumento de conhecimento. O campo, realizado entre 2022 e 2024, revela que a vivência do rito não é uma harmonia mística, mas uma negociação altamente regulada. O corpo negro, atravessado por opacidades e ruídos, habita uma ambiguidade numinosa: entre o fascínio da ocupação coletiva e o medo tratado como fenômeno estatal, racializado e historicamente produzido. A análise das cenas etnográficas e da cultura material demonstra que a periferia atua como centro simbólico e produtor de resistências. Conclui-se que a ambiguidade é a categoriachave para compreender essa comunicação. O trabalho oferece uma contribuição original ao campo ao provar que o sentido no asfalto é produzido na fricção entre a soberania do intelecto e o confinamento simbólico imposto pela vigilância institucional.Tese Acesso aberto (Open Access) “Eu sei que muitos pensam que sou doida, mas só não ouço": representações sociais de discentes surdos/surdas na escola e nos processos comunicativos de si em Belém(Universidade Federal do Pará, 2024-12-12) PINTO, Carla Georgia Travassos Teixeira; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630; AMORIM, Célia Regina Trindade Chagas; BRITO, Rosaly de Seixas; NASCIMENTO, Ivany Pinto; BARROS, Thiago Almeida; http://lattes.cnpq.br/9650931755253248; http://lattes.cnpq.br/4471773526594200; http://lattes.cnpq.br/0000000000000000; http://lattes.cnpq.br/8020628310785389; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0002-9608-7416Esta tese, inserida na Linha de Pesquisa Comunicação, Cultura e Socialidades na Amazônia, tem como foco investigar as representações sociais da surdez, com o objetivo de compreender como os discentes surdos da rede pública de ensino de Belém constroem as representações de si e da escola. A questão central que orienta a pesquisa é: Quais são as representações sociais dos discentes surdos sobre a escola e as implicações no processo comunicativo sobre si? A base teórica e metodológica do estudo está ancorada na Teoria das Representações Sociais (TRS), de Moscovici (2015) e Jodelet (1998), articulada com os estudos da comunicação e da cultura surda (Sodré, 1984; Sacks, 2010; Strobel, 2008; Perlin, 2003; Skliar, 2013). O fenômeno investigado é compreendido como parte do processo social que envolve a comunicação e o discurso nas diversas instâncias de interação social e cultural, nas instituições, nas práticas sociais e nas comunicações interpessoais e coletivas. As representações sociais emergem dessas interações, marcadas pelas subjetividades dos/das sujeitos/sujeitas envolvidos, sendo construídas pelos discentes surdos (sujeito), a partir de sua relação com a surdez (objeto). A pesquisa é de natureza qualitativa, com metodologia de pesquisa de campo, que inclui observação direta e entrevistas em profundidade com inspiração narrativa, utilizando-se a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) na comunicação com os/as interlocutores. O estudo foi realizado no Centro de Referência em Inclusão Educacional Gabriel Lima Mendes (CRIE) e na Escola Municipal de Ensino Fundamental Prof. Gabriel Lage da Silva. Participaram cinco discentes surdos, com idades entre 10 e 17 anos, matriculados na rede municipal de ensino, além de uma professora regente e uma técnica do CRIE, ambas funcionárias públicas concursadas. Os resultados indicam que as representações sociais dos/das discentes surdos, sobre si mesmos e a escola, são influenciadas por discursos e falas preconceituosas, relacionadas à surdez, presentes no ambiente escolar e para além dele. Essas representações estão ancoradas em processos de segregação e exclusão, de modo a refletir imagens sustentadas pelo senso comum e caracterizadas por conflitos, falta de comunicação e obscurantismo. Esses fatores impactam a autocompreensão dos discentes surdos e sua percepção sobre a escola. No entanto, o estudo revela que, apesar das experiências discriminatórias, a escola é vista, pelos discentes, como importante espaço de socialização e comunicação. Eles mantêm a esperança em um futuro melhor, ao superar desafios diários, com perspectivas e planos futuros, demonstrando que, mesmo diante das representações negativas, a escola continua a se revelar um espaço de crítica e de desenvolvimento da consciência de si.Tese Acesso aberto (Open Access) Das raízes às redes: interfaces entre comunicação e educação em práticas de jovens indígenas da Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2026-04-10) SEREJO-SANTOS, Hericley; COSTA, Vânia Maria Torres; http://lattes.cnpq.br/7517564393392394; https://orcid.org/0000-0002-0493-8763; COSTA, Alda Cristina Silva da; BRITO, Rosaly de Seixas; MORAIS, Vângela Maria Isidoro de; CORDEIRO, Leonardo Zenha; ALENCAR, Breno Rodrigo de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630; http://lattes.cnpq.br/4471773526594200; http://lattes.cnpq.br/3445758357722488; http://lattes.cnpq.br/2632651097546086; http://lattes.cnpq.br/4896717603786046; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0001-8952-7834; https://orcid.org/0000-0003-2474-8112A partir do compulsório isolamento social para prevenção à Covid-19, os povos indígenas da Amazônia intensificaram a apropriação de linguagens e de técnicas comunicacionais para informar, denunciar e reivindicar direitos por meio de plataformas digitais. A juventude esteve à frente desse movimento e motivou a criação da Rede de Jovens Comunicadores Indígenas da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), em 2021. As oficinas remotas que deram origem à Rede foram realizadas com base em “conceitos da Educomunicação”, conforme a própria Coiab declarou em seu site, o que atraiu os questionamentos centrais desta pesquisa. Nosso objetivo é discutir e compreender a interface entre Educação e Comunicação, indígenas e não indígenas, a partir da apropriação de linguagens e de técnicas comunicacionais por jovens da referida Rede da Coiab. Para isso, buscamos identificar as práticas realizadas por esses jovens; analisar materiais midiáticos elaborados por eles e elas, estabelecendo relação com suas especificidades sociais, históricas, políticas e culturais; e compreender a relação dessa interface com a busca por poder de voz. A base teórico-metodológica desta tese articula a Teoria das Mediações (Martín-Barbero, 1997; Orozco Gómez, 2014; Consani, 2008) à Narratologia (Ricoeur, 1987; Motta, 2013), juntamente com a análise empírica do poder de voz (Motta, 2012; 2013), e à noção de processualidade da teoria tentativa da Comunicação (Braga, 2017), tendo como plano de fundo as discussões sobre colonialidade (Quijano, 2005; Mignolo, 2017). Empiricamente, as narrativas indígenas se constituem como materialidades observáveis da investigação, acessadas por meio de entrevistas narrativas (Jovchelovitch; Bauer, 2008) com os jovens comunicadores indígenas Jakukrei Gavião (Pará), Luene Karipuna (Amapá), Alana Manchineri (Acre) e Anderson Arapaço (Amazonas), e com as lideranças Alcebias Sapará, vice-coordenador da Coiab, Concita Sompré, presidente da Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (Fepipa), e Madson Gavião, liderança de comunicação na Aldeia Gavião Kyikatêjê. Complementamos a apreensão dos sentidos sobre essas narrativas com a análise de quatro materiais midiáticos elaborados pelos jovens da Rede: os podcasts “Amazônia Indígena” e “Vozes Indígenas da Amazônia”, a animação “Grandes Guerreiros e Guerreiras” e o vídeo “Autoridades do Clima”. A compreensão desse corpo-narrativo foi organizada a partir de três marcadores temporais (“Antes”, “Durante” e “Depois” da realização das oficinas da Rede), estruturados com base na definição de Temas Geradores (Silva, 2004; Scaladrin, 2020), de perspectiva freiriana. Os resultados de nossas reflexões nos levaram a caracterizar as práticas protagonizadas por esses jovens como intercontextuais, reforçando tanto o seu caráter intercultural quanto de interface entre múltiplos contextos, e como práticas de poder de voz, pelas contribuições à efetivação dos aldeamentos digital e político realizados junto com o movimento indígena. O entendimento dessas práticas nos permitiu ainda estabelecer uma conexão entre as noções de processualidade na comunicação e nas mediações com a educomunicatividade. Partindo de uma perspectiva decolonial referenciada, reconhecemos as significativas transformações que ocorrem na apropriação e ressignificação de pressupostos do paradigma educomunicativo, descentralizando-nos de enrijecidas delimitações teóricas e nos fazendo voltar a práticas intercontextuais imersas em multimediações, o que aponta para uma rica fonte de aprendizados para a compreensão de fenômenos comunicacionais de interface, como são as práticas da Rede de Jovens Comunicadores Indígenas da Coiab.Tese Acesso aberto (Open Access) Fenômenos comunicacionais e de sociabilidade no contexto da pandemia de covid-19 entre evangélicos do distrito de Murinin, Benevides/PA(Universidade Federal do Pará, 2026-03-27) SILVA, William Costa da; CASTRO, Marina Ramos Neves de; http://lattes.cnpq.br/6636359546031674; https://orcid.org/0000-0002-3065-270X; CASTRO, Fábio Fonseca de; MORAES JUNIOR, Manoel Ribeiro de; CUNHA, Magali do Nascimento; COSTA, Alda Cristina Silva da; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://lattes.cnpq.br/2429279552706202; http://lattes.cnpq.br/1968477845967720; http://lattes.cnpq.br/2403055637349630; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; https://orcid.org/0000-0001-6986-7671; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000Esta tese analisa os impactos da pandemia de covid-19 nas práticas religiosas, nas formas de sociabilidade e nas experiências de fé entre evangélicos do distrito de Murinin, em Benevides, na Região Metropolitana de Belém, Pará. A pesquisa examina como a crise sanitária reconfigurou interações, vínculos comunitários e circuitos de circulação da fé no campo evangélico local, considerando tanto o contexto pandêmico quanto o período pós-pandêmico. Parte-se da compreensão de Murinin como território socialmente produzido, atravessado por memória, territorialidade, religiosidade e disputas de sentido, no qual a presença evangélica se consolidou historicamente por meio de igrejas, narrativas locais e práticas comunitárias. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de orientação etnográfica, baseada em observação participante, entrevistas em profundidade, escutas abertas, mapeamento territorial das igrejas e análise das narrativas dos interlocutores. O campo empírico concentra-se, sobretudo, na Assembleia de Deus em Paraíso do Murinin e na Primeira Igreja Batista em Murinin, além de outras denominações presentes no distrito. Durante a pandemia, as igrejas mobilizaram mídias digitais, aplicativos de mensagens e transmissões on-line para assegurar a continuidade de cultos, aconselhamentos e vínculos religiosos, ao mesmo tempo em que enfrentaram tensões relacionadas ao fechamento dos templos, à vacinação, ao cuidado coletivo e à essencialidade religiosa. Os resultados indicam que, no pós-pandemia, as práticas religiosas não retornaram a uma normalidade anterior, mas se reorganizaram em chave híbrida, marcada pela reafirmação da presença corporal, pela centralidade do templo e pela memória da ausência. Observa-se, ainda, uma reconfiguração dos modos de pertencimento, das relações entre evangélicos e do uso das mídias, agora acionadas de maneira mais seletiva e crítica. Conclui-se que a pandemia intensificou a midiatização da religiosidade evangélica e evidenciou a centralidade das mediações técnicas, corporais e territoriais na constituição das experiências de fé em Murinin.Tese Acesso aberto (Open Access) A docência a partir das margens: tensionamentos, assimetrias e contribuições das mulheres racialmente subalternizadas no ensino de jornalismo na Amazônia(Universidade Federal do Pará, 2026-05-15) AMORIM, Janaina Lopes de; BUENO, Thaísa Cristina; http://lattes.cnpq.br/4123207392983951; https://orcid.org/0000-0002-7048-3920; BRITO, Rosaly de Seixas; http://lattes.cnpq.br/4471773526594200; COSTA, Vânia Maria Torres; CAL, Danila Gentil Rodriguez; GUIMARÃES, Jacqueline Tatiane da Silva; VIEIRA, Ivânia Maria Carneiro; http://lattes.cnpq.br/7517564393392394; http://lattes.cnpq.br/4593992869253877; http://lattes.cnpq.br/0016401443592564; http://lattes.cnpq.br/1719336988574799; https://orcid.org/0000-0002-0493-8763; https://orcid.org/0000-0003-3243-8368; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000A pesquisa em que se ancora esta tese de doutorado tem como objetivo geral compreender como as desigualdades sociais, de gênero e de raça, atravessam as experiências das mulheres pretas e pardas no exercício da docência em jornalismo na Amazônia. O protagonismo das mulheres na academia se dá não apenas em termos numéricos, como também na qualidade de sua produção científica. Nas universidades federais fora dos grandes centros urbanos do país, as pesquisadoras em jornalismo são líderes em produções acadêmicas qualificadas (Cajazeira, 2019). A despeito disso, há uma notável escassez de estudos que abordem especificamente a atuação de mulheres na docência, considerando especialmente as interseccionalidades de gênero e raça. A tese aqui apresentada pretende contribuir para romper com este silenciamento estrutural, ocasionado por uma estrutura que deslegitima essas temáticas, ao considerá-las desimportantes ou ao elegê-las como assuntos restritos a outros espaços que não a ciência. A pesquisa parte também da urgência de se pensar em um projeto feminista de ciência que evidencie a experiência histórica e cultural e os saberes das mulheres das margens (Rago, 2019), reconhecendo-as como sujeitas em comunicação (França, 2006), que participam ativamente do processo de produção do conhecimento, ainda que confrontadas pelos padrões hegemônicos de sua validação. Parte, ainda, da indagação: como as assimetrias de gênero, raça e classe atravessam e repercutem na trajetória de mulheres na docência em jornalismo na Amazônia? Baseia-se na perspectiva de mulheres racialmente subalternizadas, em especial pretas e pardas, que atuam na docência na área de jornalismo na Região Amazônica, buscando apreender como as subjetividades individuais e as experiências coletivas se entrelaçam nas suas narrativas e como se dá o processo de autorreconhecimento e de reconhecimento entre elas. Do ponto de vista teórico-metodológico, a interseccionalidade constitui um recurso analítico central, já que não é possível entender a experiência das docentes que compõem esta pesquisa senão pela articulação de múltiplas formas específicas de opressão que se imbricam em seu cotidiano. Ademais, partimos da perspectiva da epistemologia feminista negra e das margens (Rago, 2019; Collins, 2000; Kilomba, 2019). Como ferramenta de coleta de dados de campo, foram utilizados formulários eletrônicos para informações socioeconômicas e entrevistas semiestruturadas para os dados de natureza qualitativa. Constata-se que a docência em jornalismo na Amazônia Oriental é estruturada por processos de significação que produzem assimetrias de gênero e raça, manifestadas em violências cotidianas como o silenciamento e a deslegitimação. As professoras são tratadas como se fossem inadequadas para o espaço acadêmico, com rótulos como o de“emocionais demais”, em um ambiente onde há uma valorização da razão (heterossexual e branca). São questionadas sobre suas competências e são tratadas com hostilidades quando ocupam cargos de gestão. No entanto, a docência é estruturada por racismo e sexismo, mas também por movimentos de reparação e transformação epistemológica. Em resposta, a atuação dessas mulheres tem ampliado repertórios teórico-metodológicos ao tensionar o padrão epistêmico eurocentrado. A pesquisa produz conhecimento situado a partir da perspectiva de professoras de jornalismo da Amazônia, tornando visíveis as estratégias pedagógicas por elas adotadas, que contribuem significativamente para reconfigurar o ambiente universitário e enriquecer o campo. Ao chamar a atenção para tais perspectivas, esta pesquisa pretende contribuir para as discussões em torno da comunicação, de gênero e de resistências no ensino superior de jornalismo.Tese Acesso aberto (Open Access) Politíca, Youtube e emoção: padrões de desinformação com o uso de IA em narrativas polarizadas sobre as queimadas na Amazônia brasileira(Universidade Federal do Pará, 2025-08-11) SILVA, Cris Guimarães Cirino da; CARVALHO, André Luiz da Costa; http://lattes.cnpq.br/4863447798119856; CUNHA, Elaide Martins da; http://lattes.cnpq.br/3778190981135428; https://orcid.org/0000-0001-7723-7055; SAMPAIO, Claudiane de Oliveira Carvalho; LEA, Ana Regina Barros Rêgo; NAKAMURA, Eduardo Freire; PAULINO, Rita de Cássia Romeiro; http://lattes.cnpq.br/0000000000000000; http://lattes.cnpq.br/3007129823835577; http://lattes.cnpq.br/1448696292042915; http://lattes.cnpq.br/7783801662264275; https://orcid.org/0000-0000-0000-0000; https://orcid.org/0000-0002-0915-8715; https://orcid.org/0000-0002-5246-1541; https://orcid.org/0000-0002-3020-7091O objetivo desta tese é investigar a formação dos padrões de desinformação, a partir da identificação dos elementos narrativos multimodais em vídeos desinformativos polarizados politicamente e ideologicamente (VDPPI) no YouTube, sobre as queimadas na Amazônia brasileira, com o uso da Inteligência Artificial. Entende-se por multimodal, neste estudo, a articulação integrada entre diferentes componentes que constroem o sentido da narrativa, como linguagem verbal, imagens, enquadramentos, expressões faciais, recursos técnicos audiovisuais etc. A partir de uma proposta ousada e inédita, a pesquisa se desenvolve de forma criteriosa e concatenada, abordando temas emergentes, como a desinformação ambiental que, no Brasil, ainda ressoa na perspectiva colonial, onde a Amazônia é considerada fonte de recursos inesgotáveis para o desenvolvimento econômico. O recorte temporal desta análise situa-se entre os anos de 2019 e 2023, período de forte polarização política no país, marcado pela alternância entre dois governos ideologicamente opostos. De um lado, um governo de extrema-direita, de 2019 a 2022, com inação na gestão da pandemia da Covid-19 e grande desmonte de políticas públicas ambientais, resultando no aumento da desinformação sobre as queimadas na Amazônia, especialmente, no YouTube, plataforma utilizada massivamente nessa época, devido ao lockdown. E de outro, um governo de esquerda, a partir de 2023, recém-eleito, em meio a episódios extremos de contestação democrática, como os ataques criminosos, em 8 de janeiro, em Brasília, o ápice da trama da organização bolsonarista que tentou dar um golpe de Estado após as eleições de 2022. O argumento desta pesquisa se baseia na análise integrada dos elementos narrativos multimodais, onde as emoções são acionadas como vetores multimodais fundamentais nos padrões de desinformação porque atravessam e integram diferentes modos de significação. O caráter aplicado deste estudo interdisciplinar oferece um gesto epistemológico que orienta a maneira como se concebe, investiga e interpreta os padrões de desinformação em duas bases de dados, A e B, totalizando 2.018 vídeos com conteúdos falsos sobre as queimadas na Amazônia brasileira. Pela complexidade metodológica, envolvendo os campos da Comunicação e da Computação, foram aplicados métodos de análise multimodal das narrativas, conforme os autores Kress (2009, 2010), Kress e Van Leeuwen (2006) e Fairclough (2010) e a extração dos modais com o uso de técnicas de Inteligência Artificial para automatizar tarefas, identificar padrões complexos e recorrências narrativas, o que seriam difíceis de identificar manualmente (Kersting et al., 2022). Os achados revelam padrões recorrentes a partir de alguns elementos narrativos, a exemplo do uso de personagens como especialistas na área ambiental (políticos, jornalistas, cientistas), cenários com forte carga simbólica (como floresta, mapas, estúdios), recursos técnicos de montagem, áudio e imagem que reforçam a credibilidade do discurso. Embora haja uma estrutura narrativa compartilhada, os marcadores ideológicos se expressam de forma distinta nos modos de dizer e sentir, assim como as diferenças identificadas em dois elementos multimodais centrais da narrativa, a linguagem e as emoções usadas. Diferentemente da hipótese central desta pesquisa, as emoções mobilizadas e identificadas nas narrativas polarizadas politicamente sobre as queimadas na Amazônia brasileira não são os modais vetores dos padrões e nem elementos estabilizadores ou definidores que padronizam a desinformação investigada neste estudo, mas, curiosamente, pontos de inflexão e de ruptura entre os elementos narrativos, que distinguem as narrativas nos canais posicionados à extrema-direita e à esquerda política. A desinformação revela-se não como a síntese de informações falsas, mas como um artefato discursivo em permanente elaboração, uma construção narrativa dinâmica e segmentada que depende de sua própria incompletude para convocar e mobilizar afetos e disputar espaços de poder. Esse é o principal padrão encontrado nesta tese. Longe de ser estática, a desinformação se adapta aos contornos atuais, sem deixar de utilizar discursos preexistentes, circunscritos em diferentes contextos históricos, mantendo, sua eficácia simbólica e afetiva. Assim, com este estudo, espera-se contribuir para aprofundar a compreensão das estruturas narrativas de temas nevrálgicos para a manutenção da vida no planeta, como a desinformação ambiental.Tese Acesso aberto (Open Access) O movimento da Zwanga African fashion: comunicação e moda ativista como prática decolonial na Amazônia-amapaense(Universidade Federal do Pará, 2024-12-20) NEVES, Lúcio Dias das; AMARAL FILHO, Otacílio; http://lattes.cnpq.br/2605877670235703; https://orcid.org/0000-0001-5467-8528A tese faz uma análise sobre a compreensão da experiência comunicativa das mulheres que participaram dos desfiles de moda propostos pela Zwanga nas edições de 2020, 2022 e 2023, bem como de uma pequena amostra dos homens que participaram da edição de 2023. A importância de estudar a Zwanga como lócus de pesquisa doutoral transcende a moda, visto que ela articula a economia criativa, o empreendedorismo, o resgate da autoestima dos afrobrasileiros. A fundamentação teórica teve como base as obras de pesquisadores da Amazônia como Amaral Filho (2016), tendo suas ideias reforçadas em autores como Tarcízio Silva (2020), Joaze Bernardino-Costa, Nelson Maldonado-Torres e Ramón Grosfoguel (2018) e Molefi Kete Asante (2009) que robustecem as ideias sobre decolonialidade com base na cultura local, o racismo, o marabaixo, quilombismo e outras manifestações da cultura afroamapaense e uma importante aproximação sobre a Zwanga e outras manifestações culturais do Amapá. A pesquisa de comunicação é de natureza básica, tendo como estudo de caso o meio para a investigação sobre as tradições e heranças afroamapaenses que atravessam o movimento da Zwanga. Sob esse enfoque, optamos por uma pesquisa do tipo explicativa e participante – uma vez que o autor faz parte e se conhece neste processo, para estudar fenômenos pontuais, de modo analítico e crítico, referentes ao universo da moda afroempreendedora no Amapá – a experiência da Zwanga. Para coleta e análise de dados foram utilizadas diversas entrevistas abertas com a afroempreendedora e entrevistas semiestruturadas com mulheres e homens que participaram dos eventos de moda e sociais da Zwanga entre o período de 2020–2023.Tese Acesso aberto (Open Access) O cárcere e o relato de si: abjeção e normas regulatórias na experiência de mulheres sobreviventes ao centro de reeducação feminino(Universidade Federal do Pará, 2014-10-02) FONSECA, Nathália de Sousa; LAGE, Leandro Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/2396184188116499; https://orcid.org/0000-0002-6814-9640Neste trabalho, investigamos para compreender como se tecem relações entre normas regulatórias, os sistemas interseccionais de desigualdades e a abjeção que foram verbalizadas por nossas interlocutoras, em seus relatos de si, ao investigar a experiência de mulheres que já foram encarceradas. Os relatos de si são a materialização da violência ética - que pode ser subjetiva - na vida das interlocutoras da pesquisa. Essa forma de violência é afetada pelas normas regulatórias, pela interseccionalidade e pela abjeção – que se configuram como gramáticas morais que são mobilizadas para organizar a inteligibilidade antes do presídio e dentro dele. Por meio deste problema, buscamos compreender a tessitura da relação entre normas regulatórias, sistemas interseccionais de desigualdades e abjeção através de relatos de si de mulheres que já foram internas no Centro de Reeducação Feminino (Belém-PA). Para isso, nos propomos a investigar se ou de que forma o movimento de relatar-se a si mesma das mulheres concernidas é marcado por negação de humanidade, imposição de normas generificadas e por práticas atravessadas por marcadores sociais de diferenças (gênero, raça, classe e sexualidade), ou mesmo seu questionamento. Metodologicamente, os conceitos centrais que animam o trabalho são utilizados como as categorias analíticas, e se mostraram profícuos na análise. Dentre os resultados, temos a imposição da cena de interpelação que versa sobre o momento da prisão como primeiro relato de si das interlocutoras, a “mulher a não ser” na compreensão de como as normas regulatórias de gênero configuram que mulheres são mulheres encarceradas, a intersecção que se desdobra na “patente” de riqueza e os privilégios que se entrelaçam com ela; operante nos sistemas interseccionais e na abjeção temos a realidade de mulheres que foram encarceradas a partir da condição de estarem em situação de rua, a essas, a abjeção interpela de modo que são negadas ao estatuto do sujeito, enquadradas como sujas, e mesmo nos sistemas interseccionais de desigualdades refletem o outro lado da “patente”, desprovidas de respeito entre as mulheres encarceradasTese Acesso aberto (Open Access) Tensões interseccionais e giro decolonial no fazer poético da escritora paraense Roberta Tavares(Universidade Federal do Pará, 2025-02-22) VIDAL, Claudia Valeria França; LAGE, Leandro Rodrigues; http://lattes.cnpq.br/2396184188116499; https://orcid.org/0000-0002-6814-9640A presente tese defende que a literatura brasileira escrita por mulheres paraenses é um espaço saturado de relações interseccionais de poder por ser atravessado por discriminações baseadas em diferenças sociais herdadas do violento processo de colonização europeia nas Américas. Isso se dá porque agentes sociais ao interagirem se engajam em relações nas quais procuram alcançar seus interesses exercendo pressões uns sobre os outros, ou seja, gerando forças de poder que em cada sociedade tomam diversas formas e que se sobrepõem acentuando umas às outras (Foucault, 1995). Embora o poder não seja uma substância que se possa reter e que relações de poder também gerem movimentos de resistência, processos históricos de dominação criam formas opressivas mais estáveis porque historicamente prolongadas e naturalizadas em uma sociedade, porém, em certos espaços a intensidade com que atuam interseccionalmente as tornam mais evidentes (Collins 2022). Assim, o objetivo geral desta pesquisa é investigar a reverberação de tensões interseccionais de gênero, racialização e classe social no fazer poético de Roberta Tavares considerando sua especificidade de mulher e pessoa negra e quilombola vivendo e produzindo literatura no estado do Pará no século XXI. Com esse propósito, discutimos as origens coloniais das opressões de gênero, racialização e classe presentes na constituição do espaço social brasileiro que afetam sobretudo mulheres racializadas como a escritora. Além disso, traçamos um panorama diacrônico do campo da literatura paraense de autoria feminina para compreender as condições do contexto atual que contribuem para acolher ou dificultar a emergência de sua produção. Ademais, pensamos sobre as obras de Tavares tendo em conta sua referida especificidade. A justificativa dessa pesquisa no âmbito da Comunicação é a perspectiva do texto literário como unidade enunciativa que integra um processo comunicativo em diálogo com outras, como propõem Gadamer (1999), Ricoeur (2010) e Bakhtin (2010). A decisão em centrar a investigação no fazer poético da escritora Roberta Tavares deveu-se a sua representatividade no recorte a partir de levantamento realizado na presente pesquisa entre 2021 e 2022 que catalogou 136 escritoras paraenses em atividade a partir de obras do acervo pessoal preexistente da pesquisadora. A investigação foi direcionada pela combinação das abordagens de pesquisa com afetos (Moriceau, 2020) e a interseccional e realizada combinando as metodologias bibliográfica e documental. Foram adotados cinco eixos de análise, o primeiro dizendo respeito à materialidade dos três livros individuais da escritora e os demais concentrados nos poemas de seu livro artesanal “Mulheres de Fogo”. Além dos estudos já mencionados, o aporte teórico foi composto principalmente de autores que discutem historiografia literária brasileira e gênero, tais como Gotlib (1998), Duarte (2004; 2018) e Dalcastagnè (2018), colonialidade e decolonialidade na América Latina, tais como Quijano (2005), Mignolo (2017), Maldonado-Torres (2019) e Carneiro (2023), e feminismos de orientação decolonial, tais como Gonzalez (2018), Lugones (2014) e Ribeiro (2019). Concluímos que o fazer poético de Tavares se alinha a escrevivências (Evaristo, 2020) e é disruptivo em relação à tradição hegemônica e que o contexto paraense atual é mais propício à sua emergência em comparação a períodos históricos anteriores.
