Teses em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (Doutorado) - PPGDSTU/NAEA

URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2297

O Doutorado Acadêmico em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido pertence ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (PPGDSTU) do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). O Doutorado em Ciências – Desenvolvimento Socioambiental iniciou em 1994, absorvendo o debate crítico de ponta na época nos temas sobre desenvolvimento, planejamento e questões ambientais.

Navegar

Submissões Recentes

Agora exibindo 1 - 10 de 291
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Determinantes da produção científica nas universidades brasileiras: estrutura do campo científico, pós-graduação e trajetórias acadêmicas dos discentes na Amazônia
    (Universidade Federal do Pará, 2026-05-28) Lopes, Arleson Eduardo Monte Palma; ALMEIDA, Oriana Trindade de; http://lattes.cnpq.br/0325909843645279; https://orcid.org/0000-0002-4254-7982; ALMEIDA, Oriana Trindade de; CASTRO, Fábio Fonseca de; BAHIA, Mirleide Chaar; SILVA JUNIOR, Sebastiao Rodrigues da; OLIVEIRA, Hamilton Vieira de; CARVALHO, Claudiane de Oliveira; http://lattes.cnpq.br/0325909843645279; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://lattes.cnpq.br/6052323981745384; http://lattes.cnpq.br/3931008488643780; http://lattes.cnpq.br/3172995771315859; http://lattes.cnpq.br/2239271930460750; https://orcid.org/0000-0002-4254-7982; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; https://orcid.org/0000-0001-7168-2019; https://orcid.org/0000-0001-7308-6990; https://orcid.org/0000-0002-6439-0058; https://orcid.org/0000-0002-5000-1074
    A ciência e a tecnologia são fundamentais ao processo de desenvolvimento da humanidade, que permite avanços na Medicina e na Construção Civil, e melhorias nas políticas públicas, entre outras áreas, que são essenciais ao melhoramento da qualidade de vida. A disputa pelo domínio do conhecimento entre as nações resultou em uma estrutura de geopolítica do conhecimento alicerçada na perspectiva centro-periferia, e esta pesquisa tem, como objetivo, analisar como os determinantes institucionais, as estruturas do campo científico e as trajetórias acadêmicas de discentes de cursos de pós-graduação stricto sensu condicionam o desempenho da produção científica no Brasil. Do ponto de vista teórico, a pesquisa se fundamenta na chamada Sociologia do Conhecimento, com ênfase na noção de campo científico, que compreende a Ciência como um espaço de disputas simbólicas e institucionais, no qual agentes e instituições competem por reconhecimento, legitimidade e acesso a recursos. A pesquisa se caracteriza como exploratória e explicativa, com método misto explanatório sequencial, e sua abordagem metodológica se ampara no estruturalismo construtivista, de Pierre Bourdieu, e no estudo de caso, a partir de análises documentais, coletas de dados secundários e entrevistas com discentes de dois programas de pós-graduação. Os resultados constataram fortes concentrações regionais da pós-graduação stricto sensu e da produção científica nas regiões Sul e Sudeste, refletindo desigualdades históricas nas distribuições de recursos, infraestrutura e capital científico. Observa-se que programas localizados em regiões mais desenvolvidas apresentam melhores indicadores de desempenho, o que contribui para a reprodução de assimetrias no interior do sistema científico nacional. Ademais, os resultados dos modelos econométricos indicam que fatores estruturais, como financiamento, número de docentes e condições institucionais, exercem influência significativa sobre a produção científica. A análise das universidades federais brasileiras, com base em indicadores bibliométricos, confirma a heterogeneidade do sistema científico, demonstrando diferenças relevantes entre instituições e regiões. Essas desigualdades do campo científico também se manifestam nas experiências dos discentes, que relatam desafios à permanência, ao acesso a recursos e a condições de pesquisa, especialmente em contextos periféricos. No que se refere à inovação, observa-se que, embora as universidades desempenhem papel central na produção de conhecimento, ainda há limitações na articulação entre pesquisa acadêmica e desenvolvimento tecnológico. Conclui-se que a produção científica é marcada por profundas desigualdades estruturais no Brasil, tanto em função de sua inserção periférica no sistema científico internacional quanto de disparidades regionais internas.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Campo de relações do Turismo de Base Comunitária nas Comunidades de Anã e de Coroca em Santarém - Pará
    (Universidade Federal do Pará, 2026-06-24) PEREIRA, Pablo Vitor Viana; SILVA, Marilena Loureiro da; http://lattes.cnpq.br/7261982145077537; SILVA, Marilena Loureiro da; BAHIA, Mirleide Chaar; CASTRO, Fábio Fonseca de; SIMONETTI, Susy Rodrigues; PEREIRA, Vilmar Alves; http://lattes.cnpq.br/7261982145077537; http://lattes.cnpq.br/6052323981745384; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://lattes.cnpq.br/3413430472638905; http://lattes.cnpq.br/8501893261263297; https://orcid.org/0000-0002-9684-734X; https://orcid.org/0000-0001-7168-2019; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; https://orcid.org/0000-0002-1117-647X; https://orcid.org/0000-0003-2548-5086
    Esta tese problematiza o Turismo de Base Comunitária (TBC) nas comunidades de Anã e Coroca, em Santarém – Pará, com o objetivo principal de analisar o campo de relações do turismo de base comunitária nas comunidades Anã e de Coroca no referido município paraense. Partindo da perspectiva teórica de Pierre Bourdieu, foram utilizados os conceitos de campo e habitus para analisar as relações entre os agentes envolvidos, articulando estruturas de poder, disputas simbólicas e práticas comunitárias. A pesquisa, de abordagem qualitativa, combinou levantamento bibliográfico, entrevistas semiestruturadas com os agentes do TBC e observação de campo, permitindo compreender como as iniciativas locais são planejadas, implementadas e avaliadas, e como interagem com instituições externas, como ONGs, universidades, órgãos públicos e empreendedores privados. Os resultados indicaram que o TBC em Anã e Coroca promove geração de renda, valorização cultural, fortalecimento do capital social e preservação ambiental, mas enfrenta desafios significativos, como a limitação de recursos financeiros, a necessidade de capacitação técnica, a atuação ainda restrita do poder público e relações assimétricas com agentes externos. Observou-se um arranjo híbrido de governança, no qual o suporte institucional fortalece capacidades locais, ao mesmo tempo em que cria interdependências que podem limitar parcialmente a autonomia comunitária. A tese evidencia que o TBC vai além de uma atividade econômica: constitui espaço de aprendizagem, cooperação e transformação social, no qual a consolidação das práticas depende do protagonismo comunitário, da organização interna e da articulação com mercados turísticos e políticas públicas. Concluiu-se que, para que o TBC atue efetivamente como vetor de desenvolvimento territorial e fortalecimento das comunidades, é necessário equilibrar autonomia local, apoio institucional e parcerias externas, promovendo um turismo sustentável, culturalmente sensível e socialmente inclusivo.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    A Destinação de terras na Transamazônica e BR-163 e o dispositivo da racialidade: um estudo sobre o Distrito de Campo Verde, Itaituba, Pará
    (Universidade Federal do Pará, 2026-07-15) MARTINS, Pedro Sérgio Vieira; GONÇALVES, Marcela Vecchione; http://lattes.cnpq.br/9274854854102856; https://orcid.org/0000-0002-9171-5161; GONÇALVES, Marcela Vecchione; CASTRO, Edna Maria Ramos de; FOLHES, Ricardo Theophilo; CARVALHO, Luciana Gonçalves; MILEO, Bruno Alberto Paracampo; http://lattes.cnpq.br/9274854854102856; http://lattes.cnpq.br/4702941668727146; http://lattes.cnpq.br/5612208724254738; http://lattes.cnpq.br/9870905738650852; http://lattes.cnpq.br/3138618849065291; https://orcid.org/0000-0002-9171-5161; https://orcid.org/0000-0002-1764-6997; https://orcid.org/0000-0002-5518-7357; https://orcid.org/0000-0001-7916-9092; https://orcid.org/0000-0002-3614-2794
    Esta tese de doutoramento é resultado da pesquisa realizada sobre a aplicação do dispositivo da racialidade através da destinação de terras em seus diversos desdobramentos com foco no período de 1972 a 2023 especificamente no Distrito de Campo Verde, Itaituba, Pará. Trata-se de uma pesquisa de abordagem interdisciplinar com diálogo com a sociologia, a antropologia e o direito a partir de investigações em três principais debates que compõem o enquadramento teórico: a teoria racial, os estudos de desenvolvimento e os estudos do campesinato amazônico. Considerou-se a ausência de conexão entre os acúmulos acadêmicos das três abordagens. No entanto, foi possível considerar que a bagagem dos três vieses importa em contribuições relevantes para a perspectiva de situar raça como categoria para os estudos das relações de posse e propriedade da terra engendradas por diferentes políticas de desenvolvimento da região amazônica. O conceito central da pesquisa é o dispositivo da racialidade, que, na verdade, é apenas um termo apresentado por Michel Foucault, mas que foi alargado pela análise de Sueli Carneiro. A partir dos aportes de Sueli Carneiro e de autores como Fanon, Denise Ferreira da Silva e Charles Mills foi possível traçar uma perspectiva analítica dos estudos de fronteira e do campesinato, como em Hebette e José de Souza Martins, do desenvolvimento da Amazônia, em Edna Castro e Violeta Loureiro e do desenvolvimento sustentável como em Bertha Becker, Marcela Vecchione-Gonçalves, por exemplo, e questionando a representação satelizada da Amazônia a partir da redução da problemática amazônica às investigações sobre desmatamento. O dispositivo da racialidade como termo foi instrumento que permitiu revelar a complexa teia que mantém desigualdades no campo na Amazônia a partir da raça, combinando discursos, mitos, políticas, órgãos de terra, instituições financeiras e procedimentos cartoriais. De tal modo, o pensamento Foucaultiano atualizado por Sueli Carneiro demonstrou ser aplicável ao contexto Amazônico e permitiu concluir que a destinação de terras com origem no período imperial do Brasil foi e ainda é instrumento de racialização ao não confrontar o passado quando o mito da democracia racial foi acionado para apagar as trajetórias negras, e, ainda constituir critérios e procedimentos que afastam as famílias negras do acesso e permanência na terra em tempos de expansão da logística de escoamento de commodities agrícolas na região. O percurso metodológico foi composto por levantamentos documentais (relatórios de governo, Leis, Decretos, Portarias e Constituições), bibliográficos, de dados cartoriais, ambientais (por meio do Sistema do Cadastro Ambiental Rural e do Sistema de Licenças Ambientais) e fundiários (do SIGEF - Sistema de Gestão Fundiária), além de pesquisa de campo e de abordagem artística que permite a sensibilização do olhar e como instrumento didático para dialogar com o grupo de interlocução em campo. Com o grupo de interlocução foi estabelecida uma relação baseada no sigilo pessoal, em razão da exposição de dados patrimoniais e de risco de conflitos com fazendeiros do local de pesquisa, mas tal relação se deu enquanto grupo político que se permite pensar e refletir sua realidade. A partir disso, o grupo de interlocução debateu os resultados da pesquisa trazendo reflexões sobre o dispositivo da racialidade apresentado por meio de dados, histórias, fotografias e contos literários.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Corredor de biodiversidade na Fronteira Amapá / Guiana Francesa: fator de integração e sustentabilidade?
    (Universidade Federal do Pará, 2026-06-25) CAVALCANTE, Alandy Patrícia do Socorro Sousa; SIMONIAN, Ligia Terezinha Lopes; http://lattes.cnpq.br/6620574987436911; https://orcid.org/0000-0001-6690-7244; SIMONIAN, Ligia Terezinha Lopes; CASTRO, Fábio Fonseca de; RAVENA CAÑETE, Thales Maximiliano; SILVA, José Bittencourt da; CARDOSO, Denise Machado; http://lattes.cnpq.br/6620574987436911; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://lattes.cnpq.br/6291249974166783; http://lattes.cnpq.br/4719580090813166; http://lattes.cnpq.br/2685857306168366; https://orcid.org/0000-0001-6690-7244; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; https://orcid.org/0000-0001-8568-1754; https://orcid.org/0000-0002-5393-1170; https://orcid.org/
    Nas últimas décadas, as discussões acerca da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento sustentável têm assumido centralidade nas agendas científicas e nas políticas públicas em escala global, especialmente em regiões de elevada complexidade socioambiental, como a Amazônia. Nesse contexto, os corredores de biodiversidade emergem como instrumentos estratégicos de gestão territorial, voltados à integração de áreas protegidas, à manutenção dos processos ecológicos e à articulação entre conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico. A presente tese aborda a temática do Corredor de Biodiversidade do Amapá no contexto da fronteira entre Brasil e Guiana Francesa, considerando suas implicações para a integração territorial e a sustentabilidade. O recorte empírico concentra-se na região do Oiapoque, caracterizada por dinâmicas transfronteiriças, diversidade sociocultural e fragilidades institucionais. O objetivo geral do estudo consistiu em analisar o Corredor de Biodiversidade do Amapá como instrumento de gestão territorial voltado à integração, conservação da biodiversidade e sustentabilidade, com vistas à proposição de diretrizes para sua efetiva implementação. Especificamente, buscou-se: analisar a configuração socioambiental da região de fronteira; examinar o conceito e a evolução dos corredores de biodiversidade; investigar as políticas públicas e arranjos institucionais associados à sua implementação; identificar os atores sociais envolvidos e suas relações de poder; avaliar potencialidades, limitações e desafios do corredor; compreender a influência das dinâmicas transfronteiriças; e propor diretrizes estratégicas para o fortalecimento da gestão territorial. A pesquisa fundamentou-se em uma abordagem qualitativa, de caráter aplicado e natureza interdisciplinar, estruturada a partir de estudo de caso único aprofundado. Os procedimentos metodológicos envolveram levantamento bibliográfico, análise documental e investigação empírica, com base na triangulação de dados provenientes de diferentes fontes, incluindo gestores públicos, pesquisadores, lideranças locais e representantes do setor econômico. Tal estratégia possibilitou a compreensão integrada das dimensões ecológicas, sociais, institucionais e territoriais que configuram o corredor em contexto transfronteiriço. Os resultados evidenciam que, embora o Corredor de Biodiversidade do Amapá represente uma proposta inovadora no campo da gestão socioambiental, sua efetividade encontra-se limitada por fragilidades institucionais, desarticulação entre políticas públicas, assimetrias na governança transfronteiriça e insuficiente participação dos atores locais. Observou-se, ainda, que a integração entre conservação ambiental e desenvolvimento regional permanece incipiente, sendo atravessada por conflitos territoriais, pressões econômicas e lacunas naimplementação de instrumentos de gestão. Por outro lado, o estudo identificou potencialidades relevantes, especialmente no que se refere à existência de ampla cobertura de áreas protegidas, à diversidade sociocultural e às oportunidades de cooperação internacional. Conclui-se que o Corredor de Biodiversidade do Amapá configura-se como um instrumento estratégico para a gestão territorial em áreas de fronteira, desde que associado a mecanismos efetivos de governança multinível, articulação institucional, participação social e integração de políticas públicas. A tese contribui para o avanço teórico e metodológico no campo da gestão socioambiental ao propor diretrizes voltadas à consolidação de modelos integrados de conservação, capazes de articular sustentabilidade, desenvolvimento regional e cooperação transfronteiriça em contextos amazônicos.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Cidade e flexibilidade equatorial: pensando a particularidade regional amazônica na formação socioespacial brasileira
    (Universidade Federal do Pará, 2026-05-26) LEITE, Gabriel Carvalho da Silva; TRINDADE JÚNIOR, Saint-Clair Cordeiro da; http://lattes.cnpq.br/8905447990410938; https://orcid.org/0000-0001-6390-665X; TRINDADE JÚNIOR, Saint-Clair Cordeiro da; BAHIA, Mirleide Chaar; MERCÊS, Simaia do Socorro Sales das; TOZI, Fábio; SILVEIRA, Maria Laura; http://lattes.cnpq.br/1762041788112837; http://lattes.cnpq.br/6052323981745384; http://lattes.cnpq.br/8905447990410938; http://lattes.cnpq.br/1239744709191702; http://lattes.cnpq.br/7780900056825313; https://orcid.org/0000-0001-6390-665X; https://orcid.org/0000-0001-7168-2019; https://orcid.org/0009-0003-0514-1769; https://orcid.org/0000-0003-1448-8353; https://orcid.org/0000-0001-7441-6971
    Retomando as ideias originais sobre a flexibilidade tropical, formuladas pelo geógrafo Milton Santos, esta tese explora uma expressão particular desse atributo socioespacial – aqui denominada flexibilidade equatorial – na Amazônia brasileira. Fundamentada no método dialético de interpretação e análise, a pesquisa mobiliza técnicas qualitativas de levantamento bibliográfico, de observação direta e de entrevista semiestruturada. Mediante uma abordagem contextual, argumenta-se que a noção de flexibilidade tropical, inscrita em uma importante tradição crítica do pensamento social e geográfico brasileiro, constitui uma contribuição original à reapropriação e reelaboração radicalmente descentrada do discurso da tropicalidade, colocando em relevo o dinamismo intrínseco, a adaptabilidade endógena e a criatividade popular existente nas cidades dos países e regiões periféricos. A partir de levantamentos de campo realizados em diferentes situações geográficas – as cidades de Afuá (PA), Abaetetuba (PA) e Belém (PA), nas imediações da Boca do Amazonas –, evidencia-se a existência de formas particulares da flexibilidade tropical – manifestações do que aqui se chama de flexibilidade equatorial – baseadas, fundamentalmente, no meio geográfico amazônico; este sendo entendido não simplesmente como meio natural, mas como socionatureza, um híbrido de materialidade territorial e relações sociais. Por fim, sustenta-se que a flexibilidade equatorial, concebida nesses termos, recorrentemente incompreendida ou pouco considerada pela política e planejamento territorial, constitui, em potencial, uma fonte de possibilidades alternativas de desenvolvimento urbano fundamentado nas configurações socionaturais da região.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Rupturas do tempo, da natureza e da vida: crise climática e reprodução social nas comunidades do Distrito do Mocambo, Parintins (AM)
    (Universidade Federal do Pará, 2026-05-07) CATIVO, Cassia Karime Vieira; LOUREIRO, Violeta Refkalefsky; http://lattes.cnpq.br/3092799127943216; http://orcid.org/0000; CASTRO, Edna Maria Ramos de; http://lattes.cnpq.br/4702941668727146; http://orcid.org/0000-0002-1764-6997; CASTRO, Edna Maria Ramos de; LOUREIRO, Violeta Refkalefsky; GONÇALVES, Marcela Vecchione; RAVENA, Nírvia; SCHERER, Elenise Faria; WEIL, Andreza Gomes; http://lattes.cnpq.br/4702941668727146; http://lattes.cnpq.br/3092799127943216; http://lattes.cnpq.br/9274854854102856; http://lattes.cnpq.br/0486445417640290; http://lattes.cnpq.br/9963969899295818; http://lattes.cnpq.br/5253723857077661; http://orcid.org/0000-0002-1764-6997; http://orcid.org/0000; http://orcid.org/0000; https://orcid.org/0000-0002-1446-2172; https://orcid.org/0000-0003-0026-4308; https://orcid.org/0000
    A crise climática, compreendida como expressão da ruptura metabólica entre sociedade e natureza produzida pela expansão do modo de produção capitalista, tem se intensificado nas últimas décadas e se manifesta de forma particularmente sensível na Amazônia, onde alterações no regime de chuvas, aumento das temperaturas e secas mais severas evidenciam mudanças nos sistemas naturais, impactando diretamente comunidades que dependem da dinâmica dos rios. Assim, o objetivo central desta pesquisa foi analisar como a crise climática vem reconfigurando os ciclos hidroclimáticos da Amazônia e alterando os referenciais temporais, materiais e simbólicos que estruturam a vida das comunidades ribeirinhas, com foco nas comunidades do Distrito do Mocambo do Arari, no município de Parintins, Amazonas. Para atingir esse objetivo, adotou-se uma abordagem qualiquanti, de caráter crítico e interdisciplinar, que articulou revisão bibliográfica, análise documental e trabalho de campo, incluindo observação direta e entrevistas semiestruturadas com moradores das comunidades ribeirinhas. Os resultados evidenciaram que a crise climática tem provocado alterações significativas nos ciclos das cheias e vazantes, historicamente responsáveis por orientar o calendário produtivo e a organização social dessas populações. Secas mais intensas e prolongadas, associadas à irregularidade das chuvas e à redução do nível dos rios, têm impactado atividades produtivas como a pesca e a agricultura de várzea, além de comprometer a mobilidade e o acesso aos recursos naturais. A pesquisa também revelou que essas transformações afetam não apenas a dimensão material da vida ribeirinha, mas também os referenciais temporais e simbólicos que estruturam a relação das comunidades com o rio e com a natureza, gerando percepções de incerteza diante das mudanças ambientais. Por fim, a crise climática, na Amazônia, ultrapassa a dimensão ambiental, configurando-se como uma crise social, territorial e simbólica que reconfigura modos de vida e saberes tradicionais.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Olhos da paisagem: o monoculturar nos rastros das infraestruturas de produção e circulação de commodities no Baixo Tocantins
    (Universidade Federal do Pará, 2026-05-15) ALMEIDA, Nathália Tavares de Souza; INOUE, Cristina Yumie Aoki; http://lattes.cnpq.br/5557106844328206; GONÇALVES, Marcela Vecchione; http://lattes.cnpq.br/9274854854102856; FOLHES, Ricardo Theophilo; CASTRO, Fábio Fonseca de; LOSEKANN, Cristiana; LEÃO, Ana Cláudia do Amaral; http://lattes.cnpq.br/5612208724254738; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://lattes.cnpq.br/6484935860818055; http://lattes.cnpq.br/3091200390689592; https://orcid.org/; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; https://orcid.org/0000-0002-9043-6099; https://orcid.org/
    Esta tese se propõe a pensar o conceito de monoculturar com o objetivo de compreender processos contemporâneos de transformação da paisagem associados à expansão de infraestruturas. Mais do que para designar sistemas produtivos específicos, o termo é mobilizado como verbo, isto é, como uma atividade que simplifica, fragmenta e reorganiza relações, convertendo territórios vivos em superfícies operacionais voltadas à circulação, ao estoque e ao descarte. O foco da análise se desloca, assim, da descrição de cadeias produtivas isoladas à identificação de um modus operandi que se repete em diferentes contextos, atuando sobre dimensões visíveis e invisíveis. A pesquisa se ancora em um recorte situado no Nordeste paraense, especialmente na região do Baixo Tocantins, onde a paisagem se constitui como um tecido relacional em constante movimento, articulado por rios, marés, ilhas e fluxos que conectam pessoas, economias e modos de vida. A partir desse território, investiga-se como o monoculturar opera ao dissociar elementos indissociáveis como tempo e espaço, natureza e cultura, impondo ritmos, escalas e categorias que favorecem a acumulação e o controle. Esse processo produz não apenas transformações espaciais, mas também afetações na sensibilidade, alterando formas de perceber, habitar e experimentar o mundo. A análise é desenvolvida a partir de três movimentos complementares: a identificação das infraestruturas (i)materiais e suas inscrições na paisagem; o exame dos dispositivos jurídicos, técnicos e discursivos que viabilizam sua expansão; e a investigação dos efeitos dessa articulação sobre as relacionalidades locais, evidenciando a operação do monoculturar na reorganização dos fluxos, na produção de estoques e nas práticas de descarte. A tese se insere em um campo de debates que compreende a paisagem como efeito de relações em constante composição, mobilizando a noção de relacionalidade (Escobar, 2018) como eixo analítico para compreender como os mundos são produzidos, tensionados e transformados (Vecchione-Gonçalves, 2014). A partir desse enquadramento, dialoga com as abordagens críticas ao desenvolvimento e à modernização ecológica (Escobar, 2018; Shiva, 2005), entendidas não apenas como projetos econômicos, mas como dispositivos que reorganizam o espaço, o tempo e as formas de existência. Nesse sentido, ao acompanhar processos de transformação no Baixo Tocantins, a análise se aproxima de abordagens que enfatizam a fricção e a ruína como modos de apreender encontros e seus vestígios persistentes (Tsing, 2015), bem como de perspectivas que deslocam a separação entre natureza e sociedade ao considerar a coexistência de múltiplas ontologias em disputa (de la Cadena, 2015; Haraway, 2016). Ao mesmo tempo, incorpora contribuições que permitem compreender as infraestruturas para além de sua dimensão material (Cowen, 2014). Metodologicamente, a pesquisa se orienta por uma abordagem situada, que recusa a hierarquização dos saberes e reconhece o conhecimento como produzido na relação com o território. O percurso articula análise de infraestruturas visíveis e invisíveis, sejam elas materiais, jurídicas e simbólicas com práticas sensíveis de observação, escuta e criação, nas quais a fotografia se configura como linguagem e método. Como contribuição, a tese oferece uma leitura ampliada dos processos de monoculturação, evidenciando seus efeitos sobre paisagens, temporalidades e modos de vida, propondo o deslocamento do olhar. Ao compreender o monoculturar como verbo, a pesquisa explicita a atuação contínua desta ação - o monoculturar - sobre o mundo, apontando para a necessidade de reconhecer e sustentar formas de existência que resistam à sua lógica.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Centros urbanos, ciclo hidrológico e a pesca artesanal na área de influência da Hidrelétrica de Belo Monte, Rio Xingu, Amazônia Oriental
    (Universidade Federal do Pará, 2026-03-20) GONÇALVES, Andrey Felipe Gomes; LOPES, Priscila Fabiana Macedo; http://lattes.cnpq.br/0025274238475995; PEZZUTI, Juarez Carlos Brito; http://lattes.cnpq.br/3852277891994862; https://orcid.org/0000-0002-5409-8336; ALMEIDA, Oriana Trindade de; SANTANA, Antônio Cordeiro de; SILVANO, Renato Azevedo Matias; HALLWASS, Gustavo; BAHIA, Mirleide Chaar; http://lattes.cnpq.br/0325909843645279; http://lattes.cnpq.br/2532279040491194; http://lattes.cnpq.br/8546785979905053; http://lattes.cnpq.br/6840617813796918; http://lattes.cnpq.br/6052323981745384; https://orcid.org/0000-0002-4254-7982; https://orcid.org/0000-0002-4324-9178; https://orcid.org/0000-0003-0171-6628; https://orcid.org/0000-0001-8826-5262; https://orcid.org/0000-0001-7168-2019
    A pesca artesanal na Amazônia constitui um sistema socioecológico fundamental para a segurança alimentar, a subsistência econômica e a identidade cultural de populações ribeirinhas. No entanto, esse sistema tem sido profundamente reconfigurado por pressões antrópicas crescentes, em especial pela expansão urbana e pela regulação hidrológica associada a grandes empreendimentos hidrelétricos. Investigamos como esses dois processos atuam na transformação da pesca artesanal ao longo do rio Xingu, na Amazônia Oriental, sob influência da Usina Hidrelétrica de Belo Monte A influência urbana foi quantificada por meio de um Índice de Intensidade Humana, que combina distância aos centros urbanos e tamanho populacional, enquanto os efeitos hidrológicos foram avaliados a partir da variação da vazão anual sob regime regulado. Os dados de pesca foram obtidos a partir de registros de desembarque coletados em localidades ao longo do rio Xingu, totalizando 78.964 desembarques amostrados entre 2012 e 2022. As análises integraram modelos mistos e abordagens multivariadas para examinar respostas da captura por unidade de esforço, da diversidade, da composição das espécies e dos métodos utilizados.. Os resultados indicam que o aumento da intensidade humana está associado a mudanças nas estratégias de pesca, com maior uso de embarcações motorizadas, redução da diversidade de espécies e declínio da produtividade em métodos mais seletivos. A composição das capturas torna-se progressivamente homogênea em áreas sob maior influência urbana. Os efeitos da vazão sobre a pesca são seletivos e não lineares, concentrando-se na CPUE e na composição das capturas. Os resultados indicam que os valores de vazão atualmente praticados sob o regime de operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte são insuficientes para sustentar de forma contínua a produtividade pesqueira no rio Xingu, uma vez que respostas positivas só emergem em níveis mais adequados e persistentemente mantidos de descarga, enquanto eventos hidrológicos isolados ou de curta duração não produzem efeitos ecológicos consistentes. A regulação hidrológica e a urbanização estão levando a uma reorganização das pescarias do rio Xingu, intensificando a vulnerabilidade ecológica e socioeconômica das comunidades ribeirinhas.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Governamentalidade em áreas protegidas: análise comparativa entre os Parques Nacionais de Tortuguero (Costa Rica) e do Cabo Orange (Brasil)
    (Universidade Federal do Pará, 2026-04-13) SANTOS, Fernanda Gabrielle Filiphina Paixão dos; SIMONIAN, Ligia Terezinha Lopes; http://lattes.cnpq.br/6620574987436911; https://orcid.org/0000-0001-6690-7244; ALMEIDA, Oriana Trindade de; CASTRO, Fábio Fonseca de; SILVA, Ana Cristina Rocha; ELIAS, Leila Márcia Sousa de Lima; ARAUJO, Monica de Nazaré Ferreira de; http://lattes.cnpq.br/0325909843645279; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://lattes.cnpq.br/1459668482119185; http://lattes.cnpq.br/4908432047840911; http://lattes.cnpq.br/9650733523825165; https://orcid.org/0000-0002-4254-7982; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; https://orcid.org/0000-0002-4312-8691; https://orcid.org/0000-0002-7522-1962; https://orcid.org/0000-0003-4271-0038
    As áreas protegidas têm se consolidado como instrumentos centrais das políticas ambientais contemporâneas, especialmente em contextos marcados por disputas territoriais, pressões econômicas e desigualdades socioambientais. Nesse cenário, emerge o problema de compreender como práticas de governamentalidade se manifestam nesses espaços, influenciando as relações entre Estado, organismos internacionais, agentes econômicos e populações locais. O presente trabalho tem como objetivo analisar as racionalidades políticas e os processos de subjetivação produzidos e mobilizados nas políticas de proteção ambiental em áreas protegidas. Para tanto, adota-se como recorte empírico dois Parques Nacionais reconhecidos como sítios Ramsar: o Parque Nacional de Tortuguero, na Costa Rica, e o Parque Nacional do Cabo Orange, no Brasil. A fundamentação teórica articula o conceito de governamentalidade, de Michel Foucault, com abordagens decoloniais, permitindo analisar como diferentes racionalidades de governo se expressam na gestão ambiental. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com estratégia de estudo de caso múltiplo, apoiada na análise do discurso, na análise comparativa e na realização de trabalho de campo. Os resultados indicam a existência de racionalidades políticas distintas: em Tortuguero, observa-se governamentalidade marcada pela produção sistemática de dados, pela centralidade do turismo e pela atuação de organizações não governamentais; no Cabo Orange, predomina governamentalidade caracterizada pela ausência de monitoramento contínuo, pela escassez de dados e pela atuação fragmentada do Estado. O estudo contribui para ampliar a compreensão das relações entre poder, território e conservação em contextos latino-americanos.
  • TeseAcesso aberto (Open Access)
    Pesca, políticas públicas e pobreza: estratégias e perspectivas do pescador artesanal do litoral amazônico
    (Universidade Federal do Pará, 2022-12-07) SALES, Abner Dias; BRABO, Marcos Ferreira; http://lattes.cnpq.br/4274389612082613; ALMEIDA, Oriana Trindade de; http://lattes.cnpq.br/0325909843645279; https://orcid.org/0000-0002-4254-7982; BAHIA, Mirleide Chaar; SANTANA, Antônio Cordeiro de; ARAÚJO, Janayna Galvão de; CINTRA, Israel Hidenburgo Aniceto; SANTOS, Marcos Antônio Souza dos; http://lattes.cnpq.br/6052323981745384; http://lattes.cnpq.br/2532279040491194; http://lattes.cnpq.br/7227848659893765; http://lattes.cnpq.br/6632466008150577; http://lattes.cnpq.br/1517009704490133; https://orcid.org/0000-0001-7168-2019; https://orcid.org/0000-0002-4324-9178; https://orcid.org/0000-0001-7060-5310; https://orcid.org/0000; https://orcid.org/0000
    pesca marinha é uma atividade importante que engloba um enorme contingente de pessoas no Litoral Norte do Brasil. O estado do Pará, que faz parte desta região, possui inúmeros municípios que encontram na pesca uma fonte de trabalho, renda e alimentação para as suas populações, dentre eles, Bragança e Augusto Corrêa, onde se localizam várias comunidades pesqueiras e as Reservas Extrativistas Marinhas Caeté-Taperaçu e Araí-Peroba, que se dedicam a esse ofício. Esta pesquisa trabalha com a hipótese de que os pescadores artesanais das áreas das RESEX e suas comunidades detêm uma renda baixa incapaz de contribuir para a manutenção do próprio bem-estar, visto que somente através das políticas públicas esses pescadores conseguem ter uma renda suficiente para os gastos familiares. De tal modo que o objetivo deste estudo centra-se em analisar as limitações e oportunidades da pesca artesanal, como atividade econômica para a redução da pobreza nas Reservas Extrativistas Marinhas Caeté-Taperaçu e Araí-Peroba, avaliando o papel das políticas do governo e considerando tantos as políticas voltadas para RESEX como as demais políticas públicas sociais. Para isso, realizou-se um levantamento bibliográfico e organizaram-se encontros com lideranças que atuam com esses pescadores, além da análise de um banco de dados constituído de 1.145 entrevistas cedidas pelo Instituto de Desenvolvimento e Assistência Técnica da Amazônia, o qual realizou um projeto de Assistência Técnica e Extensão Rural para o desenvolvimento da pesca artesanal da Costa Bragantina em 2015 e 2016. Para analisar tais grupos, foi utilizada estatística descritiva visando traçar o perfil social do pescador. Também foram analisadas as relações entre as variáveis sociais, econômicas e ambientais a partir de uma correlação de Spearman. Os dados foram submetidos ao teste de regressão simples, sendo calculado o intervalo de confiança para analisar diferenças de médias. A pesca de peixes e a extração do caranguejo-uçá são as principais atividades pesqueiras nessas áreas, incluindo várias formas de captura, com destaque às redes de emalhar, armadilhas fixas e ao gancho. Existem, também, múltiplas formas de comercialização desse pescado, contudo a figura dos atravessadores, na cadeia produtiva, é muito forte, uma vez que eles são considerados, por muitos pescadores, uma “solução” para a atividade, tendo em vista que proporcionam a entrega de insumos para a pesca, realizam a estocagem e a distribuição da produção e comercializam com outros canais do mercado, ou seja, organizam essa cadeia, cobrindo, assim, uma lacuna existente. Esta pesquisa evidenciou que renda oriunda da pesca artesanal está muito aquém das reais expectativas desses pescadores. De maneira que o apoio financeiro proveniente de programas e auxílios governamentais, possui uma enorme importância para a renda familiar complementando-a, revelando, por fim, a condição de vulnerabilidade dessas famílias. Comprovando, ainda que, apesar de todo esse amparo financeiro disponibilizado pelo Estado para compensar a pouca receita procedente da atividade, os pescadores estão em uma situação de pobreza, o que demonstra as deficiências ou ineficiências das políticas públicas existentes. Em virtude disso, os resultados deste trabalho visam orientar e contribuir para próximos estudos, a fim de aprimorar ou adicionar novas estratégias e políticas com o intuito de propor um novo desenho ao pescador artesanal e uma melhora na atividade.