Teses em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (Doutorado) - PPGDSTU/NAEA
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.ufpa.br/handle/2011/2297
O Doutorado Acadêmico em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido pertence ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (PPGDSTU) do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). O Doutorado em Ciências – Desenvolvimento Socioambiental iniciou em 1994, absorvendo o debate crítico de ponta na época nos temas sobre desenvolvimento, planejamento e questões ambientais.
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Tese Acesso aberto (Open Access) Olhos da paisagem: o monoculturar nos rastros das infraestruturas de produção e circulação de commodities no Baixo Tocantins(Universidade Federal do Pará, 2026-05-15) ALMEIDA, Nathália Tavares de Souza; INOUE, Cristina Yumie Aoki; http://lattes.cnpq.br/5557106844328206; GONÇALVES, Marcela Vecchione; http://lattes.cnpq.br/9274854854102856; FOLHES, Ricardo Theophilo; CASTRO, Fábio Fonseca de; LOSEKANN, Cristiana; LEÃO, Ana Cláudia do Amaral; http://lattes.cnpq.br/5612208724254738; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://lattes.cnpq.br/6484935860818055; http://lattes.cnpq.br/3091200390689592; https://orcid.org/; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; https://orcid.org/0000-0002-9043-6099; https://orcid.org/Esta tese se propõe a pensar o conceito de monoculturar com o objetivo de compreender processos contemporâneos de transformação da paisagem associados à expansão de infraestruturas. Mais do que para designar sistemas produtivos específicos, o termo é mobilizado como verbo, isto é, como uma atividade que simplifica, fragmenta e reorganiza relações, convertendo territórios vivos em superfícies operacionais voltadas à circulação, ao estoque e ao descarte. O foco da análise se desloca, assim, da descrição de cadeias produtivas isoladas à identificação de um modus operandi que se repete em diferentes contextos, atuando sobre dimensões visíveis e invisíveis. A pesquisa se ancora em um recorte situado no Nordeste paraense, especialmente na região do Baixo Tocantins, onde a paisagem se constitui como um tecido relacional em constante movimento, articulado por rios, marés, ilhas e fluxos que conectam pessoas, economias e modos de vida. A partir desse território, investiga-se como o monoculturar opera ao dissociar elementos indissociáveis como tempo e espaço, natureza e cultura, impondo ritmos, escalas e categorias que favorecem a acumulação e o controle. Esse processo produz não apenas transformações espaciais, mas também afetações na sensibilidade, alterando formas de perceber, habitar e experimentar o mundo. A análise é desenvolvida a partir de três movimentos complementares: a identificação das infraestruturas (i)materiais e suas inscrições na paisagem; o exame dos dispositivos jurídicos, técnicos e discursivos que viabilizam sua expansão; e a investigação dos efeitos dessa articulação sobre as relacionalidades locais, evidenciando a operação do monoculturar na reorganização dos fluxos, na produção de estoques e nas práticas de descarte. A tese se insere em um campo de debates que compreende a paisagem como efeito de relações em constante composição, mobilizando a noção de relacionalidade (Escobar, 2018) como eixo analítico para compreender como os mundos são produzidos, tensionados e transformados (Vecchione-Gonçalves, 2014). A partir desse enquadramento, dialoga com as abordagens críticas ao desenvolvimento e à modernização ecológica (Escobar, 2018; Shiva, 2005), entendidas não apenas como projetos econômicos, mas como dispositivos que reorganizam o espaço, o tempo e as formas de existência. Nesse sentido, ao acompanhar processos de transformação no Baixo Tocantins, a análise se aproxima de abordagens que enfatizam a fricção e a ruína como modos de apreender encontros e seus vestígios persistentes (Tsing, 2015), bem como de perspectivas que deslocam a separação entre natureza e sociedade ao considerar a coexistência de múltiplas ontologias em disputa (de la Cadena, 2015; Haraway, 2016). Ao mesmo tempo, incorpora contribuições que permitem compreender as infraestruturas para além de sua dimensão material (Cowen, 2014). Metodologicamente, a pesquisa se orienta por uma abordagem situada, que recusa a hierarquização dos saberes e reconhece o conhecimento como produzido na relação com o território. O percurso articula análise de infraestruturas visíveis e invisíveis, sejam elas materiais, jurídicas e simbólicas com práticas sensíveis de observação, escuta e criação, nas quais a fotografia se configura como linguagem e método. Como contribuição, a tese oferece uma leitura ampliada dos processos de monoculturação, evidenciando seus efeitos sobre paisagens, temporalidades e modos de vida, propondo o deslocamento do olhar. Ao compreender o monoculturar como verbo, a pesquisa explicita a atuação contínua desta ação - o monoculturar - sobre o mundo, apontando para a necessidade de reconhecer e sustentar formas de existência que resistam à sua lógica.Tese Acesso aberto (Open Access) Centros urbanos, ciclo hidrológico e a pesca artesanal na área de influência da Hidrelétrica de Belo Monte, Rio Xingu, Amazônia Oriental(Universidade Federal do Pará, 2026-03-20) GONÇALVES, Andrey Felipe Gomes; LOPES, Priscila Fabiana Macedo; http://lattes.cnpq.br/0025274238475995; PEZZUTI, Juarez Carlos Brito; http://lattes.cnpq.br/3852277891994862; https://orcid.org/0000-0002-5409-8336; ALMEIDA, Oriana Trindade de; SANTANA, Antônio Cordeiro de; SILVANO, Renato Azevedo Matias; HALLWASS, Gustavo; BAHIA, Mirleide Chaar; http://lattes.cnpq.br/0325909843645279; http://lattes.cnpq.br/2532279040491194; http://lattes.cnpq.br/8546785979905053; http://lattes.cnpq.br/6840617813796918; http://lattes.cnpq.br/6052323981745384; https://orcid.org/0000-0002-4254-7982; https://orcid.org/0000-0002-4324-9178; https://orcid.org/0000-0003-0171-6628; https://orcid.org/0000-0001-8826-5262; https://orcid.org/0000-0001-7168-2019A pesca artesanal na Amazônia constitui um sistema socioecológico fundamental para a segurança alimentar, a subsistência econômica e a identidade cultural de populações ribeirinhas. No entanto, esse sistema tem sido profundamente reconfigurado por pressões antrópicas crescentes, em especial pela expansão urbana e pela regulação hidrológica associada a grandes empreendimentos hidrelétricos. Investigamos como esses dois processos atuam na transformação da pesca artesanal ao longo do rio Xingu, na Amazônia Oriental, sob influência da Usina Hidrelétrica de Belo Monte A influência urbana foi quantificada por meio de um Índice de Intensidade Humana, que combina distância aos centros urbanos e tamanho populacional, enquanto os efeitos hidrológicos foram avaliados a partir da variação da vazão anual sob regime regulado. Os dados de pesca foram obtidos a partir de registros de desembarque coletados em localidades ao longo do rio Xingu, totalizando 78.964 desembarques amostrados entre 2012 e 2022. As análises integraram modelos mistos e abordagens multivariadas para examinar respostas da captura por unidade de esforço, da diversidade, da composição das espécies e dos métodos utilizados.. Os resultados indicam que o aumento da intensidade humana está associado a mudanças nas estratégias de pesca, com maior uso de embarcações motorizadas, redução da diversidade de espécies e declínio da produtividade em métodos mais seletivos. A composição das capturas torna-se progressivamente homogênea em áreas sob maior influência urbana. Os efeitos da vazão sobre a pesca são seletivos e não lineares, concentrando-se na CPUE e na composição das capturas. Os resultados indicam que os valores de vazão atualmente praticados sob o regime de operação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte são insuficientes para sustentar de forma contínua a produtividade pesqueira no rio Xingu, uma vez que respostas positivas só emergem em níveis mais adequados e persistentemente mantidos de descarga, enquanto eventos hidrológicos isolados ou de curta duração não produzem efeitos ecológicos consistentes. A regulação hidrológica e a urbanização estão levando a uma reorganização das pescarias do rio Xingu, intensificando a vulnerabilidade ecológica e socioeconômica das comunidades ribeirinhas.Tese Acesso aberto (Open Access) Governamentalidade em áreas protegidas: análise comparativa entre os Parques Nacionais de Tortuguero (Costa Rica) e do Cabo Orange (Brasil)(Universidade Federal do Pará, 2026-04-13) SANTOS, Fernanda Gabrielle Filiphina Paixão dos; SIMONIAN, Ligia Terezinha Lopes; http://lattes.cnpq.br/6620574987436911; https://orcid.org/0000-0001-6690-7244; ALMEIDA, Oriana Trindade de; CASTRO, Fábio Fonseca de; SILVA, Ana Cristina Rocha; ELIAS, Leila Márcia Sousa de Lima; ARAUJO, Monica de Nazaré Ferreira de; http://lattes.cnpq.br/0325909843645279; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://lattes.cnpq.br/1459668482119185; http://lattes.cnpq.br/4908432047840911; http://lattes.cnpq.br/9650733523825165; https://orcid.org/0000-0002-4254-7982; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; https://orcid.org/0000-0002-4312-8691; https://orcid.org/0000-0002-7522-1962; https://orcid.org/0000-0003-4271-0038As áreas protegidas têm se consolidado como instrumentos centrais das políticas ambientais contemporâneas, especialmente em contextos marcados por disputas territoriais, pressões econômicas e desigualdades socioambientais. Nesse cenário, emerge o problema de compreender como práticas de governamentalidade se manifestam nesses espaços, influenciando as relações entre Estado, organismos internacionais, agentes econômicos e populações locais. O presente trabalho tem como objetivo analisar as racionalidades políticas e os processos de subjetivação produzidos e mobilizados nas políticas de proteção ambiental em áreas protegidas. Para tanto, adota-se como recorte empírico dois Parques Nacionais reconhecidos como sítios Ramsar: o Parque Nacional de Tortuguero, na Costa Rica, e o Parque Nacional do Cabo Orange, no Brasil. A fundamentação teórica articula o conceito de governamentalidade, de Michel Foucault, com abordagens decoloniais, permitindo analisar como diferentes racionalidades de governo se expressam na gestão ambiental. A pesquisa adota abordagem qualitativa, com estratégia de estudo de caso múltiplo, apoiada na análise do discurso, na análise comparativa e na realização de trabalho de campo. Os resultados indicam a existência de racionalidades políticas distintas: em Tortuguero, observa-se governamentalidade marcada pela produção sistemática de dados, pela centralidade do turismo e pela atuação de organizações não governamentais; no Cabo Orange, predomina governamentalidade caracterizada pela ausência de monitoramento contínuo, pela escassez de dados e pela atuação fragmentada do Estado. O estudo contribui para ampliar a compreensão das relações entre poder, território e conservação em contextos latino-americanos.Tese Acesso aberto (Open Access) Pesca, políticas públicas e pobreza: estratégias e perspectivas do pescador artesanal do litoral amazônico(Universidade Federal do Pará, 2022-12-07) SALES, Abner Dias; BRABO, Marcos Ferreira; http://lattes.cnpq.br/4274389612082613; ALMEIDA, Oriana Trindade de; http://lattes.cnpq.br/0325909843645279; https://orcid.org/0000-0002-4254-7982; BAHIA, Mirleide Chaar; SANTANA, Antônio Cordeiro de; ARAÚJO, Janayna Galvão de; CINTRA, Israel Hidenburgo Aniceto; SANTOS, Marcos Antônio Souza dos; http://lattes.cnpq.br/6052323981745384; http://lattes.cnpq.br/2532279040491194; http://lattes.cnpq.br/7227848659893765; http://lattes.cnpq.br/6632466008150577; http://lattes.cnpq.br/1517009704490133; https://orcid.org/0000-0001-7168-2019; https://orcid.org/0000-0002-4324-9178; https://orcid.org/0000-0001-7060-5310; https://orcid.org/0000; https://orcid.org/0000pesca marinha é uma atividade importante que engloba um enorme contingente de pessoas no Litoral Norte do Brasil. O estado do Pará, que faz parte desta região, possui inúmeros municípios que encontram na pesca uma fonte de trabalho, renda e alimentação para as suas populações, dentre eles, Bragança e Augusto Corrêa, onde se localizam várias comunidades pesqueiras e as Reservas Extrativistas Marinhas Caeté-Taperaçu e Araí-Peroba, que se dedicam a esse ofício. Esta pesquisa trabalha com a hipótese de que os pescadores artesanais das áreas das RESEX e suas comunidades detêm uma renda baixa incapaz de contribuir para a manutenção do próprio bem-estar, visto que somente através das políticas públicas esses pescadores conseguem ter uma renda suficiente para os gastos familiares. De tal modo que o objetivo deste estudo centra-se em analisar as limitações e oportunidades da pesca artesanal, como atividade econômica para a redução da pobreza nas Reservas Extrativistas Marinhas Caeté-Taperaçu e Araí-Peroba, avaliando o papel das políticas do governo e considerando tantos as políticas voltadas para RESEX como as demais políticas públicas sociais. Para isso, realizou-se um levantamento bibliográfico e organizaram-se encontros com lideranças que atuam com esses pescadores, além da análise de um banco de dados constituído de 1.145 entrevistas cedidas pelo Instituto de Desenvolvimento e Assistência Técnica da Amazônia, o qual realizou um projeto de Assistência Técnica e Extensão Rural para o desenvolvimento da pesca artesanal da Costa Bragantina em 2015 e 2016. Para analisar tais grupos, foi utilizada estatística descritiva visando traçar o perfil social do pescador. Também foram analisadas as relações entre as variáveis sociais, econômicas e ambientais a partir de uma correlação de Spearman. Os dados foram submetidos ao teste de regressão simples, sendo calculado o intervalo de confiança para analisar diferenças de médias. A pesca de peixes e a extração do caranguejo-uçá são as principais atividades pesqueiras nessas áreas, incluindo várias formas de captura, com destaque às redes de emalhar, armadilhas fixas e ao gancho. Existem, também, múltiplas formas de comercialização desse pescado, contudo a figura dos atravessadores, na cadeia produtiva, é muito forte, uma vez que eles são considerados, por muitos pescadores, uma “solução” para a atividade, tendo em vista que proporcionam a entrega de insumos para a pesca, realizam a estocagem e a distribuição da produção e comercializam com outros canais do mercado, ou seja, organizam essa cadeia, cobrindo, assim, uma lacuna existente. Esta pesquisa evidenciou que renda oriunda da pesca artesanal está muito aquém das reais expectativas desses pescadores. De maneira que o apoio financeiro proveniente de programas e auxílios governamentais, possui uma enorme importância para a renda familiar complementando-a, revelando, por fim, a condição de vulnerabilidade dessas famílias. Comprovando, ainda que, apesar de todo esse amparo financeiro disponibilizado pelo Estado para compensar a pouca receita procedente da atividade, os pescadores estão em uma situação de pobreza, o que demonstra as deficiências ou ineficiências das políticas públicas existentes. Em virtude disso, os resultados deste trabalho visam orientar e contribuir para próximos estudos, a fim de aprimorar ou adicionar novas estratégias e políticas com o intuito de propor um novo desenho ao pescador artesanal e uma melhora na atividade.Tese Acesso aberto (Open Access) Políticas públicas de restauração florestal: uma análise do Projeto PROSAF no Pará(Universidade Federal do Pará, 2025-12-12) RODRIGUES, Thayana Cristina de Andrade; FOLHES, Ricardo Theophilo; http://lattes.cnpq.br/5612208724254738; VECCHIONE GONÇALVES, Marcela; FERNANDES, Danilo Araújo; SILVA, Harley; COUDEL, Emilie; http://lattes.cnpq.br/9274854854102856; http://lattes.cnpq.br/2839366380149639; http://lattes.cnpq.br/1485109352201821; http://lattes.cnpq.br/3299840369978601; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0003-1326-9626; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0001-8272-8051A restauração florestal emergiu nos últimos anos como uma das principais abordagens das políticas públicas ambientais brasileiras, estimulada por normativas como a PROVEG e o Código Florestal de 2012. No estado do Pará, essas políticas assumiram contornos particulares, em consequência da intensa pressão sobre os ecossistemas locais. Esta tese tem como objetivo geral analisar os efeitos das políticas públicas de restauração florestal no Brasil e no Pará, com foco no PROSAF como estudo de caso e para isso, utiliza uma metodologia qualitativa e estruturada em três etapas: levantamento documental e normativo, revisão de literatura e entrevistas semiestruturadas com 32 atores-chave. Os achados foram distribuídos em três núcleos analíticos, que correspondem aos capítulos centrais da tese. O primeiro núcleo constatou que apesar do arcabouço normativo das políticas de restauração no Brasil representarem avanços em termos de reconhecimento da necessidade de recuperação ambiental, sua implementação esbarra em entraves como a flexibilização excessiva de normas e concentração dos benefícios em grandes proprietários rurais. Verificou-se também que a participação das comunidades tradicionais nesses processos permanece marginalizada, e seus conhecimentos seguem pouco valorizados nos processos decisórios. O segundo núcleo enfocou nas redes de sementes nativas, que apesar de relevantes nas ações de restauração, enfrentam limitações, como a escassez de sementes, a inadequação da legislação para a realidade das sementes nativas e a fragilidade das conexões com o mercado formal, desafios que em regiões como a Amazônia, são agravados pela dispersão territorial e carência de infraestrutura adequada. O terceiro núcleo apresenta o estudo de caso do PROSAF, realizado no distrito de Mosqueiro, em Belém, PA, com resultados mostrando a potencialidade do projeto para promover ganhos ambientais, sociais e econômicos, particularmente quando articulado à práticas agroflorestais, aos saberes locais e ao apoio institucional. Os beneficiários participantes da pesquisa, relataram experiências positivas, como o aumento de renda, mas também barreiras, como dificuldades no acesso ao crédito. Em sua conclusão, o estudo aponta que a materialização dos objetivos das políticas públicas para a restauração tem como condicionantes a superação de barreiras institucionais, valorização das redes de sementes como infraestrutura sociotécnica, ampliação de mecanismos de participação comunitária e consolidação de um modelo de governança territorial mais inclusivo e adaptado às particularidades regionais.Tese Acesso aberto (Open Access) Paisagem, experiências e sentidos do habitar ribeirinho em Embara-Yó: sensibilidades ontológicas sob o regime de águas marajoaras (PA)(Universidade Federal do Pará, 2026-02-05) SILVA, Felipe Kevin Ramos da; CASTRO, Fábio Fonseca de; unsafe:: http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; VECCHIONE GONÇALVES, Marcela; RAVENA CAÑETE, Thales Maximiliano; PACHECO, Agenor Sarraf; PERDIGÃO, Ana Klaudia de Almeida Viana; http://lattes.cnpq.br/9274854854102856; http://lattes.cnpq.br/6291249974166783; http://lattes.cnpq.br/5839293025434267; http://lattes.cnpq.br/9009878908080486; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0003-0668-8603Esta tese busca analisar e descrever os diálogos/relação entre sociedadenatureza no contexto de uma comunidade ribeirinha do município de Muaná, em Embara-yó (Marajó) – batismo concebido pelos antigos habitantes do grande arquipélago, os Aruãs – mediados pela dinâmica da paisagem, experiências e sentidos de lugar. Com bases fenomenológicas e na interdisciplinaridade, a pesquisa destaca a premência das intersubjetividades amazônicas como ícones referenciais de pesquisas voltadas aos estudos socioambientais em contextos amazônicos. Movimento dialógico entre sensibilidades amazônicas em diversas sintonias existenciais e manifestações ôntico-ontológicas que expressam importantes contribuições para o campo do planejamento e gestão ambiental, tendo em vista as paisagens como finitude, maravilhamento e, ao mesmo tempo, transformação da realidade humana, sendo estas, por sua vez, constituídas por lugares, como um bem comum – para além da ideia utilitarista de “recurso” – que agrega sentidos de habitar, graphias, modos próprios de sentir a vida. Por meio da metodologia qualitativa com a observação participativa, entrevistas abertasespontâneas e registros fotográficos, o estudo justifica-se pela imprescindibilidade de superar dicotomias reducionistas direcionados aos estudos amazônicos referentes às comunidades que habitam as várzeas, em destaque para uma questão condutora: a temporalidade das águas. Nesta conjuntura amazônicomarajoara, propõem-se, portanto, uma fenomenologia das águas, destacando, em nosso caso, a primordialidade das experiências ribeirinhas aos estudos amazônicos, assumindo-as como importantes pilares de políticas públicas que dialoguem com as particularidades do habitar, promovendo, desta feita, articulações de caráter sustentável entre saberes e práticas tradicionais em prol de um bem-viver contextualizado com os sentidos de lugar.Tese Acesso aberto (Open Access) Sustentabilidade dos ecossistemas costeiros: avaliação das pressões e ameaças aos serviços ecossistêmicos na Reserva Extrativista Marinho-Costeira de Maracanã, Pará, Brasil(Universidade Federal do Pará, 2025-12-02) LEITE, Tabilla Verena da Silva; SZLAFSZTEIN, Claudio Fabian; http://lattes.cnpq.br/1348005678649555; https://orcid.org/0000-0002-2855-2056; CORBIN, Hisakhana Pahoona; BAHIA, Mirleide Chaar; SILVA JUNIOR, Orleno Marques da; BORDALO, Carlos Alexandre Leão; http://lattes.cnpq.br/3256845970027095; http://lattes.cnpq.br/6052323981745384; http://lattes.cnpq.br/2646376025820931; http://lattes.cnpq.br/1253955182585852; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0001-7168-2019; https://orcid.org/; https://orcid.org/A sustentabilidade ambiental é uma temática de relevância global no contexto atual, especialmente diante dos crescentes impactos das atividades humanas e pelas mudanças climáticas sobre os ecossistemas naturais. Pesquisas voltadas para essa área têm utilizado a abordagem dos serviços ecossistêmicos como uma ferramenta eficaz para avaliar o estado de conservação e o grau de sustentabilidade dos ecossistemas. Essa perspectiva permite compreender de que forma os benefícios proporcionados pelos ecossistemas às sociedades humanas estão sendo mantidos, degradados ou ameaçados. Esta pesquisa busca analisar a sustentabilidade dos ecossistemas da Reserva Extrativista Marinho-Costeira de Maracanã, zona costeira amazônica, com foco na avaliação das pressões convertendo-as em grau de ameaças aos serviços ecossistêmicos costeiros e na elaboração de respostas estratégicas para gestão e conservação. A pesquisa visa apresentar a situação da sustentabilidade dos ecossistemas da reserva e dos seus serviços ecossistêmicos e as principais pressões e consequentemente as ameaças enfrentadas, oferecendo subsídios para o plano de manejo da área. Para isso, utilizouse uma abordagem metodológica de métodos mistos, integrando dados quantitativos e qualitativos. Os métodos incluem pesquisa bibliográfica e documental, análise de dados geoespaciais, mapeamento de uso e cobertura do solo com base no projeto MapBiomas, e uma classificação preliminar dos serviços ecossistêmicos. Um quadro analítico específico para os serviços ecossistêmicos costeiros foi aplicado para auxiliar na identificação e mapeamento das pressões incidentes na reserva, complementado pelo levantamento de campo para o mapeamento participativo dos serviços ecossistêmicos e respectivas ameaças. Adicionalmente, o Threats Classification Scheme, foi empregado para avaliar ameaças internas e externas. Por fim, uma Matriz de Avaliação e Gestão de Ameaças aos Serviços Ecossistêmicos foi desenvolvida, utilizando a estrutura Drivers-Pressures-State-Impact-Response (DPSIR), para formulação de ações de manejo sustentáveis para a conservação dos ecossistemas costeiros, como indicação para o plano de manejo da área de pesquisa. Como contribuição original, esta pesquisa apresenta um panorama sistematizado das pressões e ameaças que incidem sobre a RESEX de Maracanã, cujos resultados podem subsidiar análises em outras reservas extrativistas do litoral amazônico. O estudo também propõe respostas e estratégias viáveis de enfrentamento a essas ameaças, configurando um referencial prático para a detecção de pressões e a formulação de medidas de gestão em unidades de conservação da categoria RESEX na região.Trata-se, portanto, de uma contribuição inédita para o contexto do litoral amazônico, ainda marcado pela escassez de estudos com esse enfoque. Destaca-se que grande parte das RESEX da região ainda não dispõe de plano de manejo, sendo a identificação de ameaças e a definição de respostas elementos fundamentais para a elaboração e implementação desses instrumentos de gestão.Tese Acesso aberto (Open Access) A Economia do açaí como expressão do circuito inferior integrado da economia urbana no Bairro do Guamá (Belém-Pará)(Universidade Federal do Pará, 2026-01-22) PONTES, Higor Fernando do Nascimento; FERREIRA, Rafael Bastos; http://lattes.cnpq.br/1012804404446479; https://orcid.org/0000-0002-9964-8282; FERNANDES, Danilo Araújo; http://lattes.cnpq.br/2839366380149639; https://orcid.org/0000-0003-1326-9626; TRINDADE JÚNIOR, Saint-Clair Cordeiro da; RAVENA CAÑETE, Thales Maximiliano; SILVA, Harley; VENTURA NETO, Raul da Silva; http://lattes.cnpq.br/1762041788112837; http://lattes.cnpq.br/6291249974166783; http://lattes.cnpq.br/1485109352201821; http://lattes.cnpq.br/9755085578743937; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0001-7124-1002A economia do açaí consolidou-se, nas últimas décadas, como um dos setores mais dinâmicos da Amazônia, articulando dimensões produtivas, culturais e urbanas. Em Belém, especialmente nas áreas de baixada, essa atividade adquiriu papel central na organização do espaço e na reprodução social das bases populares. Tomando como referência o bairro o Guamá, esta tese analisa a atividade dos batedores de açaí como expressão de práticas econômicas híbridas, situadas entre o formal e o informal, e propõe a hipótese da expressão de um circuito intermediário da economia, inspirado na teoria dos circuitos formulada por Milton Santos (1979). A pesquisa adota metodologia de caráter comparativo-longitudinal, integrando bases secundárias (CNEFE/IBGE 2010) e levantamento primário com 50 batedores de açaí, classificado segundo 12 critérios empíricos relativos à formalização, tecnologia, crédito, organização e digitalização. Os resultados indicam a coexistência de práticas de circuito inferior (trabalho familiar, baixa capitalização e redes de proximidade) com elementos do circuito superior marginal (microformalização via MEI, uso de maquininhas, redes sociais e crédito formal). Essa combinação revela um conjunto de agentes econômicos que atuam com tecnificação leve, capital misto e legalidade parcial, caracterizando um circuito inferior integrado que reorganiza o espaço urbano das baixadas. conclui-se que a economia do açaí, ao mesmo tempo em que sustenta a vida popular, produz novas racionalidade territoriais e redefine o papel econômico das periferias de Belém, desafiando a clássica bipolaridade entre o circuito superior e o circuito inferior da economia urbana.Tese Acesso aberto (Open Access) Estivas, tablados, trapiches e outros artefatos urbanísticos: direito à cidade e acessibilidade espacial na Amazônia ribeirinha(Universidade Federal do Pará, 2025-12-11) MONTEIRO, Érica Corrêa; TRINDADE JÚNIOR, Saint-Clair Cordeiro da; http://lattes.cnpq.br/1762041788112837; MERCÊS, Simaia do Socorro Sales das; BAHIA, Mirleide Chaar; LIMA, Michel de Melo; MIRANDA, Rogério Rego; RAVENA CAÑETE, Thales Maximiliano; TAVARES, Maria Goretti da Costa; http://lattes.cnpq.br/8905447990410938; http://lattes.cnpq.br/6052323981745384; http://lattes.cnpq.br/3475876508439922; http://lattes.cnpq.br/4960836976718202; http://lattes.cnpq.br/6291249974166783; http://lattes.cnpq.br/7796891525258446; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0001-7168-2019; https://orcid.org/0000-0003-1757-2235; https://orcid.org/0000-0001-6309-7653; https://orcid.org/; https://orcid.org/Esta tese tem como objeto de estudo a acessibilidade espacial na Amazônia ribeirinha e objetivou analisar a forma que os sujeitos ribeirinhos, com ou sem deficiência ou com a mobilidade reduzida, com suas particularidades socioespaciais e sua diversidade humana, vivenciam a mobilidade e a acessibilidade espacial em seus espaços públicos, em especial nas cidades de Belém (PA), Macapá (AP) e Afuá (PA). A pesquisa problematiza a (re)produção das formas de intervenção urbana impostas em realidades com fortes vínculos ribeirinhos, assim como a importância assumida pelos valores da floresta, dos rios e de outros modos de vida que se fazem presentes nas práticas e vivências do cotidiano dos sujeitos que habitam essas cidades. A tese pauta-se na crítica às políticas urbanas que, juntamente com leis e normas - incluindo as de acessibilidade -, em particular aquelas formuladas a partir de referenciais exógenos, que, ao serem impostas de maneira padronizada, nem sempre vão ao encontro do direito à cidade e de uma vida digna baseada na diversidade urbana e no modo de vida das populações amazônicas. Ancorada no materialismo histórico e dialético, a investigação adota abordagem qualitativa, mobilizando técnicas de levantamento bibliográfico, análise documental, observação sistemática, entrevistas semiestruturadas individuais e em grupo focal, a fim de conhecer com maior profundidade espaços ribeirinhos representativos das três cidades analisadas. Os resultados indicam que a aplicação de modelos urbanísticos padronizados e de acessibilidade baseados em critérios normativos abstratos, desvinculados das especificidades e particularidades socioespaciais amazônicas, tende a intensificar processos de exclusão dos povos ribeirinhos, particularmente no que se refere às pessoas com deficiência e àquelas com mobilidade reduzida. Evidencia-se que os recortes empíricos das três cidades analisadas indicam a viabilidade de uma proposta de futuro orientada à reconciliação entre os desafios de acessibilidade espacial, a técnica moderna e a identidade territorial ribeirinha. Tal perspectiva decorre de um deslocamento do olhar para as próprias cidades tradicionais ribeirinhas, que sugerem modelos alternativos de planejamento urbano e demonstram o potencial desses grupos para ensinar e propor outras formas-conteúdo, alinhadas ao respeito e à valorização da cultura e dos modos de vida da região. Conclui-se que o reconhecimento das formas espaciais tradicionais, bem como das práticas e vivênciasdos diversos corpos que lhes atribuem sentido, constitui condição necessária para a ampliação do conhecimento e para a formulação de políticas de acessibilidade compatíveis com a urbanodiversidade amazônica e com a efetivação do direito à cidade em contextos urbanos diferenciados.Tese Acesso aberto (Open Access) Os Caminhos da água na cidade de Macapá-AP: espaço amazônico e territorialidades contracoloniais(Universidade Federal do Pará, 2025-11-18) BARBOSA, Camilla Souza; CASTRO, Edna Maria Ramos de; http://lattes.cnpq.br/4702941668727146; CASTRO, Fábio Fonseca de; FIGUEIREDO, Silvio José de Lima; VAINER, Carlos Bernardo; PONTE, Juliano Pamplona Ximenes; http://lattes.cnpq.br/5700042332015787; http://lattes.cnpq.br/2578700144404800; http://lattes.cnpq.br/5427258537765956; http://lattes.cnpq.br/9287377245887247; http://orcid.org/0000-0002-8083-1415; https://orcid.org/0000-0002-6810-1639; https://orcid.org/; https://orcid.org/0000-0002-7668-8409Esta tese é um estudo sobre a interação entre a cidade de Macapá-AP e o rio Amazonas, com uma abordagem pelo mundo sensível à procura do entendimento da multidimensionalidade presente na relação entre a cidade e a água. Neste sentido, buscamos uma nova maneira de ver a cidade, com o intuito de contribuir no pensamento sobre as cidades do amanhã. A inversão do olhar é o que nos vai levar ao futuro, para conseguirmos atravessar, como sociedade, o horizonte do Antropoceno. A questãoproblema que movimenta esta tese é: qual a relação entre a significação do rio Amazonas e a produção de espaço urbano em Macapá-AP? A tese é desenvolvida a partir do entendimento das relações de poder inerentes aos processos urbanos que envolvem o rio Amazonas e a cidade de Macapá, a partir do entendimento das colonialidades que perduram no espaço de acordo com a reprodução de formas de dominação entre sujeitos sociais detentores de poder na produção de espaço e os que são invisibilizados. O objetivo principal é compreender o entrelaçamento entre a percepção da realidade e a produção de espaço urbano ao longo das temporalidades inerentes a cidade de Macapá. Os caminhos desta pesquisa buscam esclarecer se o espaço também é um dos campos da reprodução da dinâmica entre conquistados e conquistadores, para investigar se as colonialidades perduram em arranjos e formas urbanas. Desta maneira, os objetivos específicos são: a) discutir o poder da colonialidade no espaço urbano; b) revelar os significados, discursos e imagens existentes na relação da água com o espaço urbano em Macapá; c) analisar como os processos urbanos da cidade de Macapá se encontram associados à sua relação com a água. Os fundamentos teórico-metodológicos desta tese estão na pluriversidade existente no pensamento crítico à dimensão colonial, além de usar da interdisciplinaridade e fenomenologia que se alinham para reconhecer a singularidade que existe no mundo amazônico. Através dos caminhos da água conseguimos ter uma dimensão da multisociodiversidade presente em Macapá, pois mostrou a complexidade existente no espaço amazônico e a possibilidade de contracolonizar através de seus territórios.
